Pesquisar este blog

terça-feira, 7 de novembro de 2023

Vontade de Desejo: Uma Exploração da Motivação Humana

Você já se pegou em um daqueles dilemas difíceis em que parece impossível escolher entre o que você quer e o que realmente precisa? Bem, você não está sozinho. A motivação humana é como um quebra-cabeça complexo, e um dos pedaços mais intrigantes desse quebra-cabeça é a relação entre a vontade e o desejo. Então, vamos entrar no território da psicologia e da filosofia para explorar o conceito de "vontade de desejo" e como ele molda nossas vidas. E para dar vida a isso, vamos imaginar em uma situação hipotética que muitos de nós podem se relacionar - o dilema de Julia, uma jovem em busca de sucesso profissional, mas também anseia por uma vida pessoal significativa, quantos de nós já entrou nesta viagem pelo labirinto da motivação humana, onde desejos e vontade colidem em uma dança intrigante.

Antes vamos entender a diferença entre "vontade" e "desejo", embora esses termos frequentemente sejam usados de forma intercambiável em algumas situações. Aqui estão as principais distinções entre eles:

Vontade: A vontade se refere à capacidade de uma pessoa de tomar decisões conscientes e agir com base em escolhas racionais. Ela está relacionada à força de caráter e à determinação de uma pessoa para alcançar seus objetivos ou cumprir suas responsabilidades. A vontade muitas vezes envolve o autocontrole e a capacidade de resistir a impulsos ou tentações em prol de objetivos a longo prazo.

Desejo: O desejo é uma expressão de uma preferência ou anseio por algo. Pode ser uma emoção, um sentimento ou um impulso de querer algo específico, como comida, sucesso, amor, prazer, etc. Os desejos podem ser conscientes ou inconscientes e podem ser baseados em impulsos emocionais, instintos ou simples preferências pessoais. Os desejos nem sempre são racionais e podem mudar com o tempo.

A vontade está mais relacionada à tomada de decisões racionais e à capacidade de resistir a impulsos, enquanto o desejo refere-se a preferências e anseios pessoais. No entanto, esses conceitos podem se sobrepor em muitos casos, já que as decisões racionais também podem ser influenciadas pelos desejos pessoais, vivemos num mundo de muitas ilusões, embora ilusões em si não sejam desejos, em algumas situações, as ilusões podem criar a ilusão de que desejos estão sendo realizados ou que algo desejado está acontecendo. Por exemplo, alguém pode experimentar uma ilusão de que encontrou o parceiro perfeito, mas essa percepção distorcida da realidade pode não corresponder à verdade, e o desejo de um relacionamento idealizado pode ser temporariamente satisfeito, criando uma ilusão. Portanto, enquanto ilusões são distorções da percepção da realidade, os desejos são anseios pessoais e aspirações que podem influenciar a forma como percebemos o mundo ao nosso redor. No entanto, nem todas as ilusões estão necessariamente ligadas a desejos passageiros. Elas podem ocorrer devido a processos perceptuais complexos e não necessariamente refletem nossos desejos pessoais.

A motivação humana é um campo complexo e multifacetado, estudado por filósofos, psicólogos e cientistas sociais ao longo da história. Um aspecto intrigante desse tópico é a relação entre a vontade e o desejo. Neste artigo, exploraremos o conceito de "vontade de desejo" e como ele pode moldar nossas escolhas e ações. Para ilustrar essa ideia, apresentaremos uma situação hipotética que exemplifica a interação entre a vontade e o desejo.

A Vontade de Desejo

A vontade de desejo pode ser definida como a força motivadora que nos impulsiona a buscar a realização de nossos desejos e anseios. Ela representa a dimensão da motivação que está profundamente enraizada em nossa psicologia, influenciando nossas escolhas, comportamentos e ações. Enquanto alguns desejos podem ser conscientes e racionais, outros são mais profundos e muitas vezes operam em níveis subconscientes.

Uma abordagem contemporânea desse conceito reconhece que nossos desejos são multifacetados e podem incluir o desejo de prazer, sucesso, segurança, pertencimento, realização pessoal e muito mais. A vontade de desejo é o impulso que nos leva a buscar ativamente a satisfação desses desejos.

Vamos a uma situação hipotética, sempre é interessante levar a teoria até uma possível realidade, “possível” porque já aconteceu, acontece e poderá acontecer: O dilema de Julia

Para entender melhor a vontade de desejo, consideremos a situação hipotética de Julia, uma jovem profissional que enfrenta um dilema em sua vida, assim como ela muitos de nós já experimentamos esta encruzilhada.

Julia trabalha em uma empresa de consultoria de renome e se esforçou para chegar aonde está. Ela tem um desejo profundo de sucesso e reconhecimento profissional, o que a motiva a trabalhar duro e enfrentar desafios com determinação. No entanto, ao longo dos anos, Julia negligenciou sua vida pessoal. Seu desejo de sucesso a levou a sacrificar relacionamentos e momentos de lazer, deixando-a sentindo-se isolada e insatisfeita em sua vida pessoal.

Nesse cenário, a vontade de desejo de Julia é um conflito interno entre seu desejo de sucesso profissional e seu desejo de felicidade e relacionamentos pessoais. Ela se sente dividida entre seguir a rota que a trouxe até aqui e se permitir o tempo para cuidar de sua vida pessoal. Aqui, a vontade de desejo de Julia está em ação. Sua motivação para o sucesso a levou a priorizar sua carreira, mas agora, a satisfação de seus desejos pessoais se tornou uma força motriz igualmente poderosa. Julia está enfrentando o desafio de equilibrar esses desejos concorrentes e decidir como direcionar sua vontade para atender às duas áreas de sua vida.

A situação hipotética de Julia destaca a complexidade da vontade de desejo e sua influência sobre nossas escolhas e ações. O conflito entre desejos concorrentes é uma experiência comum na vida das pessoas e pode ser especialmente desafiador quando se trata de tomar decisões significativas.

Há pessoas que tem maior dificuldade em tomar decisões, sejam quais forem.  Penso que todo mundo conhece alguém que fica "travado" na hora de fazer escolhas. Aquele amigo que leva horas para decidir onde comer, ou a colega que nunca consegue escolher um filme para assistir. É super normal! Às vezes, a dificuldade em tomar decisões está ligada ao jeito de ser da pessoa, tipo os perfeccionistas que querem tudo perfeito. Outras vezes, é por causa de situações passadas ou a ansiedade que fica gritando na cabeça. Mas no final das contas, todo mundo tem seus momentos de incerteza. Eu mesmo já fiquei horas na frente do cardápio de um restaurante sem saber o que pedir. É a vida! Mas, precisamos seguir fazendo escolhas, isto ocorre o tempo todo.

Compreender a interação entre a vontade e o desejo é fundamental para navegar por esses dilemas e alcançar um equilíbrio satisfatório em nossa vida. A vontade de desejo pode ser uma força poderosa que nos leva a perseguir nossos objetivos, mas também é importante lembrar que, em última análise, somos os mestres de nossas escolhas e podemos direcionar nossa vontade para alcançar uma vida equilibrada e significativa. A exploração contínua desses conceitos pode nos ajudar a compreender melhor a motivação humana e aprimorar nossa capacidade de tomar decisões conscientes e satisfatórias.

A exploração do tema "vontade de desejo" envolve uma ampla gama de fundamentações teóricas provenientes da filosofia, da psicologia, da neurociência e de outras disciplinas, a leitura é muito importante em nossas vidas, o tema que abordamos está presente na vida de todos nós, então é relevante que cada um tenha o interesse ou a curiosidade de ler o que outros antes de nós já escreveram e pensaram muito sobre o tema, tais como:

Filosofia da Vontade: Arthur Schopenhauer: Schopenhauer, um filósofo alemão do século XIX, desenvolveu a filosofia da vontade, que enfatiza a importância da vontade na motivação humana. Sua obra "O Mundo como Vontade e Representação" explora a ideia de que a vontade é a força motriz por trás de todos os fenômenos, incluindo desejos e anseios.

Psicanálise: Sigmund Freud: Freud, o fundador da psicanálise, introduziu a ideia de que a motivação humana é impulsionada pelo desejo e pelo prazer. Suas teorias sobre o Id, Ego e Superego, bem como os estágios do desenvolvimento psicossexual, estão intrinsecamente ligadas aos desejos e à motivação.

Teoria da Autodeterminação: Edward L. Deci e Richard M. Ryan: Esses psicólogos desenvolveram a Teoria da Autodeterminação, que explora como as pessoas são motivadas a agir de maneira autônoma. A teoria considera fatores como a realização de desejos, a competência e a conexão social como componentes-chave da motivação.

Neurociência: Neurotransmissores e Circuitos de Recompensa: Pesquisas em neurociência têm identificado neurotransmissores e circuitos cerebrais que desempenham um papel importante na motivação, recompensa e satisfação de desejos. Por exemplo, a dopamina é frequentemente associada à sensação de recompensa.

Teoria da Autodeterminação e Necessidades Humanas Básicas: Richard M. Ryan e Edward L. Deci: Além da Teoria da Autodeterminação, os autores também desenvolveram a ideia de que as pessoas têm necessidades básicas psicológicas, incluindo autonomia, competência e relacionamentos, que influenciam a motivação e a busca de desejos.

Psicologia Positiva: Martin Seligman e Mihaly Csikszentmihalyi: A Psicologia Positiva explora conceitos como a busca da felicidade, a realização de potencial e a importância de experiências positivas na vida. Essa abordagem pode estar relacionada à satisfação de desejos e à busca de significado na vida.

Acredito que diante das teorias desenvolvidas por estes pensadores temos um belo caminho para escolher o que mais se adapta as nossas ideias, olha só a encruzilhada da escolha. Com certeza o que eles disseram e escreveram oferecem uma base sólida para a compreensão da relação entre a vontade e o desejo, bem como para a exploração das motivações humanas, entendo que seja uma abordagem interdisciplinar que combina elementos da filosofia, psicologia, neurociência e teorias contemporâneas da motivação, podem enriquecer ainda mais a análise desse tema complexo.

Quanto mais lemos e estudamos temos de reconhecer que não se sabe quase nada, há um mundo espetacular de conhecimentos a nossa disposição, interesse e curiosidade são importantes na vida de todos nós, cada livro que abrimos é como abrir uma nova janela para um novo vislumbrar de uma nova paisagem, as vezes é um novo vislumbrar de uma mesma paisagem, porem abrimos a possibilidade de uma nova forma de ver e interpretar.

Este mundão é complexo, vivemos numa sociedade terapeutizada. Aprender a gostar é possível, aprender a gostar a ler também é possível, aprender a gostar a ler nos permite aprendermos a nos interpretarmos e a interpretar o mundo, vivemos num mundo onde as terapias proliferam assustadoramente, as pessoas não pensam mais por si mesmas, precisam de intermediários para se interpretarem, abriram espaço para proliferação acentuada de pseudopsicologias e pseudoterapias, isto porque tem muita gente que não lê, e se lê não sabe interpretar ou se interpretar, não diferem vontade de desejo, em tudo há um intermediário, um atravessador, até para chegar a Deus precisam de humanos que se arvoram o poder de intermediação, muitos com seus engodos e fantasias iludindo por verem seu público seres humanos infantilizados, esta é a tal da “boa” democracia onde delegamos a terceiros nos representar.

Existe é claro aconselhamentos psicológicos e terapêuticos de alta qualidade oferecendo ajuda valiosa e soluções viáveis para todos os tipos de perturbações, porem precisamos saber até onde podemos ir e a partir de quando precisamos da ajuda de outro, por isto é importante aprendermos a nos “lermos”, a entender a diferença entre vontade e desejo.
 
#vontadededesejo
 

 

sábado, 4 de novembro de 2023

Duas teorias, Kant e Hobbes apimentando o mundo de polarizações!


Gosto de pensar que a filosofia seja como um grande buffet de ideias, e nesse buffet, temos dois pratos bem diferentes: Kant e Hobbes. Cada um tem seu próprio tempero e estilo. Kant é como o chef que acredita em princípios universais e na importância de fazer o que é certo, não importa o quê. Hobbes, por outro lado, é o chef que pensa que precisamos de um chefão na cozinha para evitar o caos. É bem assim, vivemos num mundo onde a polarização infelizmente ganhou espaço, mas vamos ficar na filosofia!

Agora, por que estou falando sobre esses filósofos? Bem, essas duas teorias têm um impacto gigante na forma como pensamos sobre ética e política. Elas ajudam a moldar as nossas decisões, leis, e até o funcionamento dos governos. Entender essas teorias e as motivações por trás delas nos dá ferramentas para navegar pelo complexo mundo ético e político em que vivemos. É como adicionar alguns temperos especiais à nossa receita de vida. Então, vou dar uma olhada mais de perto nos pratos de Kant e Hobbes e descobrir como eles influenciam o nosso entendimento do que é certo e errado e como devemos organizar a sociedade.

Vamos dar uma rápida visão geral das épocas em que Kant e Hobbes viveram:

Kant: Imaginemos o século 18 na Europa, um período conhecido como a "Era da Razão" ou Iluminismo. Foi uma época de grandes avanços intelectuais, com pensadores como Kant surgindo. Ele nasceu em 1724, na cidade de Königsberg, que hoje é Kaliningrado, na Rússia. Kant viveu no auge desse movimento intelectual, e suas ideias refletem o foco na razão, na ética e na filosofia moral da época.

Hobbes: Agora, vamos voltar ainda mais no tempo, para o século 17, na Inglaterra. Thomas Hobbes nasceu em 1588, um período marcado por conflitos políticos, como a Revolução Inglesa. Hobbes testemunhou a guerra civil e a turbulência política de sua época, o que influenciou sua visão pessimista da natureza humana e sua crença na necessidade de uma autoridade forte para manter a ordem.

Então, Kant e Hobbes viveram em momentos diferentes da história, com desafios e contextos sociais únicos, o que moldou suas perspectivas filosóficas sobre ética e política. É interessante ver como essas diferentes épocas influenciaram suas teorias, assim como cada época influencia cada pensador, para ler qualquer pensador precisamos ficar atentos ao contexto.

Primeiro vamos a teoria da obrigação de Immanuel Kant é uma parte central de sua filosofia moral, exposta em sua obra "Fundamentação da Metafísica dos Costumes" e "Crítica da Razão Prática". A teoria kantiana da obrigação é frequentemente associada ao conceito de imperativos categóricos e à noção de dever. Vou explicar os principais elementos dessa teoria:

Imperativos Categóricos: Kant distingue entre imperativos categóricos e imperativos hipotéticos. Imperativos hipotéticos são comandos condicionais, ou seja, eles dependem de certas condições ou desejos. Por exemplo, "Se você quiser passar no exame, estude" é um imperativo hipotético, pois depende do desejo de passar no exame. Em contrapartida, o imperativo categórico é um comando incondicional que deve ser seguido independentemente de quaisquer desejos ou circunstâncias. Um dos imperativos categóricos mais conhecidos é o "age apenas de acordo com aquela máxima pela qual você pode querer ao mesmo tempo que ela se torne uma lei universal".

O Reino da Racionalidade: Para Kant, a moralidade é baseada na razão. Ele acredita que os seres humanos possuem uma capacidade racional que os distingue de outras criaturas e, portanto, têm a obrigação de agir de acordo com a razão. A moralidade não depende de inclinações individuais, desejos ou consequências, mas da capacidade de raciocinar e reconhecer o dever.

O Princípio da Universalização: O imperativo categórico mencionado acima expressa o princípio da universalização. Isso significa que uma ação é moralmente correta apenas se pudesse ser universalizada, isto é, se todos os seres racionais pudessem agir da mesma maneira em circunstâncias semelhantes sem que isso levasse a contradições. Em outras palavras, você deve agir de tal forma que a regra de sua ação possa ser adotada como uma lei universal sem gerar contradições.

O Princípio do Respeito pela Humanidade: Kant também enfatiza o valor intrínseco de cada ser humano. Ele argumenta que os seres humanos devem ser tratados como fins em si mesmos, e não como meios para atingir outros fins. Isso implica que não devemos usar ou explorar os outros, mas devemos respeitar sua dignidade e autonomia.

Dever e Boa Vontade: Kant destaca a importância da boa vontade na ação moral. Ele afirma que uma ação é moralmente valiosa quando é realizada por dever, e não por inclinação ou desejo. A boa vontade é a disposição de cumprir o dever simplesmente porque é o dever, independentemente das consequências ou recompensas.

A teoria da obrigação de Kant se baseia na ideia de que as ações morais são aquelas que são realizadas por dever, de acordo com imperativos categóricos que passam pelo teste da universalização. Kant acreditava que a moralidade é uma questão de razão e respeito pela humanidade, e não depende de inclinações individuais ou resultados desejados. Essa abordagem ética tem sido influente e gerou uma discussão significativa na filosofia moral e ética.

Vamos a Hobbes, a abordagem autoritária de Thomas Hobbes é uma parte importante de sua filosofia política, que ele apresenta em sua obra mais conhecida, "Leviatã", publicada em 1651. Hobbes era um filósofo político inglês do século XVII que viveu em uma época marcada por conflitos e instabilidade política, incluindo a Guerra Civil Inglesa. Sua filosofia política foi fortemente influenciada por essa turbulência, e ele desenvolveu uma visão que enfatizava a necessidade de uma autoridade central forte para manter a ordem e evitar o caos.

A abordagem autoritária de Hobbes pode ser resumida da seguinte maneira:

O Estado de Natureza: Hobbes começa sua teoria política descrevendo o "estado de natureza", um cenário hipotético no qual as pessoas vivem em um estado de liberdade absoluta, mas também em constante conflito e competição por recursos escassos. Nesse estado, a vida é "solitária, pobre, sórdida, brutal e curta", como ele afirma. Para Hobbes, o estado de natureza é um estado de guerra de todos contra todos.

O Contrato Social: Para escapar do estado de natureza caótico, as pessoas, de acordo com Hobbes, concordam em estabelecer um contrato social. Nesse contrato, os indivíduos renunciam a uma parte de sua liberdade e autoridade pessoal a um soberano absoluto em troca de segurança e ordem. O soberano age como um "Leviatã", uma autoridade centralizada com poder absoluto para garantir a obediência e a manutenção da paz.

O Poder Soberano: Hobbes acredita que o poder soberano deve ser absoluto e incontestável. O soberano tem autoridade sobre todos os aspectos da vida dos cidadãos, incluindo a religião, a lei e a educação. Ele também tem o direito de tomar medidas coercitivas para manter a ordem e a estabilidade, inclusive usando a força quando necessário.

Autoritarismo: A abordagem autoritária de Hobbes implica em um governo centralizado e autoritário, com poderes significativos para restringir as liberdades individuais em nome da ordem e da segurança. Os cidadãos devem submeter-se ao soberano em troca de proteção e estabilidade.

Hobbes acreditava que o autoritarismo era necessário para evitar o caos e a violência que prevaleceriam no estado de natureza. Seu pensamento teve um impacto significativo na filosofia política e no desenvolvimento do pensamento político moderno. No entanto, suas ideias também geraram controvérsia e críticas, pois muitos argumentam que o autoritarismo absoluto que ele propõe limita as liberdades individuais e pode levar a abusos de poder. Portanto, a abordagem autoritária de Hobbes é uma visão que ainda é debatida e discutida em debates políticos e filosóficos.

Atualmente:

As abordagens de Immanuel Kant e Thomas Hobbes à filosofia política e moral são notavelmente diferentes e têm implicações distintas para a compreensão e aplicação atual de questões éticas e políticas. Aqui estão alguns comentários sobre cada uma dessas abordagens e como elas podem ser aplicadas hoje:

Abordagem de Kant:

    • Kant enfatiza a importância da razão e do dever moral na tomada de decisões éticas. Ele argumenta que a moralidade deve ser baseada em princípios racionais universais, como o imperativo categórico, que exige que as ações possam ser universalizadas.
    • Aplicação Atual: A abordagem de Kant fornece uma base sólida para o respeito pelos direitos humanos e a dignidade individual. É amplamente aplicada em ética profissional, bioética e discussões sobre justiça social, enfatizando a igualdade, a autonomia e a imparcialidade.
    • Por exemplo, a noção de respeito pela autonomia é fundamental em ética médica, onde os pacientes têm o direito de tomar decisões informadas sobre sua própria saúde. Além disso, os princípios kantianos têm influência nas discussões sobre responsabilidade ética em inteligência artificial e desenvolvimento tecnológico.

Abordagem de Hobbes:

    • Hobbes acredita que, no "estado de natureza", a humanidade é movida pelo egoísmo, competição e busca pelo auto-interesse. Ele argumenta que a autoridade soberana é necessária para manter a ordem e evitar o caos.
    • Aplicação Atual: Embora a visão de Hobbes tenha influenciado o desenvolvimento do pensamento político e a criação de Estados modernos, suas ideias autoritárias não são tão bem recebidas na sociedade atual. No entanto, ainda há debates sobre a necessidade de governança eficaz e segurança nas sociedades.
    • Por exemplo, a aplicação moderna das ideias de Hobbes pode ser vista na discussão sobre a necessidade de governos para fornecer segurança pública, aplicar leis e manter a ordem social. No entanto, as sociedades democráticas também enfatizam a participação cidadã e os direitos individuais, o que limita o poder do governo.

As abordagens de Kant e Hobbes continuam a influenciar a ética e a filosofia política na sociedade atual. Kant enfatiza princípios morais universais e o respeito pela autonomia individual, enquanto Hobbes destaca a necessidade de uma autoridade central para manter a ordem. A aplicação dessas abordagens depende do contexto e das questões éticas ou políticas específicas em discussão.

Como dito anteriormente, as vezes me repito, pois quero reafirmar, isto é quando a repetição se torna imprescindível, é uma forma de enfatizar um ponto, ou pontos importantes, vamos seguir; vivemos num mundo de polarizações, então se nesta polarização tivéssemos que fazer uma escolha entre as abordagens de Kant e Hobbes dependeria, é claro da situação e do contexto específico em que está se tomando decisões éticas ou políticas. Ambos os filósofos oferecem insights valiosos, mas suas abordagens são bastante diferentes e são mais apropriadas para diferentes cenários. Recapitulando, aqui estão algumas considerações:

Kant: A abordagem de Kant enfatiza princípios morais universais e a importância do respeito pela autonomia individual. Você pode optar pela perspectiva de Kant quando estiver lidando com questões de ética pessoal, direitos individuais e situações em que a igualdade, a justiça e a imparcialidade são fundamentais. É uma escolha adequada quando se trata de respeitar os direitos e dignidade das pessoas, promover a equidade e tomar decisões éticas que podem ser universalizadas.

Hobbes: A abordagem de Hobbes, que enfatiza a necessidade de autoridade e ordem para evitar o caos, pode ser mais relevante em questões de governança, segurança pública e manutenção da ordem social. Você pode recorrer à perspectiva de Hobbes quando estiver considerando questões relacionadas à segurança nacional, à estabilidade do Estado e à garantia da proteção e do bem-estar da sociedade como um todo.

É essencial observar que muitas vezes, na prática, as abordagens de Kant e Hobbes não são mutuamente exclusivas. Em sociedades democráticas, por exemplo, existe uma tentativa de equilibrar o respeito pelos direitos individuais (kantiano) com a necessidade de autoridade governamental para manter a ordem (hobbesiana). A escolha entre essas abordagens é frequentemente influenciada pelas circunstâncias específicas e pela complexidade das questões em jogo.

A escolha entre Kant e Hobbes não é uma escolha definitiva, mas sim uma questão de como aplicar os princípios éticos e políticos de cada filósofo de acordo com as circunstâncias e os valores da sociedade em questão. Ambas as perspectivas têm seu lugar e utilidade em diferentes situações e contextos.

Se falarmos em polarização, palavra muito em voga, a polarização entre escolher entre Kant e Hobbes, ou entre suas respectivas abordagens filosóficas, é possível e pode ocorrer em debates éticos e políticos. Mas, é importante notar que o mundo real muitas vezes é mais complexo do que simplesmente aderir a uma dessas visões filosóficas de forma estrita. A polarização pode surgir quando as pessoas adotam uma visão fundamentalista de uma dessas abordagens, ignorando os aspectos valiosos da outra. Por exemplo, alguém que adere estritamente ao pensamento kantiano pode se recusar a reconhecer a importância da autoridade e da ordem defendida por Hobbes, enquanto alguém que adote a visão de Hobbes pode ignorar a ênfase de Kant na autonomia e nos direitos individuais.

Na prática, muitas sociedades e sistemas políticos buscam um equilíbrio entre essas abordagens. Por exemplo, em muitas democracias, os governos buscam manter a ordem e a segurança (refletindo uma visão hobbesiana) enquanto também respeitam os direitos individuais e a igualdade (refletindo uma visão kantiana). Essas sociedades buscam harmonizar a necessidade de autoridade com a proteção dos direitos humanos. A polarização também pode ser atenuada através de debates informados e compromissos políticos que buscam integrar os aspectos úteis de diferentes perspectivas filosóficas. Em vez de ver Kant e Hobbes como opções irreconciliáveis, muitas vezes é mais produtivo considerar como suas ideias podem ser aplicadas em conjunto para abordar as complexas questões éticas e políticas da sociedade atual. Isso permite uma abordagem mais flexível e adaptável para enfrentar os desafios do mundo real. Então, onde vemos polarizações podemos também oportunidade de conciliação, dividir é sempre péssimo, um puxa para um lado, outro puxa para outro, neste cabo de guerra se unirmos as forças a síntese será surpreendente.

Para quem gosta destes dois filósofos e suas ideias segue a sugestão para leitura e aprofundamento, a obra de Immanuel Kant, "Fundamentação da Metafísica dos Costumes", pode ser encontrada em português sob esse título. É um texto central em sua filosofia moral e ética, onde ele explora os princípios da moralidade e desenvolve a ideia do imperativo categórico.

No caso de Thomas Hobbes, sua obra mais conhecida é "Leviatã". Você pode encontrar essa obra traduzida para o português com o título "Leviatã ou Matéria, Forma e Poder de um Estado Eclesiástico e Civil". Neste livro, Hobbes discute sua visão da natureza humana, a necessidade do contrato social e a autoridade soberana.

Essas obras estão disponíveis em livrarias e bibliotecas, e também é possível encontrá-las em formato digital ou em edições impressas que incluem traduções e comentários para melhor compreensão do conteúdo. Certamente, esses textos são leituras valiosas para quem deseja explorar as ideias de Kant e Hobbes em detalhes.

Boa leitura!

#KantHobbes