Michel
Eyquem de Montaigne
(Nasceu no Castelo de Montaigne, 28 de fevereiro de 1533 — Castelo de
Montaigne, 13 de setembro de 1592) foi um jurista, político, filósofo,
escritor, cético e humanista francês, considerado como o inventor do ensaio pessoal. Nas suas obras analisou as
instituições, as opiniões e os costumes, debruçando-se sobre os dogmas da sua
época e tomando a generalidade da humanidade como objeto de estudo.

Ele
criticou a educação livresca e mnemônica, propondo um ensino voltado para a
experiência e para a ação. Acreditava que a educação livresca exigiria muito
tempo e esforço, o que afastaria os jovens dos assuntos mais urgentes da vida.
Para ele, a educação deveria formar indivíduos aptos ao julgamento, ao
discernimento moral e à vida prática.
Os seus Ensaios compreendem três volumes (três livros) (levou nove anos para redigir os dois primeiros) e vieram a público em três versões: Os dois primeiros em 1580 e 1588. Na edição de 1588, aparece o terceiro volume.
Em 1595, publica-se uma edição póstuma destes três livros com novos acrescentos.
Seus
Essais são principalmente autorretratos de um homem, mais do que o
autorretrato do filósofo. Montaigne apresenta-se-nos em toda a sua complexidade
e variedade humanas. Procura também encontrar em si o que é singular. Mas ao
fazer esse estudo de auto-observação acabou por observar também o Homem no seu
todo. Por isso, não nos é de espantar que neles ocorram reflexões tanto sobre
os temas mais clássicos e elevados ao lado de pensamentos sobre a flatulência.
Montaigne é assim um livre pensador, um pensador sobre o humano, sobre as suas
inconsistências, diversidades e características. E é um pensador que se dedica
aos temas que mais lhe apetecem, vai pensando ao sabor dos seus interesses e
caprichos.
Se
por um lado se interessa sobremaneira pela Antiguidade Clássica, esta não é
totalmente passadista ou saudosista. O que lhe interessa nos autores antigos,
especialmente os latinos, mas também gregos, é encontrar máximas e reflexões,
que o ajudem na sua vida diária e na sua autodescoberta. Montaigne tenta assim
compreender-se, através da introspecção, e tenta assim compreender os homens.
Quarto e
escritório de Michel de Montaigne
Montaigne
não tem um sistema. Não é um moralista, nem um doutrinador. Mas não sendo
moralista, não tendo um sistema de conduta, uma moral com princípios rígidos, é
um pensador ético.
Procura indagar o que está certo ou errado na conduta humana. Propõe-se mais estudar pelos seus ensaios certos assuntos do que dar respostas. No fundo, Montaigne está naquele grupo de pensadores que estão a perguntar em vez de responder, e é na sua incerteza em dar respostas, que surge um certo cepticismo em Montaigne.
Como não está interessado em dar respostas apriorístico tem uma certa reserva em relação a misticismos e crenças. É de notar um certo alheamento em relação ao Cristianismo e às lutas de religião que se viviam em França na época. Embora não deixe de refletir em assuntos como a destruição das Novas Índias pelos espanhóis. Ou seja, as suas reflexões visam os clássicos e a sua própria contemporaneidade.
Tanto fala de um episódio de Cipião como fala de algum acontecimento do seu século como fala de um qualquer seu episódio doméstico.
Procura indagar o que está certo ou errado na conduta humana. Propõe-se mais estudar pelos seus ensaios certos assuntos do que dar respostas. No fundo, Montaigne está naquele grupo de pensadores que estão a perguntar em vez de responder, e é na sua incerteza em dar respostas, que surge um certo cepticismo em Montaigne.
Como não está interessado em dar respostas apriorístico tem uma certa reserva em relação a misticismos e crenças. É de notar um certo alheamento em relação ao Cristianismo e às lutas de religião que se viviam em França na época. Embora não deixe de refletir em assuntos como a destruição das Novas Índias pelos espanhóis. Ou seja, as suas reflexões visam os clássicos e a sua própria contemporaneidade.
Tanto fala de um episódio de Cipião como fala de algum acontecimento do seu século como fala de um qualquer seu episódio doméstico.
O
facto de ter introduzido uma outra forma de pensar através de ensaios, fez com
que o próprio pensamento humano encontrasse uma forma mais legítima de abordar
o real. A verdade absoluta deixa de estar ao alcance do homem, sendo doravante,
possível tão-somente uma verdade por aproximações.
Michel
de Montaigne foi tio pelo lado materno de Santa Joana de Lestonnac. Wikipédia
Principais
obras de Michel de Montaigne:
- Ensaios (1588)
- Jornal de Viagem 1580 -
1581 (publicado somente em 1774)
Montaigne
viveu numa época extremamente conturbada, da qual refletiu algumas
características fundamentais, especialmente as mais contraditórias, tais como
situar-se no plano econômico, social e político das transformações que levaram
a destruição da economia feudal da idade média e sua substituição pelas
atividades manufatureiras e de comercio; é a representação pela destruição das
formas de pensamento vigentes na idade média e pela transição para estruturas
de pensar diametralmente opostas ao teocentrismos medieval; foi o movimento de
reforma religiosa, iniciado por Lutero e liderado na França por Calvino; tais
características formaram um quadro extremamente rico do ponto de vista
intelectual e da sensibilidade: cheio de esperanças risonhas e ao mesmo tempo
dominado pelas melancólicas dúvidas.
Todas
essas dúvidas aparecem em Montaigne, propondo um enigma difícil de ser decifrado.
Seu pensamento vai e vem, dá voltas inesperadas, esconde-se atrás de meias
palavras e alusões, não expressa tudo, temendo levantar suspeitas e gerar
perseguições. Montaigne retrata a própria vida da consciência: o que pode haver
de mais complexo e assistemático?
Contudo,
é possível extrair dos Ensaios alguns esquemas básicos e compor um quadro mais
ou menos coerente de ideias. Para isso a coordenada intelectual mais evidente
que se propõe é ceticismo, do qual Montaigne foi, sem dúvida, o maior representante
renascentista.
Eis
alguns recortes relativos aos ensaios:
Capitulo II – Da tristeza
Os
italianos deram o seu nome a maldade, pois ela é sempre nociva, sempre
insensata e também covarde e desprezível: os estoicos a proíbem aos sábios. Há
tristezas suscetíveis de se exprimir por lagrimas; outras estão além de
qualquer expressão quando somos “petrificados pela dor” (Ovídio), quando as
ocorrências nos esmagam nos ultrapassando o que nos é dado suportar,
estupidificando a alma a ponto de paralisar qualquer gesto, como acontece
quando recebemos de surpresa uma péssima notícia, e em alguns casos sucedem as
lagrimas que aliviam a alma e como lhe permitam mover-se mais à vontade: “é com
dificuldade que afinal recupera a voz e pode exprimir a sua dor”(Virgílio).
“Quem
pode dizer a que ponto arde, arde bem pouco”(Petrarca)
Capitulo III – Dos nossos ódios
e afeições
...nunca estamos em nós; estamos sempre além.
O temor, o desejo, a esperança joga-nos sempre para o futuro, sonegando-nos o
sentimento e o exame do que é, para distrair-nos com o que será, embora então
já não sejamos mais.
“Todo
espirito preocupado com o futuro é infeliz” Sêneca
Capítulo VIII – Da ociosidade
Nas
terras ociosas, embora ricas e férteis, pulula ervas selvagens e daninhas, e
para aproveita-las cumpre trabalha-las e semeá-las a fim de que nos sejam
uteis. Assim igualmente os espíritos: se não os ocupamos com certos assuntos
que os absorvam e disciplinem, enveredam ao léu, sem peias, pelo campo da
imaginação.
E
nesse estado não há loucura nem devaneio que não concebam: “forjando vãs
ilusões semelhantes as quimeras de um doente” (Horácio)
“Na
ociosidade o espírito se dispersa em mil pensamentos diversos” (Lucano)
Quem
influenciou com suas obras e ideias:
-
Arthur Schopenhauer – filósofo alemão do século XVIII.
-
Blaise Pascal – matemático, físico, teólogo e filósofo francês do século XVII.
-
Emil Cioran – filósofo e escritor romeno do século XX.
-
John Florio – linguista e tradutor inglês do século XVI e XVII.
-
La Mothe Le Vayer – filósofo e historiador francês do século XVII.
-
Marie de Gournay – escritora francesa do século XVI.
-
Merleau-Ponty – filósofo francês do século XX.
-
Nietzsche – filósofo alemão do século XIX.
-
René Descartes – matemático, físico e filósofo francês do século XVII.
-
Voltaire – filósofo francês iluminista do século XVIII.
Exemplos
de frases de Montaigne:
- “A Filosofia é a ciência que nos ensina a viver”.
- “O silêncio e a modéstia são qualidades muito convenientes para
a conversa”.
- “O verdadeiro espelho de nosso discurso é o curso de nossas
vidas”.
- “Todos vão para outro lugar e em direção ao futuro, ninguém
chega a si mesmo”.
- “A verdadeira liberdade é ser capaz de fazer qualquer coisa
sobre si mesmo”.
- "À beira de um precipício só há uma maneira de andar para frente:
é dar um passo atrás".
Bibliografia
Montaigne, Michel de, 1533-1592, Ensaios/Michel de Montaigne; tradução
de Sérgio Milliet. 4.ed. São Paulo: Nova Cultural, 1987 (Os pensadores)