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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Educação + Ensino + Ead




A EAD aparentemente surgiu como uma resposta da sociedade para alguns dos problemas e necessidades, historicamente iniciou com os cursos profissionalizantes um pouco antes do ano de 1900 com cursos por correspondência divulgados nos jornais, e atualmente estendendo-se a todos os níveis de escolaridade, contribuindo na integração nacional e internacional.
Uma primeira impressão, é de que a EAD ainda precisa se inserir filosoficamente, para então encontrarmos o modelo próprio que vá alem dos interesses econômicos em nosso contexto pós moderno, no aspecto de vivermos em tempos de grandes mudanças devido às descobertas tecnológicas, sociais, artísticas, científicas e arquitetônicas. Para contribuir na análise, muitos dos comentários a seguir serão baseados em referências teóricas pertinentes ao assunto de pensadores que já se debruçaram sobre o tema. Espero também proporcionar um panorama geral do entendimento acerca das vantagens e desvantagens do EAD, como por exemplo esta é uma forma que não é engessada como o ensino tradicional que é voltado para as massas.
Contextualização do Cenário da Educação no Brasil
O cenário da educação tradicional no Brasil é de uma realidade preocupante, tal afirmação tem seu fundamento nos indicadores apresentados pelo IBGE, no Senso 2010, tais indicadores, por exemplo, apontam para uma população de pessoas de 25 anos ou mais de idade com 49,3% sem instrução e fundamental incompleto e 14,7% com fundamental completo e médio incompleto, realmente são indicadores expressivos e demonstram a parcela imensa da população que ainda não conseguiu sair da precariedade educacional. No entanto, ainda conforme o Senso 2010, relatam que o aumento da escolarização ao longo do tempo é um fator importante que vem impulsionando o crescimento do nível de instrução da população. Isso pode ser percebido pelo confronto da distribuição do nível de instrução por grupos etários. Os resultados mostraram que, com a elevação da idade, houve aumento na participação do grupo de nível de instrução mais baixo e consequente redução nos seguintes. A participação das pessoas sem instrução e com fundamental incompleto foi de 28,2%, no grupo etário de 25 a 29 anos, e alcançou 80,1%, no de 70 anos ou mais.
O Brasil ocupa o 53º lugar em educação, entre 65 países avaliados (PISA). Mesmo com o programa social que incentivou a matrícula de 98% de crianças entre 6 e 12 anos, 731 mil crianças ainda estão fora da escola (IBGE).
É grande o número de pessoas sem instrução escolar, embora tenhamos observado um crescimento da quantidade de pessoas que vem buscando instrução com a elevação da idade, ainda estamos longe de atingirmos 100% da população e também longe de se dar a devida qualidade ao conteúdo, neste aspecto percebido é que o abandono dos estudos muitas vezes é motivado pelo desinteresse do aluno pelo conteúdo já que não consegue “linkar” com a vida prática e na maioria dos casos o abandono pelos estudos ocorre pela necessidade econômico-financeira familiar obrigando muitos jovens a escolher entre o trabalho em detrimento dos estudos.
A grande maioria que não estuda, trabalha, o tempo que sobra após o trabalho é curto, e conforme onde more, há necessidade de deslocamentos que tomam horas entre o trabalho residência, ao incluir a escola, haverá necessidade de mais tempo para deslocamentos, aumenta o nível de dificuldade, a escolha por não estudar é praticamente a única opção como resultado natural.
As pessoas em sua maioria sentem a necessidade de retomar os estudos, pois percebem que o crescimento profissional depende muito disto, o mercado de trabalho é muito exigente quanto ao grau de escolaridade e especializações, com o avanço tecnológico foi estabelecida uma linha evolutiva que não permite a ninguém ficar estagnado.
Em resposta as exigências do mercado de trabalho, intensificaram-se os estudos a distância, nunca na história houveram tantas ofertas de cursos, abrangendo desde o ensino fundamental até o ensino superior.
Atualmente é possivel fazer cursos junto a universidades no exterior, o que elevou o nível de ofertas dos cursos em EAD, o que também possibilitou a troca de conhecimento em larga escala, com isto foram reduzidos gastos com viagens, tempo de deslocamento, vistos, passaportes, a EAD esta consolidando-se como uma forma alternativa de ampliar horizontes e encurtar distancias.
A legislação brasileira está preocupada com a normalização da oferta de cursos no Brasil, procurou garantir direitos através da legislação como por exemplo as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica em sua apresentação, declara que a Educação Básica de qualidade é um direito assegurado pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, tal discurso encontramos no ECA. Continuamente, encontramos a premissa e, um dos fundamentos do projeto de Nação que estamos construindo, a formação escolar é o alicerce indispensável e condição primeira para o exercício pleno da cidadania e o acesso aos direitos sociais, econômicos, civis e políticos.
A expectativa de que uma educação deva proporcionar o desenvolvimento humano na sua plenitude, em condições de liberdade e dignidade, respeitando e valorizando as diferenças, o ensino através da EAD representa uma forma de aproximação das pessoas, possibilitando o contato entre as pessoas livre das diferenças sociais que afasta pela discriminação, logo pressupõe-se que a exploração desta modalidade de ensino poderá proporcionar maior integração entre todos e, também uma forma de resgatar as pessoas que abandonaram os estudos.
Conforme afirma Moore and Kearsley (1996, p.1), o “[...] conceito de Ensino a Distância é simples: alunos e professores estão separados pela distância e algumas vezes também pelo tempo”. Neste viés, o Ensino a Distância permitiu que o ensino ingressasse nos lares e em todos os lugares alem das salas de aula, tal facilidade agregou mais opções de levar o ensino em tempo real a todos os lugares, isto ocorre graças também ao desenvolvimento tecnológico que criou tais possibilidades e com inimaginável tempo de resposta, isto tudo está tão impregnado que viabilizam uma cultura de ensino e informação instantâneos e disponíveis 24 horas.
Conforme Moore e Kearsley (1996), a evolução da EAD, identifica a existência de três (3) gerações:
Tabela 1: As gerações de ensino a distância
Geração
Início
Características
1a.
até 1970
Estudo por correspondência, no qual o principal meio de comunicação eram materiais impressos, geralmente um guia de estudo, com tarefas ou outros exercícios enviados pelo correio.
2a.
1970
Surgem as primeiras Universidades Abertas, com design e implementação sistematizadas de cursos a distância, utilizando, além do material impresso, transmissões por televisão aberta, rádio e fitas de áudio e vídeo, com interação por telefone, satélite e TV a cabo.
3a.
1990
Esta geração é baseada em redes de conferência por computador e estações de trabalho multimídia.

A partir de 1990, que é a terceira geração de cursos a distância esta geração está ligada ao uso do computador pessoal e da Internet, que viabilizam através de ferramentas e mecanismos e maneiras dos estudantes se comunicarem de forma síncrona (salas de chat, telefone) e assíncrona (grupos de discussão por e-mail, vídeos, sites, blogs), outro avanço obtido no avanço tecnológico é a interação social entre alunos e professores que superam a "distância social" e a "distância geográfica".
Moore e Kearsley (1996) referem-se modalidade de Ensino a Distância não como educação, mas sim como ensino, dizendo que:
O ensino a distância é o tipo de método de instrução em que as condutas docentes acontecem à parte das discentes, de tal maneira que a comunicação entre o professor e o aluno se possa realizar mediante textos impressos, por meios eletrônicos, mecânicos ou por outras técnicas.

As pessoas acreditam que a educação se constitui na forma de resolver todos os problemas enfrentados pela sociedade, no entanto conforme pensamento de Luckesi (1989):
a educação, nas suas mais diversas modalidades, não
tem condições de sanear nossos múltiplos problemas nem satisfazer nossas mais variadas necessidades. Ela não salva a sociedade, porém ao lado de outras instâncias sociais, ela tem um papel fundamental no processo de distanciamento da incultura, da acriticidade e na construção de um processo civilizatório mais digno do que esse que vivemos. (LUCKESI, 1989, p. 95).

Como se pode observar estamos diante de dilemas, conceitos e interpretações que apontam para muitas direções, com a evolução do comportamento humano, atualmente a sociedade busca respostas para novas necessidades, as pessoas em geral estão muito ocupadas trabalhando e deixaram para os professores a missão de educar, ensinar e transmitir conhecimento a seus filhos.
A formação educacional requer tempo, dedicação e recursos, afinal para se manter no mercado de trabalho há um custo que o trabalhador deverá pagar e tentar amenizar os reflexos de sua escolha no passado quando deixou de lado os estudos.
O professor Armindo Moreira, autor do livro Professor não é Educador, vai alem de tais afirmações quando declara que, a partir do século XX, houve uma inversão de papéis: o professor passou a ser um educador e isso gerou um grande problema para a qualidade de ensino. “Essa teoria de misturar ensino com educação reproduziu crises em todas as partes do mundo, pois não é papel do professor educar uma criança, assim a educação é papel dos pais”.
Pressupõe-se que está inversão de papéis ocorreu como resposta a ausência e escasso tempo que os pais tem para se dedicar a educação dos filhos pelo fato dos pais trabalharem fora, as crianças são mandadas para escolinhas de turno integral, cabendo aos “educadores” a tarefa de ensinar valores éticos e morais e transmitir conhecimento.
Para o professor Armindo Moreira, o professor quando assumiu o papel de educador, o professor deixa de cumprir o seu papel que é o de ensinar matérias básicas, como Português, Matemática, História e Geografia.
Percebe-se que há diferença entre o termo ensino e educação, conforme o professor Armindo Moreira, o significado de ensino é a transmissão/repasse de conhecimento e a educação é a transmissão/repasse de um conjunto de hábitos e valores, pois “Um analfabeto pode ser muito bem educado”, em nosso cotidiano encontramos “pessoas pouco instruídas, mas muito bem educadas; e entre pessoas muito instruídas, encontramos pessoas mal educadas.”
Observa-se que há diversos conceitos acerca de Ensino e Educação, logo surge uma questão acerca do que seria EAD conforme a forma de pensar a educação semelhante ao pensar do professor Moreira, a filosofia da educação conseguiria transmitir alem de conhecimento, também valores morais, éticos e hábitos? Também, perguntamo-nos se a educação que é direito de todos, não estaria sendo negado este direito aqueles que não conseguem concluir sequer o ensino fundamental ou que não aprendem o esperado?
Nas séries iniciais e no ensino fundamental onde quem frequenta são “pessoas” de tenra idade, estas não possuem maturidade para educação a distância, pois o ser humano necessita de apoio, atenção e contato direto para aprender, logo a raça humana é muito dependente do olhar e atenção do outro, na maioria das vezes necessitamos dos cuidados de alguém que nunca tínhamos tido qualquer contato.
 Superada esta fase inicial e tenhamos amadurecido, somos levados a fazer escolhas, ingressamos no mundo das necessidades determinadas pelo consumo, precisamos de capital para atender nossos desejos, o trabalho é a opção para a conquista da liberdade de poder comprar, adquirir para satisfazer nossos desejos, os prazeres e necessidades nos levam a trabalhar cada vez mais, o ensino que já não é mais a prioridade é deixado de lado, porem com o avanço da vida profissional, é exigido do trabalhador que este possua formação educacional.
Quantas vezes ficamos sem resposta ou sequer tivemos oportunidade de perguntar e ser ouvidos em aula presencial, onde é um único professor para dar atenção a quarenta alunos num espaço de tempo de 50 minutos de aula, este é o paradigma presencial da educação para a massa, no entanto podemos notar a diferença no ensino do EAD, quando estamos on line com o professor ou o tutor, estes nos proporcionam a exclusividade que tanto precisamos, a comunicação entre professor e aluno é uma das vantagens nesta modalidade de ensino, afinal professor e aluno aprender um com o outro mutuamente.
A comunicação escrita precisa ser pensada, analisada, colocamo-nos no lugar do outro que fara a leitura e queremos que este entenda o que se quer comunicar, logo o registro de nossas expressões são inegáveis, a reorganização de nossa forma de pensar é necessária e isto por si só já é uma diferença, este movimento se estende a leitura que fazemos da realidade que nos leva a dedicar maior atenção aos detalhes, o estudo do conteúdo toma uma maior importância, precisamos ser mais do expectadores e ouvintes de uma aula expositiva, despertamos nosso interesse e com isto desenvolvemos nossa habilidade autodidata, estamos mais ávidos na busca por mais conhecimento.
A educação com toda sua pedagogia esta adaptando-se a esta realidade imposta pelo EAD, as tecnologias impõem a esta modalidade uma pedagogia de ensino e aprendizado mais ágeis, são muitos exigindo atenção e são muitos que participam deste processo de ensinar.
O EAD não pode ser pensado como a salvação dos problemas de ensino, os estudos acerca do EAD, demonstram que esta modalidade veio a dar resposta para alguns problemas, mas não para todos os problemas, a aula presencial é e percebe-se que não poderá ser simplesmente substituído, o professor em sala de aula precisará adaptar-se a realidade da informação instantânea, saber transformar informação em conhecimento, abandonando a premissa que o professor “sabia tudo”.
Naturalmente as pessoas utilizam a internet para responder a muitas questões, sob este aspecto poderiam ser melhores preparadas para utilizar esta ferramenta em aulas presenciais e na modalidade do EAD, aprender a ser crítico ao analisar os sites que oferecem informações, se possuem este sites tem credibilidade, afinal a internet está ai para ficar, um dos aprendizados a distância nos ensina a ser autodidatas, pois estejamos vinculados ou não a alguma instituição de ensino a distância, uma vez que tenhamos aprendido a utilizar nossa habilidade de estudo, nossa curiosidade seja por necessidade profissional ou não, estará sendo praticada ao longo de nossas vidas, independente de nossa idade, classe social, gênero, ideologia, religião.
As instituições de ensino mais tradicionais já estão se adaptando a modalidade de EAD, aderiram a esta modalidade a níveis nacional e internacional, com cursos de graduação, extensão e especialização, a globalização permite a integração de conhecimento e feedback entre nações, abriu-se um mercado de trabalho amplo, dando oportunidade para professores e outros profissionais que atuem nesta área, com o apoio e fiscalização de instituições e orgãos tais como Ministério da Educação, Ministério das Cidades.
O ensino por EAD ainda tem muitas falhas, porem vem trilhando um caminho vitorioso, evoluindo com o crescimento de mais cursos autorizados pelo MEC, exigindo ao sistema educacional adequar-se a esta ferramenta de ensino pós-moderna.


1.      REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1 - LUCKESI, Cipriano Carlos, Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez Editora, 1996. ... Introdução à avaliação educacional, São Paulo, 1989.

2 - MOORE, M. & KEARSLEY, G. Distance Education: a system view. Belmont (USA):Wadsworth Publishing Company, 1996.

3 – MOREIRA, Armindo: Professor não é educador. 4ª. Edição. Profeduc. Cascavel/PR. 2012.

4 - http://brasilescola.uol.com.br/educacao/educacao-no-brasil.htm.  Visitado em 03/09/2016 as 7:58hs

5-  http://www.estudopratico.com.br/pos-modernismo/. Visitado em 25/10/2016 as 21:35hs.