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domingo, 12 de novembro de 2023

Congruência: Da Liberdade à Conformidade, navegando o labirinto da Congruência Social


Vamos pensar sobre o que vem a ser a tal Congruência Social, para esta introdução é necessário nos imaginarmos em uma manhã comum, pegamos o celular, rola o feed interminável das redes sociais e vê postagens de amigos em praias paradisíacas, em restaurantes da moda, ou sorrindo com seus animais de estimação perfeitamente comportados, com ou sem “filtros”, na maioria das vezes com “filtros”. Tudo parece incrível, mas você se pergunta: "Será que todo mundo está sempre tão feliz e bem-sucedido?"

Aqui vale uma nota de rodapé. O tal filtro que me refiro é ao ato de "maquiar" a realidade, muitas vezes através de uma fachada ou aparência superficial, para que tudo pareça melhor do que realmente é. Isso é algo muito comum na era das redes sociais, onde as pessoas frequentemente compartilham apenas os aspectos positivos de suas vidas, criando uma imagem muitas vezes idealizada. Essa tendência de "maquiar" a realidade pode ser vista como uma forma de congruência social, onde as pessoas sentem a pressão de se conformar a padrões de sucesso, felicidade e perfeição. No entanto, essa busca pela imagem ideal pode, às vezes, obscurecer a autenticidade e dificultar a conexão genuína com os outros. Então, dito isto, é importante lembrarmos que a verdadeira autenticidade muitas vezes reside na capacidade de compartilhar tanto as alegrias quanto as lutas da vida, criando relações mais autênticas e significativas, o exemplo de coragem no enfrentamento de situações difíceis pode muitas vezes fazer a diferença na vida de alguém que precise de encorajamento para também lutar e seguir vivendo acreditando que não está sozinho.

Prosseguindo. Nossa vida cotidiana está repleta de momentos assim, onde nos deparamos com a pressão sutil, às vezes não tão sutil, para se encaixar e parecer que estamos em perfeita harmonia com o que a sociedade espera de nós. Mas, será que estamos mesmo? Jean-Jacques Rousseau, aquele filósofo do século 18, tinha algumas ideias interessantes sobre como a conformidade social afeta nossas vidas. Outro filosofo que tratou do tema, mas tratou com rebeldia foi Nietzsche, e claro, ele não poderia ficar de fora de nossa conversa.

Iniciamos esclarecendo o significado de congruência, na matemática, representa uma relação de equivalência entre números inteiros, onde dois números têm o mesmo resto quando divididos pelo mesmo inteiro (módulo), quando aplicamos esse conceito metaforicamente à vida humana e à sociedade, podemos pensar de como muitas vezes somos "escravos" de conformidade, de seguir regras, normas e padrões estabelecidos, frequentemente sem questionar por quê, tudo também tem muito a ver com nossa cultura.

Ser "escravo da congruência" no sentido metafórico sugere que muitas pessoas se sentem obrigadas a aderir a normas, valores ou expectativas impostas pela sociedade, pela cultura ou pelos outros, mesmo que essas normas não reflitam necessariamente seus valores ou desejos pessoais. Isso pode levar à conformidade cega e à supressão da individualidade e da criatividade. As pessoas podem se sentir pressionadas a se adequar a um padrão estabelecido, mesmo que isso signifique negar suas próprias identidades ou crenças.

Então, nesse contexto, questionar a ideia de ser "escravo da congruência" pode ser um convite à reflexão sobre a autenticidade, a liberdade de expressão e a busca de um caminho pessoal que esteja alinhado com os valores, paixões e aspirações individuais, em oposição a seguir cegamente o que é esperado ou tradicionalmente aceito. Ser "escravo da congruência" em um contexto filosófico e metafórico pode ser uma maneira de explorar as pressões sociais e culturais para a conformidade e questionar até que ponto estamos dispostos a seguir normas e convenções, em vez de buscar a autenticidade e a verdade pessoal.

Para muitas pessoas, buscar a autenticidade e a liberdade de expressão em oposição a simplesmente seguir a conformidade é um desafio constante, cada vez mais, a sociedade reconhece a importância de permitir a diversidade de pensamento, identidade e expressão, e promove o respeito pela individualidade das pessoas. A conscientização sobre o impacto negativo da conformidade cega está crescendo, e as discussões sobre a importância da autenticidade e do respeito pela diversidade estão se tornando mais proeminentes. 

No complexo mosaico da sociedade contemporânea, muitos de nós nos encontramos em uma busca incessante por identidade e significado, frequentemente confrontados com a tensão entre nossa autenticidade pessoal e a pressão da congruência social. Por se tratar de um tema extremamente importante e presente em nossas vidas desde nossa formação pensei neste ensaio que irá trabalhar a metáfora de ser "escravo da congruência" como uma lente para analisar a maneira como as normas sociais moldam nossas vidas diárias, para ser prático pensei sobre muitos exemplos do cotidiano que ilustram como a busca por aceitação muitas vezes nos leva a abrir mão da singularidade em favor da conformidade.

Nossa busca pelo "eu autêntico" é um tema recorrente em nosso cotidiano. Enquanto ansiamos pela autenticidade, muitos de nós sucumbem à pressão da congruência social. Nas redes sociais, por exemplo, somos frequentemente instados a moldar nossa vida on-line para se ajustar a padrões aceitáveis, mesmo que isso signifique omitir as imperfeições da realidade. Postar a foto "perfeita" em uma viagem, omitir momentos de tristeza ou incerteza e aderir a tendências estéticas são exemplos claros de como a conformidade social muitas vezes nos força a esconder nosso verdadeiro eu. Sabemos que fomos educados a não mostrar a tristeza e muito menos deixar sair de “dentro de casa” aqueles temas mais íntimos e nevrálgicos os quais sentimos vergonha, por isto, ficamos mais a vontade para mostrar somente nosso melhor perfil. Temos receio de demonstrar nosso lado mais sofrido com medo de parecermos fracos.

As normas de gênero são um domínio onde a conformidade social é particularmente evidente. A sociedade muitas vezes espera que homens e mulheres se encaixem em papéis tradicionais de gênero, pressionando indivíduos a se conformarem, independentemente de sua identidade de gênero ou preferências pessoais. Um exemplo disso é quando as expectativas de que homens devem ser "fortes" e mulheres "delicadas" criam barreiras para a expressão autêntica do eu.

A conformidade social também se estende ao ambiente de trabalho e à política. Profissionais muitas vezes sentem a necessidade de se encaixar na cultura organizacional, mesmo que isso signifique suprimir suas próprias opiniões ou valores. Da mesma forma, a pressão para aderir a uma ideologia política específica pode forçar as pessoas a apoiar crenças que não refletem totalmente suas convicções, isto é mais comum do que imaginamos, quantas vezes ficamos divididos e somos obrigados fazer “algo” a contragosto.

A busca por autenticidade está longe de ser uma luta perdida. À medida que a sociedade evolui, cresce a conscientização sobre a importância de respeitar a individualidade das pessoas. Muitos indivíduos e comunidades estão se voltando para a promoção da diversidade de pensamento, identidade e expressão. A autenticidade é celebrada, e a conformidade cega é cada vez mais vista como contraproducente para o crescimento pessoal e a evolução da sociedade. A promoção da diversidade é importante para criar sociedades mais justas, inclusivas e enriquecedoras. Ela desafia preconceitos, estereótipos e discriminação, e contribui para um ambiente mais igualitário, onde todas as pessoas têm a oportunidade de participar plenamente na sociedade, independentemente de suas diferenças.

A metáfora de ser "escravo da congruência" é um reflexo das pressões que muitas vezes enfrentamos para nos ajustar às expectativas sociais. Embora essa conformidade seja uma parte inevitável da vida moderna, também é essencial reconhecer o valor da autenticidade e da liberdade de expressão. À medida que exploramos o labirinto da congruência social, devemos lembrar que a verdadeira liberdade reside em abraçar nossa singularidade, desafiando normas prejudiciais e permitindo que a diversidade floresça. A jornada em direção à autenticidade é uma busca em constante evolução, mas é uma busca que vale a pena em nossa busca por significado e propósito na vida contemporânea.

Jean-Jacques Rousseau

Agora vamos contar com ajuda e as lentes de Jean-Jacques Rousseau! Com base nas filosofias de Jean-Jacques Rousseau, um filósofo notável que discutiu temas relacionados à conformidade social e à busca pela autenticidade. Rousseau é mais conhecido por sua obra "O Contrato Social", que examina a relação entre o indivíduo e a sociedade.

Jean-Jacques Rousseau, um dos principais pensadores da Iluminação, explorou de maneira profunda as tensões entre a conformidade social e a busca pela autenticidade em sua obra "O Contrato Social". Rousseau argumentou que a sociedade, com suas normas e convenções, muitas vezes força os indivíduos a se conformarem a padrões que podem ser prejudiciais à sua verdadeira natureza. Ele acreditava que a conformidade social podia ser uma armadilha que limita a liberdade e a autenticidade individuais. Ele via a sociedade como um "contrato social" no qual as pessoas abdicam de certas liberdades individuais em troca da proteção e da ordem social. Rousseau argumentou que essa conformidade social frequentemente levava ao "homem de aparência" em vez do "homem natural".

Na vida cotidiana, essa pressão para se conformar pode ser observada nas expectativas de comportamento em contextos como o local de trabalho, onde as pessoas podem se sentir compelidas a seguir normas da empresa, mesmo que isso não esteja alinhado com seus valores pessoais. A conformidade também se manifesta nas redes sociais, onde as pessoas muitas vezes se sentem obrigadas a projetar uma imagem idealizada de suas vidas, escondendo suas vulnerabilidades e imperfeições. Embora as redes sociais ofereçam inúmeras oportunidades de conexão e expressão, é importante reconhecer os desafios da conformidade social que podem surgir. É fundamental que as pessoas se sintam livres para serem autênticas e compartilharem sua verdadeira essência, em vez de se sentirem compelidas a se conformar com normas e expectativas impostas pelas plataformas ou pela cultura online. A conscientização sobre a pressão da conformidade nas redes sociais pode ajudar a criar um ambiente mais saudável e inclusivo on-line.

Rousseau argumentou que a busca pela autenticidade é uma luta contínua contra a conformidade social. Ele incentivou as pessoas a reconectar-se com sua "vontade geral" e a descobrir sua verdadeira natureza, que muitas vezes é obscurecida pelas expectativas sociais. Isso pode ser aplicado em situações cotidianas, onde a busca pela autenticidade envolve a expressão genuína de sentimentos, crenças e identidade, em vez de se adequar às normas sociais. Em nosso cotidiano, a busca pela autenticidade pode ser observada quando as pessoas se esforçam para ser fiéis a si mesmas, mesmo quando isso significa desafiar as expectativas da sociedade. Isso pode se manifestar em ações como falar abertamente sobre suas crenças e valores, defender causas importantes e se recusar a se conformar com estereótipos de gênero ou papéis tradicionais.

A filosofia de Jean-Jacques Rousseau fornece uma lente valiosa para examinar o conflito entre a conformidade social e a busca pela autenticidade em nossas vidas cotidianas. A pressão para se conformar é uma realidade que enfrentamos em diversas áreas, mas, como Rousseau argumentou, a busca pela autenticidade é essencial para preservar nossa individualidade e nossa liberdade. No mundo moderno, onde as redes sociais e as expectativas sociais desempenham papéis significativos em nossas vidas, as ideias de Rousseau continuam a ser relevantes. A busca pela autenticidade, ao desafiar a conformidade, é uma jornada em busca de uma vida mais significativa e em sintonia com nossa verdadeira natureza, como indivíduos únicos.

Friedrich Nietzsche e a Rebeldia Nietzscheana

Friedrich Nietzsche, aquele filósofo das ideias fortes e controvertidas, poderia ter algumas palavras a dizer sobre esse dilema. Nietzsche desafiou muitos dos valores e normas de sua própria época, criticando a moralidade herdada e a conformidade com o "rebanho". Para ele, a busca pela autenticidade envolvia a "vontade de poder" de se tornar o que se é, em vez de se submeter a normas preestabelecidas. Em nossa vida cotidiana, essa rebeldia Nietzscheana pode ser observada quando questionamos o status quo, desafiamos o pensamento convencional e buscamos a expressão genuína de nossas próprias ideias.

A sociedade moderna muitas vezes nos empurra em direção à conformidade, seja no local de trabalho, nas redes sociais ou em grupos sociais. A pressão para seguir a corrente, adotar padrões de consumo, ou conformar-se a normas de beleza pode nos fazer sentir como se estivéssemos negando nossa individualidade. Nietzsche nos encorajaria a reivindicar nossa autonomia e a questionar por que devemos seguir essas normas sociais, em vez de nos expressarmos de maneira autêntica.

Em nossas ações diárias, a busca pela autenticidade pode ser vista quando não nos escondemos atrás de máscaras sociais, mas nos expressamos abertamente e com coragem. Seja ao escolher uma carreira que reflete nossos interesses verdadeiros, ao defender nossas crenças ou ao simplesmente se recusar a se encaixar em estereótipos preestabelecidos de gênero, estamos exercendo nossa "vontade de poder" para ser quem realmente somos.

Em um mundo que muitas vezes nos pressiona para ser "escravos da congruência", a filosofia de Nietzsche nos lembra da importância de desafiar as normas, abraçar nossa singularidade e encontrar a autenticidade no nosso "eu" genuíno. A rebeldia Nietzscheana nos convida a não ceder à pressão da conformidade social, mas a buscar nossa própria voz, nossa própria verdade, e nosso próprio caminho em uma era de congruência.

Procurei analisar a pressão da congruência social em nossas vidas cotidianas, considerando as perspectivas de dois filósofos notáveis: Jean-Jacques Rousseau e Friedrich Nietzsche. Ambos filósofos nos oferecem insights valiosos sobre como a sociedade molda nossas escolhas e como podemos buscar a autenticidade em meio a essa conformidade, eles nos disseram muito sobre este tema, e ainda tem muito a nos dizer, para isto precisamos abrir os livros e olhar para eles que estão presentes em cada parágrafo e cada página, a interpretação de cada um pode dar uma nova perspectiva e quem sabe uma nova abordagem. Rousseau nos legou suas obras que entendo sejam as mais importantes como “Do Contrato Social”, “Emílio ou Da Educação”, “Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens” e Nietzsche,  “Assim Falou Zaratustra”, “Genealogia da Moral”, “Além do Bem e do Mal”.

Rousseau, em sua abordagem, nos alerta sobre a necessidade de reavaliar nossa relação com a sociedade e nos encoraja a nos reconectar com nossa "vontade geral". Ele nos lembra que a pressão da conformidade social muitas vezes obscurece nossa verdadeira natureza, nos transformando em "homens de aparência", em vez de seres autênticos.

Por outro lado, Nietzsche nos convida a abraçar a rebelião contra a conformidade. Ele nos encoraja a exercer nossa "vontade de poder" individual, a questionar normas e a desafiar o pensamento convencional. Para Nietzsche, a autenticidade está na coragem de sermos nós mesmos, independentemente das pressões sociais.

O diálogo entre Rousseau e Nietzsche revela que, em meio à pressão da congruência social, podemos encontrar um terreno comum: a busca pela autenticidade. A pressão social existe, mas nossa liberdade de escolher quem queremos ser é um direito inalienável. Não somos obrigados a ser "escravos da congruência". Em vez disso, podemos seguir o caminho de Rousseau, reconectando-nos com nossa verdadeira natureza, e o caminho de Nietzsche, exercendo nossa vontade de poder para sermos nós mesmos. Mais uma vez, é preciso ler para saber ler o mundo, ler e interpretar para não sermos alienados e “clientes” da boca alheia.

Ao enfrentar as normas sociais em nossa vida cotidiana, lembremos de Rousseau e Nietzsche, e sigamos em direção à autenticidade, ao abraçar nossa singularidade e ao questionar o status quo. É nesse espaço de autenticidade que podemos encontrar significado e propósito em um mundo muitas vezes marcado pela conformidade. Temos muito a aprender como os filósofos, algumas de suas conjecturas podem muito nos auxiliar a interpretar este mundo complexo e a nos entendermos com ele, a cultura exerce uma influência significativa na congruência social, definindo as normas e os valores que as pessoas são incentivadas ou esperadas a seguir. Vamos lembrar que a cultura não é estática, e as normas e valores culturais podem mudar ao longo do tempo. A busca pela autenticidade pode envolver a reflexão sobre como a cultura influencia nossas ações e escolhas e, em alguns casos, desafiar as normas culturais que não estão alinhadas com nossos valores pessoais.

 

sábado, 11 de novembro de 2023

Resenha e comentários sobre o livro “Um Deus Social” de Ken Wilber

Este livro é um convite para uma jornada de exploração espiritual que vai além das normas e convenções tradicionais. 'Um Deus Social' de Ken Wilber é o livro que desafia nossas crenças, expande nossa mente e oferece uma visão intrigante do papel da espiritualidade em nossa sociedade moderna, sua leitura é provocante, instigante, mexe com conceitos sobre espiritualidade como conhecemos. Já pensou ser possível transcender a sensação egoica do eu através da descoberta de um eu mais amplo na dimensão espiritual da Criação como um todo? Então, eis uma razão para ler este livro.

Neste livro, Ken Wilber nos leva a um passeio intelectual e espiritual, nos convidando a repensar o que achamos que sabemos sobre espiritualidade e religião. Se você já se perguntou sobre o significado da vida, o propósito da existência ou como a espiritualidade pode ser relevante em um mundo cada vez mais complexo, 'Um Deus Social' é uma leitura imperdível, irá desafiar e inspirar você de maneiras que você nunca imaginou, expandindo sua compreensão da espiritualidade e seu papel no mundo moderno

Wilber nos desafia a sair das caixas estreitas das tradições espirituais convencionais e abraçar uma visão mais aberta, integrada e socialmente engajada da espiritualidade. Ao fazer isso, ele oferece uma perspectiva fascinante sobre como a espiritualidade pode ser uma força para a transformação pessoal e social. A leitura vai tirar muita gente da acomodação e fazer pensar sobre o porquê esta ou aquela religião é detentora da única verdade.

Ken Wilber é um renomado filósofo e autor norte-americano nascido em 1949. Ele é amplamente reconhecido por sua influência no campo da espiritualidade, psicologia transpessoal e filosofia integral. Wilber é conhecido por suas teorias sobre a evolução da consciência e a integração de diferentes tradições espirituais e filosóficas. Ele escreveu vários livros influentes, incluindo "Um Deus Social", que desafia as concepções tradicionais de espiritualidade e promove uma visão mais inclusiva e socialmente engajada da busca espiritual. Sua obra tem impacto significativo na compreensão contemporânea da espiritualidade e do desenvolvimento humano.

"Um Deus Social: A revolução do espiritual integral" é uma obra fascinante e provocativa escrita por Ken Wilber, um dos pensadores mais influentes no campo da espiritualidade e da psicologia transpessoal. Publicado originalmente em 1983, o livro explora a evolução da consciência humana e como isso se relaciona com a espiritualidade, a religião e a sociedade.

Wilber apresenta uma visão abrangente da espiritualidade integral, argumentando que a busca espiritual não é uma atividade exclusivamente individual, mas sim um processo interconectado que abrange o indivíduo, a comunidade e a sociedade como um todo. Ele desafia as noções tradicionais de espiritualidade e religião, argumentando que é necessário transcender as divisões sectárias e abraçar uma perspectiva mais inclusiva que reconheça a validade das várias tradições espirituais.

Uma das ideias centrais do livro é a noção de que a espiritualidade integral envolve a integração de todas as dimensões da experiência humana, incluindo o aspecto individual, cultural, social e até mesmo o cósmico. Wilber argumenta que a espiritualidade não deve ser vista como uma fuga do mundo, mas sim como uma maneira de engajar-se de forma mais profunda e significativa com a vida cotidiana.

O autor discute a importância da evolução da consciência e da espiritualidade na resolução dos problemas sociais e globais, como o fundamentalismo religioso, o materialismo e a alienação social. Ele argumenta que uma compreensão mais abrangente e inclusiva da espiritualidade pode ajudar a criar uma sociedade mais justa e compassiva, pois é baseada na ideia de que a espiritualidade, quando adequadamente entendida e praticada, tem o potencial de promover mudanças positivas nas relações humanas e na sociedade como um todo. É importante notarmos que a relação entre espiritualidade e uma sociedade justa e compassiva não é automática e depende de como a espiritualidade é interpretada e praticada. Em alguns casos, a espiritualidade pode ser usada para promover divisões e intolerância. Portanto, a chave está em uma abordagem consciente e responsável da espiritualidade, que valoriza a compreensão, o respeito e a ação positiva no mundo.

"Um Deus Social" não é um livro de fácil leitura, pois Wilber aborda questões filosóficas e espirituais complexas. Para aqueles que estão dispostos a se aprofundar nas ideias do autor, o livro oferece uma visão profunda e perspicaz sobre o papel da espiritualidade na sociedade contemporânea. Wilber desafia os leitores a expandir sua compreensão da espiritualidade e a considerar como ela pode ser aplicada de maneira prática para promover a transformação pessoal e social.

É uma obra inspiradora que convida os leitores a repensar sua abordagem da espiritualidade e a considerar como ela pode ser uma força para a transformação positiva na sociedade. Wilber desafia as noções convencionais de espiritualidade e oferece uma visão mais abrangente e inclusiva, abrindo caminho para uma abordagem mais integrada e socialmente engajada da busca espiritual.

A obra se encaixa de maneira profunda e relevante no cotidiano, especialmente para aqueles que estão buscando uma compreensão mais ampla e significativa da espiritualidade e seu papel na vida moderna. O livro desafia a visão estreita de espiritualidade e religião, convidando os leitores a explorar e expandir suas crenças e práticas espirituais. Isso pode levar a uma maior compreensão de si mesmo, dos outros e do mundo ao seu redor, influenciando a forma como você lida com desafios e questões da vida cotidiana.

Wilber enfatiza que a espiritualidade não deve ser uma fuga da vida cotidiana, mas sim uma forma de se envolver mais profundamente com ela. Os conceitos do livro podem ajudar as pessoas a integrar práticas espirituais em suas rotinas diárias, promovendo um senso de paz, compaixão e propósito em suas ações. O livro aborda como a espiritualidade pode contribuir para a resolução de problemas sociais e globais, como o fundamentalismo religioso e a alienação social. Isso pode inspirar leitores a se envolverem em ações sociais e comunitárias, contribuindo para um mundo mais justo e compassivo.

Ele incentiva a transcendência das divisões sectárias e uma visão mais inclusiva das tradições espirituais, diante disso pode promover um diálogo mais construtivo entre pessoas de diferentes crenças, o que é especialmente relevante em uma sociedade cada vez mais diversificada, ao mesmo tempo oferece insights sobre a evolução da consciência e como isso se relaciona com o crescimento pessoal. Os leitores podem aplicar essas ideias para se tornarem pessoas mais autênticas e conscientes em sua jornada de autoconhecimento.

"Um Deus Social" não é apenas um livro teórico sobre espiritualidade, mas oferece orientações práticas para como a espiritualidade pode informar e enriquecer o cotidiano. Ele convida os leitores a considerar como podem viver de maneira mais consciente, compassiva e engajada, influenciando positivamente suas vidas e as comunidades em que estão inseridos. Um livro provocante, nos faz pensar, sua leitura é para mais de uma vez, a compreensão vai aos poucos se encaixando neste modo muito interessante de entender a conexão através dos vários aspectos em que espiritualidade se manifesta em nossas vidas, traz inovação para o campo da espiritualidade ao promover uma visão integral e inclusiva que desafia as normas convencionais e busca uma compreensão mais abrangente da espiritualidade e seu impacto na vida individual e na sociedade como um todo.

Fonte:

Wilber, Ken. Um Deus Social – Breve introdução a uma sociologia transcendental. Prefácio Roger Walsh; tradução Claudia Gerpe Duarte. São Paulo: Cultrix, 2010.