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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Resenha: O Livro dos Mortos do Antigo Egito – E. A. Wallis Budge

 


 

Sinopse:

 

Misterioso, poderoso e comovente, O Livro dos Mortos do Antigo Egito é um dos textos mais antigos e mais influentes de toda a história. É composto de uma combinação de orações, feitiços e discursos que os antigos egípcios enterravam com seus mortos, com o objetivo de ajudar os falecidos em sua “jornada” para a vida após a morte. Esta edição contém imagens do requintado papiro de Ani – um antigo escriba egípcio – em sua totalidade. Meticulosamente inscrito com hieróglifos e ilustrações dos rituais da vida após a morte, o papiro é mostrado com tradução do aclamado egiptólogo E. A. Wallis Budge. O Livro dos Mortos do Antigo Egito é o livro da Vida. Fala, na verdade, sobre a vida agora, a vida no futuro e a vida eterna. As estradas, os caminhos, os portais, as horas, as leis e os guardiões da vida após a morte aqui são explicados em detalhes. Este é o único registro vivo de um mistério duplo: o mistério da vida e o mistério da morte.

 

O mundo é rico pelas diferenças culturais que povoam seus quatro cantos, as diferentes culturas lidam com a morte cada uma a sua maneira, alguns tratam a morte de maneira mais intensa como o antigo Egito, um livro fascinante que trata deste tema é O Livro dos Mortos do Antigo Egito traduzido por E. A. Wallis Budge, sua influência é impressionante, o mistério envolto em tudo que se refere ao antigo Egito é apaixonante, em nossa imaginação está presente o deslumbrante mundo africano, a morte em seu mito que envolveu a realidade de um povo e suas expectativas para o após morte ainda são tema de estudos e muita curiosidade.

 

A complexidade do tema foi levada muito a sério pelos antigos egípcios, além de uma pratica em procedimentos, formulas, rituais e orações, há mensagens profundas com valor simbólico e religioso daquela tradição, o livro é um texto funerário, uma coletânea de textos e rituais que eram realizados nos funerais com objetivo de proporcionar ao falecido encontrar o caminho certo para a vida eterna junto a seus deuses.

 

A mumificação no antigo Egito era uma técnica utilizada para preservar o corpo dos seres humanos e seus animais, eles acreditavam que se tratava de um processo essencial para assegurar a passagem do morto para a outra vida, acreditavam que não entraria na existência eterna sem que o espírito - o ka - pudesse voltar ao corpo, por esta razão o corpo e seus orgãos eram preservados. Era entendido que a pessoa era dividida em varias partes, como o corpo, sombra, coração, nome, personalidade e a energia vital, diferentemente dos cristãos que acreditam em corpo e alma.

 

Haviam varios rituais no processo funerário, um deles que penso seja o mais significativo é o ritual de abertura da boca, através do qual se acreditava poder devolver os sentidos a uma múmia ou fazer de uma estátua ou de um templo um objeto detentor de vida. Este ritual denominava-se uep-rá em egípcio. A múmia era colocada em pé, o ambiente purificado com incensos e aspergir de agua, a partir do Império Novo o ritual começou a ser realizado sobre os caixões das múmias.

 

O ritual era bastante elaborado, podendo durar vários dias caso se realizasse num defunto oriundo da classe abastada. Consistia basicamente em tocar com determinados objetos na boca e nos olhos da estátua ou do caixão com o objetivo de permitir com que o morto pudesse comer e beber, devolvendo a mumia suas funções vitais. Um desses objetos, que apresentava a forma de peixe numa das pontas, era denominado de pesechkef; outro era o setep, uma enxó de carpintaria.

 

Os sacerdotes começavam por purificar a múmia (que era colocada sobre um monte de terra), usando incenso ou natrão. As facas faziam um corte simbólico sobre os olhos e a boca do caixão ou estátua. Um boi era morto na ocasião e a pata anterior direita de um bezerro era oferecida à múmia.

 

O livro possui belas ilustrações dos textos originais, ao final do livro ele traz um glossário bastante instrutivo, é importante ler o glossário para melhor entender as mensagens dos 37 papiros constantes no livro, nos papiros estão as mensagens escritas e também talhadas nas urnas funerárias, até mesmo inscrições nas mortalhas das múmias, eram mensagens, orações, suplicas como forma de encaminhar o ingresso no reino de Osíris, a principal divindade cultuada pela civilização egípcia.

 

Os egípcios eram politeístas e acreditavam na imortalidade, O Livro dos Mortos significa a saída para a luz do dia, eram entendidos como formulas para retornar a vida, o livro era um guia para o mundo do além, no século XIX de nossa era, as expedições encontraram exemplares do Livro dos Mortos em papiros, obviamente que para os atuais pesquisadores o significado é diferente daquele dos antigos egípcios.

 

Em princípio, o Livro dos Mortos do Antigo Egito surgiu a partir do culto do deus Osíris por volta do século XXI a.C, no início do Império Médio, assim, a figura e Osíris o deus dos mortos, além de ser a divindade da vegetação, do julgamento e do além, era considerado o deus agrário que simboliza a força inesgotável da vegetação e a atividade do universo, inspirou os seguidores a buscar a imortalidade através de seu culto.

 

Havia o entendimento que era necessário fazer o encaminhamento ao mundo pós morte e os egípcios acreditavam que a vida após a morte era tão importante quanto a vida terrena, um novo costume surgiu entre as pessoas, desde os faraós, depois para as grandes personalidades e até mesmo os servos, basicamente, as cerimônias fúnebres envolviam leitura das passagens constantes em papiros e depois coletadas e com o passar do tempo inseridas no Livro dos Mortos, tudo era feito a fim de guiar o espírito no caminho até Osíris e a elevação espiritual.

 

Para os faraós e os mais abastados, alguns trechos do Livro dos Mortos eram esculpidos e talhados no interior e nas paredes do local onde eram depositados os sarcófagos, juntamente eram colocadas as múmias e seus órgãos depositados em jarros. Além disso, existem relatos de que alguns faraós colocavam ao lado de suas riquezas papiros contendo trechos inscritos do Livro dos Mortos, alguns dentro do ataúde de frente para seu rosto mumificado, desta forma, poderiam utilizar o escrito no além-vida para orientar sua caminhada e os próximos passos pós-morte.

 

Os egípcios acreditavam que havia um tribunal no pós-morte, o falecido era submetido ao julgamento no Tribunal de Osíris, suas ações em vida eram julgadas e verificado seu merecimento para integrar os reinos de luz do Deus Rá, no ápice do julgamento, Osíris pesava o coração do falecido em uma balança, para que a pessoa recebesse aprovação, seu coração deveria ser mais leve que uma pena, o coração seria sua consciência.

 

Através das inscrições remontam a chamada Confissão Negativa, um discurso reproduzido pelo falecido na qual ele nega ter cometido males contra os homens e esse discurso incluía a negação de pecados e tentações que fazem parte da vida terrena, a confissão eram em número de 42 ações que ele negava e 42 vezes seu coração era pesado.

Anúbis, conhecido como o deus dos mortos ou mensageiro da morte, era responsável por operar a balança do julgamento, cujo resultado final determinava o destino do falecido no além-vida e ele era quem levava as almas para o submundo.

 

A complexidade do julgamento era algo que procurava também apurar a verdade e a mentira, um contrapeso era a Verdade, registrada e mesurada pelo deus Toth. Nesse sentido, as almas verdadeiras eram recompensadas com um contrapeso positivo, enquanto as mentirosas eram punidas.

 

O Livro dos Mortos representa a cultura do politeísmo no Egito Antigo, sendo um importante documento histórico para conhecer a fundo os egípcios, através dele é demonstrada a crença na imortalidade, na vida após a morte e também na reencarnação.  Simbolizando a profundidade intelectual de uma das principais civilizações na história da humanidade, sendo o Egito um mundo à parte onde muitas outras culturas foram influenciadas graças ao intercâmbio comercial e cultural, ainda hoje o Egito é local de muito mistério, onde novas descobertas surgem contando um pouco mais de sua história milenar.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

O DEUS, do Filósofo Spinoza e do Físico Einstein

 


Disseram que Spinoza e Einstein eram ateus, estavam enganados, ambos não acreditam na crença, porque não precisamos pensar em formulas para crer, nem em formulas arranjadas e fruto de convenções, Deus deve ser sentido, assim como sentimos a presença do Sol e da Lua, afinal ninguém pergunta se acreditamos na existência do Sol e da Lua, eles estão aí, nós sabemos que estão. Aprendemos ao longo do tempo através de nossas experiências de vida a sentir a presença de Deus, aprendemos a ser confiantes sem ter crença, simplesmente confiamos, aprendemos como a vida é bela, compreendemos que a vida é eterna e que Deus está dentro de nós por isto precisamos senti-Lo! Não existe crença que por si só prove ou não prove aos moldes e a capacidade do entendimento humano da existência de Deus se no fundo de nosso ser não O sentirmos.

Em 1921 o rabino H. Goldstein, de New York, perguntou para Einstein se ele acreditava em Deus, ele respondeu: “Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”, como cientista Einstein acredita que a natureza é regida por leis e os fenômenos podem ser explicados, a harmonia é o efeito causado pelas leis da natureza, as convenções que existem são elementos que auxiliam no entendimento destas leis que não são sobrenaturais, Deus está presente nas causas e nos efeitos, Ele é a harmonia de tudo que existe.

Em uma carta escrita a um banqueiro do Colorado, Einstein explica: "Não consigo conceber um Deus pessoal que influa diretamente sobre as ações dos indivíduos, ou que julgue, diretamente criaturas por Ele criadas. Não posso fazer isto apesar do fato de que a causalidade mecanicista foi, até certo ponto, posta em dúvida pela ciência moderna. Minha religiosidade consiste em uma humilde admiração pelo espírito infinitamente superior que se revela no pouco que nós, com nossa fraca e transitória compreensão, podemos entender da realidade. A moral é da maior importância - para nós, porém, não para Deus"

Para aqueles que gostam de filosofia e de um filósofo que revolucionou a ideia de crenças e convenções podem aprender muito com Spinoza, no “Livro I da Ética e no Tratado sobre a Religião e o Estado”, o filósofo holandês demonstra sua concepção de um Deus despersonalizado e geométrico, contrária a todas as formas de se conceber Deus como uma espécie de entidade, oculta e transcendente, que age conforme os seus desígnios e a sua vontade, eis a mensagem de Deus, segundo Baruch Spinoza:

MENSAGEM DE DEUS, SEGUNDO BARUCH SPINOZA

“Pare de ficar rezando e batendo no peito! O que quero que faça é que saia pelo mundo e desfrute a vida. Quero que goze, cante, divirta-se e aproveite tudo o que fiz pra você.

Pare de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que você mesmo construiu e acredita ser a minha casa! Minha casa são as montanhas, os bosques, os rios, os lagos, as praias, onde vivo e expresso Amor por você.

Pare de me culpar pela sua vida miserável! Eu nunca disse que há algo mau em você, que é um pecador ou que sua sexualidade seja algo ruim. O sexo é um presente que lhe dei e com o qual você pode expressar amor, êxtase, alegria. Assim, não me culpe por tudo o que o fizeram crer.

Pare de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo! Se não pode me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de seus amigos, nos olhos de seu filhinho, não me encontrará em nenhum livro.

Confie em mim e deixe de me dirigir pedidos! Você vai me dizer como fazer meu trabalho?

Pare de ter medo de mim! Eu não o julgo, nem o critico, nem me irrito, nem o incomodo, nem o castigo. Eu sou puro Amor.

Pare de me pedir perdão! Não há nada a perdoar. Se eu o fiz, eu é que o enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso culpá-lo se responde a algo que eu pus em você? Como posso castigá-lo por ser como é, se eu o fiz?

Crê que eu poderia criar um lugar para queimar todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que Deus faria isso? Esqueça qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei, que são artimanhas para manipulá-lo, para controlá-lo, que só geram culpa em você!

Respeite seu próximo e não faça ao outro o que não queira para você! Preste atenção na sua vida, que seu estado de alerta seja seu guia!

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é só o que há aqui e agora, e só de que você precisa.

Eu o fiz absolutamente livre. Não há prêmios, nem castigos. Não há pecados, nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Você é absolutamente livre para fazer da sua vida um céu ou um inferno.

Não lhe poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso lhe dar um conselho: Viva como se não o houvesse, como se esta fosse sua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não houver nada, você terá usufruído da oportunidade que lhe dei.

E, se houver, tenha certeza de que não vou perguntar se você foi comportado ou não. Vou perguntar se você gostou, se se divertiu, do que mais gostou, o que aprendeu.

Pare de crer em mim! Crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que você acredite em mim, quero que me sinta em você. Quero que me sinta em você quando beija sua amada, quando agasalha sua filhinha, quando acaricia seu cachorro, quando toma banho de mar.

Pare de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra você acredita que eu seja? Aborrece-me que me louvem. Cansa-me que me agradeçam. Você se sente grato? Demonstre-o cuidando de você, da sua saúde, das suas relações, do mundo. Sente-se olhado, surpreendido? Expresse sua alegria! Esse é um jeito de me louvar.

Pare de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que o ensinaram sobre mim! A única certeza é que você está aqui, que está vivo e que este mundo está cheio de maravilhas.

Para que precisa de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procure fora. Não me achará. Procure-me dentro de você. É aí que estou, batendo em você.”

Pense na religião como um esforço humano para conhecer a base natural do nosso ser e os rituais que nos ensinam como trilhas e ferramentas que são utilizadas em prol de tocarmos a profundidade de nosso ser para lá encontrar Deus.

Através das religiões nos é ensinado que Deus existe e cabe a nós encontra-Lo, quando alcançamos um estágio mais elevado e adiantado de conhecimento deixamos para traz as crenças porque Deus já está presente dentro de nós, percebemos que Ele também designou seu emissários para nos acompanhar em nossa caminhada, entender Deus efetivamente requer de nós seres humanos uma capacidade a qual não possuímos diante de sua grandeza, podemos perceber sua presença o que já é uma imensa felicidade, seus emissários são educadores enviados por Ele, uma maneira de podermos ingressar no mundo espiritual com orientação, afinal nem tudo ainda podemos entender, pois precisamos de mentores mais esclarecidos, como os alunos que vão à escola em busca de conhecimento e educação, há também muitas pessoas endurecidas que só com tempo irão conseguir entender, para entender tem de sentir a presença Dele.

Spinoza: Deus é a causa de tudo e que nada existe fora Dele!

 

Fontes:

SPINOZA, Benedictus de. Ética. Trad. Tomaz Tadeu. Belo Horizonte – MG. Ed. Autentica, 2009.

Cosmologia 2 em https://airtonjo.com/site1/?s=spinoza