Sinopse:
Misterioso, poderoso e comovente, O Livro dos Mortos do Antigo Egito é um dos textos mais antigos e mais influentes de toda a história. É composto de uma combinação de orações, feitiços e discursos que os antigos egípcios enterravam com seus mortos, com o objetivo de ajudar os falecidos em sua “jornada” para a vida após a morte. Esta edição contém imagens do requintado papiro de Ani – um antigo escriba egípcio – em sua totalidade. Meticulosamente inscrito com hieróglifos e ilustrações dos rituais da vida após a morte, o papiro é mostrado com tradução do aclamado egiptólogo E. A. Wallis Budge. O Livro dos Mortos do Antigo Egito é o livro da Vida. Fala, na verdade, sobre a vida agora, a vida no futuro e a vida eterna. As estradas, os caminhos, os portais, as horas, as leis e os guardiões da vida após a morte aqui são explicados em detalhes. Este é o único registro vivo de um mistério duplo: o mistério da vida e o mistério da morte.
O mundo é rico pelas diferenças culturais que povoam seus quatro cantos, as diferentes culturas lidam com a morte cada uma a sua maneira, alguns tratam a morte de maneira mais intensa como o antigo Egito, um livro fascinante que trata deste tema é O Livro dos Mortos do Antigo Egito traduzido por E. A. Wallis Budge, sua influência é impressionante, o mistério envolto em tudo que se refere ao antigo Egito é apaixonante, em nossa imaginação está presente o deslumbrante mundo africano, a morte em seu mito que envolveu a realidade de um povo e suas expectativas para o após morte ainda são tema de estudos e muita curiosidade.
A complexidade do tema foi levada muito a sério pelos antigos egípcios, além de uma pratica em procedimentos, formulas, rituais e orações, há mensagens profundas com valor simbólico e religioso daquela tradição, o livro é um texto funerário, uma coletânea de textos e rituais que eram realizados nos funerais com objetivo de proporcionar ao falecido encontrar o caminho certo para a vida eterna junto a seus deuses.
A mumificação no antigo Egito era uma técnica utilizada para preservar o corpo dos seres humanos e seus animais, eles acreditavam que se tratava de um processo essencial para assegurar a passagem do morto para a outra vida, acreditavam que não entraria na existência eterna sem que o espírito - o ka - pudesse voltar ao corpo, por esta razão o corpo e seus orgãos eram preservados. Era entendido que a pessoa era dividida em varias partes, como o corpo, sombra, coração, nome, personalidade e a energia vital, diferentemente dos cristãos que acreditam em corpo e alma.
Haviam varios rituais no processo funerário, um deles que penso seja o mais significativo é o ritual de abertura da boca, através do qual se acreditava poder devolver os sentidos a uma múmia ou fazer de uma estátua ou de um templo um objeto detentor de vida. Este ritual denominava-se uep-rá em egípcio. A múmia era colocada em pé, o ambiente purificado com incensos e aspergir de agua, a partir do Império Novo o ritual começou a ser realizado sobre os caixões das múmias.
O ritual era bastante elaborado, podendo durar vários dias caso se realizasse num defunto oriundo da classe abastada. Consistia basicamente em tocar com determinados objetos na boca e nos olhos da estátua ou do caixão com o objetivo de permitir com que o morto pudesse comer e beber, devolvendo a mumia suas funções vitais. Um desses objetos, que apresentava a forma de peixe numa das pontas, era denominado de pesechkef; outro era o setep, uma enxó de carpintaria.
Os sacerdotes começavam por purificar a múmia (que era colocada sobre um monte de terra), usando incenso ou natrão. As facas faziam um corte simbólico sobre os olhos e a boca do caixão ou estátua. Um boi era morto na ocasião e a pata anterior direita de um bezerro era oferecida à múmia.
O livro possui belas ilustrações dos textos originais, ao final do livro ele traz um glossário bastante instrutivo, é importante ler o glossário para melhor entender as mensagens dos 37 papiros constantes no livro, nos papiros estão as mensagens escritas e também talhadas nas urnas funerárias, até mesmo inscrições nas mortalhas das múmias, eram mensagens, orações, suplicas como forma de encaminhar o ingresso no reino de Osíris, a principal divindade cultuada pela civilização egípcia.
Os egípcios eram politeístas e acreditavam na imortalidade, O Livro dos Mortos significa a saída para a luz do dia, eram entendidos como formulas para retornar a vida, o livro era um guia para o mundo do além, no século XIX de nossa era, as expedições encontraram exemplares do Livro dos Mortos em papiros, obviamente que para os atuais pesquisadores o significado é diferente daquele dos antigos egípcios.
Em princípio, o Livro dos Mortos do Antigo Egito surgiu a partir do culto do deus Osíris por volta do século XXI a.C, no início do Império Médio, assim, a figura e Osíris o deus dos mortos, além de ser a divindade da vegetação, do julgamento e do além, era considerado o deus agrário que simboliza a força inesgotável da vegetação e a atividade do universo, inspirou os seguidores a buscar a imortalidade através de seu culto.
Havia o entendimento que era necessário fazer o encaminhamento ao mundo pós morte e os egípcios acreditavam que a vida após a morte era tão importante quanto a vida terrena, um novo costume surgiu entre as pessoas, desde os faraós, depois para as grandes personalidades e até mesmo os servos, basicamente, as cerimônias fúnebres envolviam leitura das passagens constantes em papiros e depois coletadas e com o passar do tempo inseridas no Livro dos Mortos, tudo era feito a fim de guiar o espírito no caminho até Osíris e a elevação espiritual.
Para os faraós e os mais abastados, alguns trechos do Livro dos Mortos eram esculpidos e talhados no interior e nas paredes do local onde eram depositados os sarcófagos, juntamente eram colocadas as múmias e seus órgãos depositados em jarros. Além disso, existem relatos de que alguns faraós colocavam ao lado de suas riquezas papiros contendo trechos inscritos do Livro dos Mortos, alguns dentro do ataúde de frente para seu rosto mumificado, desta forma, poderiam utilizar o escrito no além-vida para orientar sua caminhada e os próximos passos pós-morte.
Os egípcios acreditavam que havia um tribunal no pós-morte, o falecido era submetido ao julgamento no Tribunal de Osíris, suas ações em vida eram julgadas e verificado seu merecimento para integrar os reinos de luz do Deus Rá, no ápice do julgamento, Osíris pesava o coração do falecido em uma balança, para que a pessoa recebesse aprovação, seu coração deveria ser mais leve que uma pena, o coração seria sua consciência.
Através das inscrições remontam a chamada Confissão Negativa, um discurso reproduzido pelo falecido na qual ele nega ter cometido males contra os homens e esse discurso incluía a negação de pecados e tentações que fazem parte da vida terrena, a confissão eram em número de 42 ações que ele negava e 42 vezes seu coração era pesado.
Anúbis, conhecido como o deus dos mortos ou mensageiro da morte, era responsável por operar a balança do julgamento, cujo resultado final determinava o destino do falecido no além-vida e ele era quem levava as almas para o submundo.
A complexidade do julgamento era algo que procurava também apurar a verdade e a mentira, um contrapeso era a Verdade, registrada e mesurada pelo deus Toth. Nesse sentido, as almas verdadeiras eram recompensadas com um contrapeso positivo, enquanto as mentirosas eram punidas.
O Livro dos Mortos representa a cultura do politeísmo no Egito Antigo, sendo um importante documento histórico para conhecer a fundo os egípcios, através dele é demonstrada a crença na imortalidade, na vida após a morte e também na reencarnação. Simbolizando a profundidade intelectual de uma das principais civilizações na história da humanidade, sendo o Egito um mundo à parte onde muitas outras culturas foram influenciadas graças ao intercâmbio comercial e cultural, ainda hoje o Egito é local de muito mistério, onde novas descobertas surgem contando um pouco mais de sua história milenar.