O Paradoxo de Epiménides
"Paradoxo
de Epiménides" é
muitas vezes considerado um termo equivalente a "Paradoxo do
mentiroso" e é também o tipo de "Paradoxo do mentiroso" mais
conhecido do público em geral. Contudo, a equivalência dos dois é muito
questionável:
Epiménides foi um filósofo-poeta do Século VI a.C.. Sendo ele próprio um minoano, terá presumivelmente escrito:
Apesar de as palavras de Epiménides terem sido
ditas substancialmente antes que as de Eubulides, é provável que Epiménides não
as tenha dito com a intenção de serem interpretadas como uma forma do Paradoxo
do mentiroso. Não se sabe muito sobre as circunstâncias em que as proferiu, os
poemas originais que as contêm foram perdidos e o único relato confirmado delas
é de São
Paulo, que as
cita na Epístola a Tito (onde, sem discussão, elas também não foram ditas com
intenção paradoxal). Foi apenas muito mais tarde que a supramencionada passagem
da Bíblia foi revisitada e referida como o Paradoxo de Epiménides. Não se sabe
(embora se duvide muito) se Eubulides tinha conhecimento das, ou fazia
referência às palavras de Epiménides na sua contemplação original do Paradoxo
do mentiroso. Por estas razões, Eubulides é corretamente e atualmente
considerado como a fonte mais antiga do Paradoxo do mentiroso.
Indo mais além, se as palavras de Epiménides são
simplesmente falsas, então o fato de ele próprio enganar ou mentir não faz de
todos os seus compatriotas mentirosos. Uma proposição falsa como Os minoanos
são sempre mentirosos. pode assim permanecer falsa, porque não existem
provas de que os minoanos são efetivamente mentirosos. Assim, a afirmação de
Epiménides não é paradoxal se falsa. Há também razões para dizer que a
afirmação não é necessariamente paradoxal mesmo sendo verdadeira (Os minoanos
podem por vezes, mas não sempre, ser mentirosos). O Paradoxo do mentiroso de
Eubulides, por outro lado, é paradoxal per definitionem. (Para mais
informa
Epimênides, que é cretense,
diz que todos os cretenses são mentirosos.” Este é o velho sofisma megárico
exercido pela engenhosidade dos pensadores gregos: espécie de adivinhação, pela
qual o gênio dos sofistas estimulava a reflexão grega.
Se Epimênides
mente, mente ao dizer que os cretenses são mentirosos; e os cretenses não são
mentirosos. Mas, então, o próprio Epimênides não mente; ora ele diz que os
cretenses são mentirosos!
A verdade é
impossível de ser encontrada, varias são as possibilidades, podemos analisar as
palavras de Epimênides.
A verdade das
palavras de Epimênides na implica a sua falsidade? Não é frequente encontrar
mentirosos que confessam ter mentido? E jamais se sabe quando dizem a verdade;
podem estar mentindo quando confessam ter mentido...
A verdade não é
como a matemática, no coração e na mente do “ser” humano existem “coisas” que
só o individuo conhece, e também, ele se surpreende com suas atitudes. Não é
verdade?...
Coisa é tudo que
existe na realidade ou aparentemente, algo que não se quer ou não se pode
nominar, aquilo que se pensa, as pessoas as vezes não falam coisas com coisas,
agem incoerentemente.
As “coisas” habitam
dentro de cada individuo, cada individuo é um microcosmo, parcialmente ciente
de si mesmo; um complexo de forças inconscientes a ser ainda descobertas, as
quais tais forças denomino de “coisas”, que digo não são como “coisas
coisificantes” material e prática.
A verdade pode ser
prática, costumamos coisificar, reduzir o ser humano a coisa, a objeto, ou
considerá-lo apenas como um valor material, não é disto que diz minha “fala”.
Demóstenes, um dos
mais célebres oradores atenienses, dizia: “É extremamente fácil enganar a si mesmo; pois
o homem geralmente acredita no que deseja”.
Desejo pode ser
realizado, se os valores que atribuímos as “coisas”, ou as próprias “coisas”
sejam forças que acentuem os valores, tais forças funcionam como um gênio
realizador de sonhos e desejos.
O ser vê as coisas
e o mundo tal como ele é, isto quando vive de forma equilibrada.
Quem já leu O mito
de Sísifo, de Albert Camus, deve lembrar a frase famosa imaginando Sísifo
feliz, pois “ser consciente da própria vida num grau máximo é viver num grau
máximo”. Lembrando que Sísifo está condenado á eterna repetição, e, é
inteiramente consciente dela, descobre que “a lucidez que deveria constituir
sua tortura ao mesmo tempo coroa a sua vitória”.
Acreditar na
existência eterna, é fruto de um desejo, que alimenta o interior do ser,
passando a ser sua verdade, nem por isto deixando de viver intensamente na
lucidez do desejo a ser realizado e da existência concreta de sua finitude
corpórea, aparentemente paradoxal como a verdade e a mentira.
Estamos diante de
um problema existencialista que nos remete ao absurdo, em nossa tentativa
diária de dar sentido a um mundo aparentemente sem sentido.
Há outra forma de
ver a verdade, sem paradoxos, em Sartre o homem existe primeiro sem objetivo ou
definição, encontra-se no mundo e só então, como uma reação á experiência,
define o sentido de sua vida.
As experiências,
pautarão por sua repetição a forma de ver do mundo, e assim as “coisas” irão
ser construídas, a própria escolha em acreditar que existe uma força superior é
uma escolha individual, esta escolha é a que lhe melhor parece. Somos
condenados a ser livres, assim somos condenados as consequências de nossas
escolhas, não podemos pensar que o destino do ser humano esteja fora dele, o
destino encontra-se dentro dele próprio.
Há uma luta diária
entre o que o ser quer e deseja, e o que a sociedade exige, os paradoxos do
cotidiano levam a humanidade acreditar que vivem num mundo aparentemente sem
sentido.
Há muito mais
sentido nos paradoxos do que parece, entre uma e outra possibilidade, nos
obrigam ao exercício da liberdade em decidir entre viver e morrer, podendo
inclusive negar a própria possibilidade de existência desistindo de viver.
O ato de poder
refletir sobre a vida esta sim é verdadeira, a modo de Descartes “penso logo
existo”, viver mesmo na repetição de Sísifo, mas consciente da vida e pensar
sobre ela, por si só o ato nos eleva a um grau superior refutando “as verdades
individuais” e as “mentiras coletivas”.
Em 16 de janeiro de
2011, num artigo da Folha de São Paulo, estava divulgado de forma bastante familiar
que o O SER HUMANO, para sobreviver e construir a civilização, teve de
reprimir, negar e sublimar seus instintos e vários desejos.
Para isso, pagou um
preço, como mostrou Freud em um de seus melhores livros, "O Mal-Estar na
Civilização". Hoje, o mal-estar é ainda maior.
O ser humano
costuma também fingir e mentir por hábito, necessidade, compulsão ou
sem-vergonhice. Todos os anos, governantes, principalmente os de países mais
ricos, se fingem de anjos e se reúnem para discutir os gravíssimos problemas da
fome, ambientais, de aumento da temperatura do planeta e outros.
Nada fazem para
valer.
Todos os anos,
especialistas mostram as soluções técnicas para prevenir os gravíssimos
problemas ocasionados pelas chuvas, e as autoridades sobrevoam as áreas das
tragédias. Nada fazem para valer.
A repetição traz a segurança
ao formar opiniões, hipóteses com chance de se concretizar situações positivas ou
negativas, dependendo muitas vezes do ponto de vista, isto é, de onde estamos, seja
de maneira espacial ou intelectual com seu grau de amadurecimento.
Como estamos vivendo
momento que antecede as eleições, ouvindo e observando os movimentos dos candidatos
e eleitores, estamos diante do paradoxo do mentiroso.
Pense um pouco antes
de apertar o botão de “enter” da urna eletrônica.