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quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Não chegamos na era de Aquário, afirma especialista em astronomia

 


O assunto do momento é a conjunção de Júpiter com Saturno (a estrela de Belem), quando os dois maiores planetas estão em alinhamento com a terra, o evento foi visto por muita gente e fez ressurgir a confusão sobre o início da Era de Aquário, o que de antemão é dito por especialistas é que a "grande conjunção" irá influenciar bastante no ano que vem, trazendo fortes energias de Urano e Aquário, porém não marca a mudança das eras astrológicas. “Não é a primeira vez que ocorre esse tipo de distorção de conceitos. Quando Urano entrou em Aquário no fim do século passado, ocorreram os mesmos “anúncios” do início da Era de Aquário. Mais um grande equívoco”, afirma o astrólogo e filósofo Alexey Dodsworth*, do Personare, em artigo do Terra.

*Alexey Dodsworth (alexey-revista@personare.com.br) - Doutor em Filosofia pelas universidades de Veneza e de São Paulo. Tem ampla experiência em ensino de Filosofia, já tendo sido consultor da Unesco e assessor especial no Ministério da Educação. Pesquisa Astrologia desde 1987.

Em geral, as informações são diversas e contraditórias, portanto não há consenso entre os astrólogos sobre o começo exato da Era de Aquário, alguns dizem que a nova Era se iniciou na década de 2000 e outros falam que só irá começar no ano 2600 -- ou até em 3.000, enfim, há muito “disse me disse” e acabaram criando boataria e junto fake News.

Na cidade italiana de Veneza, no interior do Palazzo Ducale, encontra-se um relógio decorado por signos zodiacais. O único ponteiro deste imenso relógio aponta para o início do signo de Peixes posicionado de acordo com a constelação que marca o início do equinócio de primavera no Hemisfério Norte e de outono no Hemisfério Sul. Este é um relógio especial, pois não marca as horas ou os dias, mas sim as eras astrológicas, sendo que cada uma delas tem duração de mais de dois mil anos.

O conceito astrológico de era é relacionado, muitas vezes, à percepção de um ciclo de 2000 anos. Atualmente estamos vivendo na era de Peixes, e simbolicamente, a era teria começado com Jesus Cristo, simbolizado por um peixe, que consiste em dois arcos que se cruzam para formar o perfil de um peixe, sendo um dos símbolos mais antigos do cristianismo.

Acredita-se que cada Era possa influenciar a humanidade de maneira diferente, e que a atual Era de Peixes foi marcada pelo desenvolvimento de religiões, como o nascimento de Jesus Cristo e o surgimento do cristianismo, guerras com teor ideológico e apego às ilusões de um ideal que nunca chegou a passar de “ilusões”. E, agora estamos vivenciando a transição de Eras e já conseguimos sentir os impactos da Era de Aquário.

 A nova Era fará com que a humanidade repense a forma como vivemos na sociedade, como coletivo, e como vamos nos identificar como indivíduos. Aquário é a voz da revolução, rebeldia e consciência. Este signo é regido por Urano, um planeta rápido que simboliza mudanças súbitas, consciência e liberdade. 

Nos anos 60 e 70, uma geração sonhava e alimentava uma ilusão com um mundo mais justo e mais livre, e com isto deixaram marcas no tempo fazendo com que a cultura mudasse, muitas foram as manifestações alegres que na época acreditavam que já estava ocorrendo a mudança de era. Podemos pensar que estejamos num período de transição por estarmos nos aproximando da nova Era, mas está muito claro que a conjunção de Júpiter com Saturno não é a “transição para a Era de Aquário”.

De tanto “disse me disse”, procurei o conhecimento de quem sabe e explique adequadamente o que significa a mudança de era, e no artigo publicado pelo Professor Paulo Araújo Duarte, Professor de Astronomia do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina, como segue em seguida.

A Era de Aquário

https://planetario.ufsc.br/a-era-de-aquario/

Paulo Araújo Duarte. Professor de Astronomia do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina.   Maio/1999 – pduarte45@hotmail.com

Entende-se por Era uma série de anos civis que decorrem desde um acontecimento importante que é tomado como ponto de referência. Como exemplos temos a Era Cristã, Era Cenozóica, Era Bizantina, Era dos Gregos, além de muitas outras. No caso da Astronomia, quando falamos em Era Equinocial ou Zodiacal queremos dizer o período em que o Ponto Vernal(*) passa por uma constelação ou por um signo do zodíaco. No momento, o Ponto Vernal está situado tanto no signo como na constelação de Peixes, razão pela qual dizemos que estamos na Era de Peixes. Mas paira no ar uma certa dúvida com relação ao início da próxima Era, a de Aquário, pois alguns místicos afirmam que irá começar na entrada do novo milênio, ou seja, em 2001. E o pior é quando dizem que será no ano 2000, como se o novo milênio tivesse início neste ano. Por outro lado, há também aqueles que afirmam com precisão o início da Era de Aquário em 4 de fevereiro de 1962, além de outras datas. Cada qual tem suas razões, porém sem nenhuma sustentação científica razoável. Mas para a Astronomia uma Era é determinada, conforme já dissemos, pela passagem do Ponto Vernal ao longo da região ocupada por um signo ou uma constelação zodiacal, em razão de um deslocamento do eixo da Terra que se faz na proporção de mais ou menos um grau a cada 70 anos, no sentido retrógrado (leste para oeste). E se considerarmos que as constelações têm tamanhos diferentes e ocupam, por conseqüência, espaços variados na esfera celeste, e que os signos, por sua vez, ocupam espaços regulares de 30 graus, podemos deduzir que o tempo que o Ponto Vernal demora nos signos é sempre o mesmo em todos eles, o que não ocorre com as constelações, especialmente agora que a União Astronômica Internacional conseguiu definir com precisão os limites das constelações. Assim sendo, a Era de Aquário, conforme podemos ver na tabela a seguir, só irá começar no ano 2150 (se considerarmos a passagem do Ponto Vernal pelo signo de Aquário) ou então em 2620 (se considerarmos a passagem do Ponto Vernal pela constelação de Aquário).

TABELA REFERENTE AO INÍCIO DAS ERAS

TABELA REFERENTE AO INÍCIO DAS ERAS

SIGNO EM QUE ESTÁ O PONTO VERNAL

INÍCIO DA ERA

CONSTELAÇÃO EM QUE ESTÁ O PONTO VERNAL

INÍCIO DA ERA

Carneiro

2150 a.C.

Carneiro

1820 a.C.

Peixes

0

Peixes

55 a.C.

Aquário

2150

Aquário

2620

Capricórnio

4300

Capricórnio

4330

Sagitário

6450

Sagitário

6320

Ofiúco(**)

Não existe este signo

Ofiúco

8730

Escorpião

8600

Escorpião

10050

Libra

10750

Libra

10530

Virgem

12900

Virgem

12180

Leão

15050

Leão

15330

Câncer

17200

Câncer

17900

Gêmeos

19350

Gêmeos

19340

Touro

21500

Touro

21330

Tabela adaptada do Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ronaldo R. de F. Mourão, editora Nova Fronteira, 2. edição, 1995.

(*)  Ponto da esfera celeste que é definido pelo cruzamento de três linhas: Equador Celeste, Meridiano Zero e Eclíptica, cruzado pelo Sol na sua passagem equinocial do hemisfério sul para o norte e que marca o início da primavera para este hemisfério. Também chamado de Ponto Gama.
(**) Constelação zodiacal criada pela União Astronômica Internacional a partir de 1927. O Sol atravessa esta constelação de 28 de novembro a 17 de dezembro.

A humanidade espera que nessa nova Era Astrológica possam agir de maneira mais consciente e possam viver de maneira sustentável e saudável, quando então darão força aos movimentos sociais, esperam consumir de maneira sustentável, além de poderem encontrar o sonhado equilíbrio corporal e emocional. Aparentemente a humanidade espera que ao cruzar por uma determinada data as coisas se estabeleçam como por milagre, não há milagre sem esforço, ora o que Deus nos disse: “Deus honra a nossa fé e abençoa nosso esforço”, logo porque esperar para agir na mudança de era, quando a mudança depende hoje exclusivamente de nós, não faz sentido esperar por uma data para desejar e construir um mundo que será melhor para nós e nossos descendentes e/ou sucessores! Sejamos nós os agentes da mudança deste para um mundo melhor!

Vamos nos sentir mais leves ouvindo uma banda que alegrou e contagiou as gerações passadas, fiquemos por enquanto com a clássica interpretação do filme Hair de ‘Aquarius’, da banda 5th Dimension, segue o link: https://youtu.be/N9oq_IskRIg

Fontes:

https://www.hypeness.com.br/2020/12/era-de-aquario-nao-se-inicia-em-2020-afirma-especialista-em-astrologia/

https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/horoscopo/o-que-e-e-quando-comeca-a-era-de-aquario,eabdadcd5c4eba7ed4cce38e03cdf755z77bx7ab.html

 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Resenha Critica "As Teorias Selvagens" de Pola Oloixarac

 

As Teorias Selvagens de Pola Oloixarac

Sinopse

As teorias selvagens é uma mistura entre ironia e zombaria da vida intelectual na era dos blogs, da pornografia virtual, do videogame, das pílulas coloridas e da junk food. É uma compilação de histórias cheias de referências por todos os lados - um gato chamado Yorick, uma militante de esquerda que escreve cartas para Mao Tse-Tung, chamado por ela de Moo (na carta confessa que a ideia de amor livre de revolucionário, para ela, entra em choque com o desejo de um relacionamento baseado na fidelidade com o seu companheiro, o que leva a acusação de rendição a sentimentos burgueses), uma estudante de filosofia que persegue o professor pela universidade. É um compilado de histórias sempre esclarecidas por teorias que explicam tudo, ao menos aos olhos dos jovens contemporâneos, que viajam pelo mundo do ciberespaço.

O primeiro livro, Las teorías salvajes (no Brasil, As teorias selvagens) escrito por Pola Oloixarac, sua obra de estreia foi traduzida para o inglês, francês, holandês e finlandês, ela é escritora e tradutora argentina, nasceu em Buenos Aires em 13 de setembro de 1977. Pola estudou Filosofia na Universidade de Buenos Aires e escreve artigos sobre arte e tecnologia para diversos veiculos na Argentina, Espanha e Brasil.

Pola Oloixarac

O livro conseguiu dividir a crítica e amealhou uma legião de fãs, polêmico e atual, encontra seu alvo na modernidade e no sujeito universal, o romance transita entre o erudito e o pop, entre a filosofia, a filologia, o humor negro, a pornografia, a cultura geek e a etnografia urbana, é realmente bem complexo, por estas razões acaba conquistando e dividindo opiniões entre os que amam e odeiam com a mesma facilidade, alguns agradou a outros incomodou. Pola recebeu o título de musa geek, em razão de seu romance tratar de assuntos como blogs, videogames com seus jogos e o universo hacker. Ele traz assuntos diversos indo da antropologia à cultura pop, da pornografia à filosofia e humor negro, assemelha-se a uma patchwork que passeia do erudito ao cotidiano com rapidez, e nem sempre com a fluidez, as estórias (mais de uma) não tem contato entre si. Ao tratar de um ambiente intelectualizado, como o curso de Filosofia da Universidade de Buenos Aires, Pola pratica um exercício de galhofa e desmitificação da vida acadêmica em tempos de agrupamentos frágeis e identidades cambiantes através da complexidade dos personagens, dá estocadas críticas contra a doxa do humanismo progressista, torna-se até hermético por usar um linguajar um pouco mais complexo obrigando ao leitor não familiarizado a frear a leitura para interpretar o sentido e até pesquisar do que se trata para poder prosseguir, pois o patchwork contem pedaços de Rousseau, Wittgenstein, Bauman. Nietzsche e até Humbert-Humbert (lembram-se de Lolita de Vladimir Nabokov?)

É, entre outras coisas, uma trama diferenciada, com um tratado da guerra da sedução na era dos blogs, trata do sujeito universal contemporâneo, um romance ácido, demencial e extremamente divertido, a sua tese não é novidade, pois propõe que o discurso que nos anos 70 era sinônimo de resistência, mudança e revolução converteu-se atualmente no dogma oficial do pensamento, da cultura oficial com seus valores eternos e da pedagogia.

São três os personagens centrais, personagens que falam de teorias filosóficas como se encenassem uma comédia:

Kamtchowsky, ou K., e Pablo, cujo apelido é Pabst, são jovens inteligentes que não possuem beleza física (por isto eles se aproximam), são muito feios, são fanáticos por tecnologia, vivem da promoção de suas próprias orgias e recriam a guerrilha esquerdista argentina em um jogo de computador montado graças à habilidade de hackear o Google Earth, são entediados e cuja diversão principal pode ser denominada como a de destilar uma sagacidade mordaz a respeito do comportamento dos que os cercam, (os nerds têm gostos propositadamente adaptados ao século 21). Adoram filmar suas orgias e disponibilizar as imagens na rede. A obra é carregada de exageros, como por exemplo ao narrar que Kamtchowski foi estuprada por dois garotos com síndrome de down e virar assim uma pequena celebridade pornô cibernética.

E a estudante dissimulada compara suas ações a uma pesquisa de campo antropológica a narradora Rosa Ostreech, uma bela estudante de filosofia, que nutre uma paixão obsessiva pelo professor García Roxler, ela tem a pretensão de conquistar o velho professor e de completar as pesquisas que este desenvolveu sobre a teoria das transmissões egóicas do antropólogo holandês Johan Van Vliet, que versa sobre o comportamento humano e como as transformações sociais ocorreram na tensão entre o ser humano e a fera, da passagem da espécie humana de perseguida à predadora (a maldade do homem ou sua aptidão para a violência é explicada pela necessidade de sobrevivência à bestialidade de uma época pré-civilizatória).

Tirando os exageros cruéis, o estilístico de Pola é altamente refinado e filosófico, referencial ao extremo, traz à tona um olhar sobre os costumes sociais, sexuais e virtuais de uma geração que, por falta de convicções políticas, enseja divertimentos e jogos narcisistas e perversos, no qual o “outro” é objeto de constantes e perspicazes afrontas intelectuais como desafios que terminam em frustração ou tédio e que não preenchem o vazio existencial (alimentado com boas doses de arrogância) que transforma angústia em indiferença ou vaidade. Para Kamtchowsky e Pabst, a guerra é contra certa assepsia intelectual e o modo como a beleza superficial é erguida como corolário do reconhecimento social (transitar de um lado para outro em busca de satisfação e, consequentemente, descartá-la e rumar para uma nova forma de prazer é um mecanismo da sociedade de consumo, no qual até a desilusão e o desajustamento são cooptados para a vida de “mercadoria”). Ao se unirem a Andy e Mara, dois sedutores jovens, K. e Pabst podem exercer a aproximação insidiosa pautada na desconfiança e liberdade possíveis das relações contemporâneas. Com a desconstrução do amor romântico, como afirma Bauman em “Amor líquido: a fragilidade dos laços humanos”, o amor perde o sentido e qualquer coisa serve para ser camuflada como se o fosse, mas sem a exigência de sê-lo realmente. Uma vez vivido pode ser descartado, já que nada mais será duradouro em um mundo liquefeito, considera o “cidadão de nossa líquida sociedade moderna” como Der Mannohne Verwandtschaften - que o homem não tem família, o homem sem vínculos, isto remete-me, ao aforisma 489 de Humano, demasiado humano, indo até profundamente demais:

“Pessoas que compreendem algo em toda a sua profundeza raramente lhe permanecem fiéis para sempre. Elas justamente levaram luz à profundeza: então há muita coisa ruim para ver” (NIETZSCHE, 2000, p. 266).

 

Críticas da Imprensa

“Pola é uma menina linda com uma mente perigosa. Rodolfo Viana, Revista Vip

A prosa de Pola Oloixarac é o grande acontecimento da nova narrativa argentina. Seu romance é inesquecível, filosófico, selvagem e muito sereno.” Ricardo Piglia, escritor e crítico literário argentino

“Oloixarac irrompeu no mundo literário elevando a voz e com a espada em riste, derramando à esquerda e à direita (sobretudo à esquerda) suas doses efusivas de estilo, precisão analítica e rancor lúdico.” Alan Pauls, escritor argentino

“Uma das melhores narradoras jovens em espanhol.” Revista Granta

“Uma comédia com Katharine Hepburn mas sem Cary Grant. A arqueóloga Oloixarac leva a cabo uma reconstrução dos códigos de socialização dos anos 70... 90... e assim sucessivamente, de vinte em vinte anos.” Mario Bellatin

“Um romance com vocação de obra total, um patchwork requintado da contemporaneidade escrito com uma prosa dotada de variadíssimos registos como há muito não se lia em língua castelhana.” Carolina León

“Monstruosamente inteligente e terrivelmente divertida. Mais que um primeiro romance, parece o livro que muitos de nós passámos a vida inteira a tentar escrever.” Javier Calvo

 

Três Perguntas Para Pola Oloixarac:

1.      A crítica Beatriz Sarlo identificou As teorias selvagens como um trabalho de microetnografia cultural. O que seria isso para você?

Beatriz Sarlo disse coisas muito boas e interessantes do livro. Em geral, é moda os críticos maiores na Argentina falaram em "etnografia". O que antes era apenas "romance realista" agora é uma variante da etnografia, como se houvesse registro "científico" do presente (e também porque o romance realista em espanhol não poderia descrever somente as inovações no século 20). Além de mostrar as coisas, estes romances tentariam dar uma luz sobre o porquê das coisas. No caso do meu livro, se trata de uma comédia sobre o mundo da cultura: como funciona, quais são seus valores, como pensam os julgadores, como se medem as superioridades.

2.      O livro é também uma crítica à intelectualidade portenha de esquerda? Por quê?

É uma crítica a certa intelectualidade argentina que nunca realizou uma revisão crítica das ações, da estratégia militar e do pensamento violento por trás das ações armadas da guerrilha dos anos 1970. Quando comecei a escrever o livro, essa ausência não me deixava dormir. Tinha que fazer algo e minha reação foi escrever esse romance. Depois, o que aconteceu foi justamente que essa ausência de autocrítica se converteu no núcleo triunfal do discurso oficial do governo, uma reciclagem de meias verdades sobre os anos 1970 que articulam o presente político da Argentina.

3.       É possível dizer que as novas gerações de autores argentinos se permitem rever a história com postura crítica, mesmo que se trate de rever o pensamento das esquerdas?

Pode ser, não sei. A América Latina tem uma relação complexa com suas esquerdas: em certos casos encarnam um populismo subnormal (Chávez), em outros um futuro que trabalha pelo crescimento e inclusão social e em outros um discurso que convive abertamente com políticas neoliberais apenas renovadas. Na Argentina, toda a política passa pelo discurso: sua criação, manipulação, reciclagem, e nesse sentido é natural que os escritores se vejam atraídos por algo que trabalha com suas mesmas técnicas!!

Fonte Escritora argentina Pola Oloixarac dispara contra a guerrilha esquerdista (correiobraziliense.com.br)

 

Trecho de As teorias selvagens, de Pola Oloixarac.

“ O que está ao redor sempre pode dar permissão para que você seja um estupido, mas nem todas as permissões são validas. Quero dizer, subscrever-se a uma ética menos facilitante para o ingresso da imbecilidade pode ser congelante, seu efeito pode ser percebido imobilizador, mas pelo menos conserva a dignidade da reflexão e da autoconsciência. Claro que me refiro á classe média, a uma juventude de classe média mais saudavelmente entregue a introspecção.

Kamtchowsky observou que a diferença talvez se apoiasse na distância entre sufixos e prefixos. Uma geração de sufixos, como exibe a morfologia de “consciência-em-si” ou “consciência-para-si”, centra sua atenção naquilo que resulta, que se solta a posteriori (a sintaxe não mente) da consciência; pelo contrário, uma geração seguinte que coloca a questão da consciência nos preconceitos inerentes de seu olhas opta pelo prefixo, pela característica previa e intrínseca da mesma capacidade de raciocínio (p.ex. autoconsciência). P.43 As Teorias Selvagens

Em resumo e no geral, Pola escreveu um livro difícil de penetrar, de certa forma hermético para aqueles leitores não familiarizados com teorias e ensaios filosóficos, tornando a leitura até difícil de entender, ela conseguiu chocar e ser polêmica, atual no sentido que incomoda e continua a incomodar tanto, e por vários motivos e razões as quais concordo com ela: pela fruição sem culpa com que reconecta a política e o saber com o mundo das paixões baixas tal como a inveja, rivalidade, discórdia, vingança. Ela tenta mostrar também o vazio e a futilidade da juventude que ela quis representar, no entanto eu não concordo com ela no que tange ao modo de ver a juventude, penso e vejo uma juventude vibrante e em sua maioria cheia de projetos de vida e também ativa politicamente, em sua diversidade vivendo cada um conforme as condições sociais pertinentes as classes sociais a que estão inseridos, culturais (etnias, identidades religiosas, valores), de gênero, bem como das regiões geográficas, entre outros aspectos a que todos nós um dia enfrentamos nossos desafios.

 Fontes:

OLOIXARAC, Pola. As Teorias Selvagens; tradução Marcelo Brandão. São Paulo: Saraiva, 2011. 240 p: 1ªed. 2ªtiragem

BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido – sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Zahar, 2004

Nietzsche, Friedrich. Humano, Demasiado Humano. Coleção O Essencial de Nietzsche; 9 Editora Companhia de Bolso, 2006

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2011/04/26/interna_diversao_arte,249508/escritora-argentina-pola-oloixarac-dispara-contra-a-guerrilha-esquerdista.shtml

http://lounge.obviousmag.org/nostalgicas_primicias/2013/11/as-teorias-selvagens-de-pola-oloixarac.html

https://lerateaexaustao.wordpress.com/2014/12/11/as-teorias-selvagens-pola-oloixarac/

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2805201129.htm

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2805201129.htm