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sábado, 19 de maio de 2012

A RELIGIÃO PODE SER CARTESIANA



 

A religião tem de ter uma boa pitada cartesiana, acredito que devemos tentar sempre que possível colocar tudo sobre o crivo da razão; que é preferível rejeitar nove verdades a aceitar uma única verdade como falsidade; que a fé inabalável somente é aquela que consegue enfrentar a razão face a face em todas as épocas da humanidade, e na religião a única força real deste mundo, pois é lá que permitimos que nosso coração e imaginação façam contato com o outro mundo, é no coração e na imaginação que podemos transcender a este mundo, permitindo-nos pensar que não somos finitos e nossos esforços para melhorar a cada dia não fiquem sem sentido e perdidos no tempo. 

O tempo é intrigante, nunca é demais pensar a respeito do que representa, por estar presente o tempo é intrigante, McTaggart diria: imagina o tempo como um circulo, ao invés da linha reta. É preciso que cada um coloque-se no centro do circulo do tempo: os acontecimentos ocorrem ao redor, todos ao mesmo tempo o que é diferente da linha reta, onde as coisas acontecem em sequência. No circulo do tempo nada vem antes e nada vem depois, sendo tudo igual, mas também para saber dele implica associar o tempo á ideia de mudança. 

As religiões procuram justificar sua ascendência sobre as demais justificando-se pela antiguidade, nas pregações constantemente pregam esta ideia, e as pessoas deixam cravar em suas mentes os pregos da intolerância. 

Se os acontecimentos acontecem ao mesmo tempo, o que existe é a ideia de mudança, para isto utilizamos as convenções, que são apenas referências, e conforme a ciência ensina o que é verdade agora pode não ser mais logo em seguida, ou levar milênios para mudar, como é o caso de algumas religiões que mantém dogmas absurdos, inclusive contrários á própria natureza humana, que em sua metamorfose esta mudando todo o tempo.

Aparentemente existe um conflito entre religião e ciência, permitam-me pensar que sendo a ciência muito jovem ela ainda precisa amadurecer para compreender a religião. Esta é uma mensagem para os que se agarram exageradamente a ciência como se esta fosse a única forma de conhecer a verdade. A medicina seguidamente utiliza placebos para curar, e a religião também, entre outros este é um ponto de contato entre as duas, diga-se que a razão também esta na fé raciocinada, é possível acreditar entendendo.

Podemos pensar que existem varias verdades, seja a Verdade Correspondência; Verdade Revelada; Verdade Utilidade; Verdade Êxito, diante disto para aqueles que sabem separar o que cada uma delas diz, e o que representa em seu momento de mudança, saberá compreender que elas são personalidades próprias de seu tempo.

O dogmatismo das religiões, pregam a ideia da verdade absoluta, sua razão não esta sujeita a duvida, o que leva muitos ao fanatismo. As religiões construíram dogmas por convenção, próprios de seu tempo, e são relativas aos crentes que se filiaram a instituição, e apenas a eles, aos demais é permitido pensar diferente, e acompanhar as mudanças é para as pessoas que acreditam num dogmatismo critico, pois acreditam na possibilidade de conhecer a verdade mediante o esforço racional que é positivo qualquer tempo.

Racionalmente falando o que queremos de verdade é existir eternamente, pois ninguém quer morrer, ninguém quer renunciar ao futuro. Ninguém quer pensar num futuro onde não estejamos. Outra coisa que queremos é conhecimento, somos curiosos por natureza, queremos descobrir o que esta além da porta fechada. E em terceiro lugar, queremos a felicidade, que é um estado emocional oposto da frustração, futilidade e tédio. Em resumo, queremos tudo isto, infinitamente, queremos existir infinitamente, conhecimento infinito e a bem aventurança infinita. E isto tudo quer dizer libertação, libertar-se da finitude que afasta da existência, consciência e bem aventurança ilimitados pelos quais nosso coração anseia. Onde encontramos tudo isto? Ora na religião, e também com um pouco da ajuda da ciência.

Na ciência encontramos “n” maneiras de prolongar a vida com maior conforto, estabelecer maior qualidade nas funções mentais, conquistar maior domínio sobre a mobilidade e que leva a independência, e a chamada libertação.

Aristóteles já ensinava no principio da não contradição que uma proposição não poder ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo, a verdade é “o que é” para “cada um”, um pensamento que lhe é verdadeiro “ou” falso de acordo com seu estado mental e a forma de conceber um determinado pensamento, veja-se que no circulo do tempo os acontecimentos estão ocorrendo ao mesmo tempo, mudando todo o tempo.

Acredito que Hume em parte tinha razão, a repetição mostra uma desconexão entre causa e consequência, mas ao mesmo tempo quando entendemos as regras do jogo, pode-se antever as consequências. A rotina pode atrapalhar a ideia de mudança e estagnar permitindo que dogmas arcaicos ainda dominem uma imensidão de alienados.

Nos passa a ideia que através da fé, temos a eternidade para nos reeducar, isto acontece quando estamos em harmonia, quando deixamos de ser egocêntricos.

Também é uma maneira de ver a vida como uma grande oportunidade cheia de oportunidades, que de acordo com nossas atitudes teremos resultados diferentes, algumas coisas podemos merecer, e outras não.

A intolerância e o fanatismo não são naturais, as consequências são previsíveis, estão no extremo e é no extremo onde o homem se perde, precisa haver equilíbrio.

Aristóteles que permanece vivo no circulo do tempo ainda nos diz que o equilíbrio estabelece harmonia, este pensamento não tem prazo de validade no circulo do tempo ou ainda na linha do tempo.