Em recente
apresentação de trabalhos elaborados em grupo por professores do ensino básico,
inclusive eu, embora no momento não esteja em sala de aula propriamente dito, sou
licenciado em Filosofia, e atualmente exerço atividades junto a iniciativa
privada na área administrativa, jurídica e de qualidade total. Por esta razão foi possível perceber dentre as apresentações dos professores que há um conflito de
interesses entre a escola e o mercado de trabalho bem como do processo de
educação. Nos trabalhos foram apresentados e observadas diferentes leituras da
escola bem como do processo de educação, a disciplina do Curso de Pós-graduação,
tendo à frente a competente professora Rita, buscava justamente fazer com que
os professores refletissem “para que serve a escola”.
Refletimos,
eu e minha colega do grupo acerca do tema, levando em conta bibliografias que
procuram explicar a racionalidade da escola frente as expectativas da sociedade.
Assim levantamos e discutimos a questão por alguns dias. Destas reflexões fomos
construindo um filme em nossa mente que em seguida materializou-se, resolvemos dividir
o filme em duas partes, a primeira consistia na apresentação dos objetivos da
escola, exposição de alunos em sala de aula e fora da escola como sua
participação cidadã durante manifestações políticas, na outra etapa foram
apresentadas imagens de trabalhadores em aprendizado nas diferentes atividades
dentro do processo de construção demonstrando
que a escola tem sua continuidade no ambiente de trabalho, que independente da procedência,
faixa etária, cor, sexo, religião, esta escola chamada Mercado de Trabalho e, especificamente na Indústria da Construção Civil (onde a mão de obra humana ainda não pode ser
substituída por maquinas, local onde alguns empreendimentos empregam em um
único empreendimento a mão de obra direta em torno de 300 pessoas), enfrenta
diferentes problemas oriundos da falha na educação básica.
Em sua
maioria, quase que 80% dos trabalhadores sequer conseguiram concluir o ensino
fundamental. Saíram da escola por necessidades de trabalhar e bancar seu
sustento; muitos não sabem corretamente escrever e fazer as quatro operações matemáticas.
Enfim, o mercado de trabalho tende a dar continuidade na formação educacional,
e isto leva tempo até que as pessoas atinjam um patamar de desenvolvimento
adequado para que possam entender o que deveriam aprender na escola, o ensino e
a educação são necessários para obterem respostas da vida. Para aqueles que
ficaram em média 18 anos na escola e começam uma caminhada de 35 anos de
trabalho, deveriam sair dela melhor
preparados e aptos para fazer suas escolhas.
Analisando o
tempo de duração do Ensino Básico no Brasil o qual está dividido em 3 etapas,
que são Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, somadas as 3
etapas totalizam 18 anos. No caso dos meninos estes devem se apresentar para o
serviço militar, onde uma minoria é escolhida para prestar serviço e os demais
que “sobram” devem ingressar no mercado de trabalho, valendo a regra, também
para as meninas, que tem a mesma necessidade de ingressar no disputado mundo do
trabalho.
O que o
mercado de trabalho pode esperar destes meninos e meninas que passaram 18 anos
de suas vidas dentro de escolas? Salvo os meninos e meninas que tiveram um
ensino médio técnico, que conforme seu grau de aproveitamento terão mais
facilidades para serem acolhidos no mercado de trabalho, aos demais, as
oportunidades serão menores e mais competitivas.
Para aqueles
meninos e meninas que não tem nenhum tipo de especialização a vida fica mais
difícil, a economia vem enfrentando um momento muito complicado e as
oportunidades ficaram ainda mais escassas.
Para aqueles
que tem alguma oportunidade de trabalho devem “agarrá-la de unhas e dentes”,
independente de vocação, ou seja, não podem perder a oportunidade, e assim a
grande maioria segue sua vida, pois provavelmente os meninos trabalharão 35
anos e as meninas 30 anos de suas vidas.
No trabalho
que apresentamos buscamos fundamentação em Bourdieu que logo abaixo transcrevo
parte do texto, que alem das imagens, foi também apresentado como fruto de
nossa reflexão.
Em Bourdieu, encontramos fundamentação para corroborar com nosso entendimento de que “os indivíduos ajustam seu gosto ao que
é
objetivamente possível de ser alcançado” é o que Bourdieu chamava de “gosto pelo possível” ou “gosto pelo necessário”, assim a visão atual que é negativa não incentiva os alunos a
tornarem-se professores, a família também colabora no sentido de
desestimular os filhos neste sentido.
Presumimos que os professores
não
escolheram seus cursos e profissões simplesmente porque
gostavam. Acreditamos que as escolhas sejam o resultado de um processo de
construção
social, as oportunidades que surgem na vida de cada um, como por exemplo, a
escolha tenha sido feita por já trabalharem ou ter tido
contato com a área.
Explorando um pouquinho a
questão
de gênero,
fica claro, ainda na contemporaneidade, no caso da professora, que as mulheres
geralmente eram incentivadas por outras mulheres e ainda são a optar pelo curso Magistério para seguir a carreira.
Tentativa de conciliar tempo com profissão mais “adequada” para o gênero feminino. Felizmente,
aos poucos essa barreira vem sendo rompida e as mulheres estão lutando por ocupar espaços profissionais, antes
destinados ao gênero masculino, como é o caso dos advogados,
delegados, juízes,
engenheiros, pedreiros, motoristas e tantos mais.
Ainda estamos atrelados a
cultura do ensino dividido em dois tipos de escola: temos a escola pública, exaurida e sem
oferecer melhores perspectivas do que formar robozinhos e, temos a escola
privada, freqüentada
por indivíduos
economicamente mais favorecidos, propiciando a seus filhos/alunos, uma certeza
de prosseguirem seus estudos na academia e com empregos de chefes dos
robozinhos.
Dentro da ideia que procuro
transmitir, além dos professores nas demais profissões encontramos os mesmos
tipos de escolhas. Muitas vezes fruto daquilo que lhe é possível e sua
necessidade, ou seja, filhos de pedreiros seguem geralmente o mesmo caminho,
pois aprendem a profissão com o pai e assim por diante.
Como exemplo, a profissão de
pedreiro, esta é uma profissão que atualmente dependendo da qualificação técnica
do profissional, este poderá receber um salário muito superior a outros
profissionais do mesmo tipo de indústria com exigência de formação educacional
de no mínimo ensino médio concluído, no caso do pedreiro é exigido o ensino
fundamental, sendo que para isto é necessário que os profissionais tenham
absorvido um mínimo de conteúdo racional cognitivo, pois o sentido do trabalho
na pratica, se encarregara da função.
Para que este profissional
receba mais por suas tarefas, este precisará inicialmente ter uma educação que
proporcione condições de refletir a respeito do que faz. Dentro desta ideia está
contida as expectativas das empresas, que precisam de trabalhadores
conscientes, críticos e com criatividade. No entanto, o Mercado de Trabalho
para atender suas expectativas precisa fazer o que a escola deveria ter feito,
ou seja, ter firmado conhecimentos básicos para que este indivíduo tivesse
condições de obter seu sustento de forma digna, propiciando sua emancipação e
autonomia. No que tange a este tópico, aponto mais um recorte do texto que foi
disponibilizado na Pós-graduação:
Propiciar emancipação e autonomia ao aluno é o resultado de uma escola participativa voltada para
todos os indivíduos, e é a partir deste tipo de
escola que transformaremos o tipo de democracia que atualmente é uma democracia arcaica que não mais atende a complexidade das relações. A educação crítica deve estar voltada para uma democracia
participativa. O conjunto de representatividade e participação é na verdade formas que
associadas poderão dar melhor resposta às demandas sociais frente à nossa realidade.
Conforme ABRAMOVICH, “Por que ficar socando tanta matéria, repetindo estas mesmas informações ad infinitum, exigindo nas provas a devolução (apenas e somente) delas? Por que não parar um instante e raciocinar com João dos Santos quando coloca: “A criança pequena – diz-se – aprende facilmente línguas estrangeiras; não se diz, no entanto, que
as crianças esquecem ainda mais facilmente o que lhes é imposto artificialmente”.
Em alguns
momentos percebi nos colegas professores a falta de entendimento do que
insistentemente venho tentando informar, nesta tentativa de me sentir um
representante do mercado de trabalho fazendo o caminho inverso, indo em direção
à escola para sacudir o processo de educação que está fora da realidade pratica.
A vida nos exige que a pratica esteja presente na teoria, caso contrário não
passará de assuntos de discussões infindáveis de intelectuais que ficarão
armazenados dentre tantas teorias que servem apenas para preencher espaços em
branco de papeis.
Os jovens
que ingressam no mercado de trabalho não desenvolveram o espirito empreendedor,
no sentido de terem coragem de saírem da acomodação de seus lugares em sala de
aula.
Atualmente o
formato da sala de aula ainda é o mesmo de cinquenta anos atrás de quando ingressei
na escola. Na descrição de Barros Filho, os alunos vão chegando
e se acomodando em seus lugares, mas ninguém ocupa a cadeira que fica de frente
para eles, apesar da cadeira ser a mais confortável entre todas. Lembro que alguns
dos estudantes, mesmo com dúvidas, ficavam calados, não interrompiam a fala do
professor. Na verdade não sabiam se podiam fazê-lo. Outros alunos mais ousados
ou até angustiados, levantam a mão com timidez e aguardam a autorização do
professor para perguntar, ficando claro o poder que emana do professor. É claro
que ele é o líder! Assim seguindo este raciocínio de aula em aula, as pessoas
aprendem ao longo da vida o que é ser aluno, conforme Barros Filho de algum modo
as pessoas foram “alunizadas” em suas trajetórias, aprenderam desde o jardim de
infância a sentar-se no lugar apropriado na sala, a calar-se enquanto o
professor fala e a levantar a mão para perguntar algo. Não sou contrário a
ordem e organização, afinal de contas precisamos aprender a ouvir para aprender
a falar. No decorrer de 18 anos de educação as regras foram aprendidas e
incorporadas, e no decorrer do tempo pela repetição, não precisam mais ser
explicadas a ninguém, antes de uma aula. Ainda conforme Barros Filho, ele
afirma que ninguém é submetido a um código ou algo parecido para participar de
uma aula, seria desnecessário, uma vez que o código já está ai, em você. É
isso, esse saber do que é ser aluno que torna o poder do professor possível. A
questão não é saber porque alguém manda, mas saber porque as pessoas acatam e
obedecem, e o fato de uma pessoa estar submetida a vontade de outrem. No
mercado de trabalho se espera que o trabalhador não seja apenas alguém para
apertar parafusos, precisa-se que as pessoas saibam o que estão fazendo e
pensem no que deverão fazer para chegar em algum lugar alem daquele que naquele
momento estão ocupando, a isto chamamos de rotatividade de funções. Espera-se
que o trabalhador esteja pronto para novos desafios e tenham motivação de
maneira que utilizem sua criatividade e estejam dispostas a tomar decisões,
caso contrário, se não estivermos preparados para tomar decisões, nosso futuro
estará seriamente comprometido. A maior parte de nós morreria de fome como o
asno de Buridan, o qual, ao se encontrar perfeitamente equidistante entre duas
pilhas de feno, não pode decidir qual caminho tomar.
Porem,
pensar que quem faz algo somente porque é costume, não faz escolha alguma,
sequer se pensa, seja uma decisão no sentido positivo, deve haver motivo que
nos tire da inércia, porque para transformar é necessário ação. Se os motivos
de um ato não forem tais que se coadunem com os sentimentos e o caráter da
pessoa (quando não estejam em causa afeição e direitos alheios), esse ato torna
os sentimentos e o caráter inertes e entorpecidos, em vez de ativos e
enérgicos.
Conforme
Bernandin Pascal, algumas pessoas pensam que a reforma pedagógica deva
substituir os ensinos clássicos e cognitivos por um ensino “multidimensional e
não cognitivo, que toque em todos os componentes da personalidade: ético,
afetivo, social, cívico, político, estético, psicológico. Tratando-se de
esvaziar os ensinamentos de seus conteúdos (cognitivos) para substitui-los por
um doutrinamento globalista, que vise a modificar os valores, as atitudes e os
comportamentos. Acredito e penso que os ensinos clássicos e cognitivos não
devam ser substituídos, seria o abandono a racionalidade e condenaria o ser
humano a ignorância. Penso num misto de manter o ensino de conteúdo que toque
os componentes da personalidade.
Se
ouve de muitos professores que as condições econômicas privam algumas escolas
de equipamentos e tecnologias, servindo de assim, de desculpa para as
deficiências unicamente educacionais. Muitos perdem o objetivo e a motivação,
deixam de aproveitar oportunidades na diversidade e condições culturais, tal
oportunidade poderia ser uma forma da escola provar sua qualidade.
O
que esperar da reforma? Particularmente não espero muito, nem pouco, da reforma
educacional. Não espero por drásticas mudanças sociais, mas penso que a reforma
seja significativa, de maneira que possa ser mensurada.
Quanto
as expectativas dos pais e crianças? De uma maneira simples e direta, as
crianças geralmente, alegam que as aulas não são relevantes, interessantes ou
significativas; de certo modo, essa é a interpretação. A que, mais rapidamente
se prestam os seu comentários, lidos e relidos nas pesquisas de opinião.
Motivação
é uma palavra muitíssimo utilizada na educação e no mercado de trabalho,
portanto, a motivação é tema
que merece destaque em toda e qualquer reflexão, pois permeia todo o processo
de ensino e aprendizagem, conforme Gazzaniga há dois pontos importantes ser
pensados: Primeiro, que devemos valorizar o esforço e não capacidades inatas e
prévias do indivíduo, e em segundo, a motivação extrínseca; os incentivos que
damos para os alunos, devem estar relacionados àquilo que se está querendo
premiar. Não devemos dar uma bicicleta ao filho por este ter passado de ano, o
passar de ano é o prêmio em si, a motivação intrínseca deverá ser o próprio
prêmio.
É importante refletir um pouco mais a respeito do
que seja a motivação, que pode ser conceituada como um conjunto de fatores que
energizam, dirigem ou sustentam comportamentos (GAZZANIGA E HEATERTHON, 2005).
Existe um conjunto de comportamento controlado pelo hipotálamo que chamamos de
comportamentos motivados, ou seja, que necessitam de um motivo para acontecer:
fome para comer, sede para beber, abstinência para sexo, sono para dormir e
assim por diante. Neste sentido, a motivação está diretamente relacionada com
homeostasia que representa a tendência de as funções corporais manterem o
equilíbrio.
Conforme
GAZZANIGA e HEATERTHON, o importante para o educador é compreender a diferença entre motivação extrínseca, que são objetos externos para os quais a
atividade está sendo desenvolvida, como uma recompensa (se passar de ano
ganhará uma bicicleta, se for bem à prova ganhará horas no vídeo game) e a motivação intrínseca, que se refere ao valor ou os prazeres
relacionados imediatamente com a atividade, sem objetivo ou propósito biológico
aparente (o aluno estuda porque isso estimula seu cérebro, lê literatura porque
gosta de viver as estórias). Os comportamentos intrinsecamente motivados
ocorrem por si mesmos. Sempre que fornecemos incentivos (motivação extrínseca)
que não estejam relacionados também eles com a atividade em si, isso enfraquece
a motivação intrínseca (uma bicicleta por passar de ano enfraquece o fato de
que passar de ano é um grande prêmio em si). Outro fator importante relacionado
à motivação, é que não devemos elogiar uma habilidade, já anteriormente conquistada
ou inata, devemos elogiar o esforço desempenhado na tarefa em si; elogios pela
inteligência acima da média de um aluno pode fazê-lo pensar que não precisa
estudar ou se esforçar. E assim, criar uma maneira enganosa de interpretar os
resultados, o que ocasiona problemas de estima posteriores, quando as tarefas
se tornam mais complexas e o esforço se faz necessário; fenômeno muito comum na
7ª série, ou 8º ano do Ensino Fundamental, quando os conteúdos, nas áreas das
ciências se torna mais complexo e se misturam a miríade de transformações já
discutidas, próprias da adolescência.
Um
plano educacional precisa necessariamente ter significado para ter motivação e
isto será o resultado de experiências escolares e extra-escolares significativas,
atendendo estas premissas acredito em termos atingido um dos critérios
importantes para a avaliação de um bom projeto educacional. Acredito que os
significados nascem da percepção das relações entres as partes e todo, assim
como das relações entre os meios e os fins.
Conforme
Lipman apresentar algo, parte por parte, apenas com a promessa de eventualmente
fornecer o todo que dará a cada parte o seu sentido, é construir um sistema
educacional baseado num modelo de quebra-cabeças que pode ser ótimo, mas somente para
quem gosta de quebra-cabeças.
As
relações entre as partes e o todo – determinada jogada para uma partida, ou uma
palavra numa frase, ou ainda um episódio numa novela – são relações carregadas
de sentido. Sempre que o sentido é captado concomitantemente a percepção da
relação, esse sentido é chamado de “intrínseco” (o que não tem com texto não
tem significado). A significação extrínseca ocorre quando os meios se
relacionam com o fim de um modo externo ou instrumental. É nesse sentido que um
galão de gasolina encontrado no local do incêndio é significativo, ou a relação
estabelecida entre o trabalho e o salário (um ocorre por causa do outro, mas
não são partes significativas do outro).
Ainda
na apresentação do trabalho de Pós-graduação em Sociologia, trouxe a baila a
questão da utilização do livro didático. Um livro exclusivamente didático teria
significado apenas extrínseco. Em relação a sua utilização, devemos perguntar
se: 1) realmente atinge os objetivos que pretende; e 2) tem consequências
imprevistas ou contraprodutivas.
Conforme
Lipman, é preciso especificar o contexto. No caso de estudantes altamente motivados,
a abordagem de um livro didático pode ser útil, acarretando, desta forma,
inconvenientes relativamente pequenos. Mas no caso de estudantes pouco
motivados, a utilização desses instrumentos pode ser vista com apatia, ou com
total repulsa. A mera utilidade tem um baixo grau de significação intrínseca: é
inadmissível esperar que uma criança pouco motivada goste do conhecimento
apenas para seu próprio bem. Quando esse conhecimento é apresentado como um
remédio de gosto ruim – como algo que, algum dia, possa ser útil. Porém não nascemos com consciência para o
futuro: os adultos constroem essa consciência baseadas nas experiências e
verificações passadas. As crianças contam com um passado muito curto; elas
apenas sabem que o presente faz, ou não, sentido em si mesmo. É por isso que
gostariam de contar com meios educacionais repletos de significados: historias,
jogos, discussões, relações pessoais confiáveis, e assim por diante. Porque
toda a experiência escolar da criança não pode ser uma aventura? Precisa estar
repleta de surpresas, de perspectivas excitantes. A rotina é inerentemente
desprovida de significado, ainda que nos envolvamos nela por seu valores
extrínsecos. A aventura é satisfatória em si por si mesma: com frequência revivemos
na memória as aventuras passadas que de modo como os sonhos contém o
significado secreto de nossas vida.
As
reivindicações infantis podem ser vistas como uma exigência de significado, e
as dos pais como uma exigência de racionalidade. A educação deve estar
impregnada de significação e racionalidade, leia-se e entenda-se que o conteúdo
cognitivo deve estar envolvido com os componentes da personalidade.
Em
determinado momento da apresentação do trabalho trouxe a imagem de um grupo de
53 trabalhadores assistindo um treinamento de salvamento, onde com a
colaboração de um trabalhador deitado sobre uma maca vinha descendo preso por
amarras e cintos com ajuda de outro trabalhador preparado para este tipo de
atividade. O que aprendemos, é que a “novela” representada pelos próprios
trabalhadores estava repleta de significados de maneira que aprenderão e nunca
mais esquecerão. O que tentamos transmitir a partir das cenas, foi que a escola
também deve ser interessante e relacionada com a realidade.
Assim
como na escola, no mercado de trabalho, ou melhor no trabalho sabemos o que
acontece quando as coisas não fazem sentido, é uma experiência perturbadora, e
quando ficamos confusos, suspeitamos que, em algum lugar, existe uma resposta
que nos permitirá compreender. A falta de sentido torna-se muitas vezes até
assustadora, seja para uma criança ou um adulto.
Quem ouviu a
expressão: "A teoria é uma coisa, a prática é outra" - geralmente,
com o intuito de dizer que a escola, (leia-se também universidade) e a empresa
são seres oriundos de planetas muito distintos. Esta expressão deixa claro
atualmente ainda é perceptível o conflito entre escola e o mercado de trabalho.
Acredito que
ao longo de 18 anos que é o tempo necessário para o processo de formação
educacional do ensino básico somos estimulados a desenvolver com maior ênfase o
apenas o ensino cognitivo racional. Quando estive em sala de aula, o que pude
perceber é que os alunos instigados ao questionamento e reflexão pareciam um
tanto alheios. Porem, após algum tempo de trabalho obtive das turmas um
interesse positivo acerca dos assuntos tratados pela filosofia. Muitas vezes
fui inspirado pelas novelas de Lipman e pela realidade e verdade contida na
pratica. Com isto, a Filosofia levou para suas vidas a arte do questionamento. Que
melhor idade para estimular o uso dos porquês senão na tenra idade? Uma das funções
da escola é a de estimular o desenvolvimento da criatividade e a imaginação dos
alunos. Lembrando que futuramente o mercado de trabalho irá cobrar desses
alunos sua capacidade de exploração da criatividade.
O sistema
educacional da forma que esta estruturado tornou-se um entrave para os
professores. Por maior que seja a capacidade dos professores, estes não
conseguem explorar o potencial intelectual dos alunos. Isto foi observado na
atitude do professor que utiliza a repressão aos alunos mais ousados, conforme
determina a cartilha. Algumas vezes, o aluno que pergunta ou questiona demais
torna-se um “divergente” ao sistema. Alguns pais são chamados ao gabinete do
diretor para que os pais contenham o comportamento questionador do filho. O
sistema esta bastante comprometido pela supervalorização das provas. Não sou contrário
ao sistema de avaliação, acredito que sejam relevantes para saber se os alunos
entenderam o conteúdo cognitivo, porem além das provas há outras maneiras de
avaliar o estudante, tal como participação nas discussões, iniciativa,
interesse, atitudes comportamentais positivas, empreendedoras e sustentáveis.
Assistindo
outra palestra recentemente, em um evento para matricula no ensino superior,
observei a desinformação dos alunos em relação ao mundo do trabalho, e é isto
que observo cada vez que os jovens participam de um processo seletivo aberto
pelas empresa do grupo econômico a qual presto serviços. Desta experiência,
conclui que o mercado de trabalho deveria se aproximar mais das escolas,
levando a escola projetos de convivência olhando para o futuro, o cenário do
trabalho aponta para uma nova forma de trabalho, trabalhador, um ser humano
formado num equilíbrio entre a escola e o mercado que irá acolher os estudantes,
culminando no empoderamento, sendo
este a conscientização e a participação com relação as dimensões da vida
social.
Bibliografia
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Ecclesia e Vide Editorial. Campinas, SP: 2012, 159 p.
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LIPMAN, Matthew. A Filosofia na Sala de Aula / Matthew Lipman, Ann Margaret Sharp,
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