Pesquisar este blog

domingo, 4 de março de 2012

A Origem do Mal

Refletindo sobre a origem do mal




Em nossa mente ficam gravadas muitas lembranças, algumas que gostaríamos de esquecer, no entanto insistem em manterem-se presentes. Uma dessas lembranças foram de acontecimentos grotescos ocorridos em março de 2008, o tempo passou e estamos chegando há 4 anos desde o ocorrido.

Lembro que o olhar perplexo observou as imagens transmitidas numa manhã de domingo, da reconstrução do assassinato da menina Isabella de 5 anos no Edifício London, em São Paulo. Milhares de pessoas ficaram ligadas nas imagens transmitidas pela televisão, que falou, mostrou, repetiu e comentou praticamente tudo sobre as cenas grotescas,  entregando-se ao gozo e uso do sentidos.

Acredito que os milhares de telespectadores tenham sentido intensa emoção, e que tenham ficado indignados com o momento em que os policiais penduram o corpo de uma boneca, simulando como o apontado assassino e indiciado pai da vítima Alexandre Nardoni, teria jogado o corpo da filha do sexto andar naquele fatídico 29 de março de 2008.

Impossível não pensar no porque de tamanha maldade, perguntamo-nos até onde vai a maldade humana?.
E porque não pensar na origem de tamanha maldade? Porque não pensar no que leva um pai a fazer o que fez?

Porque não pensar no porque as pessoas passam uma manhã inteira assistindo imagens que chocam e perturbam emocionalmente?

Haverá algum prazer em observar cenas que chocam numa repetição diária apresentadas nas mais variadas noticias?, que superam até os filmes de horror “melhor” produzidos em nossa sociedade contemporânea? (assistir aos filmes de horror e violência, por si só, são prazeres que divertem horas a fio a rotina humana),

A mídia diariamente se encarrega de bombardear-nos, em todos os níveis, sobre as múltiplas possibilidades que levariam um pai a praticar um barbarismo desses em pleno século XXI, em nosso dito mundo civilizado.

Ficar atento voluntariamente as cenas perturbadoras, sejam em jornais, revistas ou televisão, como afirma Maria Odete Olsen, parece exercer um propósito similar de um banho matinal, exercício físico rotineiro, como o barbeamento, o banho, o café da manhã, enfim: o ritual, valor da experiência não racional que é, em certo grau, chocante, desconfortável e autodestrutivo, e que é voluntariamente tomado por adultos em reconhecimento de sua obrigação pessoal para manter-se em uma ordem social mundial.

Penso também que os pais assistem juntamente com seus filhos as cenas grotescas, e não estabelecem limites para “o que” os filhos assistam, as crianças por sua vez passam a banalizar a violência, e isto passa a ser entendido e visto como normal, mesmo que os pais fizessem os filhos refletirem sobre as cenas, (é o que não fazem), será que as crianças pensam que as cenas fazem parte da normalidade?

Ainda, assim banalizando ou não, a índole tem por origem a propensão natural, com potência para o bem ou para o mal, com atitudes certas ou erradas.

Os árabes, em sua sabedoria, tem um ditado que diz: "Quer conhecer a índole de um homem, observe como ele reage nos momentos em que está com raiva". Eu diria, mais: “Observe uma criança quando diverte-se em fazer o mal repetidamente aos animais indefesos”.

muita diferença entre olhar e fazer. Quem olha tem de saber o que deve e pode fazer com “isto ou aquilo” que olhou. Se antes de olhar sabe que há algo errado, é melhor não olhar, não se deixar levar pelo interesse mórbido, ou talvez por muitos que procuram com o olhar, e ficam procurando com o olhar cenas grotescas que satisfaçam suas necessidades emocionais (quem ao ver um acidente, não diminuiu a velocidade do carro, e passou olhando fixamente a cena do desastre?).  Os psicólogos explicam que com esta sensação provoca uma catarse fazendo com que sintan-se melhores ou mais limpos que os “Nardonis”.

Penso que a questão da origem da maldade, que ora ingressei para reflexão, pode e deve ser discutida entre todos, inclusive em salas de aula, juntamente com os alunos.

Hoje sabemos que é possível distinguir uma maldade infantil natural, típica da idade, de um sério distúrbio que pode resultar em um comportamento psicopata.

Em estudos de psicologia, lembro que abordamos as formas de identificação de problemas de comportamento. Mas detectar esse distúrbio é delicado, depende de bastante observação, e os pais devem levar em consideração diversos fatores. “Se juntarmos repetição de um comportamento agressivo ou maldoso sem motivo aparente; generalizado, ou seja, a criança não é agressiva apenas na escola ou em casa; ausência de arrependimento e culpa; falta de afetividade; dificuldade de lidar com frustrações e total falta de empatia com o sofrimento alheio, temos fortes indicativos de que tem algo errado com a criança”, enumera Ana Beatriz Barbosa Silva, médica psiquiatra e autora de “Mentes Perigosas: o psicopata mora ao lado”.

Esta criança que dá sinais de distúrbios, poderá ser uma Nardoni no futuro, cabe aos pais e professores estarem atentos para indícios de problemas, devendo distinguir um problema potencial das ocorrências corriqueiras e naturais de comportamento, conseqüência da socialização.

Entrar atirando nas escolas esta virando moda.

Geralmente somos muito diretos e objetivos, deixamos de pensar em muitas outras formas de explicação, ficando nossa imaginação limitada ao universo cientifico, por esta razão fiz a opção de trazer para reflexão o pensamento de Santo Agostinho e em seguida o Mito Grego.

A existência do mal no mundo, sempre causou perplexidade aos filósofos e teólogos. Para os Filósofos a razão sempre buscou respostas, perguntando e observando a si mesmos e aos outros, já os Teólogos também perguntam, porem foram perguntar a Deus, afinal se Deus é bom, justo, infalível e poderoso, como o mal pode surgir em sua obra e por que o mal parece ser tão difícil de ser eliminado?

Em sua bibliografia, Santo Agostinho em suas reflexões, construiu o texto e ali depositou o que ele entendia pela Origem do Mal:

A Origem do Mal por Santo Agostinho

Eu buscava a origem do mal, mas de modo errôneo, e não via o erro que havia em meu modo de buscá-la. Desfilava diante dos olhos de minha alma toda a criação, tanto o que podemos ver — como a terra, o mar, o ar, as estrelas, as árvores e os animais — como o que não podemos ver — como o firmamento, e todos os anjos e seres espirituais. Estes porém, como se também fossem corpóreos, colocados pela minha imaginação em seus respectivos lugares. Fiz de tua criação uma espécie de massa imensa, diferenciada em diversos gêneros de corpos: uns, corpos verdadeiros, e espíritos, que eu imaginava como corpos.

E eu a imaginava não tão imensa quanto ela era realmente — o que seria impossível — mas quanto me agradava, embora limitada por todos os lados. E a ti, Senhor, como a um ser que a rodeava e penetrava por todas as partes, infinito em todas as direções, como se fosses um mar incomensurável, que tivesse dentro de si uma esponja tão grande quanto possível, limitada, e toda embebida, em todas as suas partes, desse imenso mar.


Assim é que eu concebia a tua criação finita, cheia de ti, infinito, e dizia: “Eis aqui Deus, e eis aqui as coisas que Deus criou; Deus é bom, imenso e infinitamente mais excelente que suas criaturas; e, como é bom, fez boas todas as coisas; e vede como as abraça e penetra! 


Onde está pois o mal? De onde e por onde conseguiu penetrar no mundo? Qual é a sua raiz e sua semente? Será que não existe? E porque recear e evitarmos o que não existe? E se tememos em vão, o próprio temor já é certamente um mal que atormenta e espicaça sem motivo nosso coração; e tanto mais grave quanto é certo que não há razão para temer. 

Portanto, ou o mal que tememos existe, ou o próprio temor é o mal. De onde, pois, procede o mal se Deus, que é bom, fez boas todas as coisas? Bem superior a todos os bens, o Bem supremo, criou sem dúvida bens menores do que ele. De onde pois vem o mal? Acaso a matéria de que se serviu para a criação era corrompida e, ao dar-lhe forma e organização, deixou nela algo que não converteu em bem?

E por que isto? Acaso, sendo onipotente, não podia mudá-la, transformá-la toda, para que não restasse nela semente do mal? Enfim, por que se utilizou dessa matéria para criar? Por que sua onipotência não a aniquilou totalmente? Poderia ela existir contra sua vontade? E, se é eterna, porque deixou-a existir por tanto tempo no infinito do passado, resolvendo tão tarde servir-se dela para fazer alguma coisa? Ou, já que quis fazer de súbito alguma coisa, sendo onipotente, não poderia suprimir a matéria, ficando ele só, bem total verdadeiro, sumo e infinito? E, se não era conveniente que, sendo bom, não criasse nem produzisse bem algum, por que não destruiu e aniquilou essa matéria má, criando outra que fosse boa, e com a qual plasmar toda a criação? Porque ele não seria onipotente se não pudesse criar algum bem sem a ajuda dessa matéria que não havia criado.


Tais eram os pensamentos de meu pobre coração, oprimido pelos pungentes temores da morte, e sem ter encontrado a verdade. Contudo, arraigava sempre mais em meu coração a fé de teu Cristo, nosso Senhor e Salvador, professada pela Igreja Católica; fé ainda incerta, certamente, em muitos pontos, e como que flutuando fora das normas da doutrina. Minha alma porém não a abandonava, e cada dia mais se abraçava a ela.

 
________________________________________
Fonte: Confissões, Santo Agostinho, Editora Martin Claret, páginas 145-147.

Os gregos em sua sabedoria procuravam explicar os fenômenos a partir dos mitos, aqui temos a religião grega também procurando a resposta, indo a Zeus. O mito grego muito engenhoso e que melhor atende a questão da maldade é a Caixa de Pandora.

Embora sejamos herdeiros da tradição judaico-cristã e o mito de Adão e Eva tenha sido consagrado como verdade literal e absoluta pelos teólogos fundamentalistas judeus e cristãos, precisamos reconhecer a beleza e a profundidade do mito grego de Pandora, que é mais engenhoso e rico em nuances psicológicas

O MITO GREGO SOBRE A ORIGEM DO MAL: A CAIXA DE PANDORA

A estória começa com Prometeu, um dos titãs, escalando o Olimpo e roubando o fogo dos deuses para oferecer aos homens (o fogo do conhecimento?).

Zeus, o rei dos deuses, furioso com tamanha ousadia, prendeu-o e o amarrou em um rochedo, onde um abutre vinha todos os dias comer-lhe o fígado, que se regenerava durante a noite, para ser comido novamente pelo abutre no dia seguinte. Esse mito sugere o sofrimento caudado pela insaciedade do homem e, em outro nível, significa o longo e penoso ciclo de morte e renascimento, que os budistas denominam roda do Sansara.


Zeus, porém, não satisfeito com a vingança desfechada contra o ladrão, resolveu vingar-se também de todos os homens beneficiários  do fogo roubado por Prometeu. Então ordenou que Hefesto, o Deus-ferreiro do mundo subterrâneo, fizesse a mulher.


Hefesto fez uma mulher belíssima chamada Pandora e a apresentou a Zeus antes de ela descer à superfície da Terra. Zeus, admirado com a obra de Hefesto, despachou Pandora para a Terra, mas antes lhe deu uma grande e belíssima caixa de marfim ornamentada fechada e também lhe deu a chave, dizendo-lhe: “Quando você se casar, ofereça esta caixa como dote ao seu marido, mas a caixa só pode ser aberta após seu casamento”.


Em pouco tempo, Pandora conheceu Epimeteu, irmão mais novo de Prometeu e logo se casaram. A princípio, Pandora estava muito feliz com seu casamento e passava os dias cuidando da casa e do lindo jardim, tendo se esquecido da caixa.


Porém Epimeteu viajava constantemente e, certa vez, ficou muito tempo longe de casa. Pandora sentia-se só e triste. Lembrou-se da caixa e foi até o canto onde estava guardada examiná-la curiosamente. Enquanto observava os lindos detalhes e adornos externos, Pandora pareceu ouvir pequenas vozes gritando lá de dentro e dizendo: “Deixe-nos sair!..Deixe-nos sair...”. Pandora não podia esperar mais. Foi correndo buscar a chave e imediatamente abriu a tampa da caixa. Para sua grande surpresa centenas de pequeninas e monstruosas criaturas, parecendo terríveis insetos, saíram voando lá de dentro, com um zumbido assustador.


Muitas dessas horríveis criaturas a picaram na face e nas mãos e saíram em enxame pela janela, fazendo um barulho infernal. Logo a nuvem desses insetos cobriu o sol, e o dia ficou escuro e cinzento. Apavorada, Pandora fechou a caixa e sentou-se sobre a tampa.


As picadas dos insetos doíam muito, mas algo mais a estava preocupando: Ela estava tendo toda a espécie de sentimentos e pensamentos sombrios e odiosos que nunca tivera antes. Sentiu raiva de si mesma por ter aberto a caixa. Sentiu uma grande onda de ciúme de Epimeteu. Sentiu-se raivosa e irritada. Percebeu que estava doente de corpo e de alma.
Súbito pareceu-lhe ouvir outra vozinha gritando de dentro da caixa: “Liberte-me! Deixe-me sair daqui!”. Pandora respondeu rispidamente: “Nunca! Você não sairá ! Já fiz tolice demais em abrir essa caixa!”


Mas a voz prosseguiu de dentro da caixa: “Deixe-me sair, Pandora! Só eu posso ajudá-la!”
Pandora hesitou, mas a voz era tão doce, e ela se sentia tão só e desesperada,que resolveu abrir a caixa. De lá de dentro saiu uma pequena fada, com asinhas verdes e luminosas que clarearam um pouco aquele quarto escuro, aliviando a atmosfera que se tornara pesada e opressiva. “Eu sou a Esperança”, disse a fada. E prosseguiu: “Você fez uma coisa terrível, Pandora! Libertou todos os males do mundo: egoísmo, crueldade, inveja, ciúme, ódio, intriga, ambição, desespero, tristeza, violência e todas as outras coisas que causam miséria e infelicidade. Zeus prendeu todos esses males nessa caixa e deu a você e a seu marido. Ele sabia que você iria, um dia, abrir essa caixa. Essa é a vingança de Zeus contra Prometeu e todos os homens, por terem roubado o fogo dos deuses!”


Chorando copiosamente, Pandora disse: “Que coisa terrível eu fiz! Como poderemos pegar todos esses males e prendê-los novamente na caixa?”


“Você nunca poderá fazer isso Pandora!” Respondeu tristemente a fada da Esperança. “Eles já estão todos espalhados pelo mundo e não podem mais ser presos!”


“Mas há algo que pode ser feito: Zeus enviou-me também, junto com esses males, para dar esperança aos sofredores, e eu estarei sempre com eles, para lembrar-lhes que seu sofrimento é passageiro e que sempre haverá um novo amanhã !”



Embora no constructo mitológico o surgimento dos males esteja descrito como uma “vingança de Zeus” está claro que foi uma Conseqüência de os homens se terem apropriado de um elemento divino – a autoconsciência e o conhecimento do bem e do mal, simbolizados pelo fogo dos deuses, mas ainda não estarem maduros para lidar com esse poderoso elemento, até então de posse exclusiva dos deuses.

Os homens adquiriram uma faculdade de conhecimento até então exclusiva dos deuses e se tornaram potencialmente divinos, mas ainda eram primários e animalizados (nos mitos, este estágio da humanidade é representado pelos titãs ou pelos homens da Atlântida) para saberem lidar com essa força divina que agora existia em sua alma.

A grande benção divina foi o despertar da consciência, conforme o mito de Adão e Eva, quando o homem comeu a maçã foi a primeira vez que o homem exercitou o livre arbítrio, sabendo das conseqüências mesmo assim fez sua opção e até hoje exercita, tanto para as decisões certas quanto as decisões movidas por emoção, dever, moral, enfim segue em sua caminhada cheio de encruzilhadas.

Existe uma medida absoluta, final e inquestionável do bem e do mal, que tivesse sido estabelecida desde os tempos primórdios, e permaneça até não existir mais o tempo? Para alguns a resposta está nos Dez Mandamentos; para outros, depende das condições de tempo e lugar.

Vejamos a posição dos seguintes filósofos:

Heráclito – nós vemos os opostos (bem e mal) è Deus vê harmonia.

Demócrito – a bondade não é uma questão de ação; depende do desejo interior do homem. O homem bom não é o que pratica o bem, mas o que deseja praticá-lo sempre.

Protágoras – "O homem é a medida de todas as coisas" è Cada um tem o direito de determinar, por si, o que é o bem e o que é o mal. è CAOS.

Sócrates – o mais elevado bem que se pode medir tudo é o conhecimento.

Platão – o mundo dos sentidos, doutrinava ele, é irreal, transitório e mutável. Eis o mal. O verdadeiro mundo das idéias puras e imutáveis é o do bem.

Aristóteles – o bem é a atitude racional para com as sensações e os desejos.

Estóicos
– o mais alto bem do homem está em agir em harmonia com o mundo.
 
Santo Agostinho
– o mal é ausência do bem, da mesma maneira que as trevas são a ausência da luz.

Abelardo – justiça e injustiça de um ato não estão no ato em si, porém na intenção de quem o pratica.
 
Santo Tomás de Aquino
– o mais elevado bem é a concretização de si mesmo conforme Deus ordenou.

Thomas Hobbes (materialista) – aquilo que agrada ao homem é bom e o que lhe causa dor ou desconforto é ruim.

Espinosa – o esforço de se preservar é um bem; o que entrava esse esforço é um mal.

Kant – se o agente pratica o ato com boas intenções, respeitando as leis morais, o ato é bom.

Vamos amenizar o pensamento, e trazer a arte para dar uma trégua.

Pensando e refletindo (são coisas diferentes), os homens construíram muitas versões para explicar a origem do mal, estou falando de milênios de pensamentos construídos, na musica encontramos algumas manifestações artísticas, o que é uma forma da manifestação contemporânea.

Perfeição
Legião Urbana

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...
Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...
Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...
Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...
Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!..

Desejo-lhes todo o bem do mundo, e que seja exercido com a plenitude de suas consciências e sentimentos verdadeiros e sinceros.
 

Um forte abraço a todos