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domingo, 3 de setembro de 2023

O Poder das Escolhas: Moldando o Destino e a Identidade

 


A frase "não escolher também é uma escolha" é uma afirmação frequentemente atribuída a várias fontes, mas não tem uma origem específica ou autor definitivo. No entanto, essa afirmação é amplamente usada para enfatizar que, mesmo quando alguém opta por não tomar uma decisão ou agir, essa decisão de não escolher ainda é uma forma de escolha, com suas próprias implicações e consequências.

Essa ideia destaca o fato de que, em muitas situações da vida, simplesmente não fazer nada ou adiar uma decisão pode ter impactos significativos. Pode resultar em oportunidades perdidas, agravar problemas existentes ou limitar o crescimento pessoal. Portanto, mesmo a inatividade ou a procrastinação são, de certa forma, escolhas que moldam nossa vida.

Em última análise, a mensagem subjacente é que a ação e a inação têm importância e devem ser consideradas como escolhas conscientes, já que ambas têm o potencial de influenciar o rumo da vida de alguém, na politica muitas vezes não queremos escolher entre o candidato A ou o candidato B, resolvemos não votar, e não votando por si só já estamos escolhendo, deixamos ou outros decidirem por nós, assim os outros passam a decidir por nós, quer coisa mais absurda que isto?!

Lembro de Sartre afirmando que a liberdade reside na escolha e ao escolher não escolher, já estamos escolhendo. Fugir da escolha, portanto, é impossível. Da mesma forma como fugir da liberdade é também impossível.

A vida é uma série de escolhas. Desde o momento em que acordamos até o momento em que nos deitamos à noite, estamos constantemente fazendo escolhas. Alguns podem ser triviais, como decidir o que vestir ou o que comer no café da manhã, enquanto outros podem ser mais significativos, como escolher uma carreira, um parceiro ou um local para viver. As escolhas moldam nossas vidas de maneiras profundas e complexas, influenciando nosso destino e nossa identidade.

A tomada de decisão é uma habilidade fundamental que todos nós desenvolvemos ao longo da vida. Envolve a avaliação de várias opções e a escolha daquela que acreditamos ser a mais adequada para nossos objetivos, valores e circunstâncias atuais. No entanto, a complexidade das escolhas pode variar amplamente, quando se tratar das decisões diárias muitas vezes são automáticas e baseadas em hábitos, mas ainda assim têm impacto em nossa qualidade de vida. Coisas simples como escolher uma alimentação saudável, praticar exercícios ou ser pontual no trabalho podem ter efeitos duradouros.

As escolhas que determinam o curso de nossas vidas geralmente exigem uma reflexão mais profunda e podem ser acompanhadas de incerteza e ansiedade. Decidir sobre uma carreira, um parceiro ou um local para viver são exemplos clássicos, portanto sabemos que escolhas têm o poder de moldar nosso destino de várias maneiras, cada escolha que fazemos abre algumas portas e fecha outras. Escolher estudar uma determinada disciplina na faculdade pode levar a oportunidades de carreira específicas, enquanto escolher aprender uma nova habilidade pode abrir novos caminhos em nossas vidas.

Nossas escolhas também desempenham um papel fundamental na construção de nossa identidade. Ao escolher nossos valores, amigos e interesses, definimos quem somos e como nos vemos no mundo, todas as escolhas têm consequências, e é importante reconhecer que somos responsáveis por essas consequências. Isso nos dá um senso de controle sobre nossas vidas e nos capacita a aprender com nossos erros.

O Dilema da Escolha

Embora as escolhas sejam uma parte fundamental da vida, o excesso de opções pode ser esmagador. Isso é conhecido como o "dilema da escolha". Quando confrontados com um grande número de opções, podemos sentir ansiedade e indecisão, o que pode levar a escolhas insatisfatórias ou à paralisia da análise.

Para combater esse dilema, é útil definir prioridades, saber quais são nossos objetivos e valores fundamentais. Isso nos ajudará a filtrar as opções que não se alinham com seus verdadeiros desejos. Em algumas situações, é benéfico limitar as opções para facilitar a escolha. Isso pode ser feito definindo critérios específicos ou pedindo conselhos a pessoas de confiança.

Dilema do relacionamento

Um exemplo clássico de um dilema em que alguém pode não querer escolher é o dilema do relacionamento. Imagine uma pessoa que está em um relacionamento que não a faz mais feliz, mas também não quer machucar o parceiro ou parceira atual terminando a relação. Nesse caso, a pessoa pode se encontrar em um dilema em que não quer escolher entre continuar em um relacionamento infeliz ou terminar e enfrentar a dor da separação.

Essa situação pode ser difícil porque a pessoa está dividida entre duas opções desafiadoras, e a indecisão pode persistir por um longo tempo. A pessoa pode temer o impacto emocional da separação, a reação do parceiro ou parceira atual, ou as implicações sociais e familiares da decisão.

O dilema de não querer escolher em um relacionamento ilustra como a inatividade ou a falta de decisão pode, em si, ser uma escolha difícil, muitas vezes associada a conflitos internos e estresse emocional. No entanto, eventualmente, a pessoa terá que tomar uma decisão, pois a indecisão prolongada também pode ser prejudicial para todas as partes envolvidas.

Dilema politico

Um dilema político em que algumas pessoas podem não querer escolher é a questão do voto em eleições. Isso pode ocorrer por várias razões, incluindo desencanto com todos os candidatos disponíveis, discordância com as políticas de todos os partidos ou uma sensação de que nenhum candidato representa adequadamente suas opiniões e valores. Esse dilema é particularmente relevante em sistemas democráticos, onde o ato de votar é visto como uma responsabilidade cívica importante. Algumas pessoas podem se sentir pressionadas a votar, mesmo quando não têm uma preferência clara por nenhum dos candidatos ou partidos, outras podem resistir a fazer uma escolha quando se sentem incapazes de apoiar plenamente qualquer opção disponível.

O dilema de não querer escolher nas eleições pode levantar questões éticas e políticas importantes sobre a participação cívica e a representação política. Algumas pessoas podem optar por se envolver em atividades políticas não eleitorais, como ativismo ou advocacia, como uma forma de expressar suas opiniões e valores quando não se sentem confortáveis em escolher entre os candidatos disponíveis.

O dilema da polarização política é um desafio significativo enfrentado por muitas sociedades ao redor do mundo. Ele se refere à crescente divisão e conflito entre grupos políticos opostos, que muitas vezes têm visões extremamente divergentes sobre questões importantes. Esse fenômeno pode criar dilemas complexos e impactar profundamente a governança, o diálogo público e a coesão social. Aqui estão alguns aspectos desse dilema, aqui mesmo, no Brasil no ano de 2021 vivenciamos o dilema da polarização política na escolha do presidente da república.

Em ambientes politicamente polarizados, a discordância muitas vezes se transforma em hostilidade. As pessoas podem ficar tão firmemente enraizadas em suas próprias posições que se torna difícil ter um debate construtivo e encontrar soluções de compromisso, A polarização pode dividir comunidades e sociedades, criando um "nós contra eles" que mina a coesão social. Isso pode levar a conflitos interpessoais, isolamento social e até mesmo violência. Em um ambiente politicamente polarizado, os processos de tomada de decisão políticos podem ser obstruídos. A incapacidade de alcançar consenso ou de aprovar legislação pode resultar em paralisia governamental e falta de progresso em questões críticas.

A polarização política pode representar uma ameaça à democracia, especialmente quando as pessoas estão dispostas a comprometer princípios democráticos, como a aceitação de resultados eleitorais ou o respeito às instituições democráticas, em nome de suas próprias agendas políticas. Em ambientes polarizados, as pessoas muitas vezes buscam informações que confirmam suas próprias crenças e evitam fontes que as desafiam. Isso reforça bolhas informativas e impede o diálogo construtivo entre grupos políticos.

As pessoas enfrentam um dilema pessoal em um ambiente politicamente polarizado. Devem permanecer leais a suas próprias convicções políticas, mesmo que isso signifique uma divisão mais profunda, ou devem buscar o diálogo e o compromisso, arriscando serem acusadas de traição à sua própria causa?

Líderes políticos também enfrentam dilemas éticos ao navegarem pela polarização. Devem adotar uma abordagem de confronto para mobilizar sua base ou buscar uma liderança mais conciliatória, mesmo que isso possa alienar parte de seu eleitorado?

Abordar o dilema da polarização política requer um esforço coletivo para promover o diálogo construtivo, a educação cívica e o entendimento mútuo. Também é importante que líderes políticos, instituições e a mídia desempenhem um papel na promoção de um ambiente político mais saudável e na busca de soluções que unam, em vez de dividir, as sociedades.

Dilema político afeta emocionalmente os relacionamentos

O envolvimento emocional no dilema da polarização política pode ter um impacto negativo em relacionamentos pessoais e interpessoais. Quando as pessoas estão profundamente polarizadas em questões políticas, os debates podem se transformar em discussões hostis. Isso pode criar um ambiente tóxico onde as pessoas se sentem atacadas e desrespeitadas, o que pode minar a qualidade dos relacionamentos, podendo dificultar a compreensão mútua entre pessoas com visões políticas opostas. As emoções podem dificultar a empatia e a capacidade de ver o ponto de vista do outro, o que pode criar barreiras no relacionamento.

À medida que as pessoas se afastam de amigos e familiares devido a diferenças políticas, podem se sentir isoladas socialmente. Isso pode levar à solidão e à perda de apoio emocional. Estar constantemente envolvido em debates políticos intensos pode aumentar o estresse e a tensão emocional. Isso pode afetar a saúde mental e o bem-estar emocional das pessoas, o que, por sua vez, pode prejudicar relacionamentos.

O envolvimento emocional na polarização pode tornar a comunicação eficaz difícil. As pessoas podem estar mais inclinadas a falar em termos emocionais em vez de argumentos racionais, o que pode levar a mal-entendidos e conflitos. Para evitar que a polarização política destrua relacionamentos, é importante adotar abordagens construtivas, como reconhecer quando é apropriado discutir política e quando é melhor evitar o assunto, especialmente se a conversa não for produtiva.

Tentar ouvir atentamente o ponto de vista do outro, mesmo que discordemos. A empatia e a compreensão mútua são fundamentais para manter relacionamentos saudáveis. Os relacionamentos são baseados em muito mais do que apenas política. Concentremo-nos no amor, respeito e outros interesses compartilhados que temos com as pessoas em nossa vida.

Manter relacionamentos durante tempos de polarização política requer esforço e comunicação constante. É importante lembrar que as pessoas são complexas e que a política é apenas uma parte de suas identidades, e nós estamos incluídos. O respeito mútuo e a compreensão são essenciais para preservar relacionamentos valiosos.

Vários filósofos ao longo da história abordaram o tema das escolhas em suas obras. Eles procuraram nos transmitir o quanto é importante a decisão de cada um e como nós estamos conectados, a decisão é um ato de liberdade, temos a nossa disposição os ensinamentos de famosos filósofos que marcaram a história.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778): Rousseau é conhecido por seu trabalho "Do Contrato Social" e discutiu a ideia de escolha no contexto da formação de sociedades e governos. Ele explorou como as escolhas individuais podem impactar o contrato social e a organização política.

Immanuel Kant (1724-1804): Kant é famoso por sua ética deontológica, que se concentra na moralidade das ações individuais. Ele explorou a natureza das escolhas morais e como devemos tomar decisões baseadas em princípios racionais e universais.

Søren Kierkegaard (1813-1855): Kierkegaard, frequentemente considerado um dos pais do existencialismo, examinou profundamente as escolhas individuais e a busca pela autenticidade na vida. Ele argumentou que as escolhas pessoais eram cruciais para a existência significativa.

Jean-Paul Sartre (1905-1980): Sartre foi um filósofo existencialista que acreditava que a existência precede a essência. Ele enfatizou a ideia de que somos livres para fazer escolhas e que nossas escolhas moldam nossa identidade e significado.

John Stuart Mill (1806-1873): Mill é conhecido por sua defesa do utilitarismo, uma teoria ética que considera as escolhas em termos de maximizar a felicidade. Ele explorou como as escolhas individuais podem afetar o bem-estar geral.

Aristóteles (384-322 a.C.): Aristóteles discutiu o tema das escolhas em sua ética de virtude. Ele argumentou que a virtude é o resultado de escolhas deliberadas e que a excelência moral é alcançada através do hábito de fazer escolhas virtuosas.

Epicuro (341-270 a.C.): Epicuro fundou o epicurismo, uma filosofia que enfatiza a busca do prazer e a minimização da dor. Ele discutiu como as escolhas individuais podem levar à tranquilidade e ao bem-estar.

Thomas Hobbes (1588-1679): Hobbes abordou o tema das escolhas em seu trabalho "Leviatã". Ele explorou a ideia do contrato social e como as escolhas dos indivíduos levam à formação de governos para garantir a ordem e a segurança.

Esses filósofos ofereceram uma variedade de perspectivas sobre o tema das escolhas, abordando-o sob diferentes ângulos, desde a ética e a moral até a política e a existência pessoal. Suas ideias continuam a ser influentes na filosofia contemporânea e na compreensão da natureza das escolhas humanas. Com eles e através de nossa experiência aprendemos que é preciso aceitar que nem todas as escolhas serão perfeitas. Erros acontecem, mas cada escolha errada é uma oportunidade de aprendizado e sabermos que a vida é uma jornada de escolhas. Cada decisão que tomamos molda nosso destino e nossa identidade

Dilema das escolhas de alguem em situação terminal, o dilema das escolhas mais delicadas

Imaginemos a situação de João, um homem de 50 anos que acaba de receber a devastadora notícia de que tem apenas alguns meses de vida devido a uma doença terminal. Ele é confrontado com escolhas cruciais e difíceis que afetarão profundamente o tempo que lhe resta e a qualidade de vida que terá nesse período limitado.

Que escolhas faríamos se estivéssemos no lugar do João?

A escolha mais comum pode variar de acordo com a pessoa e suas circunstâncias individuais, imagino que seriam estas as mais importantes consideradas por indivíduos que enfrentam um prazo de vida muito curto:

Priorização da Qualidade de Vida: Muitas pessoas optam por focar na qualidade de vida durante o tempo que lhes resta, buscando aliviar sintomas, minimizar a dor e passar tempo com seus entes queridos, criando memórias significativas.

Passar Tempo com a Família: Estar com a família e criar memórias especiais é uma escolha comum. Isso pode incluir viagens em família, reuniões, celebrações e outras atividades que fortaleçam os laços e deixem um legado emocional.

Buscar Realização de Sonhos: Algumas pessoas optam por perseguir seus sonhos não realizados, sejam eles relacionados a viagens, hobbies, arte ou outros projetos pessoais. Isso proporciona um senso de realização e propósito.

Apoio Psicológico: Muitos indivíduos buscam ajuda de profissionais de saúde mental para lidar com o aspecto emocional e psicológico de enfrentar o fim da vida. Isso pode incluir aconselhamento, terapia ou participação em grupos de apoio.

Comunicação e Despedidas: Comunicar-se de forma significativa com amigos e familiares e despedir-se de maneira apropriada é uma escolha fundamental para muitos. Isso pode incluir expressar amor, perdão e gratidão.

Preparação Legal e Documentação: Muitos optam por organizar sua documentação legal, como testamento vital, procuração de saúde e diretrizes antecipadas, para garantir que seus desejos sejam respeitados.

Cada pessoa é única e suas escolhas serão influenciadas por suas próprias experiências, valores, relacionamentos e perspectivas sobre a vida e a morte. O apoio e a compreensão dos profissionais de saúde, amigos e familiares desempenham um papel crucial ao enfrentar essas decisões difíceis.

É importante abraçar o poder das escolhas, reconhecendo que somos responsáveis por nossas ações e que, mesmo diante do dilema da escolha, podemos tomar decisões que nos levem a uma vida mais significativa e satisfatória. Portanto, escolhamos sabiamente, pois nossas escolhas definirão quem somos e quem nos tornaremos, as consequências poderão aparecer a curto, médio e longo prazo, mesmo que não as percebamos, sempre haverá uma consequência, até mesmo quando somos observados, admirados ou servimos como um bom ou mal exemplo.

sábado, 2 de setembro de 2023

Xamanismo Tradicional vs. Xamanismo da Nova Era: Raízes Ancestrais e Espiritualidade Contemporânea


Muito se ouve e se lê a respeito de Xamanismo, no entanto o que percebi foi que algo está estranho e diferente, o que sabia sobre Xamanismo era algo diferente do Xamanismo que atualmente estamos tendo contato, então fui pesquisar em bibliografias e em minha memória de práticas do passado para saber o que havia de estranho e de diferente, antes pensei “nos porquês” de escrever um artigo que explore tanto o xamanismo tradicional quanto o xamanismo atual o qual vou denominar de xamanismo da Nova Era, entendo que possa ser valioso por várias razões.

Inicialmente pela Compreensão Cultural e Histórica, ou seja, comparar e contrastar o xamanismo tradicional e o da Nova Era ajuda a destacar as diferenças culturais e históricas entre essas práticas espirituais. Isso promove uma compreensão mais profunda das raízes e origens dessas tradições.

Minha formação acadêmica me levou ao diálogo interdisciplinar, pois ao abordar essas duas perspectivas diferentes da espiritualidade, pode-se integrar insights de várias disciplinas, como antropologia, estudos religiosos, psicologia e sociologia, promovendo um diálogo interdisciplinar mais amplo e também pelo devido respeito cultural, é importante abordar o xamanismo com respeito às tradições culturais indígenas. Explorar as diferenças entre o xamanismo tradicional e o da Nova Era pode ajudar a conscientizar sobre a apropriação cultural e a importância de respeitar as práticas espirituais das comunidades indígenas.

Além de tudo, pela relevância contemporânea, o xamanismo da Nova Era é uma parte significativa da espiritualidade contemporânea. Ao entender suas raízes e práticas, podemos analisar como elas se adaptaram e evoluíram na sociedade moderna, tratar do tema pode promover o diálogo intercultural, ao examinar as semelhanças e diferenças entre o xamanismo tradicional e o da Nova Era, pode-se contribuir para um diálogo intercultural mais amplo, incentivando a compreensão entre diferentes tradições espirituais e culturas.

Outra razão de grande importância é a exploração da evolução espiritual, a comparação entre o xamanismo tradicional e o da Nova Era também pode permitir uma discussão sobre a evolução espiritual humana, como as práticas espirituais evoluíram ao longo do tempo em resposta às mudanças na sociedade e na cultura, trazendo informação para praticantes e interessados, para aqueles que estão envolvidos no xamanismo ou têm interesse nele, um artigo comparativo pode fornecer informações valiosas sobre as diferentes abordagens, práticas e crenças dentro do campo xamânico.

Então, dito isto, acredito que escrever um artigo comparativo sobre o xamanismo tradicional e o da Nova Era poderá promover uma compreensão mais profunda dessas práticas espirituais e de suas implicações culturais, históricas e contemporâneas, o esclarecimento poderá contribuir para um diálogo mais amplo sobre espiritualidade, diversidade cultural e o papel das tradições espirituais em nossa sociedade atual, afinal nós estamos em constante transformação, estamos em constante evolução e precisamos nos adaptar e adaptar a própria cultura para que possa prosseguir evoluindo.

Vamos lá!

Xamanismo Tradicional vs. Xamanismo da Nova Era: Raízes Ancestrais e Espiritualidade Contemporânea

O xamanismo, uma prática espiritual profundamente enraizada em culturas indígenas de todo o mundo, tem encontrado um ressurgimento notável nas últimas décadas, especialmente na forma do chamado "xamanismo da Nova Era". Neste artigo, explorarei as principais diferenças entre o xamanismo tradicional e o xamanismo da Nova Era, destacando suas raízes ancestrais e sua evolução na espiritualidade contemporânea.

Xamanismo Tradicional: As Raízes Ancestrais

O xamanismo tradicional é uma prática espiritual que remonta a milênios e é característica de diversas culturas indígenas em todo o mundo, incluindo povos nativos da América do Norte, siberianos, africanos, indígenas australianos e muitos outros. Algumas características fundamentais do xamanismo tradicional incluem:

Intermediários Espirituais: Xamãs, os praticantes do xamanismo, atuam como intermediários entre o mundo humano e o mundo espiritual. Eles usam rituais, cantos, danças e frequentemente substâncias psicoativas para se comunicar com espíritos, obter cura e orientação espiritual.

Cura Holística: Uma das funções centrais do xamã é a cura, abordando questões físicas, emocionais e espirituais. Acredita-se que muitas doenças têm causas espirituais, e o xamã trabalha para restaurar o equilíbrio.

Conexão com a Natureza: O xamanismo tradicional está profundamente enraizado na natureza, com a crença de que todos os elementos da Terra têm uma alma ou espírito. A natureza desempenha um papel fundamental nas práticas xamânicas, e muitas vezes as cerimônias são realizadas ao ar livre.

Cultura e Tradição: O xamanismo tradicional é fortemente enraizado na cultura e na tradição de um povo específico. Os rituais, crenças e práticas variam de uma cultura para outra e são transmitidos de geração em geração.

Xamanismo da Nova Era: A Espiritualidade Contemporânea

O xamanismo da Nova Era é uma adaptação moderna e muitas vezes sincretista das práticas xamânicas tradicionais. Ele se distingue em vários aspectos:

Ecletismo Espiritual: O xamanismo da Nova Era é ecleticamente espiritual, incorporando influências de várias tradições religiosas e filosóficas, como o budismo, o hinduísmo, o cristianismo esotérico e outros sistemas de crenças.

Individualismo e Pluralismo: Ao contrário do xamanismo tradicional, o xamanismo da Nova Era valoriza o individualismo e o pluralismo espiritual. Não há uma estrutura hierárquica ou autoridade central, permitindo que os praticantes encontrem seu próprio caminho espiritual.

Ênfase no Desenvolvimento Pessoal: Muitos seguidores do xamanismo da Nova Era procuram principalmente o desenvolvimento pessoal, o autoconhecimento e a cura emocional e espiritual.

Técnicas Modernas e Terapias Alternativas: O xamanismo da Nova Era incorpora técnicas modernas, como meditação, visualização, yoga e terapias alternativas, além do uso ocasional de plantas sagradas ou substâncias psicodélicas para induzir estados de consciência expandida.

Globalização e Compartilhamento de Conhecimento: A globalização e o compartilhamento de informações na era digital contribuíram para a disseminação do xamanismo da Nova Era, permitindo que pessoas de diferentes partes do mundo adotem essa abordagem espiritual.

Um ritual xamânico contemporâneo que é frequentemente praticado

Um ritual xamânico contemporâneo que é frequentemente praticado é a "Jornada Xamânica" ou "Viagem Xamânica". Esse ritual é popular em várias correntes do xamanismo da Nova Era e é uma maneira pela qual os praticantes buscam entrar em estados alterados de consciência para se conectar com o mundo espiritual, obter orientação ou buscar cura. Aqui está uma descrição geral de um ritual de jornada xamânica, vou tentar descrever:

Preparação:

Ambiente Sagrado: O ritual geralmente é realizado em um espaço tranquilo e seguro. Os praticantes podem criar um ambiente sagrado com elementos como velas, incenso e objetos simbólicos.

Música e Batidas de Tambor: A música é frequentemente usada para criar uma atmosfera propícia à jornada. As batidas de tambor, em particular, são usadas para induzir estados alterados de consciência.

Entrando na Jornada:

Relaxamento e Foco: Os participantes começam o ritual relaxando o corpo e focando a mente. A respiração profunda e a meditação podem ser usadas para atingir esse estado.

Visualização: O xamã ou facilitador do ritual pode orientar os participantes a visualizar um local tranquilo, como uma floresta, uma praia ou uma caverna. Esse local serve como ponto de partida para a jornada.

Encontro com Espíritos ou Guias:

Invocação e Intenção: Os participantes estabelecem uma intenção clara para a jornada, seja ela busca por orientação, cura ou respostas para perguntas pessoais. Eles também podem fazer uma invocação aos seus guias espirituais ou aliados.

Encontro Espiritual: Durante a jornada, os praticantes podem encontrar espíritos, guias, animais de poder ou seres espirituais que têm mensagens ou insights para compartilhar.

Exploração e Comunicação:

Diálogo Espiritual: Os participantes podem interagir com os seres espirituais encontrados, fazer perguntas ou simplesmente observar e ouvir as mensagens que lhes são transmitidas.

Exploração do Mundo Espiritual: Além dos encontros espirituais, os praticantes podem explorar o mundo espiritual, descobrindo paisagens, objetos ou símbolos significativos.

Retorno à Consciência Normal:

Tempo Limitado: A jornada xamânica é geralmente limitada a um período de tempo predeterminado, e os praticantes são lembrados de que podem retornar à consciência normal a qualquer momento.

Integração: Após a jornada, os participantes costumam dedicar tempo à reflexão e à integração das experiências. Isso pode envolver a anotação de insights, sentimentos ou mensagens recebidas.


Uma história comum relacionada a experiências xamânicas

Uma das experiências xamânicas mais conhecidas envolve o uso de plantas enteógenas, como a ayahuasca.

A ayahuasca é uma bebida preparada a partir de uma combinação de plantas da Amazônia, e é usada por xamãs e comunidades indígenas na região há séculos. Acredita-se que a ayahuasca possa proporcionar visões e insights espirituais profundos, permitindo que os participantes se conectem com o mundo espiritual, entendam melhor a si mesmos e encontrem cura para várias doenças físicas e emocionais.

Durante uma cerimônia de ayahuasca, os participantes geralmente se reúnem em um ambiente tranquilo e são orientados por um xamã. A experiência pode ser muito intensa, com visões vívidas, sensações de conexão com a natureza e encontros com seres espirituais. Muitas pessoas relatam que essas experiências têm um profundo impacto em suas vidas, levando a mudanças positivas em sua perspectiva e bem-estar, as experiências xamânicas podem variar amplamente de pessoa para pessoa, e a interpretação das visões e insights obtidos durante essas práticas é altamente pessoal.

Retornando a jornada

A jornada xamânica é uma experiência altamente pessoal e subjetiva. Os resultados podem variar de pessoa para pessoa, e a interpretação das experiências espirituais é individual. Muitas vezes, os praticantes relatam sentimentos de bem-estar, cura emocional, intuição aprimorada e um senso de conexão espiritual após realizar essa prática, ao embarcar em qualquer prática xamânica, é importante fazê-lo com respeito, ética e uma compreensão apropriada das tradições culturais que inspiraram essas práticas. A apropriação cultural é uma preocupação relevante, e é fundamental abordar o xamanismo com respeito às tradições das culturas indígenas de onde ele se originou.

Vídeo: https://youtu.be/dfD-Y0eGpgo?list=RDQM3NNEDZM7ySM 


Pontos de Contato entre a Umbanda e Xamanismo

Das religiões brasileiras que tem maior número de pontos de contato com o xamanismo é a Umbanda, minha história dentro do espiritismo e da umbanda me permitiram fazer associações e estabelecer alguns pontos de contato entre a Umbanda e o Xamanismo, logo, me permito discorrer alguns pontos de contato entre ambas. A Umbanda e o xamanismo são sistemas espirituais distintos, mas existem alguns pontos de contato e semelhanças notáveis entre eles, especialmente quando se considera a ênfase na espiritualidade, cura e comunicação com o mundo espiritual. Vamos lá:

Comunicação com o Mundo Espiritual: Tanto na Umbanda quanto no xamanismo, a comunicação com o mundo espiritual desempenha um papel fundamental. Na Umbanda, os médiuns se comunicam com entidades espirituais, como guias e orixás, enquanto no xamanismo, os praticantes buscam se conectar com espíritos, animais de poder e outros seres espirituais em estados alterados de consciência.

Cura Espiritual e Física: Tanto a Umbanda quanto o xamanismo têm uma forte ênfase na cura espiritual e física. Os médiuns umbandistas frequentemente realizam rituais de cura e trabalhos espirituais para ajudar as pessoas a superar problemas de saúde ou desequilíbrios espirituais. Da mesma forma, os xamãs usam práticas ritualísticas, como a extração espiritual, para curar doenças e restaurar o equilíbrio.

Ênfase na Natureza e Elementos Naturais: Tanto a Umbanda quanto o xamanismo têm uma conexão profunda com a natureza e os elementos naturais. Na Umbanda, muitos rituais são realizados ao ar livre, e os orixás frequentemente estão associados a elementos naturais, como água, fogo, terra e ar. No xamanismo, a natureza desempenha um papel crucial, com animais de poder, elementos da natureza e espíritos da terra desempenhando papéis significativos nas práticas xamânicas.

Ritualismo e Cerimônias: Ambos os sistemas espirituais incorporam rituais e cerimônias em suas práticas. Na Umbanda, esses rituais podem incluir danças, cantos e oferendas aos orixás. No xamanismo, as cerimônias muitas vezes envolvem batidas de tambor, danças, cantos e o uso de plantas medicinais ou substâncias psicodélicas para induzir estados de consciência alterados.

Busca por Sabedoria e Orientação Espiritual: Tanto na Umbanda quanto no xamanismo, os praticantes buscam sabedoria espiritual e orientação em suas vidas. Os médiuns umbandistas podem consultar seus guias espirituais para obter conselhos e insights, enquanto os xamãs muitas vezes fazem jornadas espirituais em busca de respostas e orientação.

Embora essas semelhanças existam, é importante reconhecer que a Umbanda e o xamanismo são sistemas espirituais distintos, com suas próprias tradições, crenças e práticas. Cada um tem raízes culturais e históricas diferentes, e suas abordagens para a espiritualidade podem variar consideravelmente. Além disso, as práticas e crenças dentro da Umbanda podem variar dependendo da linhagem e da região geográfica. Portanto, enquanto há pontos de contato, também existem diferenças significativas que devem ser respeitadas e compreendidas ao explorar esses sistemas espirituais.

A Umbanda é uma religião brasileira que cultua divindades e espíritos para buscar orientação e cura, enquanto o xamanismo é uma prática espiritual global que enfatiza a conexão com a natureza e a comunicação com espíritos para alcançar cura e orientação. Algumas entidades espirituais que trabalham para a umbanda, também comparecem no xamanismo sob a vestimenta típica, com suas nuances, linguajar adaptados ao contexto ambiental, respeitando o conhecimento de cada indivíduo que está servindo de vaso transmissor.  Ambos têm abordagens espirituais distintas e são influenciados por suas respectivas culturas e tradições.

Conclusão: Harmonizando o Passado e o Presente

A prática do xamanismo tradicional é profundamente enraizada nas culturas indígenas específicas e, geralmente, envolve um processo de iniciação e treinamento dentro de uma comunidade culturalmente distinta. Os xamãs tradicionais são reconhecidos como líderes espirituais e curandeiros dentro de suas comunidades e passam por um longo período de aprendizado e preparação.

O xamanismo da Nova Era, uma adaptação moderna do xamanismo tradicional, muitas vezes é acessível a pessoas de diversas origens culturais e é mais individualizado. Muitos praticantes da Nova Era buscam a jornada espiritual e a exploração de estados alterados de consciência, seguindo uma abordagem mais pessoal e eclética.

O xamanismo tradicional e o xamanismo da Nova Era representam duas facetas da busca humana por significado, cura e conexão espiritual. Embora o xamanismo da Nova Era tenha evoluído longe das raízes culturais específicas do xamanismo tradicional e, às vezes, tenha sido criticado por apropriação cultural, ambas as tradições compartilham uma busca pela transcendência, cura e compreensão mais profunda da existência humana. A chave está em encontrar um equilíbrio entre honrar as tradições ancestrais e adaptar práticas espirituais para a era moderna, respeitando ao máximo a diversidade cultural e o pluralismo espiritual.

O xamanismo, seja tradicional ou da Nova Era, é uma prática espiritual séria e não deve ser abordado de maneira superficial ou desrespeitosa em relação às tradições culturais e espirituais que o inspiraram. É fundamental respeitar a diversidade cultural, evitar a apropriação cultural e estar ciente das implicações éticas ao explorar práticas xamânicas. Acredito que com o passar do tempo o número de interessados em conhecer tais práticas xamanicas tende a aumentar e, com isto irão proliferar muitos supostos xamãs, portanto cuidado ao dar ouvidos, analise bem quem está se auto intitulando para não ser alvo de espertalhões ou alguém mal informado, pois poderão causar danos. O verdadeiro xamanismo não aprisiona, mas no conecta por livre escolha.

 

Fontes:

Eliade, Ircea. O xamanismo e as técnicas arcaicas do êxtase. Tradução Beatriz Perone-Moisé e Ivone Castilho Benedeiti Martins Fontes, São Paulo 2002

Endereços Sites:

https://journals.openedition.org/horizontes/2277

https://repositorio.ufrn.br/bitstream/123456789/47219/1/Xamanismohojedialogos_Araujo_2022.pdf