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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Para que Serve a Escola?





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Em recente apresentação de trabalhos elaborados em grupo por professores do ensino básico, inclusive eu, embora no momento não esteja em sala de aula propriamente dito, sou licenciado em Filosofia, e atualmente exerço atividades junto a iniciativa privada na área administrativa, jurídica e de qualidade total. Por esta razão foi possível perceber dentre as apresentações dos professores que há um conflito de interesses entre a escola e o mercado de trabalho bem como do processo de educação. Nos trabalhos foram apresentados e observadas diferentes leituras da escola bem como do processo de educação, a disciplina do Curso de Pós-graduação, tendo à frente a competente professora Rita, buscava justamente fazer com que os professores refletissem “para que serve a escola”.
Refletimos, eu e minha colega do grupo acerca do tema, levando em conta bibliografias que procuram explicar a racionalidade da escola frente as expectativas da sociedade. Assim levantamos e discutimos a questão por alguns dias. Destas reflexões fomos construindo um filme em nossa mente que em seguida materializou-se, resolvemos dividir o filme em duas partes, a primeira consistia na apresentação dos objetivos da escola, exposição de alunos em sala de aula e fora da escola como sua participação cidadã durante manifestações políticas, na outra etapa foram apresentadas imagens de trabalhadores em aprendizado nas diferentes atividades dentro do processo de construção  demonstrando que a escola tem sua continuidade no ambiente de trabalho, que independente da procedência, faixa etária, cor, sexo, religião, esta escola chamada  Mercado de Trabalho e, especificamente na Indústria da Construção Civil (onde a mão de obra humana ainda não pode ser substituída por maquinas, local onde alguns empreendimentos empregam em um único empreendimento a mão de obra direta em torno de 300 pessoas), enfrenta diferentes problemas oriundos da falha na educação básica.
Em sua maioria, quase que 80% dos trabalhadores sequer conseguiram concluir o ensino fundamental. Saíram da escola por necessidades de trabalhar e bancar seu sustento; muitos não sabem corretamente escrever e fazer as quatro operações matemáticas. Enfim, o mercado de trabalho tende a dar continuidade na formação educacional, e isto leva tempo até que as pessoas atinjam um patamar de desenvolvimento adequado para que possam entender o que deveriam aprender na escola, o ensino e a educação são necessários para obterem respostas da vida. Para aqueles que ficaram em média 18 anos na escola e começam uma caminhada de 35 anos de trabalho, deveriam sair dela  melhor preparados e aptos para fazer suas escolhas.
Analisando o tempo de duração do Ensino Básico no Brasil o qual está dividido em 3 etapas, que são Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, somadas as 3 etapas totalizam 18 anos. No caso dos meninos estes devem se apresentar para o serviço militar, onde uma minoria é escolhida para prestar serviço e os demais que “sobram” devem ingressar no mercado de trabalho, valendo a regra, também para as meninas, que tem a mesma necessidade de ingressar no disputado mundo do trabalho.
O que o mercado de trabalho pode esperar destes meninos e meninas que passaram 18 anos de suas vidas dentro de escolas? Salvo os meninos e meninas que tiveram um ensino médio técnico, que conforme seu grau de aproveitamento terão mais facilidades para serem acolhidos no mercado de trabalho, aos demais, as oportunidades serão menores e mais competitivas.
Para aqueles meninos e meninas que não tem nenhum tipo de especialização a vida fica mais difícil, a economia vem enfrentando um momento muito complicado e as oportunidades ficaram ainda mais escassas.
Para aqueles que tem alguma oportunidade de trabalho devem “agarrá-la de unhas e dentes”, independente de vocação, ou seja, não podem perder a oportunidade, e assim a grande maioria segue sua vida, pois provavelmente os meninos trabalharão 35 anos e as meninas 30 anos de suas vidas.
No trabalho que apresentamos buscamos fundamentação em Bourdieu que logo abaixo transcrevo parte do texto, que alem das imagens, foi também apresentado como fruto de nossa reflexão.
Em Bourdieu, encontramos fundamentação para corroborar com nosso entendimento de que os indivíduos ajustam seu gosto ao que é objetivamente possível de ser alcançado é o que Bourdieu chamava de gosto pelo possível ou gosto pelo necessário, assim a visão atual que é negativa não incentiva os alunos a tornarem-se professores, a família também colabora no sentido de desestimular os filhos neste sentido.
Presumimos que os professores não escolheram seus cursos e profissões simplesmente porque gostavam. Acreditamos que as escolhas sejam o resultado de um processo de construção social, as oportunidades que surgem na vida de cada um, como por exemplo, a escolha tenha sido feita por já trabalharem ou ter tido contato com a área.
Explorando um pouquinho a questão de gênero, fica claro, ainda na contemporaneidade, no caso da professora, que as mulheres geralmente eram incentivadas por outras mulheres e ainda são a optar pelo curso Magistério para seguir a carreira. Tentativa de conciliar tempo com profissão mais adequada para o gênero feminino. Felizmente, aos poucos essa barreira vem sendo rompida e as mulheres estão lutando por ocupar espaços profissionais, antes destinados ao gênero masculino, como é o caso dos advogados, delegados, juízes, engenheiros, pedreiros, motoristas e tantos mais.
Ainda estamos atrelados a cultura do ensino dividido em dois tipos de escola: temos a escola pública, exaurida e sem oferecer melhores perspectivas do que formar robozinhos e, temos a escola privada, freqüentada por indivíduos economicamente mais favorecidos, propiciando a seus filhos/alunos, uma certeza de prosseguirem seus estudos na academia e com empregos de chefes dos robozinhos.
Dentro da ideia que procuro transmitir, além dos professores nas demais profissões encontramos os mesmos tipos de escolhas. Muitas vezes fruto daquilo que lhe é possível e sua necessidade, ou seja, filhos de pedreiros seguem geralmente o mesmo caminho, pois aprendem a profissão com o pai e assim por diante.
Como exemplo, a profissão de pedreiro, esta é uma profissão que atualmente dependendo da qualificação técnica do profissional, este poderá receber um salário muito superior a outros profissionais do mesmo tipo de indústria com exigência de formação educacional de no mínimo ensino médio concluído, no caso do pedreiro é exigido o ensino fundamental, sendo que para isto é necessário que os profissionais tenham absorvido um mínimo de conteúdo racional cognitivo, pois o sentido do trabalho na pratica, se encarregara da função.
Para que este profissional receba mais por suas tarefas, este precisará inicialmente ter uma educação que proporcione condições de refletir a respeito do que faz. Dentro desta ideia está contida as expectativas das empresas, que precisam de trabalhadores conscientes, críticos e com criatividade. No entanto, o Mercado de Trabalho para atender suas expectativas precisa fazer o que a escola deveria ter feito, ou seja, ter firmado conhecimentos básicos para que este indivíduo tivesse condições de obter seu sustento de forma digna, propiciando sua emancipação e autonomia. No que tange a este tópico, aponto mais um recorte do texto que foi disponibilizado na Pós-graduação:
Propiciar emancipação e autonomia ao aluno é o resultado de uma escola participativa voltada para todos os indivíduos, e é a partir deste tipo de escola que transformaremos o tipo de democracia que atualmente é uma democracia arcaica que não mais atende a complexidade das relações. A educação crítica deve estar voltada para uma democracia participativa. O conjunto de representatividade e participação é na verdade formas que associadas poderão dar melhor resposta às demandas sociais frente à nossa realidade.
Conforme ABRAMOVICH, Por que ficar socando tanta matéria, repetindo estas mesmas informações ad infinitum, exigindo nas provas a devolução (apenas e somente) delas? Por que não parar um instante e raciocinar com João dos Santos quando coloca: A criança pequena diz-se aprende facilmente línguas estrangeiras; não se diz, no entanto, que as crianças esquecem ainda mais facilmente o que lhes é imposto artificialmente.
Em alguns momentos percebi nos colegas professores a falta de entendimento do que insistentemente venho tentando informar, nesta tentativa de me sentir um representante do mercado de trabalho fazendo o caminho inverso, indo em direção à escola para sacudir o processo de educação que está fora da realidade pratica. A vida nos exige que a pratica esteja presente na teoria, caso contrário não passará de assuntos de discussões infindáveis de intelectuais que ficarão armazenados dentre tantas teorias que servem apenas para preencher espaços em branco de papeis.
Os jovens que ingressam no mercado de trabalho não desenvolveram o espirito empreendedor, no sentido de terem coragem de saírem da acomodação de seus lugares em sala de aula.
Atualmente o formato da sala de aula ainda é o mesmo de cinquenta anos atrás de quando ingressei na escola. Na descrição de Barros Filho, os alunos vão chegando e se acomodando em seus lugares, mas ninguém ocupa a cadeira que fica de frente para eles, apesar da cadeira ser a mais confortável entre todas. Lembro que alguns dos estudantes, mesmo com dúvidas, ficavam calados, não interrompiam a fala do professor. Na verdade não sabiam se podiam fazê-lo. Outros alunos mais ousados ou até angustiados, levantam a mão com timidez e aguardam a autorização do professor para perguntar, ficando claro o poder que emana do professor. É claro que ele é o líder! Assim seguindo este raciocínio de aula em aula, as pessoas aprendem ao longo da vida o que é ser aluno, conforme Barros Filho de algum modo as pessoas foram “alunizadas” em suas trajetórias, aprenderam desde o jardim de infância a sentar-se no lugar apropriado na sala, a calar-se enquanto o professor fala e a levantar a mão para perguntar algo. Não sou contrário a ordem e organização, afinal de contas precisamos aprender a ouvir para aprender a falar. No decorrer de 18 anos de educação as regras foram aprendidas e incorporadas, e no decorrer do tempo pela repetição, não precisam mais ser explicadas a ninguém, antes de uma aula. Ainda conforme Barros Filho, ele afirma que ninguém é submetido a um código ou algo parecido para participar de uma aula, seria desnecessário, uma vez que o código já está ai, em você. É isso, esse saber do que é ser aluno que torna o poder do professor possível. A questão não é saber porque alguém manda, mas saber porque as pessoas acatam e obedecem, e o fato de uma pessoa estar submetida a vontade de outrem. No mercado de trabalho se espera que o trabalhador não seja apenas alguém para apertar parafusos, precisa-se que as pessoas saibam o que estão fazendo e pensem no que deverão fazer para chegar em algum lugar alem daquele que naquele momento estão ocupando, a isto chamamos de rotatividade de funções. Espera-se que o trabalhador esteja pronto para novos desafios e tenham motivação de maneira que utilizem sua criatividade e estejam dispostas a tomar decisões, caso contrário, se não estivermos preparados para tomar decisões, nosso futuro estará seriamente comprometido. A maior parte de nós morreria de fome como o asno de Buridan, o qual, ao se encontrar perfeitamente equidistante entre duas pilhas de feno, não pode decidir qual caminho tomar.
Porem, pensar que quem faz algo somente porque é costume, não faz escolha alguma, sequer se pensa, seja uma decisão no sentido positivo, deve haver motivo que nos tire da inércia, porque para transformar é necessário ação. Se os motivos de um ato não forem tais que se coadunem com os sentimentos e o caráter da pessoa (quando não estejam em causa afeição e direitos alheios), esse ato torna os sentimentos e o caráter inertes e entorpecidos, em vez de ativos e enérgicos.
Conforme Bernandin Pascal, algumas pessoas pensam que a reforma pedagógica deva substituir os ensinos clássicos e cognitivos por um ensino “multidimensional e não cognitivo, que toque em todos os componentes da personalidade: ético, afetivo, social, cívico, político, estético, psicológico. Tratando-se de esvaziar os ensinamentos de seus conteúdos (cognitivos) para substitui-los por um doutrinamento globalista, que vise a modificar os valores, as atitudes e os comportamentos. Acredito e penso que os ensinos clássicos e cognitivos não devam ser substituídos, seria o abandono a racionalidade e condenaria o ser humano a ignorância. Penso num misto de manter o ensino de conteúdo que toque os componentes da personalidade.
Se ouve de muitos professores que as condições econômicas privam algumas escolas de equipamentos e tecnologias, servindo de assim, de desculpa para as deficiências unicamente educacionais. Muitos perdem o objetivo e a motivação, deixam de aproveitar oportunidades na diversidade e condições culturais, tal oportunidade poderia ser uma forma da escola provar sua qualidade.
O que esperar da reforma? Particularmente não espero muito, nem pouco, da reforma educacional. Não espero por drásticas mudanças sociais, mas penso que a reforma seja significativa, de maneira que possa ser mensurada.
Quanto as expectativas dos pais e crianças? De uma maneira simples e direta, as crianças geralmente, alegam que as aulas não são relevantes, interessantes ou significativas; de certo modo, essa é a interpretação. A que, mais rapidamente se prestam os seu comentários, lidos e relidos nas pesquisas de opinião.
Motivação é uma palavra muitíssimo utilizada na educação e no mercado de trabalho, portanto, a motivação é tema que merece destaque em toda e qualquer reflexão, pois permeia todo o processo de ensino e aprendizagem, conforme Gazzaniga há dois pontos importantes ser pensados: Primeiro, que devemos valorizar o esforço e não capacidades inatas e prévias do indivíduo, e em segundo, a motivação extrínseca; os incentivos que damos para os alunos, devem estar relacionados àquilo que se está querendo premiar. Não devemos dar uma bicicleta ao filho por este ter passado de ano, o passar de ano é o prêmio em si, a motivação intrínseca deverá ser o próprio prêmio.
É importante refletir um pouco mais a respeito do que seja a motivação, que pode ser conceituada como um conjunto de fatores que energizam, dirigem ou sustentam comportamentos (GAZZANIGA E HEATERTHON, 2005). Existe um conjunto de comportamento controlado pelo hipotálamo que chamamos de comportamentos motivados, ou seja, que necessitam de um motivo para acontecer: fome para comer, sede para beber, abstinência para sexo, sono para dormir e assim por diante. Neste sentido, a motivação está diretamente relacionada com homeostasia que representa a tendência de as funções corporais manterem o equilíbrio.
Conforme GAZZANIGA e HEATERTHON,  o importante para o educador é compreender a diferença entre motivação extrínseca, que são objetos externos para os quais a atividade está sendo desenvolvida, como uma recompensa (se passar de ano ganhará uma bicicleta, se for bem à prova ganhará horas no vídeo game) e a motivação intrínseca, que se refere ao valor ou os prazeres relacionados imediatamente com a atividade, sem objetivo ou propósito biológico aparente (o aluno estuda porque isso estimula seu cérebro, lê literatura porque gosta de viver as estórias). Os comportamentos intrinsecamente motivados ocorrem por si mesmos. Sempre que fornecemos incentivos (motivação extrínseca) que não estejam relacionados também eles com a atividade em si, isso enfraquece a motivação intrínseca (uma bicicleta por passar de ano enfraquece o fato de que passar de ano é um grande prêmio em si). Outro fator importante relacionado à motivação, é que não devemos elogiar uma habilidade, já anteriormente conquistada ou inata, devemos elogiar o esforço desempenhado na tarefa em si; elogios pela inteligência acima da média de um aluno pode fazê-lo pensar que não precisa estudar ou se esforçar. E assim, criar uma maneira enganosa de interpretar os resultados, o que ocasiona problemas de estima posteriores, quando as tarefas se tornam mais complexas e o esforço se faz necessário; fenômeno muito comum na 7ª série, ou 8º ano do Ensino Fundamental, quando os conteúdos, nas áreas das ciências se torna mais complexo e se misturam a miríade de transformações já discutidas, próprias da adolescência.
Um plano educacional precisa necessariamente ter significado para ter motivação e isto será o resultado de experiências escolares e extra-escolares significativas, atendendo estas premissas acredito em termos atingido um dos critérios importantes para a avaliação de um bom projeto educacional. Acredito que os significados nascem da percepção das relações entres as partes e todo, assim como das relações entre os meios e os fins.
Conforme Lipman apresentar algo, parte por parte, apenas com a promessa de eventualmente fornecer o todo que dará a cada parte o seu sentido, é construir um sistema educacional baseado num modelo de quebra-cabeças que pode ser ótimo, mas somente para quem gosta de quebra-cabeças.
As relações entre as partes e o todo – determinada jogada para uma partida, ou uma palavra numa frase, ou ainda um episódio numa novela – são relações carregadas de sentido. Sempre que o sentido é captado concomitantemente a percepção da relação, esse sentido é chamado de “intrínseco” (o que não tem com texto não tem significado). A significação extrínseca ocorre quando os meios se relacionam com o fim de um modo externo ou instrumental. É nesse sentido que um galão de gasolina encontrado no local do incêndio é significativo, ou a relação estabelecida entre o trabalho e o salário (um ocorre por causa do outro, mas não são partes significativas do outro).
Ainda na apresentação do trabalho de Pós-graduação em Sociologia, trouxe a baila a questão da utilização do livro didático. Um livro exclusivamente didático teria significado apenas extrínseco. Em relação a sua utilização, devemos perguntar se: 1) realmente atinge os objetivos que pretende; e 2) tem consequências imprevistas ou contraprodutivas.
Conforme Lipman, é preciso especificar o contexto. No caso de estudantes altamente motivados, a abordagem de um livro didático pode ser útil, acarretando, desta forma, inconvenientes relativamente pequenos. Mas no caso de estudantes pouco motivados, a utilização desses instrumentos pode ser vista com apatia, ou com total repulsa. A mera utilidade tem um baixo grau de significação intrínseca: é inadmissível esperar que uma criança pouco motivada goste do conhecimento apenas para seu próprio bem. Quando esse conhecimento é apresentado como um remédio de gosto ruim – como algo que, algum dia, possa ser útil.  Porém não nascemos com consciência para o futuro: os adultos constroem essa consciência baseadas nas experiências e verificações passadas. As crianças contam com um passado muito curto; elas apenas sabem que o presente faz, ou não, sentido em si mesmo. É por isso que gostariam de contar com meios educacionais repletos de significados: historias, jogos, discussões, relações pessoais confiáveis, e assim por diante. Porque toda a experiência escolar da criança não pode ser uma aventura? Precisa estar repleta de surpresas, de perspectivas excitantes. A rotina é inerentemente desprovida de significado, ainda que nos envolvamos nela por seu valores extrínsecos. A aventura é satisfatória em si por si mesma: com frequência revivemos na memória as aventuras passadas que de modo como os sonhos contém o significado secreto de nossas vida.
As reivindicações infantis podem ser vistas como uma exigência de significado, e as dos pais como uma exigência de racionalidade. A educação deve estar impregnada de significação e racionalidade, leia-se e entenda-se que o conteúdo cognitivo deve estar envolvido com os componentes da personalidade.
Em determinado momento da apresentação do trabalho trouxe a imagem de um grupo de 53 trabalhadores assistindo um treinamento de salvamento, onde com a colaboração de um trabalhador deitado sobre uma maca vinha descendo preso por amarras e cintos com ajuda de outro trabalhador preparado para este tipo de atividade. O que aprendemos, é que a “novela” representada pelos próprios trabalhadores estava repleta de significados de maneira que aprenderão e nunca mais esquecerão. O que tentamos transmitir a partir das cenas, foi que a escola também deve ser interessante e relacionada com a realidade.
Assim como na escola, no mercado de trabalho, ou melhor no trabalho sabemos o que acontece quando as coisas não fazem sentido, é uma experiência perturbadora, e quando ficamos confusos, suspeitamos que, em algum lugar, existe uma resposta que nos permitirá compreender. A falta de sentido torna-se muitas vezes até assustadora, seja para uma criança ou um adulto.
Quem ouviu a expressão: "A teoria é uma coisa, a prática é outra" - geralmente, com o intuito de dizer que a escola, (leia-se também universidade) e a empresa são seres oriundos de planetas muito distintos. Esta expressão deixa claro atualmente ainda é perceptível o conflito entre escola e o mercado de trabalho.
Acredito que ao longo de 18 anos que é o tempo necessário para o processo de formação educacional do ensino básico somos estimulados a desenvolver com maior ênfase o apenas o ensino cognitivo racional. Quando estive em sala de aula, o que pude perceber é que os alunos instigados ao questionamento e reflexão pareciam um tanto alheios. Porem, após algum tempo de trabalho obtive das turmas um interesse positivo acerca dos assuntos tratados pela filosofia. Muitas vezes fui inspirado pelas novelas de Lipman e pela realidade e verdade contida na pratica. Com isto, a Filosofia levou para suas vidas a arte do questionamento. Que melhor idade para estimular o uso dos porquês senão na tenra idade? Uma das funções da escola é a de estimular o desenvolvimento da criatividade e a imaginação dos alunos. Lembrando que futuramente o mercado de trabalho irá cobrar desses alunos sua capacidade de exploração da criatividade.
O sistema educacional da forma que esta estruturado tornou-se um entrave para os professores. Por maior que seja a capacidade dos professores, estes não conseguem explorar o potencial intelectual dos alunos. Isto foi observado na atitude do professor que utiliza a repressão aos alunos mais ousados, conforme determina a cartilha. Algumas vezes, o aluno que pergunta ou questiona demais torna-se um “divergente” ao sistema. Alguns pais são chamados ao gabinete do diretor para que os pais contenham o comportamento questionador do filho. O sistema esta bastante comprometido pela supervalorização das provas. Não sou contrário ao sistema de avaliação, acredito que sejam relevantes para saber se os alunos entenderam o conteúdo cognitivo, porem além das provas há outras maneiras de avaliar o estudante, tal como participação nas discussões, iniciativa, interesse, atitudes comportamentais positivas, empreendedoras e sustentáveis.
Assistindo outra palestra recentemente, em um evento para matricula no ensino superior, observei a desinformação dos alunos em relação ao mundo do trabalho, e é isto que observo cada vez que os jovens participam de um processo seletivo aberto pelas empresa do grupo econômico a qual presto serviços. Desta experiência, conclui que o mercado de trabalho deveria se aproximar mais das escolas, levando a escola projetos de convivência olhando para o futuro, o cenário do trabalho aponta para uma nova forma de trabalho, trabalhador, um ser humano formado num equilíbrio entre a escola e o mercado que irá acolher os estudantes, culminando no empoderamento, sendo este a conscientização e a participação com relação as dimensões da vida social.

Bibliografia

BARROS FILHO, Clóvis; POMPEU, Júlio. A filosofia explica as grandes questões da humanidade. Rio de Janeiro: Casa da Palavra; São Paulo: Casa do Saber, 2013. 131p.

BERNARDIN, Pascal. Maquiavel Pedagogo: ou o ministério da reforma psicológica. Tradução de Alexandre Muller Ribeiro. 1 ed. Ecclesia e Vide Editorial. Campinas, SP: 2012, 159 p.

CALLEGARO, J. N. Mente criativa: a aventura do cérebro bem nutrido. Petrópolis: Vozes, 2006.

GAZZANIGA, M. S.; HEATHERTON, T. F. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.

GAZZANIGA, M., IVRY, R. B., MANGUN, S. Neurociência cognitiva: a biologia da mente. Porto Alegre: Artmed, 2006.

LIPMAN, Matthew. A Filosofia na Sala de Aula / Matthew Lipman, Ann Margaret Sharp, Frederick S. Oscanyan. São Paulo: Nova Alexandria, 2001