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sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Momento da virada, Uma história Real e Uma Sensação - “Será que tudo valeu a pena?”

 



Sabe, aquele momento em que tudo parece mudar de repente na vida de alguém? Chamo isso de "momento da virada". É quando a pessoa tem uma espécie de clique, uma epifania, e começa a se enxergar e ao mundo de uma maneira totalmente nova.

Parece que, nesse instante, a busca por algo mais profundo, algo espiritual, se torna irresistível. É como se a rotina do dia a dia não fosse mais suficiente, e a pessoa começa a questionar o significado da vida. Isso é algo que muitos espiritualistas valorizam muito. Esse momento da virada pode ser resultado de muitas coisas. Talvez alguém tenha tido uma experiência mística, como um encontro profundo com a natureza, ou uma meditação reveladora. Ou talvez tenha passado por um período de dificuldades, o famoso "fundo do poço", que os levou a buscar respostas espirituais.

A conexão entre o bem-estar espiritual e o bem-estar material é um aspecto importante da vida que não pode ser ignorado. Embora muitas vezes haja uma ênfase na busca da realização espiritual, é fundamental reconhecer que a vida material desempenha um papel significativo em nosso conforto e qualidade de vida. Um estado de bem-estar espiritual pode influenciar positivamente o bem-estar material, pois pode nos dar a força, a clareza e a motivação para tomar decisões sábias, desenvolver relacionamentos saudáveis e enfrentar desafios com resiliência.

A espiritualidade muitas vezes está ligada a valores como compaixão, generosidade e empatia, que podem impactar positivamente nossas interações com outras pessoas e nossa capacidade de criar um ambiente social e econômico mais harmonioso. A estabilidade material também desempenha um papel importante em nossas vidas. Ter acesso a necessidades básicas como moradia, alimentação, cuidados de saúde, educação e lazer é fundamental para nosso conforto e segurança. A falta dessas necessidades básicas pode ser um obstáculo para a busca de uma vida espiritual significativa.

A interconexão entre a espiritualidade e a vida material destaca a importância de equilibrar essas duas dimensões. A espiritualidade pode nos dar orientação e significado na vida, enquanto o cuidado com as necessidades materiais é fundamental para nossa sobrevivência e conforto. Encontrar esse equilíbrio pode ser um desafio, mas é um aspecto importante do desenvolvimento pessoal e da busca de uma vida satisfatória. Em vez de ver o bem-estar espiritual e material como opostos, é produtivo considerar como eles podem trabalhar juntos em harmonia para criar uma vida equilibrada e significativa. Cada pessoa pode encontrar seu próprio equilíbrio pessoal com base em suas crenças, valores e circunstâncias individuais.

O legal é que, a partir desse ponto, muitas pessoas se engajam em fazer cursos de aprimoramento e práticas espirituais, como a meditação, yoga, leitura de textos sagrados ou até mesmo simplesmente tentam viver uma vida mais consciente e compassiva. É como se essa virada fosse a faísca que acende a chama da busca espiritual. E o que é interessante é que, para muitos, esse momento de virada também é uma oportunidade de se conectar com algo maior, seja Deus, o universo, ou uma força espiritual que transcende a compreensão. É como se a pessoa sentisse uma conexão profunda com algo divino.

No final das contas é importante termos uma filosofia para vida que abraçe esses momentos de virada como parte intrínseca da experiência humana. Eles nos lembram que a busca de sentido, propósito e conexão com o divino está presente em todos nós, e que, de vez em quando, todos nós podemos ter esse momento que muda tudo. E, quem sabe, talvez tenha acontecido com você ou esteja prestes a acontecer. Nem todos os momentos de virada são permanentes, e muitas pessoas experimentam altos e baixos em suas jornadas espirituais e de vida. Esses momentos de virada podem, de fato, parecer ilusórios ou temporários para algumas pessoas, isso não significa que eles não tenham valor ou significado.

Os altos e baixos fazem parte da experiência humana. Às vezes, um momento de virada pode ser uma epifania poderosa que inspira uma pessoa a buscar mudanças positivas em sua vida e a se voltar para questões espirituais. No entanto, a vida é complexa, e as circunstâncias e desafios podem fazer com que alguém se sinta distante desse momento de clareza. Isso não deve ser motivo para desencorajar a busca espiritual. A espiritualidade é um processo contínuo, e cada indivíduo tem seu próprio caminho único. Mesmo que os momentos de virada sejam temporários, eles podem servir como pontos de referência em que alguém experimenta crescimento pessoal e insights profundos.

Precisamos lembrar que a espiritualidade não se trata apenas de alcançar um estado de perfeição ou de manter uma clareza constante. É sobre a jornada, as lições aprendidas ao longo do caminho e o desenvolvimento da compreensão de si mesmo e do universo. Além disso, o conceito de ilusão na espiritualidade pode ser interpretado de diversas maneiras, e muitos sistemas de crenças reconhecem que a vida é cheia de flutuações e desafios.

Os momentos de virada podem ser temporários, mas ainda assim têm seu valor na medida em que podem iniciar processos de crescimento e reflexão espiritual. A jornada espiritual é frequentemente caracterizada por altos e baixos, e isso é completamente normal. O importante é continuar indo em frente buscando respostas e significado em sua própria jornada espiritual, independentemente de sua natureza temporária.

A busca pela felicidade constante é um desejo humano compreensível, mas a realidade da vida é que ela é repleta de altos e baixos. A felicidade não é um estado permanente; é uma emoção que vem e vai à medida que enfrentamos diferentes situações, desafios e experiências na vida. A vida é uma jornada que inclui momentos de alegria, tristeza, sucesso, fracasso, amor, perda e muitas outras emoções e eventos. Essa diversidade de experiências é o que torna a vida rica e significativa. Se experimentássemos apenas a felicidade o tempo todo, provavelmente não valorizaríamos nem entenderíamos verdadeiramente o que é a felicidade.

A busca constante pela felicidade pode criar pressão e ansiedade desnecessárias. É importante aceitar que momentos de tristeza, desafios e dificuldades fazem parte da vida. Eles nos ajudam a crescer, aprender e apreciar os momentos de alegria e realização ainda mais. A filosofia de vida do equilíbrio e da aceitação é muitas vezes promovida em várias tradições espirituais e filosofias. Isso envolve aceitar os altos e baixos da vida, encontrando paz na aceitação do que não podemos controlar e buscando maneiras de lidar positivamente com as adversidades.

Em vez de buscar a felicidade constante, muitas pessoas buscam o contentamento e a resiliência, aprendendo a lidar com as mudanças da vida de forma mais equilibrada. Isso não significa que você não deva buscar a felicidade, mas que você deve entender que ela é parte de um espectro maior de emoções que compõem a experiência humana. Portanto, é saudável e realista aceitar que a vida é uma montanha-russa emocional, e encontrar formas de lidar com esses altos e baixos de maneira construtiva e equilibrada pode ser uma parte importante de uma vida satisfatória.

Muitos são os casos vemos e o passar dos acontecimentos mais ou menos assim. Um exemplo na vida real disto que estamos falando está na luta acirrada do dia a dia de um musico como a de muitos que conhecemos, não é difícil saber de algum, ainda mais porque sua vida é pública e as pessoas se interessam em saber como é a vida deles, vamos imaginar uma pessoa que sempre sonhou em se tornar um músico de sucesso e dedicou anos de sua vida à música. Ele passou por altos e baixos em sua carreira, tocando em bares locais e festas privadas enquanto trabalhava em empregos paralelos para pagar as contas. Durante um desses momentos difíceis, ele estava prestes a desistir de sua carreira musical, sentindo-se desanimado com a falta de reconhecimento e as dificuldades financeiras.

Um dia, ele teve um momento de virada. Ele escreveu uma música que tocou profundamente as pessoas e começou a receber reconhecimento local. As pessoas começaram a compartilhar sua música nas redes sociais, e ele foi convidado a se apresentar em um evento importante. Parecia que sua carreira finalmente estava decolando, ele estava em êxtase. Mas, como a vida é cheia de altos e baixos, ele também enfrentou desafios durante esse período de sucesso. Ele se sentia sobrecarregado pela pressão de corresponder às expectativas, tinha dificuldades em lidar com os contratos e a gestão de sua carreira, e também enfrentou conflitos pessoais com membros de sua banda.

Ele experimentou tanto a alegria da realização de seu sonho quanto a pressão e o estresse que vieram com ele. A vida musical dele não era uma linha reta de sucesso constante, mas sim uma jornada cheia de altos e baixos, momentos de felicidade e momentos de desafio. Essa história é real, porque destaca como a vida está cheia de reviravoltas e como a busca por sonhos e realizações pessoais pode envolver uma série de altos e baixos. De memória tenho de pronto Cazuza, Renato Russo, Kurt Cobain, o lendário líder da banda Nirvana, entre outros. É importante lembrar que esses altos e baixos são uma parte natural da experiência humana e podem, de fato, contribuir para o crescimento e a aprendizagem ao longo do caminho, e vale para todos nós que estamos neste mundão lutando para conquistar um espaço e até mesmo sobreviver de maneira digna.

É normal termos a sensação de questionar se "tudo valeu a pena" acontece com muita gente, não é mesmo? Às vezes, a vida nos joga algumas curvas inesperadas e nos faz repensar nossas escolhas. É como olhar para uma montanha-russa. Às vezes você está no alto, sentindo a adrenalina e achando tudo incrível. Em outros momentos, está lá embaixo, segurando firme e pensando: "Será que isso vale a pena?". É uma experiência comum.

Os altos e baixos estão presentes na vida de todas as pessoas, independentemente de sua profissão, situação financeira, relacionamentos ou circunstâncias individuais. A vida é cheia de desafios e oportunidades, e todos nós enfrentamos momentos de alegria, sucesso, bem como momentos de tristeza, dificuldade e incerteza. Situações como desemprego, desafios empresariais, problemas na vida amorosa, questões de saúde e muitos outros desafios fazem parte da experiência humana. Como indivíduos, muitas vezes temos que lidar com esses altos e baixos e buscar maneiras de enfrentar e superar adversidades.

A forma como enfrentamos esses altos e baixos pode variar de pessoa para pessoa, mas a resiliência, o apoio social, a busca de soluções criativas e a manutenção de uma mentalidade positiva podem ser ferramentas valiosas para navegar por essas situações. É importante lembrar que as dificuldades e os desafios também podem ser oportunidades de crescimento, aprendizado e autoconhecimento. Muitas vezes, os momentos de baixa nos incentivam a buscar soluções, a reavaliar nossas prioridades e a crescer como indivíduos.

Os altos e baixos fazem parte da experiência universal da vida, e como enfrentamos esses desafios pode moldar quem somos e como vivemos nossas vidas. É importante reconhecer que todos nós passamos por essas flutuações, e não estamos sozinhos em nossa jornada.

Sabemos, essa montanha-russa é única para cada um de nós. Ela é feita de altos e baixos, mas também de curvas, surpresas e reviravoltas. Tudo o que você vive, seja bom ou ruim, faz parte da sua história e molda quem você é. Então, vale a pena? Bem, essa é uma pergunta que somente cada um de nós pode responder. Pode ser que, no meio das curvas e giros da vida, você encontre momentos e pessoas que fazem tudo valer a pena. E às vezes, esses altos e baixos nos mostram o que realmente importa. Então, continue aproveitando a montanha-russa da vida, com todas as suas reviravoltas, e lembre-se de que o valor de cada experiência é algo muito pessoal.

A filosofia faz destas coisas com a gente, falamos e falamos, e pensamos mais ainda. Espero que esta reflexão possa colaborar com alguém e o ajude a “despertar” dentro de si motivação para seguir em frente, sei que não motivamos os outros, pois a pessoa tem de encontrar dentro de si a motivação para seguir em frente, depende de um ato de vontade própria. Vamos seguir em frente com fé, trabalho e coragem!

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Inaugurando um mate filosófico: Vivendo Além da Vida com Um Olhar Descontraído sobre o Tempo e o Legado com Nietzsche e Foucault


Ah, o tempo - esse misterioso e incontrolável fluxo que define nossas vidas e, de alguma forma, nos faz sentir como se estivéssemos em um eterno jogo de esconde-esconde com ele. Às vezes, nos deparamos com conceitos que desafiam nossa noção habitual de tempo e idade, nos fazendo arquear as sobrancelhas e questionar a lógica da vida. Um desses momentos é quando nos damos conta de que, de alguma maneira, estamos "mais velhos" que nosso pai. Mas espera aí, não é esse o tipo de coisa que contradiz a ordem natural das coisas?

Num momento descontraído apreciando o sorver do mate amargo, resolvi jogar uma luz descontraída sobre esse paradoxo peculiar. Mentalmente resolvi desvendar a teia de percepções e ideias que nos fazem sentir que, de certa forma, estamos vivendo além do tempo do meu pai, mesmo após sua partida. Pensei em explorar como a influência eterna deles nos afeta e como o legado que deixam continua a envelhecer conosco. Afinal, talvez, em algum lugar entre as linhas do tempo e as lições aprendidas, possamos encontrar um entendimento inusitado sobre o que significa viver, mesmo depois da última respiração. Cruzei o portal do tempo e embarquei nessa jornada filosófica e paradoxal, e quem sabe, poderia encontrar um novo olhar sobre minha/nossa própria existência.

A vida é uma jornada marcada por paradoxos intrincados e questões sem resposta definitiva. Um desses paradoxos se apresentou quando refleti sobre a ideia de ser mais velho que meu progenitor já falecido, o que a princípio parecia uma contradição lógica, revelou-se uma oportunidade de explorar os limites do tempo e da continuidade da existência, hoje tenho os cabelos brancos que meu pai não teve tempo de branquear os seus, coisa que o tempo em seu jogo de transformações joga sobre todos nós as marcas de quem viveu bastante e caminhou de mãos dadas com ele.

Convidei Nietzsche para tomar o mate comigo e refletirmos a respeito do tema, o convidei por ser um dos pensadores mais "fora da caixa" da filosofia. Esse cara tinha uma visão sobre o tempo e a existência que era uma verdadeira montanha-russa intelectual. Nietzsche nos convida a repensar a vida além das regras convencionais e a abraçar a complexidade do nosso ser. Agora, pensemos nesse paradoxo de ser "mais velho" que o pai. Nietzsche nos diria para questionar tudo, inclusive nossa noção tradicional de tempo. Ele nos encorajaria a olhar para a influência duradoura que nossos pais têm em nós, mesmo após sua passagem, e ver isso como uma continuação de sua existência. É como se estivéssemos dançando ao ritmo da música que nossos pais começaram a tocar, e a festa continua mesmo depois que eles saíram da sala. Vamos explorar como Nietzsche pode nos ajudar a desconstruir as ideias convencionais de tempo, envelhecimento e legado, e quem sabe, descobrir uma nova maneira de abraçar o eterno movimento da vida, mesmo quando parece que a música parou. Afinal, se há alguém que sabia como fazer uma revolução filosófica, era esse cara de bigode peculiar! Então, vamos entrar na dança e ver onde ela nos leva.

Entre um mate e outro, numa pausa Nietzsche sugeriu trazer a metáfora do "martelo" para adicionar uma camada interessante à nossa reflexão sobre o paradoxo da longevidade póstuma, falou sobre a necessidade de sermos como um "martelo" em relação às nossas crenças e ideias. Ele nos convidava a questionar e desafiar as noções estabelecidas, a fim de criar novos entendimentos e perspectivas. Assim como um martelo que quebra algo em pedaços para possibilitar a construção de algo novo, nós, como indivíduos, devemos questionar as noções tradicionais de tempo e existência.

Nesse contexto, concordei com Nietzsche, podemos aplicar a metáfora do martelo para quebrar a rigidez da percepção linear do tempo, ao questionar a noção convencional de "ser mais velho que o pai", estamos, de certa forma, empunhando o martelo de Nietzsche para quebrar as limitações que essa ideia aparente impõe. Ao quebrar essa rigidez, podemos ver a longevidade póstuma não como uma contradição, mas como uma expansão do conceito de tempo e existência. A influência contínua dos pais e o legado cultural se tornam os fragmentos que nos permitem construir uma compreensão mais rica e nuanceada do que significa envelhecer além das fronteiras convencionais, as vezes é preciso empunhar o "martelo" filosófico de Nietzsche e, com determinação, quebrar as barreiras que nos limitam a uma visão unilateral do tempo e da existência e ver que, às vezes, a chave para a sabedoria está em desafiar nossas ideias preconcebidas e abraçar o desconhecido com coragem.

O Tempo e Sua Complexidade: O tempo, entidade abstrata que estrutura nossa realidade, é fonte de inúmeras indagações filosóficas, em nossa compreensão cotidiana, o tempo flui em uma direção única, da juventude para a velhice, da concepção à morte. Entretanto, ao considerar a morte de uma figura paterna, somos compelidos a reavaliar essa perspectiva linear, é uma sensação estranha que nos retira desta linha até então aparentemente segura.

O Paradoxo da Longevidade Póstuma: Ao morrer, um pai deixa um legado duradouro. Se considerarmos a influência contínua desse legado sobre o filho, é possível argumentar que, em certo sentido, a presença do pai persiste mesmo após sua morte. A sabedoria transmitida, os ensinamentos e as lembranças permanecem vivos na mente e no coração do filho, aprendemos através de nossa vivência a ver como fazer ou não fazer da vida uma experiência boa ou ruim.

Nessa análise, pude vivenciar um tempo pós-morte do pai, em que a influência e as lições continuam a moldar minha jornada. Portanto, o filho se torna "mais velho" na experiência acumulada após a morte do pai, mesmo que isso contradiga a interpretação linear convencional da passagem do tempo, a memória afetiva é algo impressionante, o esquecimento também é um remédio providencial que ameniza algumas vivencias desagradáveis que não gostaríamos de recordar, mas também são exemplos a serem ou não seguidos, afinal nem tudo que vivemos em nossa juventude gostaríamos de ter vivido daquele jeito, pensamos que talvez pudesse ter sido diferente, será? Penso que nascemos e vivemos da maneira como Deus decidiu, nada é por acaso!

O Enigma da Herança Cultural: Além da influência individual, a sociedade e a cultura também exercem influência sobre o indivíduo. A herança cultural é uma extensão da influência póstuma, onde as tradições, os valores e a história perduram mesmo após a morte dos antecessores. Assim, o indivíduo continua a envelhecer, não apenas em anos de vida, mas em termos de conhecimento e sabedoria cultural transmitidos, não na forma de acumulado de experiências, mas da reforma constante tamanha a plasticidade que a vida nos proporciona em oportunidades e escolhas podemos construir, cada um de nós, nossas próprias vidas à nossa maneira.

Enquanto pensava sobre esta necessária vivência, lembrei que da história mítica de Adão e Eva, a infância não é parte de sua narrativa mítica, ou seja, eles não tiveram infância, um foi criado do barro e ela de uma costela dele, surgiram por vontade de Deus que os criou adultos. A infância é considerada fundamental para o desenvolvimento e aprendizado dos seres humanos na realidade, as experiências são necessárias para moldar nosso caráter e personalidade, a infância é a maçã que precisa ser comida todos os dias para adquirirmos conhecimento de como viver neste mundão, ninguém escapa disto, assim seguimos nesta caminhada da infância a velhice.

Vejamos quanto aprendemos com esta narrativa mítica, a maçã representa o ato de desobediência de Eva ao comer o fruto proibido, desencadeando a queda da humanidade do estado de inocência para um estado de consciência do bem e do mal. É um símbolo da desobediência, transgressão e da quebra de regras divinas. Ao comer a maçã, Eva ganhou o conhecimento do bem e do mal, levando-a a uma consciência moral. Representa o desejo humano inato de adquirir conhecimento e compreensão. É vista como um símbolo da maturidade e crescimento, já que comer o fruto proibido resultou em uma compreensão mais profunda da existência e das escolhas morais. É frequentemente associada à tentação, com a serpente persuadindo Eva a desobedecer a Deus e comer o fruto proibido, o que levou à introdução do pecado original na humanidade. Vivemos num mundo paradoxal, nossa sobrevivência depende de nosso aprendizado sobre bem e o mal, precisamos viver coisas boas e ruins, tudo faz parte de um grande processo paradoxal da vida.

O paradoxo de ser mais velho após a morte de meu pai me ofereceu uma oportunidade para repensar minha compreensão do tempo e da existência. A vida e a morte, longevidade e envelhecimento, são conceitos interconectados que desafiam nossas percepções lineares tradicionais. Ao abraçar as complexidades desse paradoxo, somos levados a refletir sobre a natureza fluida da existência e a infinita extensão do impacto humano. Afinal, em um universo de dualidades, o paradoxo é a expressão mais autêntica da nossa busca incessante pela verdade e pelo entendimento, nada é por acaso, precisamos ter apetite para comer uma maçã por dia, filosófica e literalmente, não se trata de desobediência, mas de sobrevivência.

Um mate sempre atrai os amigos, Foucault que ainda não havia experimentado um mate experimentou e em principio estranhou, na segunda vez que sorveu já tinha sua opinião a respeito bebida, pediu mais um, assim se aprochegou, tendo ouvido minha conversa com Nietzsche tomou a palavra complementando o que havíamos falado até ali expondo suas ideias sobre o tema, Foucault conhecido por suas análises sobre poder, conhecimento e história, ofereceu uma perspectiva crítica sobre como a sociedade molda nossa compreensão de conceitos como tempo, vida e morte. 

Sua abordagem arrojada nos convidou a questionar as normas estabelecidas e a olhar para além das percepções convencionais. Ao incorporar a visão de Foucault, pudemos refletir como as influências e legados deixados pelos nossos pais continuam a nos moldar, transcendendo a própria existência deles. Isso nos permite analisar o paradoxo da longevidade póstuma através da lente da influência cultural e social, ampliando nosso entendimento sobre a complexidade do tempo e da herança. Enfim, foi uma ótima conversa hipotética, mas muito elucidadora, terminou a agua quente da térmica, terminou o mate, ficaram apenas as ideias fervilhando na cabeça, os amigos foram embora retornando a seu tempo e aos livros que ficarão aguardando uma próxima conversa numa sessão de mate amargo.