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sábado, 1 de setembro de 2012

O Paradoxo da Mentira, ou seria da Verdade?


 

O Paradoxo de Epiménides
"Paradoxo de Epiménides" é muitas vezes considerado um termo equivalente a "Paradoxo do mentiroso" e é também o tipo de "Paradoxo do mentiroso" mais conhecido do público em geral. Contudo, a equivalência dos dois é muito questionável:
Epiménides foi um filósofo-poeta do Século VI a.C.. Sendo ele próprio um minoano, terá presumivelmente escrito:
Os minoanos são sempre mentirosos. (Bíblia, Novo Testamento, Epístola a Tito 1:12)
Apesar de as palavras de Epiménides terem sido ditas substancialmente antes que as de Eubulides, é provável que Epiménides não as tenha dito com a intenção de serem interpretadas como uma forma do Paradoxo do mentiroso. Não se sabe muito sobre as circunstâncias em que as proferiu, os poemas originais que as contêm foram perdidos e o único relato confirmado delas é de São Paulo, que as cita na Epístola a Tito (onde, sem discussão, elas também não foram ditas com intenção paradoxal). Foi apenas muito mais tarde que a supramencionada passagem da Bíblia foi revisitada e referida como o Paradoxo de Epiménides. Não se sabe (embora se duvide muito) se Eubulides tinha conhecimento das, ou fazia referência às palavras de Epiménides na sua contemplação original do Paradoxo do mentiroso. Por estas razões, Eubulides é corretamente e atualmente considerado como a fonte mais antiga do Paradoxo do mentiroso.
Indo mais além, se as palavras de Epiménides são simplesmente falsas, então o fato de ele próprio enganar ou mentir não faz de todos os seus compatriotas mentirosos. Uma proposição falsa como Os minoanos são sempre mentirosos. pode assim permanecer falsa, porque não existem provas de que os minoanos são efetivamente mentirosos. Assim, a afirmação de Epiménides não é paradoxal se falsa. Há também razões para dizer que a afirmação não é necessariamente paradoxal mesmo sendo verdadeira (Os minoanos podem por vezes, mas não sempre, ser mentirosos). O Paradoxo do mentiroso de Eubulides, por outro lado, é paradoxal per definitionem. (Para mais informa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paradoxo_de_Epim%C3%A9nidesção, ver Paradoxo de Epiménides).

Epimênides, que é cretense, diz que todos os cretenses são mentirosos.” Este é o velho sofisma megárico exercido pela engenhosidade dos pensadores gregos: espécie de adivinhação, pela qual o gênio dos sofistas estimulava a reflexão grega.

Se Epimênides mente, mente ao dizer que os cretenses são mentirosos; e os cretenses não são mentirosos. Mas, então, o próprio Epimênides não mente; ora ele diz que os cretenses são mentirosos!

A verdade é impossível de ser encontrada, varias são as possibilidades, podemos analisar as palavras de Epimênides.

A verdade das palavras de Epimênides na implica a sua falsidade? Não é frequente encontrar mentirosos que confessam ter mentido? E jamais se sabe quando dizem a verdade; podem estar mentindo quando confessam ter mentido...

A verdade não é como a matemática, no coração e na mente do “ser” humano existem “coisas” que só o individuo conhece, e também, ele se surpreende com suas atitudes. Não é verdade?...

Coisa é tudo que existe na realidade ou aparentemente, algo que não se quer ou não se pode nominar, aquilo que se pensa, as pessoas as vezes não falam coisas com coisas, agem incoerentemente.

As “coisas” habitam dentro de cada individuo, cada individuo é um microcosmo, parcialmente ciente de si mesmo; um complexo de forças inconscientes a ser ainda descobertas, as quais tais forças denomino de “coisas”, que digo não são como “coisas coisificantes” material e prática.

A verdade pode ser prática, costumamos coisificar, reduzir o ser humano a coisa, a objeto, ou considerá-lo apenas como um valor material, não é disto que diz minha “fala”.

Demóstenes, um dos mais célebres oradores atenienses, dizia: “É extremamente fácil enganar a si mesmo; pois o homem geralmente acredita no que deseja”.

Desejo pode ser realizado, se os valores que atribuímos as “coisas”, ou as próprias “coisas” sejam forças que acentuem os valores, tais forças funcionam como um gênio realizador de sonhos e desejos.

O ser vê as coisas e o mundo tal como ele é, isto quando vive de forma equilibrada.

Quem já leu O mito de Sísifo, de Albert Camus, deve lembrar a frase famosa imaginando Sísifo feliz, pois “ser consciente da própria vida num grau máximo é viver num grau máximo”. Lembrando que Sísifo está condenado á eterna repetição, e, é inteiramente consciente dela, descobre que “a lucidez que deveria constituir sua tortura ao mesmo tempo coroa a sua vitória”.

Acreditar na existência eterna, é fruto de um desejo, que alimenta o interior do ser, passando a ser sua verdade, nem por isto deixando de viver intensamente na lucidez do desejo a ser realizado e da existência concreta de sua finitude corpórea, aparentemente paradoxal como a verdade e a mentira.

Estamos diante de um problema existencialista que nos remete ao absurdo, em nossa tentativa diária de dar sentido a um mundo aparentemente sem sentido.

Há outra forma de ver a verdade, sem paradoxos, em Sartre o homem existe primeiro sem objetivo ou definição, encontra-se no mundo e só então, como uma reação á experiência, define o sentido de sua vida.

As experiências, pautarão por sua repetição a forma de ver do mundo, e assim as “coisas” irão ser construídas, a própria escolha em acreditar que existe uma força superior é uma escolha individual, esta escolha é a que lhe melhor parece. Somos condenados a ser livres, assim somos condenados as consequências de nossas escolhas, não podemos pensar que o destino do ser humano esteja fora dele, o destino encontra-se dentro dele próprio.

Há uma luta diária entre o que o ser quer e deseja, e o que a sociedade exige, os paradoxos do cotidiano levam a humanidade acreditar que vivem num mundo aparentemente sem sentido.

Há muito mais sentido nos paradoxos do que parece, entre uma e outra possibilidade, nos obrigam ao exercício da liberdade em decidir entre viver e morrer, podendo inclusive negar a própria possibilidade de existência desistindo de viver.

O ato de poder refletir sobre a vida esta sim é verdadeira, a modo de Descartes “penso logo existo”, viver mesmo na repetição de Sísifo, mas consciente da vida e pensar sobre ela, por si só o ato nos eleva a um grau superior refutando “as verdades individuais” e as “mentiras coletivas”.

Em 16 de janeiro de 2011, num artigo da Folha de São Paulo, estava divulgado de forma bastante familiar que o O SER HUMANO, para sobreviver e construir a civilização, teve de reprimir, negar e sublimar seus instintos e vários desejos.

Para isso, pagou um preço, como mostrou Freud em um de seus melhores livros, "O Mal-Estar na Civilização". Hoje, o mal-estar é ainda maior.

O ser humano costuma também fingir e mentir por hábito, necessidade, compulsão ou sem-vergonhice. Todos os anos, governantes, principalmente os de países mais ricos, se fingem de anjos e se reúnem para discutir os gravíssimos problemas da fome, ambientais, de aumento da temperatura do planeta e outros.

Nada fazem para valer.

Todos os anos, especialistas mostram as soluções técnicas para prevenir os gravíssimos problemas ocasionados pelas chuvas, e as autoridades sobrevoam as áreas das tragédias. Nada fazem para valer.

A repetição traz a segurança ao formar opiniões, hipóteses com chance de se concretizar situações positivas ou negativas, dependendo muitas vezes do ponto de vista, isto é, de onde estamos, seja de maneira espacial ou intelectual com seu grau de amadurecimento.

Como estamos vivendo momento que antecede as eleições, ouvindo e observando os movimentos dos candidatos e eleitores, estamos diante do paradoxo do mentiroso.

Pense um pouco antes de apertar o botão de “enter” da urna eletrônica.