A religião tem de ter uma boa pitada cartesiana, acredito que devemos tentar
sempre que possível colocar tudo sobre o crivo da razão; que é preferível
rejeitar nove verdades a aceitar uma única verdade como falsidade; que a fé
inabalável somente é aquela que consegue enfrentar a razão face a face em todas
as épocas da humanidade, e na religião a única força real deste mundo, pois é
lá que permitimos que nosso coração e imaginação façam contato com o outro
mundo, é no coração e na imaginação que podemos transcender a este mundo,
permitindo-nos pensar que não somos finitos e nossos esforços para melhorar a
cada dia não fiquem sem sentido e perdidos no tempo.
O tempo é intrigante, nunca é demais pensar a respeito do que representa,
por estar presente o tempo é intrigante, McTaggart diria: imagina o tempo como
um circulo, ao invés da linha reta. É preciso que cada um coloque-se no centro
do circulo do tempo: os acontecimentos ocorrem ao redor, todos ao mesmo tempo o
que é diferente da linha reta, onde as coisas acontecem em sequência. No
circulo do tempo nada vem antes e nada vem depois, sendo tudo igual, mas também
para saber dele implica associar o tempo á ideia de mudança.
As religiões procuram justificar sua ascendência sobre as demais
justificando-se pela antiguidade, nas pregações constantemente pregam esta
ideia, e as pessoas deixam cravar em suas mentes os pregos da intolerância.
Se os acontecimentos acontecem ao mesmo tempo, o que existe é a ideia de
mudança, para isto utilizamos as convenções, que são apenas referências, e
conforme a ciência ensina o que é verdade agora pode não ser mais logo em
seguida, ou levar milênios para mudar, como é o caso de algumas religiões que
mantém dogmas absurdos, inclusive contrários á própria natureza humana, que em
sua metamorfose esta mudando todo o tempo.
Aparentemente existe um conflito entre religião e ciência, permitam-me
pensar que sendo a ciência muito jovem ela ainda precisa amadurecer para
compreender a religião. Esta é uma mensagem para os que se agarram exageradamente
a ciência como se esta fosse a única forma de conhecer a verdade. A medicina
seguidamente utiliza placebos para curar, e a religião também, entre outros
este é um ponto de contato entre as duas, diga-se que a razão também esta na fé
raciocinada, é possível acreditar entendendo.
Podemos pensar que existem varias verdades, seja a Verdade
Correspondência; Verdade Revelada; Verdade Utilidade; Verdade Êxito, diante
disto para aqueles que sabem separar o que cada uma delas diz, e o que
representa em seu momento de mudança, saberá compreender que elas são
personalidades próprias de seu tempo.
O dogmatismo das religiões, pregam a ideia da verdade absoluta, sua razão
não esta sujeita a duvida, o que leva muitos ao fanatismo. As religiões construíram
dogmas por convenção, próprios de seu tempo, e são relativas aos crentes que se
filiaram a instituição, e apenas a eles, aos demais é permitido pensar
diferente, e acompanhar as mudanças é para as pessoas que acreditam num
dogmatismo critico, pois acreditam na possibilidade de conhecer a verdade
mediante o esforço racional que é positivo qualquer tempo.
Racionalmente falando o que queremos de verdade é existir eternamente,
pois ninguém quer morrer, ninguém quer renunciar ao futuro. Ninguém quer pensar
num futuro onde não estejamos. Outra coisa que queremos é conhecimento,
somos curiosos por natureza, queremos descobrir o que esta além da porta
fechada. E em terceiro lugar, queremos a felicidade, que é um estado
emocional oposto da frustração, futilidade e tédio. Em resumo, queremos tudo
isto, infinitamente, queremos existir infinitamente, conhecimento infinito e a
bem aventurança infinita. E isto tudo quer dizer libertação, libertar-se da finitude
que afasta da existência, consciência e bem aventurança ilimitados pelos quais
nosso coração anseia. Onde encontramos tudo isto? Ora na religião, e também com
um pouco da ajuda da ciência.
Na ciência encontramos “n” maneiras de prolongar a vida com maior
conforto, estabelecer maior qualidade nas funções mentais, conquistar maior
domínio sobre a mobilidade e que leva a independência, e a chamada libertação.
Aristóteles já ensinava no principio da não contradição que uma
proposição não poder ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo, a verdade é “o que
é” para “cada um”, um pensamento que lhe é verdadeiro “ou” falso de acordo com
seu estado mental e a forma de conceber um determinado pensamento, veja-se que
no circulo do tempo os acontecimentos estão ocorrendo ao mesmo tempo, mudando todo
o tempo.
Acredito que Hume em parte tinha razão, a repetição mostra uma desconexão
entre causa e consequência, mas ao mesmo tempo quando entendemos as regras do
jogo, pode-se antever as consequências. A rotina pode atrapalhar a ideia de
mudança e estagnar permitindo que dogmas arcaicos ainda dominem uma imensidão
de alienados.
Nos passa a ideia que através da fé, temos a eternidade para nos
reeducar, isto acontece quando estamos em harmonia, quando deixamos de ser egocêntricos.
Também é uma maneira de ver a vida como uma grande oportunidade cheia de
oportunidades, que de acordo com nossas atitudes teremos resultados diferentes,
algumas coisas podemos merecer, e outras não.
A intolerância e o fanatismo não são naturais, as consequências são previsíveis,
estão no extremo e é no extremo onde o homem se perde, precisa haver equilíbrio.
Aristóteles que permanece vivo no circulo do tempo ainda nos diz que o
equilíbrio estabelece harmonia, este pensamento não tem prazo de validade no
circulo do tempo ou ainda na linha do tempo.