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sábado, 10 de janeiro de 2026

Poço de Solidão


Há dias em que a solidão não é um quarto vazio, mas um poço. Não um poço assustador — daqueles de filme de terror —, mas um poço fundo, silencioso, onde a gente escuta melhor o próprio eco. Eu caio nele sem perceber: quando o celular fica mudo, quando a conversa termina cedo demais, quando percebo que ninguém vai notar se eu demorar um pouco mais para voltar.

O curioso é que, nesse poço, não estou exatamente só. Estou comigo. E isso, às vezes, é mais difícil do que lidar com os outros.

No cotidiano, o poço aparece em formas discretas: na mesa do almoço, quando todo mundo fala e eu apenas mastigo; no ônibus, quando olho os reflexos no vidro e não reconheço muito bem quem está ali; na noite em que não tenho vontade de ligar para ninguém, mas também não quero ficar em silêncio. É uma solidão que não dói como abandono — dói como espelho.

Mário Quintana dizia que “a solidão é uma ilha com saudade de continente”. Acho bonito, mas incompleto. Porque há dias em que a ilha não quer continente nenhum. Quer apenas entender por que existe. O poço, então, não é fuga: é descida.

E toda descida tem risco. A gente pode se perder no fundo, confundir silêncio com vazio, introspecção com desistência. Mas também pode encontrar algo que o barulho da vida esconde: perguntas que nunca fizemos, vontades que nunca admitimos, medos que fingimos não ter.

Já percebi que há dois tipos de solidão. A que nos empobrece — quando nos sentimos invisíveis. E a que nos afina — quando começamos a ouvir camadas mais profundas de nós mesmos. O poço de solidão pode ser túmulo ou nascente. Depende do que fazemos lá embaixo.

Às vezes eu volto com pouco: uma frase, uma lembrança, uma vontade de mudar algo pequeno. Às vezes volto apenas mais leve, como quem não resolveu nada, mas entendeu melhor o problema.

Talvez a solidão não seja ausência de companhia, mas excesso de interior.

E talvez o poço não exista para nos engolir, mas para nos ensinar a subir com mais consciência de quem somos.

Porque no fundo do poço, descobri uma coisa simples: não é a solidão que assusta — é o encontro que ela provoca.

domingo, 18 de agosto de 2019

Inovação Existencial, Uma Conversa Informal




A presença do trabalho nesta nova etapa possui proporções bem menores, é uma nova etapa de aprendizado, onde os estudos (algo que sempre gostei de fazer) para mim não é trabalho, mas é um dos maiores prazeres, é justificado pela apropriação do conhecimento por si só, por vezes vertiginoso, do fluir do pensamento, o qual por si mesmo, já é suficiente para mudar a vida de qualquer pessoa, é a energia que alimenta o dever desta nova etapa existencial, voltada a criação de valor e junto a isto o progresso da formação, quiçá uma nova maneira de pensar e de se conceber

Assim como De Masi, atualmente não mais pactuo com aqueles infinitos absurdos organizacionais que angustiam o trabalho no mundo empresarial, no entanto, cabe dizer de antemão que a indolência e vadiagem não fazem parte de meu vocabulário.

Assiduamente, as 5 horas meu relógio biológico me desperta, me chamando para a vida, permaneço com o velho hábito de aproveitar ao máximo e da melhor maneira a vida que me foi concebida, afinal nosso tempo neste mundo se esvai a cada tique-taque do coração, como os ponteiros de um relógio que avançam e testemunham a passagem das gerações (aqui recordei as palavras de nosso poeta Mario Quintana).

Não abandonamos num segundo os hábitos adquiridos. Como dizia Ferdinando IV de Bourbon: “É mais fácil perder o trono que perder o hábito. ” E ele entendia do assunto, já que, de fato, tinha perdido o trono. Afinal, acordar cedo me parece ser melhor do que ir dormir na madrugada.

As coisas em seu tempo...

Na parte da manhã, há o silêncio o maior amigo da meditação, silêncio como oração, e não como reza. Reza é falatório para não ouvir. É orando que se abrem os vazios de silêncio. Expulsando todas as ideias estranhas, afinal a meditação não é apenas fechar os olhos com as pernas em posição borboleta e as mãos apoiadas juntando as pontas dos dedos e entoar um mantra. A meditação é o momento certo de pararmos, nos desligarmos dos problemas e pensarmos sobre nossa própria vida. 

Ao estilo do Raja Yoga, o foco é a reflexão. Sentados numa posição confortável e de olhos abertos, os praticantes mentalizam pontos positivos da natureza humana, como perdão, bondade, generosidade, compaixão e amor incondicional.

Pela manhã estamos energizados, as baterias estão carregadas, a memória organizada, se o sono foi profundo e reparador, estaremos preparados para o dia que se inicia, porem se acordarmos sem energia e tristes, então precisamos entender o motivo de estamos tristes e desmotivados, qual a razão, e assim saber o que pode ser feito, isto vale para qualquer pessoa. Tudo na vida é temporário, é o que sempre digo. Não recordo de ter acordado com estes sentimentos, ainda bem! Se alguma vez acordei assim e não recordo, foi porque soube resolver.

O que penso, é que...

Tudo na vida é temporário

Toda vez que chove, uma hora para de chover. Toda vez que você se machucar, você vai sarar. Depois da escuridão há sempre luz – você sabe disso todas as manhãs, mas ainda assim, muitas vezes, você se esquece e decide acreditar que a noite vai durar para sempre. Não vai. Nada dura para sempre.

Então se as coisas estão bem agora, aproveite. Não vai durar para sempre. Se as coisas estão ruins, não se preocupe porque não vai durar para sempre também. Só porque a vida não é fácil, neste momento, não significa que você não pode rir. Só porque alguma coisa está incomodando você, não significa que você não pode sorrir. Cada momento é um novo começo e um novo final. Você tem uma segunda chance a cada segundo. Faça este segundo ser melhor que o último.

Nos últimos vinte anos, a meditação e a atenção plena vêm se tornando uma espécie de band-aid onipresente, visando consertar tudo: do seu peso aos seus relacionamentos, passando pelos seus níveis de conquista.

A meditação pode ser pensada como um band-aid, porem tem de saber usar.
Você sabe usar o band-aid?






Pois é, acredito que a maioria das pessoas não saibam usar o band-aid, imagino então se saibam meditar?

Sugestão...

Apoios fisiológicos usados para melhorar o estado mental. É uma das mais comuns e simples de fazer. Concentre-se na respiração, nas batidas do coração ou na pulsação do corpo. Sente na chamada pose de índio (ou posição de lótus), com a coluna reta e as pernas cruzadas. Feche os olhos e focalize o fluxo de ar que entra e sai de seus pulmões.

Essa técnica é aplicada no budismo japonês. "Se uma pessoa está ansiosa e agitada, o gesto de inspirar e expirar o ar longamente simboliza expelir o que está incomodando. É a saída do excesso de peso, propiciando um estado de serenidade", explica Maria José. A prática hinduísta do tantrismo se concentram nas pulsações e o taoísmo, baseado na filosofia chinesa, nos batimentos cardíacos.

A meditação não é um produto de consumo e de bem-estar, e sim deve ser pensada como uma prática pessoal de profunda transformação. Além dos estados agradáveis momentâneos, os exercícios mentais podem resultar na transformação duradoura de traços de personalidade. Porém, as curtas doses diárias não nos levarão a este nível de transformação positiva e duradoura - mesmo se continuarmos a praticar por anos - sem adicionar práticas específicas.

Mais do que breves momentos, precisamos de uma prática inteligente e disciplinada, incluindo aspectos cruciais, com uma visão ampliada e menos apegada do eu, além da motivação pessoal para que essa transformação esteja focada no altruísmo, na ética, no benefício aos outros.
 
Afinal meditação não é um band-aid! São necessárias atitudes positivas!






É necessária uma inovação existencial!




Namastê!