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domingo, 31 de março de 2019

TROCANDO PALAVRAS - RECIPROCANDO I - SCHOPENHAUER



PARERGA E PARALIPOMENA

Arthur Schopenhauer (Danzig, 22 de fevereiro de 1788 — Frankfurt, 21 de setembro de 1860) foi um filósofo alemão do século XIX. Ele é mais conhecido pela sua obra principal "O mundo como vontade e representação" (1818), em que ele caracteriza o mundo fenomenal como o produto de uma cega, insaciável e maligna vontade metafísica. A partir do idealismo transcendental de Imannuel Kant, Schopenhauer desenvolveu um sistema metafísico ateu e ético que tem sido descrito como uma manifestação exemplar de pessimismo filosófico. Schopenhauer foi o filósofo que introduziu o pensamento indiano e alguns dos conceitos budistas na metafísica alemã. Foi fortemente influenciado pela leitura das Upanishads, que foram traduzidas pela primeira vez para o latim no início do século XIX. Wikipédia


Parerga e Paralipomena foi um grande sucesso do filosofo Schopenhauer, são dois volumes de observações esparsas, ensaios e aforismos, completado em 1851, nove anos antes de sua morte. Com uma enorme sensação de missão cumprida e alivio, ele terminou o livro e declarou: “Vou enxugar a pena da minha caneta e dizer ‘o resto é silêncio’.”
Nesta obra derradeira, ele abrandou o pessimismo, diminui as lamentações e deu conselhos sensatos de como viver, embora continuasse acreditando que “a vida é apenas uma camada fina de mofo sobre a superfície da Terra” e “uma alteração na ditosa calma do nada”, seguiu um rumo mais prático em sua última obra.
Assim, Parerga e Paralipomena ensina como pensar com independência, como manter o ceticismo e a razão, como evitar buscar emolientes sobrenaturais, como pensar bem de nós mesmos, ter ambições pequenas e evitar se apegar ao que se pode perder.
O primeiro volume de Parerga e Paralipomena contém uma notável trinca de ensaios sobre como ganhar e manter a autoestima.
O primeiro ensaio, O que é o homem, mostra como o pensamento criativo proporciona uma riqueza interior, que por sua vez confere autoestima e permite que se vença o vazio e o tedio da vida, causadores de seguidas conquistas sexuais, viagens sem fim e jogos de azar, diz o autor.
O segundo ensaio, O que o homem tem, analisa uma das maiores compensações para a pobreza interior: o acumulo de bens, que acabam fazendo com que a pessoa seja possuída por suas posses.
O terceiro ensaio, O que o homem representa, mostra melhor a sua visão a respeito da fama. A autoestima ou mérito interior é o que importa, daí a fama ser algo secundário, mera sobra do mérito. “Não é a fama, mas o que merecemos que realmente vale. (...) a maior felicidade do homem não é a posteridade vá saber alguma coisa sobre ele, mas se ela vai ter ideias que merecem ser consideradas e mantidas por séculos.” A autoestima baseada no mérito interior resulta numa autonomia que não pode ser tirada de nós (fica em nosso poder), enquanto a fama jamais está em nosso poder.
A obra traz uma ideia de ligação, isto é, de que através do sofrimento nos ligamos aos outros. Num importante trecho, o grande misantropo mostra uma visão mais suave e indulgente de seus companheiros bípedes.

O tratamento mais adequado entre os homens não deveria ser “Senhor, Sir, Monsieur, mas meu companheiro sofredor”. Por estranho que pareça, estaria de acordo com os fatos, pondo o outro na luz adequada e nos lembrando do que é mais necessário: a tolerância, a paciência e o amor pelo próximo que todos precisam e, portanto, todos se devem.

Poucas frases depois, ele acrescenta uma ideia que poderia servir também numa abertura de um livro de psicoterapia hoje.
Devemos encarar com tolerância toda loucura, fracasso e vicio dos outros, sabendo que encaramos apenas nossas próprias loucuras, fracassos e vícios. Pois eles são os fracassos da humanidade à qual também pertencemos e assim temos os mesmos fracassos em nós. Não devemos nos indignar com os outros por esses vícios apenas por não aparecerem em nós naquele momento.
Schopenhauer, foi muito admirado por grandes inteligências, muitos admitiram sua dívida para com ele, tais como Thomas Mann. Tolstoi chamou-o de “gênio por excelência”. Para Richard Wagner, ele foi “uma dadiva do céu”. Nietzsche disse que sua vida nunca mais foi a mesma depois que comprou um gasto exemplar de Schopenhauer num sebo em Leipzig e, como disse, deixou “aquele gênio dinâmico e lúgubre agir na minha mente”, Schopenhauer mudou para sempre o mapa intelectual do Ocidente, e sem ele Freud, Nietzsche, Hardy, Wittgenstein, Beckett, Ibsen, Conrad seriam muito diferentes e menos fortes.

Bibliografia
Yalow, Irvin D. A Cura de Schopenhauer. Rio de Janeiro. 2ª ed. Ediouro, 2006