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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Perspectivas Sobre a Maneira de Questionar o Ato de Pensar Ele Mesmo



Adão Rogério da Silva Cabral (1)
RESUMO
Este ensaio discute algumas perspectivas sobre a maneira de questionar o ato de pensar ele mesmo e sua relação entre as descobertas neurológicas, tais como a plasticidade cerebral e seu poder de regeneração, fatos que já reformulam as inquietações metafisicas que afligem o ser humano e poderão mudar a conceptualização filosófica clássica e tradicional. A filosofia percebeu que as perspectivas abertas pela Neurociência, abriram fendas importantes no pensamento filosófico tradicional, tal como a dualidade cartesiana mente e corpo. Atualmente já existem evidencias que o correto é pensar mente-no-corpo, inclusive já se percebeu que a ausência de emoção e sentimento podem destruir a racionalidade, portanto dentro de uma nova perspectiva, o pensamento ocidental deverá rever seus dualismos, como mente e corpo, razão e sentimento, assim sendo é necessário falar da maneira de questionar o ato de pensar ele mesmo.

Palavras-chaves: perspectivas - pensar - dualismo

ABSTRACT
This essay discusses some perspectives on how to question the act of thinking itself and its relationship between neurological findings, such as brain plasticity and its regenerative power, facts that already reshape the metaphysical concerns that afflict the human being and may change the classical and traditional philosophical conceptualization. Philosophy realized that the perspectives opened by Neuroscience have opened important chinks in traditional philosophical thinking, such as the Cartesian duality of mind and body. Nowadays, there is already evidence that the correct thing is to think mind-in-body, it has already been realized that the absence of emotion and feeling can destroy rationality, therefore within a new perspective, Western thought should review its dualisms, such as mind and body, reason and feeling, so it is necessary to speak of the way to question the act of thinking itself.

Keywords: perspectives - think - dualism

1.                 Introdução
O desenvolvimento da tecnologia nos permitiu fazer coisas que jamais havíamos pensado serem possíveis, como por exemplo o implante de chips no cérebro que vem se tornando realidade, implante de próteses que substituem membros de nosso corpo simulando movimentos quase perfeitos, o aumento da longevidade. Tudo isto veio para alimentar a discussão filosófica do dualismo mente-cérebro. É possível que os estudos de neuroimagem forcem os filósofos a rever posições acerca do problema mente-cérebro, afinal ainda não sabemos se nossa mente é algo físico, se estados de nossa mente são apenas estados de nosso cérebro. Outra questão para pensarmos, por exemplo, é a localização das várias personalidades no cérebro de alguém que sofre de transtorno de múltiplas personalidades, afete nossas posições filosóficas ao discutirmos a questão da identidade pessoal. 
 Nasce René Descartes, pai da filosofia moderna | HISTORYDescartes

A Neurociência está revolucionando a realidade, pois ela é vista como uma ciência interdisciplinar, que colabora com outros campos de pesquisa, com estudos vastos e amplos, estendendo-se para os conhecimentos do sistema nervoso, a fim de discutir diferentes abordagens de cunho investigativo. Objetiva conhecer os aspectos moleculares, celulares, de desenvolvimento estruturais, funcionais, evolutivos e médicos.
Embora dispondo de especialização em Neuropsicopedagogia, não é minha intenção esgotar ou ingressar de forma aprofundada nos assuntos tão técnicos estudados pela Neurociência. Almejo trazer para reflexão algumas questões emblemáticas.

2.                 Movimento Constante
Atualmente, com as descobertas sobre a plasticidade cerebral, constatamos, por exemplo que o cérebro é plástico: Está em constante movimento, com imensa capacidade de se adaptar, se remodelar e se de se regenerar, características que nos permitiram chegar onde chegamos após milhares de anos de evolução humana. Vivemos em diferentes ambientes, em muitos locais inóspitos, adaptamo-nos às peculiaridades de cada região, nos utilizamos de ferramentas e criatividade necessária à nossa sobrevivência.
Goleman[2], diz que nosso cérebro está constantemente remodelando seus circuitos ao longo dos dias, o que quer que estejamos fazendo, faz com que nossos cérebros fortaleçam alguns circuitos e não outros, inclusive nas relações interpessoais. Nosso circuito pessoal capta uma vasta quantidade de dicas e sinais que nos ajudam a nos relacionar bem e conectam os neurônios envolvidos. Com a globalização, nossa sobrevivência também depende muito da forma que agimos nos diferentes ambientes, culturas e diferentes linguagens.
A partir dos resultados da Neurociência, os filósofos têm se voltado para estudá-la, tentando responder a questões que ainda estão sem respostas, como o fato de que como alguém que perdeu a metade do cérebro ainda pode seguir vivendo com sequelas levíssimas, fazendo o que outras pessoas fazem, perguntando-se, se alguém pode viver com a metade do cérebro? O que faríamos se expandíssemos a capacidade cerebral de um cérebro por inteiro?
E a consciência, é algo totalmente dependente da ação de hormônios e neurotransmissores? Indo mais além, conforme Eagleman[3], a teoria de Tononi[4] é compatível com a ideia de que a consciência humana pode escapar de sua origem biológica, nesta visão, embora a consciência tenha evoluído por um determinado caminho que resultou no cérebro, ela não precisa ser formada de matéria orgânica. Pode tranquilamente ser feita de silício, supondo-se que as interações sejam organizadas da maneira correta.
O problema da consciência é um problema empírico, cientifico, que a Neurociência está tentando desvendar. A Filosofia deverá fazer seu papel que é de dialogar, com as disciplinas cientificas em particular, deverá olhar para o futuro discutindo questões de valores morais e éticos, acerca do rumo que as atuais perspectivas estão indicando.
Neste casamento entre a Biologia e a tecnologia, temos ainda mais incertezas. Imagina-se que este casamento poderá nos proporcionar uma expansão da realidade que habitamos. Portanto, cientes que todas estas indagações irão afastar-nos da reflexão filosófica clássica e tradicional, pois terá de questionar o ato de pensar ele mesmo.
Antes me pergunto, se a Filosofia não depende, em sua abordagem ou conceitos, de processos biológicos? Se o ato mesmo de pensar não é sempre sustentado pelas operações neurais?
Conforme Malabou[5], certos filósofos dirão que é inadmissível, que eu com minha formação em filosofia defenda um empirismo, próximo do cognitivismo e das neurociências, que eu assimilo o espírito ao cérebro.  Assim como Malabou, eu mantenho de fato que é muito difícil fazer uma distinção estrita entre o pensamento puro e os processos biológicos que trabalham em todo ato cognitivo, qual é a ligação da tempestade de neurônios sob o nosso crânio com a nossa consciência? Como fica a consciência de si e eu? Afinal estamos falando de nós mesmos.

3.                 Inicio do crepúsculo
O processo de investigação promovido pela Neurociência é responsável pela retirada do véu que encobre mitos e ideias que até então eram responsáveis pela forma de pensar humano, conforme o filósofo alemão Friedrich Hegel[6] em sua obra Filosofia do Direito, onde o autor ilustra muito bem a harmoniosa relação entre a coruja e a Filosofia, descrevendo: “A coruja de Minerva alça seu voo somente com o início do crepúsculo”. Esclarecendo melhor, o papel da Filosofia é justamente o de elucidar o que não é claro ao senso comum, é alertar acerca da vida, o crepúsculo é o linear do dia para coruja, enquanto cessamos nossas obras e nos recolhemos em nossos lares, a coruja “alça seu voo” a trabalho. 
Filósofo Friedrich Hegel y compositor Aaron Copland son ...Hegel
É a noite que a fascina, por isso seu nome em latim: Noctua, “ave da noite”. Não é a beleza o seu destaque, mas é a capacidade de ver o que aves diurnas não conseguem ver. Seu pescoço gira 360º, dando-lhe uma visão completa capacitando-a a ver o todo.  É também uma ave de rapina, rápida na escolha, e que por ver a presa e não ser vista, sempre tem sucesso na caça, apanhando os despreparados e desprovidos que se arriscam na noite escura. São essas as características que um filósofo deve possuir: Enxergar o que outras pessoas não conseguem ver, ter uma visão do todo, ou seja, uma visão que abarque todos os ângulos da realidade.
Deve ser capaz de articular os pensamentos contra a ignorância e o desconhecimento. É preciso raptar as bases dos argumentos dos oponentes. Também, deve-se raptar aqueles que estão se enveredando por caminhos de erros e por enxergarmos na noite quando outros não veem, podemos ajuda-los e conduzi-los (pelo argumento) a desfechos virtuosos, indo além, antes que “prever para prover”, que é um lema de Comte[7] e, portanto, do espírito cientificista, 
Biografia de Augusto ComteComte
Hegel preferia dar crédito a uma postura filosófica que se via distinta da postura da ciência: a voz da razão explica – racionaliza – a história. Ou seja, depois da história, ela mostra que esta não foi em vão a adequação do pensamento filosófico. Hegel foi o primeiro pensador a conferir à plasticidade o valor de um conceito filosófico, a plasticidade tornou-se primeiro o modo de ser do sujeito em relação à temporalidade; segundo, o modo de ser da própria realidade enquanto forma um sistema.
Hegel tinha antecipado esse modo de organização, que é o funcionamento de um sistema de redes intercorrelatas que constantemente modificam sua intensidade, tamanho e volume sem serem destruídas. Portanto, esta plasticidade, este enxergar de 360°, que a Filosofia afirma possuir deve levá-la para caminhos diferentes destes que o pensamento clássico a levou. A Filosofia por sua vez ao assimilar a ideia entre o espírito e o cérebro, como diz Malabou, não significa absolutamente o fim da filosofia crítica, ela marca ao contrário uma nova virada. 
 
Malabou e Hegel
É tempo de propor uma nova analítica transcendental do pensamento filosófico, levando em conta os ensinamentos fundamentais e revolucionários das Neurociências dos últimos cinquenta anos mais ou menos, a filosofia já tem muito tema de casa para estudar. A filosofia nesta virada poderá influenciar o pensamento ocidental, tirando o pensamento dualista do erro que vem se repetindo e perpetuando.
Como diz Malabou, nossos cérebros ainda não sabem o que pode um cérebro. A questão política da nossa época não é criar um sujeito transcendental irredutível às suas configurações neuronais (tarefa destinada ao fracasso vertiginoso), mas potencializar nossas sinapses para que elas próprias se tornem explosivas diante do capitalismo neuronal em que vivemos.
Como dito anteriormente, a Filosofia em paralelo, deverá potencializar suas configurações, adquirir quem sabe um novo vocabulário com novos conceitos, com espirito engajado nesta mente pós-evolutiva, conforme o pensamento de Teixeira[8], quando trata da filosofia da mente no universo do silício, analisa os contornos de um cenário futuro no qual conviveremos com androides e ciborgues.  Esse é, na verdade, um mundo muito mais próximo de nós do que habitualmente imaginamos. Já estaria na hora de nos indagarmos até que ponto essas novas criaturas não nos forçam a repensar algumas categorias filosóficas tradicionais, como, por exemplo, a natureza humana, o conhecimento, o corpo e as sensações (qualia).
Ainda, é preciso hoje se interrogar o que é um inconsciente cerebral em relação ao um inconsciente psíquico. Como eles podem se encontrar? Como pensar uma nova aventura do sentido? Freud deve estar se revirando no túmulo, pois ele virou as costas a sua origem de neurologista, se ele pudesse ter conhecido esse avanço, ele não teria inscrito a Psicanálise no simbólico em detrimento do orgânico.
Atualmente já se fala da negligência cartesiana da mente, por parte da Biologia e da Medicina Ocidental. Pensar que a mente está separada do corpo não é mais concebível. No entanto, o pensamento cartesiano persistiu por muito tempo. Refuta-se a ideia cartesiana da separação abissal entre o corpo e a mente, entre a substância corporal, infinitamente indivisível, com volume, suas dimensões e com um funcionamento mecânico de um lado, e a substância mental, indivisível, sem volume, sem dimensões e intangível, de outro; a sugestão de que o raciocínio, o juízo moral e o sofrimento adveniente da dor física ou agitação emocional poderiam existir independentemente do corpo. Especificamente: a separação das operações mais refinadas da mente, para um lado, e da estrutura e funcionamento do organismo biológico, para o outro. (DAMASIO, 2005)
Começa-se a pensar finalmente que as perturbações psicológicas podem provocar doenças no corpo. A sabedoria de nossos avós já dizia, porque conheciam bem o assunto. Finalmente, a Medicina resolveu dar atenção e levar em consideração tanta sabedoria humana, por exemplo, o efeito placebo, na qual pacientes apresentam uma reação melhor que o esperado pelos médicos.
Sem dúvida, há muitas incertezas, são muitas perguntas, muitas questões para serem trabalhadas na busca de respostas. Acreditamos que a Neurociência abriu uma grande “caixa preta”. A filosofia deve ter este misto de Hegel e Comte, como a dinâmica e plasticidade de um cérebro, transformando-se e se regenerando, reinventando-se, abandonando ideias que atualmente não fazem mais sentido, sem é claro abandonar a ideia do transcendental.

4.      CONCLUSÃO
 A Filosofia ao se aproximar da informação, como por exemplo, as descobertas da Neurociência, terá condições de proporcionar reflexões acerca das coisas do mundo. Dar atenção aos ruídos, a produção de sinais indesejados na informação.  Quando a informação se torna complexa, gera a vida e não a vida gera a transmissão de informação. A informação é a base do conhecimento, a sabedoria vem do diálogo e da reflexão do conhecimento obtido. Este diálogo é o indício da existência de uma mente. A Filosofia ciente disto poderá se tornar mais precisa e mais útil aos problemas contemporâneos. ?
Longe de pensar que a Metafisica esteja sepultada, como alguns filósofos dizem, pois, a Metafisica continua a ser um fenômeno cultural intermitente, afinal a Filosofia abre a visão de mundo, a Filosofia tem as ferramentas para com sua plasticidade, moldar o espirito e o mundo, ela também não deverá permitir que a academia se feche ao estudo focado apenas de um autor tradicional, isto seria ruim, pois seria deixar de ver o mundo para ver apenas uma rua de alguma cidade. A Filosofia tem o dever de olhar para o passado, presente e futuro, sem saltar seu tempo, sendo os três tempos, o melhor possível.
Devemos lutar contra o pensamento niilista e ceticista, para construir maneiras construtivas e positivas do pensar, afinal como disse Derrida “Sempre prefira a vida”, a vida é estar consciente em seu tempo, a Filosofia certamente possui o rigor, o poder do questionamento, a disciplina conceitual são demandas da Filosofia. Defender uma filosofia focada nos problemas contemporâneos é vencer as ameaças presentes tal como seu isolamento, é medida urgente para que prossigamos sempre alertas contribuindo de forma positiva nesta caminha humana.



REFERENCIA BIBLIOGRÁFICAS

COMTE, Auguste. Catecismo positivista. São Paulo, Abril Cultural, 1973 (col. Os Pensadores). _ Discurso sobre o espirito positivo, São Paulo, Abril Cultural, 1973 (col. Os Pensadores)

DAMÁSIO, Antônio R. O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano; 3ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

DESCARTES, René. Os pensadores. 3. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

EAGLEMAN, David. Cérebro [recurso eletrônico]: uma biografia / David Eagleman; coordenação Bruno Fiuza; tradução Ryta Vinagre. - 1. ed. - Rio de
Janeiro: Rocco Digital, 2017

GOLEMAN, Daniel. Foco: a atenção e seu papel fundamental para o sucesso. 1ª ed. – Rio de Janeiro: Objetiva, 2014.

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Fenomenologia do Espirito. 4º ed. Petrópolis, RJ: Vozes: Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2007

MALABOU, Catherine. The future of Hegel: plasticity, temporality and dialectic. Trad. Lisabeth During. London/New York? Routledge, 2005

TEIXEIRA, João Fernandes. A Mente Pós-evolutiva: a filosofia da mente no universo do silício, Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.


[1] Graduação em Filosofia; Mestre em Meio Ambiente e Auditorias Ambientais, Pós-graduado em Neuropsicopedagogia; MBA em Gestão de Negócios; Pós-graduado em Historia Contemporânea; Pós-graduado em Sociologia.
[2] Daniel Goleman, ph.D, psicólogo e jornalista cientifico estadunidense.
[3] David Eagleman, neurocientista estadunidense.
[4] Giulio Tononi, neurocientista italiano.
[5] Catherine Malabou, filósofa francesa
[6] George Wilhelm Friedrich Hegel, filósofo alemão
[7] Auguste Comte, filósofo francês
[8] João de Fernandes Teixeira, filósofo brasileiro

domingo, 22 de abril de 2018

DESEJOS E DESAPEGOS




O animal é tão ou mais sábio do que o homem: conhece a medida da sua necessidade, enquanto o homem a ignora. (Demócrito)



          Comecei falando de cachorros e agora estou falando de leitura, assim como um livro, um cachorro também é uma ótima companhia, sabemos que a solidão nunca é um problema porque leitores e donos de cachorros, jamais ficam entediados ou tristes se não houver ninguém (seres humanos) por perto para conversar ou lhes fazer companhia um livro e um cachorro serão como pessoas, você sabe a diferença entre seres humanos e pessoas?.
          
          Assim como um amigo, livros e cachorros são bons companheiros e te fazem sorrir, te emocionam, te envolvem, te cativam e fazem com que você se identifique e se sinta bem. Unir os dois, Livros e cachorros, penso que seja ainda melhor.
          
           Alguns dias atrás estava lendo um livro de Eugenio Mussak, “Um Novo Olhar e Outras Crônicas Sobre Um Mundo Volátil”, lá havia uma crônica muito interessante que resolvi compartilhar. Pensei que dupla imbatível, unir literatura e a sabedoria dos cães.
          
           Você sabe por que seu cão é mais feliz do que você? – No pensamento do homem ocidental nascido numa sociedade de consumo, seus desejos são: um carro, praia, negócios, uma bebida, bela casa, entre outros. No pensamento do cão (se é que pensa), seus desejos são: ele estar ao lado do seu dono deitados ao sol exatamente como estavam fazendo na imagem acima.




          Em resumo: O cão era mais feliz porque desejava ter exatamente o que tinha, enquanto o homem projetava seus desejos para aquilo que ainda não possuía.

DESEJOS X DESAPEGO

         Na metáfora dos desejos, tem a ver com desapego das coisas e a valorização das experiências.

          Nós os apegados (quase todos nós, vamos concordar) sofremos porque somos impermanentes, estamos aqui de passagem, e impermanência não combina com apego, definitivamente.

         Infelizmente o desapego não faz parte de nossa cultura, de nossa educação, de nosso modelo mental.

         Numa relação amorosa, onde o apego é confundido com amor. Costumamos nos apegar aquilo, ou aqueles que amamos. Justificamos o apego pelo amor. Compreensível, mas ao reter (querer) a seu lado alguém que você ama, mesmo contrariando sua vontade ou seu destino, você estaria infelicitando o objeto de seu amor.

O apego é “Eu quero que você me faça feliz!”

O amor é “Eu quero que você seja feliz!”.


Fontes: MUSSAK, Eugenio. Um novo olhar e outras crônicas sobre um mundo volátil – São Paulo: Integrare Editora, 2016