O que as novas gerações pensam sobre Educação Cívica e preparação para o mundo empresarial? Será que Educação Cívica, simpatia e Disciplina, tem algo a ver com o mundo empresarial?
Pois é, foi uma discussão interessante numa rodinha de bate papo, me fez pensar bastante a respeito e posso garantir que tem muito a ver.
Esta questão é importantíssima para quem pensa em educação civica, não na educação a moda antiga, como nos anos 70 quando ficávamos limitados ao ditames da ditadura, hoje já não cabe mais arbitrariedades sem conversa e discussão, os jovens são mais críticos e nosso regime democrático nos permite ser assim.
Lembrando que durante a ditadura militar além da reestruturação do ensino, reestruturou os currículos das escolas de primeiro e segundo graus criando a disciplina de Educação Moral e Cívica e dando uma nova abordagem a disciplina de OSPB (Organização Social e Política do Brasil) com o objetivo de transmitir a ideologia calcada nos princípios da Segurança Nacional. Além disso, transformaram as disciplinas de História e Geografia em Estudos Sociais, levando ao esvaziamento dos conteúdos, fazendo-os regredir ao método mnemônico, fazendo o aluno decorar datas, nomes e fatos importantes da nossa história com vistas ao desenvolvimento do nacionalismo, elemento importante na formação do indivíduo para a efetiva manutenção do regime instituído.
Dessa forma, os militares não se preocuparam em edificar e planejar uma escola com base no desenvolvimento do senso critico, porque colocaria em risco os planos arquitetados pela Escola Superior de Guerra. Com isso, as disciplinas (OSPB, Educação Moral e Cívica e Estudos Sociais) representaram o marco estratégico da propagação da ideologia defendida pelo Regime Militar. Sendo assim, os conteúdos foram planejados e direcionados para um paradigma propagandístico e cívico de educação em comum acordo com a política repressiva do governo militar.
Vivemos num mundo onde se procura fazer tudo ao contrário daquilo que éramos obrigados a fazer na ditadura militar, e assim as coisas acabam saindo totalmente dos eixos, e a liberdade acaba virando libertinagem, desmandos, desrespeitos, antipatias gratuitas e ai vai descambando.
Explico - sabemos que para incutir simpatia e disciplina no ser humano é uma tarefa bastante difícil. Seja para adultos ou crianças, a tarefa não é das mais fáceis.
Quantas famílias praticam conceitos antagônicos, contraditórios como gritos e pedidos de colaboração, isto tudo ao mesmo tempo, no entanto ambos conceitos são oriundos de maneira geral de um mesmo sentimento, que por necessidade de amarmos e sermos amados, ao procurarmos justiça para nós e assumirmos (por vezes) a nossa injustiça no tratamento com os outros. (quem já viu o filme “todos odeiam o Cris”?)
É o que em casa queremos ensinar, especialmente quando sabemos forçosamente, terão que confrontar seres humanos que nada têm a ver com a nossa relação familiar, mas sim, com esse vai e vem que o povo usa para criticar, obedecer à ordem social e à disciplina no tratamento simpático entre vizinhos.
Viver em sociedade, implica em ser socialmente responsável, estar preparado a respeitar o direitos dos outros de maneira a atender os ditames da ordem social, sendo simpático no tratamento entre pessoas, indivíduos e cidadãos.
Ser disciplinado para estarmos prontos a ingressar no mundo empresarial, se quisermos ter sucesso profissional.
Muito se ouve e, diz-se que, perante a falta de simpatia e disciplina, não há o interesse da cultura cívica pelos jovens, para isto, pensa-se que seja necessário que a escola eduque os alunos a serem bons cidadãos, sem que tal educação não se utilize desta questão como meio de doutrinação política ou de adaptação ao politicamente correto como fizeram os militares.
Nesta reflexão, óbviamente outras perguntas vão surgindo, tal como o que se entende atualmente por educação para cidadania, ou melhor, educação civica?.
Vivemos dentro de uma democracia ocidental, que por si só, é entendida como a preparação das jovens gerações para venham a se tornar cidadãos informados, ativos e comprometidos com suas democracias.
O regime democratico, como qualquer outro regime, comtemporâneo, pretende ser estavel; pretende estar preparado para a interculturalidade e globalização, consolidando uma identidade tipicamente de cidadania brasileira, ai entra a familia, e principalmente a escola e as instituições sociais (aqui esta inclusa a escola).
A impressão que se tem é que estamos executando um suposto projeto liberal de um eu que se procura em se definir e aperfeiçoar de costas voltadas para o seu contexto sócio-cultural ou histórico. (histórico no sentido hegeliano)
Cabe ressaltar que nesta impressão a importância do «social», esta comprometido com uma utopia de um sujeito autónomo liberal extremo, que pensa não depender idealmente de nada, nem de ninguém, como se fosse autosuficiente sem ter de dar satisfações a ninguem, e ainda com o sistema corroborando para isto.
Parecendo mais democracias de individuos do que democracias de cidadãos.
Dentro desta abordagem, as familias, as escolas, as instituições sociais (onde a escola esta incluida), as comunidades morais e éticas, tem o poder de conformar a nossa identidade e o que os nossos interesses são ou devem ser. Aqui já antecipo uma conclusão, por entender ser o momento oportuno, contrariando as boas praticas do discurso.
Da perspectiva ética, Ortega y Gasset já se havia lamentado da pretensão de reduzir o ensino da ética a uma educação para a convivência, ou, por outras palavras, da cegueira que significa pensar a tarefa educativa de humanizar o homem reduzida à sua mera socialização. Ninguém duvida da necessidade de uma formação de cidadãos, mas esta não é suficiente, pois é necessária uma formação de pessoas. Nesse sentido, adquirir critérios éticos é um elemento essencial, tal como juntar à educação de juízo moral, a de carácter moral.
Como afirma José Pedro Teixeira Fernandes, deste modo, se se marginalizarem os critérios éticos da educação, corre-se o risco de introduzir a educação cívica no discurso da mera adaptação. Assim converte-se a própria vida social em meros protocolos, puras normas de procedimento. Se banirmos a educação moral do discurso da socialização política, vemo-nos levados a pensar a integração social como adaptação às tendências dominantes.
Assim, não será surpresa para ninguém que seja necessário fazer-se uma abordagem de modo coordenado - é a proposta que sugeriria para continuar a trabalhar: a educação moral e os direitos humanos, a educação cívica e a urbanidade, juntamente com as restantes virtudes sociais; e a educação intercultural.
É, necessário entender as razões deste suposto descaso cívico, com as razões que estão históricamente registradas, entre uma ética de dever e uma ética de prazer.
As raízes tradicionais da educação cívica: a(s) ética(s) do dever:
No âmbito da cultura ocidental existe um antagonismo profundo entre uma ética do dever e uma ética do prazer que tem as suas origens na Antiguidade clássica greco-romana.
A ética estóica (ou estoicismo) – provavelmente a formulação mais antiga da ética do dever –, caracteriza-se por um determinado conjunto de valores que permitem afirmar que «para o estóico a vida feliz é a vida virtuosa […].
O essencial é a retidão, a adequação à ordem intrínseca do mundo, a lei natural, a lei divina».
Quanto à outra formulação ética que se lhe opunha frontalmente – o epicurismo ou hedonismo – este baseava-se num sistema de valores substancialmente diferente. À questão «o que deve fazer o homem?» respondia: «o que gosta mais. Ora, o que gosta mais é o que lhe é agradável: o que lhe dá prazer».
A primazia de uma ética do dever projetada pelo Cristianismo, que assimilou elementos da Antiguidade greco-romana, foi inquestionável até ao século XVIII e ao Iluminismo.
Durante o século XVIII, a formulação ética de Immanuel Kant (1724-1804), apesar de se desviar do tradicional fundamento em Deus, situa-se, claramente, no campo da ética do dever, sendo caracterizada por «imperativos categóricos (incondicionados), de cariz absoluto e universalista, cuja validade, deve ser aferida racionalmente: «Atua de tal modo que possas querer que essa atuação se converta em lei universal».
Penso que Kant tenha se inspirado no cristianismo quando caracterizou os imperativos categóricos.
Com o Iluminismo e os Filósofos das Luzes começou-se, de uma maneira relativamente lenta, mas progressiva, a alterar o milenar edifício ético que vinha da Antiguidade clássica e do Cristianismo medieval, sendo-lhe introduzidas duas componentes que lhe eram essencialmente estranhas:
i) as concepções éticas de raiz secularista/laica (por exemplo, as de Karl Marx ou as de Friedrich Nietzsche);
(ii) a recuperação e (re)valorização do epicurismo/hedonismo, que assume as novas formas de utilitarismo (é o caso do «utilitarismo» novecentista de Jeremy Bentham e de John Stuart Mill, simbolizado na conhecida máxima da «maior felicidade para o maior número», e do sistema de valores que implicitamente, ou explicitamente, se afirma com as sociedades de consumo, na segunda metade do século XX).
Todavia, importa notar que, até meados do século XX, os direitos do indivíduo foram largamente contrabalançados por uma excepcional idealização do dever-ser. «Durante cerca de dois séculos, as sociedades modernas professaram solenemente as obrigações morais do homem e do cidadão, conferiram um esplendor sem igual ao ideal de desinteresse e de esquecimento de si próprio, exortando incansavelmente aos deveres para com cada um de nós e para com os nossos semelhantes, procurando purificar as almas, promover as virtudes privadas e públicas» (Gilles Lipovetski).
Os sinais mais visíveis desta persistência da ética do dever, podem ser encontradas nos livros de história, nos discursos oficiais dos governantes e nos monumentos aos mortos, os quais tinham por objetivo «a formação de bons cidadãos e soldados heróicos», sublinhando, ao mesmo tempo, em frases sonoras e empolgantes, o «dever de morrer pela nação», a «grandeza da lei e a exigência absoluta de servir o interesse geral».
Outro ponto relevante é a emergência de uma cultura de direitos e as suas implicações.
É ao longo da segunda metade do século XX, que se começa a tornar evidente a progressiva transformação de uma tradicional cultura de deveres ético-jurídicos, numa nova cultura de direitos, que invadiu praticamente todas as esferas da vida humana (Gilles Lipovetski):
Quer seja na esfera política, moral ou econômica, por toda a parte os direitos soberanos do indivíduo foram postos em primeiro lugar: direitos do homem, direito ao prazer, direito à livre situação dos direitos privados, é este o processo que poderia autorizar Leo Strauss a analisar a modernidade como uma cultura na qual «o fato moral absoluto é um direito e não um dever».
A este fenômeno não são certamente estranhas, quer as tendências de afirmação duma sociedade de consumo, quer as que tendências para a aceitação de um progressivo relativismo ético e cultural, o qual tende a ser visto como a expressão duma maior tolerância e da aceitação da diversidade cultural.
Prosseguindo com afirmações de José Pedro Teixeira Fernandes:
Mais uma questão histórica é a implicação cívico-militares: o abandono da conscrição.
Tradicionalmente, desde a Revolução Francesa de 1789 que, em caso de guerra, se verifica a mobilização generalizada dos cidadãos, la nation em armes, com apelo à conscrição, ou seja, ao alistamento obrigatório de todos os cidadãos do sexo masculino, a levée en masse, dentro de certos limites etários, para combate do inimigo externo.
Este processo contribuiu para a formação e/ou reforço identidade dos diversos Estados-Nação da Europa Ocidental e para a própria formação estereótipos de masculinidade.
Ao longo da segunda metade do século XX esta situação foi-se alterando devido a vários fatores:
i) o aumento da esperança média de vida nos países ocidentais, fruto dos desenvolvimentos da medicina e da melhoria generalizada das condições higiénico-sanitárias e alimentares;
ii) o controlo da natalidade e do aumento da população pela via planejamento familiar;
iii) a emergência de uma sociedade de consumo com a ética hedonista que lhe está subjacente;
iv) a crise da ideia tradicional de Estado-Nação que resulta quer do movimento de integração da(s) Comunidade(s)/União Européia, quer da emergência de novas concepções políticas de tipo multicultural.
Em consequência destas mutações profundas a generalidade da população européia tornou-se cada vez menos sensível ao discurso dos deveres cívicos e das glórias guerreiras e patrióticas do passado, deixando de estar disposta a efetuar sacrifícios heróicos, normalmente sangrentos e à custa da perda de muitas vidas humanas.
Naturalmente que estes sacrifícios eram mais fáceis de aceitar em sociedades habituadas a altas taxas de mortalidade infantil, com famílias numerosas e em que a doença e morte eram encaradas como fatos naturais da vida diária e não anomalias como hoje as tendemos a encarar.
Neste contexto, o abandono do serviço militar obrigatório surge como uma consequência «natural», quer do fim da Guerra Fria e das ameaças militares que lhe estavam subjacentes, quer do abandono progressivo dos valores de uma ética do dever, quer ainda da crise do próprio Estado-Nação, não se sabendo bem qual será o seu destino futuro no âmbito duma União Europeia em crescente integração económica e política.
Mas há outras consequências importantes, como o desfasamento entre os tradicionais valores militares – a honra, a coragem, o sacrifício, o amor da pátria – e os valores da sociedade civil e da economia – o aumento do bem estar e a melhoria da satisfação das necessidades.
Assim, a emancipação da masculinidade do tradicional ideal do militar guerreiro, o que, parafraseando Edward Luttwak, está a dar origem a uma «cultura pós-heróica» que transforma o militar-guerreiro numa «figura anómala» das nossas sociedades.
No Brasil, após a época da ditadura o movimento anti-militarista estabeleceu uma transformação nos antigos valores propagados pelos militares, incutidos na cultura brasileira, porem aqui há um diferencial, importantíssimo, foram anos de terror e a visão do militar guerreiro era mais visto como militar opressor.
O pensamento tecnicista foi introduzido ainda durante a ditadura, era necessário educar para trabalhar e produzir, neste aspecto permanecemos incluídos.
Estar incluído era e ainda é necessário ser um cidadão produtivo, e as escolas não estão preparando as novas gerações para o mundo empresarial.
Neste mundo tecnicista as implicações cívico-laborais: o defasamento entre a escola e a empresa.
Para quem se situa fora das atividades económico-empresariais, como é em grande parte o caso do universo do ensino, quer no caso de professores, quer no caso dos alunos, o contato com este é essencialmente feito pela via do consumo, onde funciona uma ética hedonista, suporte moral indispensável para uma sociedade de consumo.
Daqui resulta uma imagem mais ou menos distorcida que, implicitamente, acaba por ser construída por todos aqueles que apenas conhecem o mundo empresarial do exterior, enquanto consumidores.
Para esta imagem distorcida contribui também o glamour publicitário e do cinema, e até das próprias revistas de gestão para quadros e executivos, que difundem habitualmente o estereótipo do executivo jovem e bem sucedido.
Visto de fora, e sem outras experiências de vida, o mundo empresarial surge como uma espécie de prolongamento natural do mundo acadêmico, com a estimulante vantagem de permitir aumentar a felicidade pelo consumo, devido à possibilidade de obtenção da independência econômica, face aos pais ou ao meio familiar.
A questão é que o mundo empresarial «esconde» exigências que «não se estava à espera» e não se compadecem com este glamour. Por exemplo, assiste-se a uma (re)entrada em força da ética, e de uma ética que até contém bastantes deveres (códigos éticos das empresas, códigos deontológicos das profissões liberais, etc).
O desfasamento entre a escola e a empresa é um tema recorrente dos meios empresariais, do discurso político e da própria imprensa, o debate tende a cristalizar-se em torno dos curriculae, das competências técnicas dos alunos e dos cursos necessários.
Pouca atenção tem sido dada ao defasamento ético que, na maior parte dos casos, separa profundamente o universo estudantil (muito marcado por uma lógica direitos e pela felicidade prometida aos consumidores), do universo do trabalho (bastante mais marcado pela existência de deveres e pelas exigências de cumprimento de objetivos, de produtividade, etc., feitas a todos os que participam no processo produtivo de bens e serviços) e às suas consequências, quer em termos de cidadania, quer em termos de inserção dos jovens no mundo do trabalho.
O Princípio da Simpatia e Antipatia
O princípio da simpatia e antipatia tende ao máximo a pecar por severidade excessiva. Tende ele a aplicar castigo em muitos casos em que é injusto fazê-lo, e, em casos em que se justifica uma punição, a aplicar severidade maior do que a merecida.
Não existe acto algum imaginável, por mais trivial e por menos censurável que seja, que o princípio da simpatia e antipatia não encontre algum motivo para punir. Quer se trate de diferenças de gosto, quer se trate de diferenças de opinião, sempre se encontra motivo para punir. Não existe nenhum desacordo, por mais trivial que seja, que a perseverança não consiga transformar num incidente sério. Cada qual se torna, aos olhos do seu semelhante, um inimigo e, se a lei o permitir, um criminoso. Este é um dos aspectos sob os quais a espécie humana se distingue - para seu desabono - dos animais.
Por princípio de simpatia e antipatia entendo o princípio que aprova ou desaprova certas acções, não na medida em que estas tendem a aumentar ou a diminuir a felicidade da parte interessada, mas simplesmente pelo facto de que alguém se sente disposto a aprová-las ou reprová-las.Os partidários deste princípio mantêm que a aprovação ou a reprovação constituem uma razão suficiente em si mesma, negando a necessidade de procurar qualquer fundamento extrínseco. Isto, no sector genético da moral; na área específica da política, tais autores avaliam o grau da punição de acordo com o grau de desaprovação.
Jeremy Bentham, in 'Uma Introdução aos Princípios da Moral e da Legislação'
As novas gerações precisarão estar preparadas para enfrentar o mundo empresarial, com a globalização e os avanços da tecnologia não basta ter informação, é necessário saber o que fazer com ela e, assim transformar a informação em conhecimento, e não apenas ter sucesso: é preciso se sentir, acima de tudo, realizado.
Atualmente, o mercado de trabalho exige mais do que um diploma, qualificações pessoais e profissionais, experiência profissional, pós-graduação. Cada vez mais exige-se traquejo no que diz respeito à arte de se relacionar com o próximo.
Para que isso aconteça é preciso, primeiramente, se sentir satisfeito, feliz, confiante e seguro. A espontaneidade deve ser policiada para não se tornar uma pessoa inconveniente, pois toda pessoa que se diz espontânea ao extremo, dizendo tudo o que o que acha ou pensa, acaba se comprometendo.
A convivência faz com que as pessoas percam o respeito uma pelas outras.
Não basta apenas se policiar para não magoar ou ferir os sentimentos alheios; é necessário fazer, sempre que possível, uma avaliação da sua conduta, pensamentos e procedimentos, e tirar proveito até mesmo de situações delicadas. Tanto a simpatia quanto a empatia ou a antipatia são reflexos de nossas atitudes. Os gestos, expressões, trejeitos ou tom de voz empregados em determinadas situações podem passar de forma negativa ou positiva a impressão de simpatia, empatia ou antipatia.
A SIMPATIA
A simpatia está diretamente ligada à maneira simples, sincera e delicada de tratar uma pessoa com naturalidade e satisfação.
Ninguém se torna ou é considerado simpático de uma hora para outra; é como uma semente que, quando lançada ao solo, deve ser regada com amor, carinho, respeito e dignidade.
Colhemos aquilo que plantamos e, neste caso, a colheita será de bons frutos e excelentes relacionamentos. Quando nos tornamos queridos pelos colegas de trabalho, temos a certeza de contar com uma torcida organizada a nosso favor.
O carisma se torna fundamental na arte dos relacionamentos interpessoais e para o sucesso da etiqueta empresarial, independentemente da área em que se atua ou da profissão que se exerce, desde a porta de entrada da instituição à diretoria.
Toda pessoa simpática é carismática por natureza. Tem o dom de conquistar, marca presença, é querida e admirada.
O carisma que expressa está diretamente ligado ao brilho do olhar e à expressão fisionômica leve e tranqüila. O sorriso é complementado no ato de saber lidar com sentimentos, desejos e necessidades alheias. Carisma é magia e sedução. É uma vibração positiva, que encanta e cativa. Muitas vezes, quando nos identificamos com uma pessoa prestativa, numa situação social ou profissional, sentimo-nos gratos e temos a nítida impressão de que já conhecemos aquela pessoas de algum outro lugar.
Ser simpático pode vencer obstáculos e alimentar relações. Devemos ter a simpática como um meio para conseguir o sucesso.
Nos negócios não deveremos tratar os nossos adversários como verdadeiros inimigos, pois para o sucesso é imperativo ser cordial e simpático.
Todos gostam de receber elogios e após um elogio estamos mais receptivos pelo menos a ouvir a outra pessoa. Não receie que o seu elogio seja interpretado como falsidade ou bajulação. Para que não pensem isto de si, a sua simpatia tem de ser espontânea, natural pois se assim for a simpatia será instintiva e lembre-se que pequenos gestos e atitudes podem ser cruciais.
Simpatia gera simpatia.
Sempre que formos simpáticos para alguém, essa pessoa não se vai esquecer e vai retribuir o “favor”, por isso sorria para a pessoa que lhe abrir a porta, agradeça, por exemplo.
Aposte numa relação onde haja uma troca de informação e conhecimento, pode lhe valer uma ótima parceria. Não seja simpático apenas para os que conhece, para as pessoas com que se relaciona mais, seja também amável para os outros que conhecem e para os desconhecidos, nunca se sabe se a sua simpatia será lembrada no futuro.
No seu trabalho de certeza que já lhe aconteceu chegar bem-disposto e em pouco tempo ficar de mau humor devido ao ambiente à sua volta, ao seu colega do lado que está irritado, ou então vice-versa; chega mal-humorado devido ao trânsito e em pouco tempo esquece e começa a rir porque os seus colegas estão bem-dispostos. Pois bem, boas vibrações são essenciais.
A EMPATIA
A empatia, é o dom de se colocar no lugar do outro para melhor atendê-lo, conhecê-lo ou servi-lo. Para entender o próximo é preciso, primeiramente, aprender a conhecer a si mesmo.
A ANTIPATIA
A antipatia pode gerar uma série de conseqüências desagradáveis e desfavoráveis para quem a transmite, podendo até mesmo afastar as pessoas. É preciso, acima de tudo, nesta situação, aliviar a expressão facial, evitando ao máximo franzir a testa ou conservar um olhar semi-serrado, devendo também tomar cuidado para não se tornar arrogante, prepotente, indesejado, artificial ou robotizado.
A timidez excessiva, seguida de isolamento por uma pessoa que se fecha para si mesma por sentir dificuldades, insegurança ou inferioridade ao lidar com o próximo, também poderá transparecer anti-socialismo, uma certa arrogância ou antipatia gratuita.
Ser simpático, carismático, atencioso, prestativo e educado é dever de todos, em qualquer momento, situação ou lugar, seja na vida social ou profissional.
Então, as questões estão todas relacionadas, Educação Civica, Simpatia, Empatia, Antipatia, com a boa disciplina policiando os comportamentos, incutindo nas novas gerações princípios éticos e morais a moda Kantiana. Como visto, a educação cívica contemporânea compreende aspectos que nossas escolas não estão preparadas.
Vivemos num mundo de produção e consumo, é preciso saber produzir, é preciso saber consumir. Aprendemos primeiro a consumir e depois a produzir. É preciso mudar, é tempo de mudar.
"Somos incapazes de esquecer uma pessoa que nos tratou bem, como também somos incapazes de esquecer uma pessoa que nos tratou mal."
Bibliografia:
KANT, Immanuel. Crítica da faculdade do juízo. Tradução de Valério Rohden e António Marques. Rio de Janeiro, RJ: Forense Universitária, 1993.
Lipovetski, Gilles (1994), O Crepúsculo do Dever. A Ética indolor dos novos tempos democráticos, Lisboa: Publicações Dom Quixote.
PEREZ, D. O. Kant e o problema da significação. Curitiba: Editora Champagnat, 2008
Revista de Filosofia, Curitiba, v. 18 n. 21, p. 11-25, jul./dez. 2005.
Tenham um ótimo fim de semana.