O seres humanos
sempre viveram em bandos, desde sua origem, somos nós (eu e meu bando) e os
outros.
A competição “foi”
e “é”, motivador humano, seja na busca de recursos, pela conquista e manutenção
do poder, manutenção de ideologias que levam a guerra, conquista de melhores
oportunidades de trabalho, manutenção do emprego, conquista de melhor salário, maior
popularidade, quem conquista o maior número de parceiros amorosos (fiquei está
na moda).
Sabemos que o que
fala mais alto e supera qualquer ideologia é a necessidade de alimentar muitas
bocas ao mesmo tempo, esta questão especifica fica para falar numa outra hora, falar
será inevitável, a exploração do meio ambiente sem preocupação séria da sustentabilidade,
nos levará a guerras na luta pela sobrevivência, a lutas por comida e agua.
Dentro da política de
convivência, formamos grupos naturalmente e reagimos diferentemente e de acordo
com o grupo e meio social que estivermos convivendo.
Sentir-se parte do
grupo é essencial, já que sempre vivemos em bandos, a sensação de fazer parte é
necessária para o bem-estar, sentir-se útil e necessário.
A sensação que
sentimos quando percebemos que fazemos parte do grupo nos diferencia dos demais
que fazem parte de outros grupos, ou seja, somos nós e os outros.
Nosso comportamento
em relação aos outros é o que chamamos de reação natural, dado nossa habilidade
de discriminação, de rotular, de categorizar, isto ocorre, porque desde sua
origem o ser humano se obrigou a categorizar, separando aquilo que me faz bem, daquilo
que me faz mal, aquilo que me oferece perigo, daquilo que me oferece prazer.
A categorização é
aprendida desde nossos primeiros dias de vida, ao longo de nossa convivência familiar,
ao longo de nossa educação escolar, é um grande processo que constrói e afeta nossa
forma de avaliação e como vemos o mundo em que vivemos.
Inclusive, nos incluímos
nesta ou naquela categoria, o que faz a diferença, que define nós e os outros,
eu e você.
Dentro do grupo
ainda há divisões de outros grupos, e a célula principal, aquele indivíduo que
sou “eu”.
Como disse
anteriormente, nosso comportamento se altera entre uma situação e outra, em
determinado momento me vejo como pai, noutro como colega de trabalho, noutro
como gerente, noutro como brasileiro, noutro como colorado, tudo depende do que
seja relevante ou do que seja necessário para aquele momento parecendo ser mais
simpático e agradável.
Na educação podemos
perceber que existem vários grupos: grupo de professores, grupos de alunos,
grupo da direção. A sensação de pertencimento é a categorização que o ser
humano instintivamente constrói como forma de ver o mundo, neste caso o mundo
educacional.
A competição existe
de forma explicita e velada, seja entre professores, seja entre corpo diretivo,
entre alunos, porem todos almejando mudança de posição dentro do grupo e até a
mudança do grupo e categoria.
No mundo profissional,
também é marcante a categorização e a sensação de pertencimento e discriminação.
O pertencimento no
mundo profissional, depende inicialmente da personalidade construída pela
direção ao que chama de empresa, é quando fica clara a filosofia da empresa com
sua coerência nas atitudes frente ao público interno e ao publico externo.
Na construção da
personalidade da empresa, a figura nasce a partir das atitudes da direção, e na
construção da ideia de que todos os colaboradores possuem alguma coisa em comum
conosco.
Emocionalmente os
colaboradores precisam estar envolvidos, mais ou menos como a regrinha de
memorização, “com emoção há memorização, sem emoção “não”.
É evidente que
podemos não gostar de todos os componentes do grupo, porem a competição
positiva, dependerá do envolvimento e da sensação de pertencimento, da visão
objetiva, das expectativas de progresso, do retorno imediato e a curto prazo
dos resultados que esteja alcançando, dissipando as antipatias naturais dentre
membros que não simpatizamos que porventura tenham obtido maior êxito.
As antipatias
dentre membros do mesmo grupo, geram outros grupos, que chamamos de “panelinhas”,
coisa que ocorre em todo lugar.
Procurar entender
as funções e atribuições dos outros dentro do grupo é importantíssimo, pois descontrói
a impressão que temos acerca das nossas funções serem muitos mais complexas que
a dos outros, o que pensar assim é natural.
A identidade da
empresa (neste caso pode ser até uma escola), influencia a forma como nos
sentimos, como vemos a nós mesmos, influencia em nosso comportamento e até em
nosso desempenho.
Um recado, as
coisas não são tão difíceis de entender, a distinção entre grupos é acionada simplesmente
pela sensação de pertencer ao grupo, esta sensação que aciona sua afinidade, a
construção da afinidade sofre com a divisão dentro do mesmo grupo.
Já vi empresas
fomentarem atitudes e hábitos existentes em outras empresas, deixando de
fomentar a identificação do grupo a qual construiu, é necessário salientar a
cultura corporativa que ela é distinta.
Lembro de ouvir alguém
da alta direção a todo momento afirmar que na empresa “B” é assim que
trabalham, que na empresa “C” é assado, ora aproveitar ideias é uma coisa,
construir um frankenstein é outra realidade que não a nossa, virtualizando tanto
a forma de interpretação dominante com a forma resultado.
Como
estrutura de comunicação não é idêntica nem com a realidade a que se refere,
nem com o repertório de disposições de seu possível receptor, pois virtualiza
tanto a forma de interpretação dominante da realidade, com que cria seu
repertório, quanto o repertório das normas e valores de seu possível receptor.
A não identidade da ficção com o mundo, assim como da ficção com o receptor e a
condição constitutiva de seu caráter de comunicação. (Lima, 1979:105)
A ideia do frankenstein
empresarial é tão absurda, que ao imaginar a comparação entre empresas de
portes diferentes, filosofias, objetivos, atitudes dos sócios, pode terminar em
dissolução do grupo no que tange a construção da identidade, não havendo
identidade não há coisas em comum, ou será que a falta de identidade é algo em
comum?
Neste caso, não
havendo a distinção entre nós e os outros, distinção que é oriunda da identidade, leva as
decisões para o foro individualista, discriminando em favor do benefício
próprio, não levando em consideração o agir pelo bem maior que é o sucesso da
empresa.
O trabalho em
conjunto, é resultado da identificação de cada um com a filosofia da empresa,
os colaboradores ajudam uns aos outros, esquecem a discriminação entre si,
reforçando os fatores positivos em comum.
LIMA,
Luis Carlos (org.). A 1iteratura e leitor. Textos da Estética da Recepção.
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.
--.
Teoria da 1iteratura em suas fontes. Rio de Janeiro: Francisco Alves,
1983, 2 vol.
MLODINOW, Leonard.
Subliminar. Como o Inconsciente Influencia Nossas Vidas. Rio de Janeiro: Zahar,
2013