Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador bem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bem. Mostrar todas as postagens

domingo, 2 de novembro de 2025

Tempo Produtivo

Vivemos a era da pressa. O tempo virou mercadoria, e a ociosidade, pecado. Mas há uma diferença enorme entre usar o tempo e ser usado por ele.

Fazer muito não é o mesmo que viver bem. O tempo produtivo é aquele que produz sentido — e isso nem sempre cabe em planilhas. Às vezes, uma tarde de silêncio rende mais do que uma semana de correria.

Tempo produtivo nem sempre é aquele cheio de tarefas riscadas na agenda, mas o que realmente nos nutre. Outro dia, desliguei o celular por uma hora e fui caminhar sem rumo, apenas observando o movimento da rua, o cheiro do pão saindo da padaria, o sol se inclinando devagar. No início, me senti culpado por “não estar fazendo nada”, mas logo percebi que aquele intervalo me devolvia clareza e ânimo — coisas que nenhuma planilha teria oferecido. Percebi que produtividade não é empilhar ações, e sim dar sentido ao tempo. Às vezes, o momento mais produtivo do dia é justamente aquele em que paramos para respirar.

Sêneca, em Da Brevidade da Vida, escreveu: “Não é que tenhamos pouco tempo, mas o perdemos demais.” E ele estava certo. O problema não é o tempo que temos, é o quanto deixamos de estar presentes nele.

No fim, o tempo não precisa render. Precisa apenas valer.


domingo, 24 de agosto de 2025

Mapas e Filtros

O Que Vemos e o Que Escolhemos Não Ver

Outro dia, olhava um mapa turístico da cidade. As ruas eram corretas, os pontos famosos estavam lá, mas algo me chamou atenção: não havia becos, terrenos baldios ou lugares “sem interesse”. O mapa não mentia — apenas não dizia tudo. E percebi que, no fundo, a vida funciona do mesmo jeito. Cada um de nós carrega um mapa próprio, que não é a realidade em si, mas a versão filtrada que conseguimos (ou queremos) suportar.

O sociólogo brasileiro Muniz Sodré, ao tratar da mediação cultural, lembra que qualquer representação do mundo é sempre filtrada. Isso vale para o jornal que escolhe quais notícias publicar, para o fotógrafo que enquadra uma cena e até para a memória, que apaga ou suaviza episódios difíceis. O mapa é a ordem que damos ao caos; o filtro é a escolha — consciente ou não — de quais pedaços do caos entram nesse desenho.

No cotidiano, mapeamos e filtramos o tempo todo. Ao contar como foi o dia para alguém, omitimos o que não parece relevante (ou conveniente). Ao lembrar de uma viagem, destacamos momentos felizes e deixamos de lado o desconforto da fila no aeroporto. Até na conversa interna que temos com nós mesmos, fazemos cortes: certas dores ficam de fora do relato porque não sabemos ainda como lidar com elas.

Mas há um risco: quando confundimos o mapa com o território, passamos a acreditar que a realidade é só aquilo que cabe na nossa versão filtrada. É como viver olhando o mundo através de óculos com lentes coloridas e esquecer que o céu não é daquela cor. Muniz Sodré diria que isso é perigoso porque empobrece a experiência, reduzindo a vida ao que se encaixa no desenho já conhecido.

Por outro lado, não há como viver sem filtros. Um mapa sem seleção seria ilegível; uma vida sem escolhas de foco seria insuportável. A questão talvez não seja eliminar filtros, mas revisá-los de tempos em tempos, para que não virem grades invisíveis. Afinal, um mapa é útil não por mostrar tudo, mas por indicar caminhos — e às vezes o melhor caminho é justamente aquele que antes não aparecia.

Talvez a filosofia dos mapas e filtros nos ensine que viver bem é alternar entre seguir o traçado e se permitir caminhar fora dele. Porque há becos que não estão no mapa, mas que levam a lugares onde a vida finalmente parece inteira.


terça-feira, 27 de maio de 2025

Essência Viva

Vamos pensar sobre o Que De Fato Importa na Vida Para Que a Vida Seja Bem Vivida

É curioso como passamos boa parte da vida organizando as gavetas erradas. Dobramos roupas que não vamos usar, colecionamos diplomas que não dizem quem somos, alimentamos relações que não nos reconhecem. Vivemos, muitas vezes, em modo automático, presos numa coreografia repetitiva de compromissos e obrigações. Mas a grande pergunta — talvez a única realmente importante — permanece em silêncio no fundo do peito: o que, afinal, importa para que a vida seja bem vivida?

I. A Importância de Perguntar

Comecemos do começo. Antes de qualquer resposta, há o valor da pergunta. Só perguntar já é um sinal de despertar. A maioria das pessoas não se pergunta, apenas reage. E o problema de não se perguntar é que se acaba vivendo uma vida de segunda mão — feita de expectativas herdadas, desejos encomendados, conquistas que valem só para os outros.

Sócrates, o velho teimoso da Ágora, já dizia: “Uma vida não examinada não vale a pena ser vivida.” Talvez porque viver sem examinar é como atravessar uma floresta de olhos vendados — até se pode caminhar, mas não se sabe se está indo para o alto de uma montanha ou para dentro de um pântano.

II. Importa Ter ou Ser?

Vivemos sob a tirania do ter: ter dinheiro, ter sucesso, ter seguidores, ter um corpo “ideal”, ter controle. Mas se a vida bem vivida se resumisse ao acúmulo, os milionários seriam os mais felizes — e não são. Basta conversar com um deles em um momento de insônia. No fundo, o “ter” é um suporte frágil demais para sustentar o peso da existência.

Já o “ser” — esse é silencioso, mas profundo. Ser gentil quando ninguém está olhando. Ser curioso diante do desconhecido. Ser fiel ao que se ama, mesmo que dê trabalho. Ser inteiro naquilo que se faz, mesmo que seja apenas lavar a louça. Ser é quando deixamos de representar um papel e começamos a dançar a própria música.

III. A Importância das Pequenas Coisas

Um erro comum é achar que uma vida bem vivida precisa ser grandiosa, espetacular, cinematográfica. Mas talvez a vida boa esteja no ritmo das coisas pequenas: o cheiro do café pela manhã, o riso de um filho, a escuta atenta de um amigo, a caminhada sem rumo num fim de tarde. O filósofo japonês Daisetsu Suzuki dizia que o zen está em “fazer uma coisa de cada vez, com plena atenção”.

A vida que vale a pena não se mede em feitos, mas em presença. E estar presente, hoje, é quase um ato de rebeldia. Quantos de nós estão realmente onde estão?

IV. A Importância de Pertencer

Ser humano é também ser parte. Ninguém vive bem isolado. Precisamos de uma rede — de afetos, de significados, de escuta. Não se trata apenas de ter amigos, mas de saber partilhar a existência: dores, alegrias, silêncio.

Maurice Merleau-Ponty dizia que a carne do mundo é comum — somos feitos da mesma matéria que tocamos. Por isso, a vida bem vivida precisa de vínculos, mas vínculos livres, e não prisões afetivas. Laços que fortalecem, não que sufocam.

V. A Importância de Morrer um Pouco

Estranho, talvez, dizer isso. Mas viver bem implica morrer um pouco ao longo do caminho. Morrer para antigos eus. Morrer para verdades que já não nos servem. Morrer para identidades que se tornaram cárceres. A impermanência, como diz o budismo, é o tecido da existência.

A vida boa, então, é aquela em que aprendemos a soltar, em vez de acumular. Soltar medos, padrões, ilusões. O que fica, depois que tudo cai, é o que importa.

VI. E Afinal, o Que Importa?

Importa viver com sentido, mais do que com sucesso. Importa sentir, mais do que vencer. Importa ser presença, mais do que performance.

Importa olhar para trás, um dia, e perceber que não fomos apenas passageiros, mas que fomos inteiros em nossos amores, escolhas, silêncios. Que tropeçamos com dignidade. Que nos reinventamos quando necessário. Que, acima de tudo, fomos fiéis àquilo que dava brilho ao nosso olhar.

Como escreveu Fernando Pessoa pela boca de seu heterônimo Ricardo Reis:
“Para ser grande, sê inteiro: nada / Teu exagera ou exclui. / Sê todo em cada coisa. Põe quanto és / No mínimo que fazes.”

E talvez seja isso. Uma vida bem vivida não é aquela que teve tudo, mas aqui e agora.


domingo, 9 de fevereiro de 2025

Sedução do Maniqueísmo

Outro dia, peguei-me assistindo a uma discussão acalorada de dois senhores que divergiam sobre política, e a conversa se desenrolava como um duelo medieval. Cada um empunhava suas certezas como espadas, defendendo suas posições com a convicção de que o outro era simplesmente... o mal. Não havia nuances, não havia meio-termo. A cena me fez refletir: por que temos tanta facilidade em dividir o mundo entre bons e maus, certos e errados, luz e trevas?

Essa tendência tem nome e história: maniqueísmo. Originado do pensamento de Mani, profeta persa do século III, o maniqueísmo era uma doutrina religiosa que enxergava a realidade como um campo de batalha entre duas forças opostas e irreconciliáveis: o Bem absoluto e o Mal absoluto. Embora a religião tenha desaparecido, sua lógica simplista sobreviveu e se espalhou por nossas relações sociais, políticas e morais.

O Conforto da Dualidade

O maniqueísmo nos seduz porque simplifica o mundo. Em tempos de crise, ele oferece explicações fáceis: se algo deu errado, deve haver um vilão. Se estamos do lado certo, o outro lado só pode estar errado. É um pensamento binário que nos poupa do desconforto da complexidade. Basta olhar para os debates contemporâneos – sejam sobre ideologia, comportamento ou futebol – e vemos essa mentalidade em ação.

Mas o mundo real não opera dessa forma. Pensemos na ética: alguém pode agir de maneira moralmente correta por razões egoístas, assim como um ato eticamente duvidoso pode ser motivado por boas intenções. O filósofo Isaiah Berlin, crítico do pensamento dogmático, advertia contra os perigos de sistemas que eliminam a pluralidade e impõem dicotomias rígidas. Para ele, a vida humana é um terreno de valores conflitantes, onde muitas vezes não há soluções absolutas, mas sim escolhas trágicas.

As Armadilhas do Pensamento Binário

O maniqueísmo tem um preço alto. Ele empobrece o debate, pois transforma argumentos em slogans e pessoas em caricaturas. Nas redes sociais, isso é evidente: a complexidade de um tema é reduzida a frases de efeito, e qualquer tentativa de ponderação é interpretada como fraqueza ou conivência com o "inimigo".

Além disso, ele desumaniza. Quando enxergamos alguém apenas como a personificação do erro ou do mal, deixamos de vê-lo como um ser humano com história, contradições e experiências. É por isso que Hannah Arendt, ao analisar o julgamento de Adolf Eichmann, alertava para o perigo de reduzir o mal a uma entidade mística, em vez de compreender sua banalidade. O mal, muitas vezes, não está em um arquétipo satânico, mas nas pequenas decisões burocráticas que desumanizam o outro.

Além do Preto e Branco

Se quisermos escapar do maniqueísmo, precisamos exercitar a arte da ambiguidade e da dúvida. Isso não significa relativizar tudo, mas reconhecer que a verdade raramente se encontra em um extremo absoluto. Nem sempre há um vilão claro. Nem todo conflito tem uma solução simples. Como dizia Montaigne, "a mais universal qualidade é a diversidade".

No fundo, o mundo não é um tabuleiro de xadrez, onde as peças são pretas ou brancas. Ele se parece mais com uma aquarela, onde as cores se misturam de formas inesperadas. E talvez seja nessa mistura que resida a verdadeira sabedoria.


quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Leviatã e o Bem Comum

As teorias sobre o Estado sempre me pareceram algo distante da vida cotidiana. Quando estamos no meio do trânsito ou esperando na fila do banco, quem está pensando sobre o que sustenta esse grande monstro abstrato chamado "Estado"? Mas se pensarmos bem, o Estado está em todo lugar: no imposto que pagamos sem perceber, na escola pública onde estudamos, e até mesmo na polícia que passa pela rua. Como um espectro invisível, ele molda nossas vidas de formas que nem sempre são claras. Mas afinal, o que é o Estado? Por que ele existe? E por que nos submetemos às suas regras?

As teorias do Estado surgiram justamente para tentar explicar essas perguntas. Diferentes pensadores, ao longo da história, buscaram entender como o poder se organiza, se mantém e influencia nossas vidas. E não é um assunto simples. Na verdade, é tão complexo que nem todos os filósofos concordam sobre sua essência ou função. Recordo dos acirrados debates sobre o tema na academia, o IPA enquanto mantinha o curso de Filosofia era uma fonte maravilhosa de conhecimento e oportunidade impar para abordagens de temas como este tão importante para o empoderamento crítico. Então, vamos lá.

A Visão de Thomas Hobbes: O Estado como Guardião da Ordem

Uma das teorias mais conhecidas é a de Thomas Hobbes, que, em seu livro Leviatã, comparou o Estado a um monstro gigantesco que deve manter a ordem entre os seres humanos, naturalmente egoístas e caóticos. Para Hobbes, o "estado de natureza" — a condição na qual viveríamos sem um governo — seria um verdadeiro inferno, uma guerra de todos contra todos. Para evitar esse cenário, os indivíduos cedem parte de sua liberdade em troca de proteção e ordem, formando assim o contrato social.

Pensando nas situações do cotidiano, é interessante refletir sobre como essa ideia de Hobbes se manifesta. Quando estamos em uma briga de trânsito ou presenciamos uma confusão em um bar, sentimos o caos à espreita. Nesses momentos, entendemos o valor de ter um "Leviatã" controlando o que poderia se transformar em caos completo. Ainda que não gostemos da burocracia ou de certas leis, Hobbes diria que o custo de não ter o Estado seria infinitamente maior.

Jean-Jacques Rousseau e o Estado como Expressão da Vontade Geral

Mas nem todos os pensadores concordam com Hobbes. Jean-Jacques Rousseau, por exemplo, tinha uma visão bem diferente. Para ele, o ser humano no estado de natureza não é um ser agressivo, mas alguém que vive em harmonia com a natureza. O problema, segundo Rousseau, começa quando surge a propriedade privada. A partir daí, as desigualdades se intensificam, e o Estado se torna uma ferramenta de dominação dos ricos sobre os pobres.

Rousseau acreditava que o Estado deveria ser uma expressão da "vontade geral" — ou seja, das vontades coletivas dos cidadãos. Assim, a verdadeira liberdade só poderia existir em uma sociedade onde as leis fossem criadas pelo povo, para o povo. É uma ideia que ecoa em momentos de eleição, quando sentimos que, de alguma forma, estamos moldando as leis que nos regem. Rousseau via na democracia participativa o caminho para superar as desigualdades e viver em harmonia.

Marx e o Estado como Instrumento de Opressão

Karl Marx, por outro lado, vê o Estado como um instrumento de opressão de classe. Para ele, o Estado não é neutro; é uma máquina controlada pelos ricos e poderosos para manter a exploração dos trabalhadores. Sob a ótica marxista, o Estado não serve ao interesse comum, mas apenas perpetua o poder dos que controlam os meios de produção.

Essa crítica marxista é palpável quando olhamos para a concentração de renda e poder em vários países. Por exemplo, quando vemos um grande conglomerado ser beneficiado por isenções fiscais ou por legislações que enfraquecem os direitos dos trabalhadores, a teoria de Marx parece ganhar forma. O Estado, para ele, seria desnecessário em uma sociedade sem classes, já que o governo existe para proteger os interesses das elites dominantes.

Max Weber e o Monopólio da Violência

Max Weber trouxe uma definição interessante e até prática do Estado, ao dizer que ele é a entidade que detém o "monopólio legítimo da violência." Em outras palavras, o Estado é o único que pode, legalmente, usar a força para manter a ordem. Isso se manifesta claramente quando pensamos na polícia, nas forças armadas e no sistema judiciário. A ideia de Weber ajuda a explicar por que aceitamos que o Estado tenha esse poder — é a forma que encontramos para evitar que a violência se espalhe indiscriminadamente.

No cotidiano, isso aparece quando aceitamos, por exemplo, uma multa de trânsito ou o controle das fronteiras. Sabemos que, no fundo, se alguém tentar desrespeitar essas regras, o Estado tem o poder de usar a força para garantir sua aplicação. Para Weber, essa é uma das características fundamentais que define o que é ou não é um Estado.

Entre o Leviatã e o Bem Comum

Seja como um monstro necessário, um reflexo da vontade coletiva ou um instrumento de opressão, o Estado permanece como uma peça-chave nas nossas vidas. Ele está sempre presente, mesmo quando não o percebemos diretamente. De certa forma, ele nos dá uma estrutura para existir em sociedade, mas também pode ser uma força que nos limita. O que essas teorias nos mostram é que o Estado não é uma entidade estática, mas um reflexo das tensões, desejos e medos de uma sociedade. E talvez seja isso que torne o tema tão fascinante: estamos sempre renegociando o nosso contrato com ele, seja nas pequenas escolhas diárias ou nas grandes decisões políticas. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Largando as Amarras



Ei, você aí, preso no labirinto das lembranças! Sim, você que está carregando o peso do passado como se fosse uma mochila cheia de pedras. Está na hora de soltar esse fardo e embarcar na emocionante jornada da libertação do passado. Vamos falar sério, carregar mágoas, arrependimentos e ressentimentos não leva a lugar nenhum, exceto para uma montanha-russa emocional sem fim. Mas não se preocupe, estou aqui para te guiar nessa viagem de autodescoberta e crescimento pessoal.

Imagine isso: você está dirigindo pela estrada da vida, mas o retrovisor está sempre focado no passado. Você não consegue seguir em frente porque está ocupado olhando para trás. É como tentar correr uma maratona com uma âncora amarrada aos tornozelos. Parece exaustivo, não é? Então, por que não soltar essa âncora de uma vez por todas?

Vou te dar uma dica: comece pequeno. Assim como uma limpeza de primavera, liberte-se das pequenas bagagens que acumulou ao longo dos anos. Lembre-se daquela briga boba com um amigo? Deixe isso para trás. Aquele erro colossal que você cometeu no trabalho? Aprenda com ele e siga em frente. Não estou dizendo para esquecer completamente o passado, afinal, nossas experiências moldam quem somos. Mas há uma diferença entre aprender com o passado e ficar preso nele como um disco riscado.

Agora, vamos dar uma olhada em algumas situações do cotidiano onde a libertação do passado pode fazer toda a diferença:

Relacionamentos: Quantas vezes você se encontrou revivendo uma discussão do passado enquanto tentava aproveitar um momento feliz com seu parceiro? Deixe as antigas mágoas irem embora e concentre-se no presente. Afinal, é difícil abraçar o amor quando você está ocupado segurando rancor.

Carreira: Aquela promoção que você não conseguiu ou o projeto que não deu certo podem assombrá-lo se você permitir. Mas e se você usar essas experiências como trampolins para o sucesso futuro? Aprenda com os fracassos, mas não deixe que eles definam sua jornada profissional.

Autopercepção: Quem você era no passado não é necessariamente quem você é agora. As pessoas crescem, evoluem e mudam. Então, pare de se punir por decisões que tomou há anos. Seja gentil consigo mesmo e permita-se crescer.

Grudar no Passado vs. Viver o Presente: Você já reparou como ficamos tão presos em momentos passados que perdemos as maravilhas que estão acontecendo ao nosso redor agora? Seja consciente do momento presente. Apreciar as pequenas coisas da vida pode ser a chave para a felicidade.

Então, meus amigos, está na hora de soltarem as amarras do passado e abraçar o presente com os braços abertos. Afinal, o futuro é muito mais brilhante quando não estamos olhando para trás o tempo todo. Então, respiremos fundo, soltemos o passado e preparemo-nos para uma jornada incrível rumo à liberdade emocional.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Ridicularidade Estética

Às vezes, nos pegamos parados em frente ao espelho, questionando se aquela roupa nos cai bem. Ficamos imaginando se o corte do tecido, a cor ou o estilo vão atrair olhares críticos ou, pior ainda, comentários alheios. A verdade é que muitos de nós já deixamos de usar algo que gostamos ou de fazer algo que nos trazia prazer simplesmente porque nos preocupamos demais com o que os outros poderiam pensar. Essa preocupação excessiva com a opinião alheia pode se transformar em um fardo que impede nossa liberdade de expressão e felicidade.

Imagine uma manhã comum, você acorda se sentindo animado para usar aquela camisa amarela vibrante que comprou recentemente. No entanto, logo vem a dúvida: "E se acharem exagerada demais?" A preocupação com os olhares críticos faz com que a camisa volte para o fundo do armário, substituída por algo mais discreto. Mas, será que esse receio realmente vale a pena?

Viver bem com nós mesmos é uma arte que muitos ainda estão aprendendo. Isso significa aceitar nossas escolhas, gostos e peculiaridades, independentemente do que os outros possam pensar. Afinal, como diria o filósofo Friedrich Nietzsche, “Torna-te quem tu és.” Ou seja, devemos abraçar nossa individualidade e viver de acordo com nossos próprios valores e desejos, sem nos submeter aos julgamentos externos.

Ridículo não é quem escolhe usar uma roupa diferente ou adotar um estilo de vida peculiar. Ridículo é aquele que se acha no direito de criticar e tentar moldar a vida dos outros conforme suas próprias percepções limitadas. Julgar os outros é uma maneira pobre de se afirmar, pois demonstra uma falta de compreensão e respeito pela diversidade humana.

No final das contas, a vida é curta demais para ser vivida na sombra das opiniões alheias. Cada momento que passamos nos preocupando com o que os outros vão pensar é um momento que deixamos de aproveitar plenamente. Então, que tal resgatar aquela camisa amarela do fundo do armário e usá-la com orgulho? Que tal fazer aquela dança esquisita que você adora, mesmo que alguém possa achar estranho?

O segredo para uma vida mais feliz e autêntica é simples: viva para você. Faça escolhas que te façam sorrir, que te tragam paz e que reflitam quem você realmente é. E da próxima vez que alguém quiser dar uma opinião não solicitada sobre suas escolhas, lembre-se de que a verdadeira ridicularidade está em quem tenta impor suas próprias inseguranças sobre os outros. Seja você mesmo, sempre.

sábado, 8 de junho de 2024

Burlar a Velhice

Parece que todos nós, em algum momento, olhamos no espelho e nos perguntamos: "Como posso burlar o envelhecimento?" Não é segredo que a passagem do tempo deixa suas marcas, mas a boa notícia é que hoje temos uma série de armas à disposição para desafiar a velhice. Desde medicamentos e terapias até procedimentos estéticos como botox e silicones, e claro, a boa e velha rotina de exercícios físicos. Mas será que estamos realmente enganando o tempo ou apenas brincando com ele?

O Lado Bom:

Um dos benefícios mais óbvios de todos esses tratamentos é que nos sentimos e, muitas vezes, parecemos mais jovens. Quem não gosta de receber um elogio dizendo que "não aparenta a idade que tem"? Além disso, esses cuidados podem trazer melhorias na saúde física e mental. Os exercícios, por exemplo, não só ajudam a manter a forma física, mas também são ótimos para a saúde do coração e para combater o estresse.

Agora um aparte, e neste ponto a coisa fica muito séria, praticar exercícios físicos regularmente é uma maneira incrível de ajudar os idosos a manterem sua autonomia por mais tempo. Quando pensamos na rotina de um idoso que gosta de caminhar todas as manhãs, por exemplo, vemos muito mais do que um simples hábito saudável. Essa caminhada diária fortalece os músculos, melhora a circulação e até ajuda na prevenção de quedas, que são comuns nessa fase da vida. Sem contar que, ao sair de casa, o idoso interage com outras pessoas, o que também contribui para sua saúde mental e emocional. Assim, ao se manter ativo, ele consegue realizar tarefas diárias como ir ao mercado, cuidar do jardim ou brincar com os netos, sem depender tanto de ajuda. Portanto, exercícios físicos são uma ferramenta poderosa para garantir que nossos idosos vivam de forma mais independente e com maior qualidade de vida.

Nem sempre nós, idosos, temos condições de pagar por uma casa geriátrica para nos acolher, então é essencial praticarmos exercícios físicos regularmente. Sem essa prática, a falta de autonomia pode acabar exigindo dos nossos parentes uma dedicação extraordinária, que muitas vezes eles não conseguem oferecer devido às suas próprias rotinas e responsabilidades. Manter o corpo em movimento, seja com caminhadas diárias, alongamentos ou atividades como yoga e pilates, ajuda a fortalecer os músculos, melhorar a flexibilidade e prevenir problemas de saúde que podem nos deixar dependentes. Dessa forma, conseguimos realizar nossas tarefas diárias com mais facilidade e independência, evitando sobrecarregar nossos familiares e vivendo com mais qualidade e dignidade.

Os procedimentos estéticos também podem aumentar a autoestima e a confiança. Quando nos olhamos no espelho e vemos uma versão mais rejuvenescida de nós mesmos, é difícil não sorrir. E vamos encarar, é bom se sentir bem consigo mesmo.

O Lado Ruim:

No entanto, nem tudo são flores nesse jardim da juventude eterna. Primeiro, há o aspecto financeiro. Muitos desses tratamentos e procedimentos não são baratos e podem acabar pesando no bolso. E mesmo os que são acessíveis financeiramente, como os exercícios físicos, muitas vezes exigem tempo e energia que nem todos têm.

Além disso, há sempre o risco de efeitos colaterais e complicações. Os medicamentos podem causar reações adversas, os procedimentos estéticos podem resultar em resultados indesejados, e a obsessão pela juventude eterna pode levar a problemas psicológicos sérios, como a dismorfia corporal.

Situações do Cotidiano:

Quem nunca se pegou examinando cada ruga no espelho, desejando que elas desaparecessem magicamente? Ou talvez tenha considerado seriamente fazer um procedimento estético depois de ver aquela celebridade aparentemente imune ao envelhecimento? No dia a dia, somos constantemente bombardeados com mensagens sobre a importância da juventude e da beleza, o que pode nos fazer recorrer a esses tratamentos como uma solução rápida.

Por outro lado, também vemos exemplos inspiradores de pessoas que abraçam o envelhecimento com graça e dignidade. Elas aceitam as rugas como marcas de uma vida bem vivida, e entendem que a verdadeira beleza vem de dentro.

Então, o que devemos fazer? É claro que não há uma resposta única para todos. Cada pessoa deve decidir o que é melhor para si mesma, levando em consideração sua saúde, seus valores e suas circunstâncias. Não há nada de errado em querer parecer e se sentir mais jovem, desde que isso não se torne uma obsessão ou prejudique nossa saúde física e mental.

No final das contas, o segredo para envelhecer bem pode não estar nos tratamentos e terapias, mas sim na forma como encaramos o processo de envelhecimento. Se pudermos abraçar cada ruga e cada cabelo grisalho como parte de quem somos, então talvez possamos descobrir que a verdadeira juventude está na nossa atitude em relação à vida, não no número de velas no bolo de aniversário. 

domingo, 4 de março de 2012

A Origem do Mal

Refletindo sobre a origem do mal




Em nossa mente ficam gravadas muitas lembranças, algumas que gostaríamos de esquecer, no entanto insistem em manterem-se presentes. Uma dessas lembranças foram de acontecimentos grotescos ocorridos em março de 2008, o tempo passou e estamos chegando há 4 anos desde o ocorrido.

Lembro que o olhar perplexo observou as imagens transmitidas numa manhã de domingo, da reconstrução do assassinato da menina Isabella de 5 anos no Edifício London, em São Paulo. Milhares de pessoas ficaram ligadas nas imagens transmitidas pela televisão, que falou, mostrou, repetiu e comentou praticamente tudo sobre as cenas grotescas,  entregando-se ao gozo e uso do sentidos.

Acredito que os milhares de telespectadores tenham sentido intensa emoção, e que tenham ficado indignados com o momento em que os policiais penduram o corpo de uma boneca, simulando como o apontado assassino e indiciado pai da vítima Alexandre Nardoni, teria jogado o corpo da filha do sexto andar naquele fatídico 29 de março de 2008.

Impossível não pensar no porque de tamanha maldade, perguntamo-nos até onde vai a maldade humana?.
E porque não pensar na origem de tamanha maldade? Porque não pensar no que leva um pai a fazer o que fez?

Porque não pensar no porque as pessoas passam uma manhã inteira assistindo imagens que chocam e perturbam emocionalmente?

Haverá algum prazer em observar cenas que chocam numa repetição diária apresentadas nas mais variadas noticias?, que superam até os filmes de horror “melhor” produzidos em nossa sociedade contemporânea? (assistir aos filmes de horror e violência, por si só, são prazeres que divertem horas a fio a rotina humana),

A mídia diariamente se encarrega de bombardear-nos, em todos os níveis, sobre as múltiplas possibilidades que levariam um pai a praticar um barbarismo desses em pleno século XXI, em nosso dito mundo civilizado.

Ficar atento voluntariamente as cenas perturbadoras, sejam em jornais, revistas ou televisão, como afirma Maria Odete Olsen, parece exercer um propósito similar de um banho matinal, exercício físico rotineiro, como o barbeamento, o banho, o café da manhã, enfim: o ritual, valor da experiência não racional que é, em certo grau, chocante, desconfortável e autodestrutivo, e que é voluntariamente tomado por adultos em reconhecimento de sua obrigação pessoal para manter-se em uma ordem social mundial.

Penso também que os pais assistem juntamente com seus filhos as cenas grotescas, e não estabelecem limites para “o que” os filhos assistam, as crianças por sua vez passam a banalizar a violência, e isto passa a ser entendido e visto como normal, mesmo que os pais fizessem os filhos refletirem sobre as cenas, (é o que não fazem), será que as crianças pensam que as cenas fazem parte da normalidade?

Ainda, assim banalizando ou não, a índole tem por origem a propensão natural, com potência para o bem ou para o mal, com atitudes certas ou erradas.

Os árabes, em sua sabedoria, tem um ditado que diz: "Quer conhecer a índole de um homem, observe como ele reage nos momentos em que está com raiva". Eu diria, mais: “Observe uma criança quando diverte-se em fazer o mal repetidamente aos animais indefesos”.

muita diferença entre olhar e fazer. Quem olha tem de saber o que deve e pode fazer com “isto ou aquilo” que olhou. Se antes de olhar sabe que há algo errado, é melhor não olhar, não se deixar levar pelo interesse mórbido, ou talvez por muitos que procuram com o olhar, e ficam procurando com o olhar cenas grotescas que satisfaçam suas necessidades emocionais (quem ao ver um acidente, não diminuiu a velocidade do carro, e passou olhando fixamente a cena do desastre?).  Os psicólogos explicam que com esta sensação provoca uma catarse fazendo com que sintan-se melhores ou mais limpos que os “Nardonis”.

Penso que a questão da origem da maldade, que ora ingressei para reflexão, pode e deve ser discutida entre todos, inclusive em salas de aula, juntamente com os alunos.

Hoje sabemos que é possível distinguir uma maldade infantil natural, típica da idade, de um sério distúrbio que pode resultar em um comportamento psicopata.

Em estudos de psicologia, lembro que abordamos as formas de identificação de problemas de comportamento. Mas detectar esse distúrbio é delicado, depende de bastante observação, e os pais devem levar em consideração diversos fatores. “Se juntarmos repetição de um comportamento agressivo ou maldoso sem motivo aparente; generalizado, ou seja, a criança não é agressiva apenas na escola ou em casa; ausência de arrependimento e culpa; falta de afetividade; dificuldade de lidar com frustrações e total falta de empatia com o sofrimento alheio, temos fortes indicativos de que tem algo errado com a criança”, enumera Ana Beatriz Barbosa Silva, médica psiquiatra e autora de “Mentes Perigosas: o psicopata mora ao lado”.

Esta criança que dá sinais de distúrbios, poderá ser uma Nardoni no futuro, cabe aos pais e professores estarem atentos para indícios de problemas, devendo distinguir um problema potencial das ocorrências corriqueiras e naturais de comportamento, conseqüência da socialização.

Entrar atirando nas escolas esta virando moda.

Geralmente somos muito diretos e objetivos, deixamos de pensar em muitas outras formas de explicação, ficando nossa imaginação limitada ao universo cientifico, por esta razão fiz a opção de trazer para reflexão o pensamento de Santo Agostinho e em seguida o Mito Grego.

A existência do mal no mundo, sempre causou perplexidade aos filósofos e teólogos. Para os Filósofos a razão sempre buscou respostas, perguntando e observando a si mesmos e aos outros, já os Teólogos também perguntam, porem foram perguntar a Deus, afinal se Deus é bom, justo, infalível e poderoso, como o mal pode surgir em sua obra e por que o mal parece ser tão difícil de ser eliminado?

Em sua bibliografia, Santo Agostinho em suas reflexões, construiu o texto e ali depositou o que ele entendia pela Origem do Mal:

A Origem do Mal por Santo Agostinho

Eu buscava a origem do mal, mas de modo errôneo, e não via o erro que havia em meu modo de buscá-la. Desfilava diante dos olhos de minha alma toda a criação, tanto o que podemos ver — como a terra, o mar, o ar, as estrelas, as árvores e os animais — como o que não podemos ver — como o firmamento, e todos os anjos e seres espirituais. Estes porém, como se também fossem corpóreos, colocados pela minha imaginação em seus respectivos lugares. Fiz de tua criação uma espécie de massa imensa, diferenciada em diversos gêneros de corpos: uns, corpos verdadeiros, e espíritos, que eu imaginava como corpos.

E eu a imaginava não tão imensa quanto ela era realmente — o que seria impossível — mas quanto me agradava, embora limitada por todos os lados. E a ti, Senhor, como a um ser que a rodeava e penetrava por todas as partes, infinito em todas as direções, como se fosses um mar incomensurável, que tivesse dentro de si uma esponja tão grande quanto possível, limitada, e toda embebida, em todas as suas partes, desse imenso mar.


Assim é que eu concebia a tua criação finita, cheia de ti, infinito, e dizia: “Eis aqui Deus, e eis aqui as coisas que Deus criou; Deus é bom, imenso e infinitamente mais excelente que suas criaturas; e, como é bom, fez boas todas as coisas; e vede como as abraça e penetra! 


Onde está pois o mal? De onde e por onde conseguiu penetrar no mundo? Qual é a sua raiz e sua semente? Será que não existe? E porque recear e evitarmos o que não existe? E se tememos em vão, o próprio temor já é certamente um mal que atormenta e espicaça sem motivo nosso coração; e tanto mais grave quanto é certo que não há razão para temer. 

Portanto, ou o mal que tememos existe, ou o próprio temor é o mal. De onde, pois, procede o mal se Deus, que é bom, fez boas todas as coisas? Bem superior a todos os bens, o Bem supremo, criou sem dúvida bens menores do que ele. De onde pois vem o mal? Acaso a matéria de que se serviu para a criação era corrompida e, ao dar-lhe forma e organização, deixou nela algo que não converteu em bem?

E por que isto? Acaso, sendo onipotente, não podia mudá-la, transformá-la toda, para que não restasse nela semente do mal? Enfim, por que se utilizou dessa matéria para criar? Por que sua onipotência não a aniquilou totalmente? Poderia ela existir contra sua vontade? E, se é eterna, porque deixou-a existir por tanto tempo no infinito do passado, resolvendo tão tarde servir-se dela para fazer alguma coisa? Ou, já que quis fazer de súbito alguma coisa, sendo onipotente, não poderia suprimir a matéria, ficando ele só, bem total verdadeiro, sumo e infinito? E, se não era conveniente que, sendo bom, não criasse nem produzisse bem algum, por que não destruiu e aniquilou essa matéria má, criando outra que fosse boa, e com a qual plasmar toda a criação? Porque ele não seria onipotente se não pudesse criar algum bem sem a ajuda dessa matéria que não havia criado.


Tais eram os pensamentos de meu pobre coração, oprimido pelos pungentes temores da morte, e sem ter encontrado a verdade. Contudo, arraigava sempre mais em meu coração a fé de teu Cristo, nosso Senhor e Salvador, professada pela Igreja Católica; fé ainda incerta, certamente, em muitos pontos, e como que flutuando fora das normas da doutrina. Minha alma porém não a abandonava, e cada dia mais se abraçava a ela.

 
________________________________________
Fonte: Confissões, Santo Agostinho, Editora Martin Claret, páginas 145-147.

Os gregos em sua sabedoria procuravam explicar os fenômenos a partir dos mitos, aqui temos a religião grega também procurando a resposta, indo a Zeus. O mito grego muito engenhoso e que melhor atende a questão da maldade é a Caixa de Pandora.

Embora sejamos herdeiros da tradição judaico-cristã e o mito de Adão e Eva tenha sido consagrado como verdade literal e absoluta pelos teólogos fundamentalistas judeus e cristãos, precisamos reconhecer a beleza e a profundidade do mito grego de Pandora, que é mais engenhoso e rico em nuances psicológicas

O MITO GREGO SOBRE A ORIGEM DO MAL: A CAIXA DE PANDORA

A estória começa com Prometeu, um dos titãs, escalando o Olimpo e roubando o fogo dos deuses para oferecer aos homens (o fogo do conhecimento?).

Zeus, o rei dos deuses, furioso com tamanha ousadia, prendeu-o e o amarrou em um rochedo, onde um abutre vinha todos os dias comer-lhe o fígado, que se regenerava durante a noite, para ser comido novamente pelo abutre no dia seguinte. Esse mito sugere o sofrimento caudado pela insaciedade do homem e, em outro nível, significa o longo e penoso ciclo de morte e renascimento, que os budistas denominam roda do Sansara.


Zeus, porém, não satisfeito com a vingança desfechada contra o ladrão, resolveu vingar-se também de todos os homens beneficiários  do fogo roubado por Prometeu. Então ordenou que Hefesto, o Deus-ferreiro do mundo subterrâneo, fizesse a mulher.


Hefesto fez uma mulher belíssima chamada Pandora e a apresentou a Zeus antes de ela descer à superfície da Terra. Zeus, admirado com a obra de Hefesto, despachou Pandora para a Terra, mas antes lhe deu uma grande e belíssima caixa de marfim ornamentada fechada e também lhe deu a chave, dizendo-lhe: “Quando você se casar, ofereça esta caixa como dote ao seu marido, mas a caixa só pode ser aberta após seu casamento”.


Em pouco tempo, Pandora conheceu Epimeteu, irmão mais novo de Prometeu e logo se casaram. A princípio, Pandora estava muito feliz com seu casamento e passava os dias cuidando da casa e do lindo jardim, tendo se esquecido da caixa.


Porém Epimeteu viajava constantemente e, certa vez, ficou muito tempo longe de casa. Pandora sentia-se só e triste. Lembrou-se da caixa e foi até o canto onde estava guardada examiná-la curiosamente. Enquanto observava os lindos detalhes e adornos externos, Pandora pareceu ouvir pequenas vozes gritando lá de dentro e dizendo: “Deixe-nos sair!..Deixe-nos sair...”. Pandora não podia esperar mais. Foi correndo buscar a chave e imediatamente abriu a tampa da caixa. Para sua grande surpresa centenas de pequeninas e monstruosas criaturas, parecendo terríveis insetos, saíram voando lá de dentro, com um zumbido assustador.


Muitas dessas horríveis criaturas a picaram na face e nas mãos e saíram em enxame pela janela, fazendo um barulho infernal. Logo a nuvem desses insetos cobriu o sol, e o dia ficou escuro e cinzento. Apavorada, Pandora fechou a caixa e sentou-se sobre a tampa.


As picadas dos insetos doíam muito, mas algo mais a estava preocupando: Ela estava tendo toda a espécie de sentimentos e pensamentos sombrios e odiosos que nunca tivera antes. Sentiu raiva de si mesma por ter aberto a caixa. Sentiu uma grande onda de ciúme de Epimeteu. Sentiu-se raivosa e irritada. Percebeu que estava doente de corpo e de alma.
Súbito pareceu-lhe ouvir outra vozinha gritando de dentro da caixa: “Liberte-me! Deixe-me sair daqui!”. Pandora respondeu rispidamente: “Nunca! Você não sairá ! Já fiz tolice demais em abrir essa caixa!”


Mas a voz prosseguiu de dentro da caixa: “Deixe-me sair, Pandora! Só eu posso ajudá-la!”
Pandora hesitou, mas a voz era tão doce, e ela se sentia tão só e desesperada,que resolveu abrir a caixa. De lá de dentro saiu uma pequena fada, com asinhas verdes e luminosas que clarearam um pouco aquele quarto escuro, aliviando a atmosfera que se tornara pesada e opressiva. “Eu sou a Esperança”, disse a fada. E prosseguiu: “Você fez uma coisa terrível, Pandora! Libertou todos os males do mundo: egoísmo, crueldade, inveja, ciúme, ódio, intriga, ambição, desespero, tristeza, violência e todas as outras coisas que causam miséria e infelicidade. Zeus prendeu todos esses males nessa caixa e deu a você e a seu marido. Ele sabia que você iria, um dia, abrir essa caixa. Essa é a vingança de Zeus contra Prometeu e todos os homens, por terem roubado o fogo dos deuses!”


Chorando copiosamente, Pandora disse: “Que coisa terrível eu fiz! Como poderemos pegar todos esses males e prendê-los novamente na caixa?”


“Você nunca poderá fazer isso Pandora!” Respondeu tristemente a fada da Esperança. “Eles já estão todos espalhados pelo mundo e não podem mais ser presos!”


“Mas há algo que pode ser feito: Zeus enviou-me também, junto com esses males, para dar esperança aos sofredores, e eu estarei sempre com eles, para lembrar-lhes que seu sofrimento é passageiro e que sempre haverá um novo amanhã !”



Embora no constructo mitológico o surgimento dos males esteja descrito como uma “vingança de Zeus” está claro que foi uma Conseqüência de os homens se terem apropriado de um elemento divino – a autoconsciência e o conhecimento do bem e do mal, simbolizados pelo fogo dos deuses, mas ainda não estarem maduros para lidar com esse poderoso elemento, até então de posse exclusiva dos deuses.

Os homens adquiriram uma faculdade de conhecimento até então exclusiva dos deuses e se tornaram potencialmente divinos, mas ainda eram primários e animalizados (nos mitos, este estágio da humanidade é representado pelos titãs ou pelos homens da Atlântida) para saberem lidar com essa força divina que agora existia em sua alma.

A grande benção divina foi o despertar da consciência, conforme o mito de Adão e Eva, quando o homem comeu a maçã foi a primeira vez que o homem exercitou o livre arbítrio, sabendo das conseqüências mesmo assim fez sua opção e até hoje exercita, tanto para as decisões certas quanto as decisões movidas por emoção, dever, moral, enfim segue em sua caminhada cheio de encruzilhadas.

Existe uma medida absoluta, final e inquestionável do bem e do mal, que tivesse sido estabelecida desde os tempos primórdios, e permaneça até não existir mais o tempo? Para alguns a resposta está nos Dez Mandamentos; para outros, depende das condições de tempo e lugar.

Vejamos a posição dos seguintes filósofos:

Heráclito – nós vemos os opostos (bem e mal) è Deus vê harmonia.

Demócrito – a bondade não é uma questão de ação; depende do desejo interior do homem. O homem bom não é o que pratica o bem, mas o que deseja praticá-lo sempre.

Protágoras – "O homem é a medida de todas as coisas" è Cada um tem o direito de determinar, por si, o que é o bem e o que é o mal. è CAOS.

Sócrates – o mais elevado bem que se pode medir tudo é o conhecimento.

Platão – o mundo dos sentidos, doutrinava ele, é irreal, transitório e mutável. Eis o mal. O verdadeiro mundo das idéias puras e imutáveis é o do bem.

Aristóteles – o bem é a atitude racional para com as sensações e os desejos.

Estóicos
– o mais alto bem do homem está em agir em harmonia com o mundo.
 
Santo Agostinho
– o mal é ausência do bem, da mesma maneira que as trevas são a ausência da luz.

Abelardo – justiça e injustiça de um ato não estão no ato em si, porém na intenção de quem o pratica.
 
Santo Tomás de Aquino
– o mais elevado bem é a concretização de si mesmo conforme Deus ordenou.

Thomas Hobbes (materialista) – aquilo que agrada ao homem é bom e o que lhe causa dor ou desconforto é ruim.

Espinosa – o esforço de se preservar é um bem; o que entrava esse esforço é um mal.

Kant – se o agente pratica o ato com boas intenções, respeitando as leis morais, o ato é bom.

Vamos amenizar o pensamento, e trazer a arte para dar uma trégua.

Pensando e refletindo (são coisas diferentes), os homens construíram muitas versões para explicar a origem do mal, estou falando de milênios de pensamentos construídos, na musica encontramos algumas manifestações artísticas, o que é uma forma da manifestação contemporânea.

Perfeição
Legião Urbana

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...
Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...
Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...
Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...
Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!..

Desejo-lhes todo o bem do mundo, e que seja exercido com a plenitude de suas consciências e sentimentos verdadeiros e sinceros.
 

Um forte abraço a todos