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segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Palácios da Memória



      Quando falo de memória, vem de rompante registros fixados por minha amada filosofia, formatos escritos por nossos grandes pensadores e referenciais, dentre eles penso e lembro que, na concepção agostiniana do tempo como distensio animi ou duração de consciência, vê na memória a conservação integral do espirito por parte de si próprio; ou em Leibiniz, que concebia a memória como conservação integral em forma de virtualidade ou de “pequenas percepções” das ideias que não tem mais forma de pensamentos ou de “apercepções”; ou por Hobbes, por exemplo definiu a memória como a “sensação de já ter sentido”; ou por Hegel que interpretou a memória como inteligência ou pensamento (sempre em seu aspecto de recordação), vendo nela “o modo extrínseco, o momento unilateral da existência do pensamento”; ou por Nietzsche: “Fiz isto – diz-me a memória. Não posso ter feito – sustenta meu orgulho, que é inexorável, finalmente, quem cede é a memória”.

      Sei que, quando brindo meus filhos com beijos, essas cenas não ficar para sempre em nossas memorias, porem sei que não irão desaparecer sem deixar vestígios, irão permanecer pelo “menos no atacado” como sentimentos e laços emocionais agradáveis. Momentos podem ser esquecidos para sempre, ou vislumbrados através de uma lente embaçada ou distorcida, mas mesmo assim, algo deles sobrevive dentro de nós, permeando nosso inconsciente.

      Sei que, porque, lembro de já ter escrito algo sobre o Palácio da Memória descrito brilhantemente, por meu caro mestre Professor José Luiz Novaes, soube transmitir com eloquência e competência, registrando com a emoção em meu Palácio da Memória, parte da obra escrita por Santo Agostinho, tal prazer (que é uma das mais almejadas emoções, como bom epicurista, sem deixar de ser estoico) me faz trazer à baila novamente, como um dejá vu, eis seu pensamento:

Quando lá entro, mando comparecer diante de mim todas as imagens que quero. Umas apresentam-se imediatamente, outras fazem-me esperar por mais tempo, até serem extraídas, por assim dizer, de certos receptáculos ainda mais recônditos. Outras inrrompem aos turbilhões e, enquanto se pede e se procura uma outra, saltam para o meio como que a dizerem: «Não seremos nós?». Eu, então, com a mão do espírito, afasto-as do rosto da memória, até que se desanuvie o que quero e do seu esconderijo a imagem apareça à vista. Outras imagens ocorrem-me com facilidade em série ordenada, à medida que as chamo. Então as precedentes cedem lugar às seguintes e, ao cedê-lo, escondem-se para de novo avançarem. É o que acontece quando digo alguma coisa decorada.
(...)

Tudo isto realizo no imenso palácio da memória. Aí estão presentes o céu, a terra e o mar com todos os pormenores que neles pude perceber pelos sentidos, excepto os que já esqueci. É lá que me encontro a mim mesmo, se recordo as acções que fiz, o seu tempo, lugar e até sentimentos que me dominavam ao praticá-las. É lá que estão também todos os conhecimentos que recordo, aprendidos ou pela experiência própria ou pela crença no testemunho de alguém." Confissões Santo Agostinho

      Quando registramos momentos de nossas vidas, através da lente da máquina fotográfica, de certa forma registramos emoções, para alguém sim, para outros não, que para os últimos seriam apenas curiosidades, no entanto, os registros experimentados e registrados em nosso Palácio da Memória estão lá arquivados, o resgate destas memórias, são acionados por emoções, sem emoção não acessamos o departamento do inconsciente, muito bem instalado no Palácio da Memória.
As fotografias funcionam como uma provocação emocional, uma vez provocada, a emoção aflora e abre a porta do Palácio da Memória, como dito por Santo Agostinho:
(...)
Do mesmo modo, conforme me agrada, recordo as restantes percepções que foram reunidas e acumuladas pelos outros sentidos. Assim, sem cheirar nada, distingo o perfume dos lírios do das violetas, ou então, sem provar nem apalpar, apenas pela lembrança, prefiro o mel ao arrobe e o macio ao áspero.

      Reuni algumas fotografias como uma provocação emocional, são antigas fotografias, que para alguém poderá resgatar alguma emoção no seu exclusivo Palácio da Memória, feito isto, já por si só, validou meu objetivo nesta postagem.

 Igreja Nossa Senhora das Dores em Porto Alegre

 Mercado Publico de Porto Alegre
Prefeitura de Porto Alegre
Viaduto da Borges de Medeiros em Porto Alegre




 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Sete Saberes


RESENHA do TEXTO “OS SETE SABERES NECESSÁRIOS À EDUCAÇÃO DO FUTURO” DE EDGAR MORIN
 

A presente resenha foi por mim elaborada e apresentada para atender tarefa solicitada pela professora Camila Dalcin junto a disciplina de A transversalidade dos temas filosóficos na Educação Básica I (Modulo 5) relativo ao curso de Pos Graduação em Filosofia na UFPEL - Universidade Federal de Pelotas.


            Propõe-se apresentar, neste trabalho resenha crítica do texto escrito por Edgar Morin, intitulado: “Os sete saberes necessários à educação do futuro”. Inicialmente cabe breve apresentação de Morin. Edgar Morin é um sociólogo e filósofo francês, pesquisador emérito do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique). Formou-se em Direito, História e Geografia, realizou estudos em Filosofia, Sociologia, Epistemologia e Educação. Autor de mais de trinta livros, entre eles o tema da presente resenha.
O livro intitulado Os Sete Saberes necessários à Educação do Futuro foi o resultado de uma solicitação da UNESCO, em 1999, a Edgar Morin com o propósito de que ele aprofundasse a visão transdisciplinar da educação, que expusesse suas ideias sobre a educação do amanhã.  Com esse fim, o autor após profunda reflexão expõe os seus sete saberes imprescindíveis a uma educação integral e de qualidade como desejava a UNESCO.
Partindo da ideia de que a educação do futuro deve se aproximar mais das questões humanas, englobando cada vez mais aspectos do quotidiano e tomando o ser humano como referencial para o ensino, Morin nos apresenta caminhos que se abrem a todos os que pensam e fazem educação, e que estão preocupados com o futuro das crianças e adolescentes.
No texto, Morin lista sete aspectos que denomina de “saberes” para a educação. Tais aspectos ou saberes são ideias que proporcionariam uma priorização na humanização da educação e tirariam os atuais processos educativos do estado de inércia, fazendo com que esses evoluíssem de forma compassada com as atuais e novas realidades sociais a nós apresentadas.

Os “sete saberes” descritos por Morin são os seguintes:

O primeiro saber: “As cegueiras do conhecimento” – O erro e a ilusão, convida o educando e educador a compreender a essência e a origem dos processos de conhecimento. Inicialmente Morin trabalha a ideia de erro, a ideia de que todo conhecimento comporta o risco do erro e também da ilusão, porque a ciência sempre buscou afastar o erro de sua concepção, sendo assim tudo aquilo que era considerado como erro deveria ser retirado da criação do conhecimento. Conforme Morin, "O dever principal da educação é preparar cada um para enfrentar os não saberes com lucidez", ou seja, a necessidade de integrar os erros nas concepções para que o conhecimento possa avançar.
O outro fator abordado neste saber seria a ilusão, ou como somos iludidos sobre o mundo e sobre nossa realidade, que o acaba sendo permeado por nossas percepções, acaba traduzindo o conhecimento de acordo como nós entendemos. Ao buscar e considerar os erros e as ilusões deste conhecimento constantes nas concepções, conseguiríamos compreender e avançar para um conhecimento verdadeiro;
Conforme Morin, “A educação do futuro deve enfrentar o problema de dupla face do erro e da ilusão. O maior erro seria subestimar o problema do erro: a maior ilusão seria subestimar o problema da ilusão”;

O segundo saber: “Os princípios do conhecimento pertinente” focam na necessidade de inserir os conhecimentos assimilados em questões dos micros e macro-ambientes, estabelecendo as mútuas relações entre as partes, buscando trabalhar a ideia de conhecimento pertinente, o qual entre em contraposição com a ideia que para aprendemos temos que fragmentar, ou seja quando mais nos fragmentamos as disciplinas mais o conhecimento consegue avançar, ou seja, Morin defende a ideia que não é preciso acabar com a ideia da disciplina, mas rearticular a ideia de disciplina em outros contextos. A ideia central deste saber remonta a necessidade de que o todo é mais que a soma das partes temos que "pensar as relações entre o todo e as partes", onde a educação do futuro busca estimular a inteligência geral e o conhecimento do todo, portanto o conhecimento pertinente é uma ideia contra a fragmentação e o isolamento disciplinar.

O terceiro saber: “Ensinar a condição humana” tem a ideia de retornar à educação ao seu principal foco que é o ser humano, fazendo com que as diversas disciplinas convirjam nesse único objetivo. É necessário aprender que o ser humano possui multidimensionalidades, além de seres culturais que somos, também somos naturais, psíquicos, físicos, míticos e imaginários, toda esta unidade complexa é desintegrada na educação por meio de disciplinas, tornando-se difícil aprender o que realmente significa ser humano. Para situar o ser humano no universo é preciso então, conhecê-lo com e em sua complexidade, se quisermos avançar para um ensino que não seja “apenas fragmentado e não conectado”.

O quarto saber: “Ensinar a identidade terrena” é preciso determinar a necessidade da promoção do estudo da história da humanidade, identificando seus principais aspectos “evolutivos” e a “identidade planetária” constituída a partir de então, bem como os problemas em comum de todas as nações originários destes aspectos, tal como a ideia da sustentabilidade, precisamos ver que nosso pequeno planeta precisa ser sustentado, afinal a Terra é a nossa pátria e daqui não temos para onde sair. As próximas gerações dependerão de nossas atitudes, a educação deve abraçar o conceito de sustentabilidade de maneira que entendam a ideia desta condição ser primordial para sobrevivência de todo ser vivo na Terra.

O quinto saber: “Enfrentar as incertezas” tem o intuito de advertir que os empregos da ciência nos processos educativos apenas nos fizeram entrar em contato com certezas geradas por ela, mas ignoraram as várias incertezas que também foram descobertas nesses mesmos casos, culminou por excluir a possibilidade de um preparo para o enfrentamento de imprevistos. É cabível o ensinamento do princípio da incerteza no qual o conhecimento cientifico nunca é o produtor absoluto de certezas, ao contrário, tudo aquilo que foi criado pelo homem foi a partir da ideia de incerteza. A incerteza pode comandar o avanço preparando educador e educando para enfrentar as situações imprevistas.

O sexto saber: “Ensinar a compreensão” recomenda e propõe a compreensão mútua entre os seres humanos, afim de gerar bases mais seguras de educação para a paz, promovendo, para isso, reformas das mentalidades. A reforma das mentalidades é no sentido de que a compreensão deva ser o meio e o fim da comunicação humana, e a comunicação voltada para compreensão, num ciclo onde as disciplinas que brigam entre si, departamentos que não se entendem com os outros, áreas de conhecimento que não se falam com outras, finalmente consigam se comunicar, portanto a comunicação humana é imprescindível e entenda não apenas o micro, mas entenda o macro ambientes de educação. É preciso entender e trabalhar a nova mentalidade de que é necessário introduzir o ensino da compreensão nas unidades de ensino em qualquer nível que elas exerçam, inclusive e principalmente a ideia da compreensão pode e de ser estendido ao nosso planeta que precisa de mais compreensão, onde infelizmente o que prejudica o avanço é a atual incompreensão politicas, ideológicas e econômicas.

E finalmente, o sétimo saber: “A ética do gênero humano” tem a intenção de conduzir a educação através do caminho da “antropoética”, que é a ética do gênero humano (ética pode ser resumida em: não desejar para os outros, aquilo que não desejo para mim, ideia presente no imperativo categórico kantiano), sendo ensinada e reintroduzida nas escolas, fazendo com que a ética seja formada nas mentes, não através e apenas de lições de moral, mas com base na pedra fundamental instalada na consciência de que o ser humano é indivíduo (micro) e, ao mesmo tempo, parte da sociedade e a espécie (macro). A religação do indivíduo, sociedade e espécie, dependem da construção de uma antropoética.

Morin apresentou suas ideias como inspirações que motivariam o educador a repensar seu posicionamento na docência, com sua relação com os outros discentes, frente a grade curricular, na relação da disciplina em si e na sua relação com o processo avaliativo, no entanto Morin não resolveu o problema do “como” aplicar os sete saberes na esperada reforma da educação, na qual ainda se está a discutir e tentando decidir junto as instituições de ensino soluções para o problema. Em princípio estamos cientes que os sete saberes poderão contribuir para união das disciplinas fragmentadas, o que foi proposto por Morin seria uma redefinição dos currículos que integram os saberes e assim propiciem a formação e as ações de um novo educador, inclusive estimulando o diálogo entre “diferentes”, reconhecendo que poderá haver relações de tensão entre os opostos (singular e universal, local e global, sujeito e objeto).
Entretanto, vejo a implementação de tais saberes com dúvida e relativa descrença, pois isto deveria promover uma verdadeira mudança na consciência e comportamento social das pessoas e não apenas dos processos educativos, o que sabemos seja difícil, pois vivemos numa sociedade individualista, consumista e pouco solidária, onde valores éticos estão como que amortecidos.
A sociedade tem se importado mais com os casos de corrupção do que com a educação (veja-se que STF trabalha quase todo o tempo para discutir casos de corrupção, onde as decisões do STF são vistas com profundo ceticismo), os noticiários do mundo relatam fatos da falta de ética, falta de compreensão, dificuldades de comunicação. Nas escolas encontramos o desmantelamento do ensino com baixos índices de aprendizagem, currículo confuso, desestímulo dos docentes em prosseguir na carreira de docentes, a quebra da autoridade da escola e consequentemente dos docentes que seria o mínimo necessário para contribuir numa melhor educação, isto tudo está afetando os processos educativos que ora estão bastante aquém da contemplação dessas necessidades.
Entendo que a difusão dos “sete saberes” de Morin deve tornar-se um referencial para cada educador em suas ações, que a sociedade (macro) ampare e assimile urgentemente a proposta de Morin, e que por atitudes possam chegar no educando (micro). Estamos cientes que será desencadeado um processo lento de mudança de mentalidade, até que esses “saberes” realmente exerçam alguma influência na forma de educar e, consequentemente, nas bases da sociedade nacional e mundial.

Bibliografia:
Morin, Edgar, 1921- Os sete saberes necessários à educação do futuro / Edgar Morin ; tradução de
Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya ; revisão técnica de Edgard de Assis Carvalho. – 2. ed. – São Paulo : Cortez ; Brasília, DF : UNESCO, 2000.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Pontos de Vista X Verdade (Nietzsche e o Perspectivismo)


Nietzsche e o Perspectivismo




Friedrich Nietzsche - Friedrich Nietzsche é um dos principais filósofos da contemporaneidade. Sua vasta obra inaugurou temas na filosofia que colocam em questão assuntos tidos como “intocáveis”.



Uma das ideias desenvolvidas por Nietzsche é a de perspectivismo, onde a forma como vemos a verdade depende da nossa perspectiva. Segundo o filósofo, na medida em que a palavra "conhecimento" tem algum significado, o mundo é cognoscível, mas interpretável. Caso contrário, ele não tem nenhum significado exato, mas inúmeros significados – O “perspectivismo".




São nossas necessidades que interpretam o mundo; nossas unidades e seus pontos favoráveis e contrários. Cada unidade é uma espécie de desejo de dominar. Cada um tem a sua perspectiva e gostaria de obrigar todas as outras unidades a aceitá-la como uma norma.




Alguns comentaristas dizem que Nietzsche acreditava em algo chamado de verdade, mas que não existia uma perspectiva correta da verdade. Enquanto outros argumentam que Nietzsche considerava a própria noção de verdade como falsa, e que a verdade é apenas o ponto de vista das pessoas que têm o poder de fazer valer os seus pontos de vista.




O Eterno Retorno é uma das mais famosas ideias de Nietzsche, segundo a qual haveria um sem fim, a repetição idêntica de tudo no universo para um número infinito de vezes. É duvidoso que Nietzsche acreditava que a ideia do eterno retorno vinha a ser uma verdade cosmológica, mas nas obras que publicou, ele trata como um meio de vida-afirmação”. Em outras palavras, devemos buscar viver conscientes de que cada momento será repetido infinitamente, e devemos sentir apenas suprema alegria com a perspectiva. De acordo com Nietzsche, seria necessário um sincero amor Fati (Love of Fate), não para simplesmente suportar, mas para desejar o eterno retorno de todos os eventos exatamente como eles ocorreram - toda a dor e alegria, a vergonha e glória. Nietzsche adjetiva a idéia como "terrível e paralisante", e também caracteriza o peso desta idéia como o "peso pesado" que se possa imaginar (das schwerste Gewicht); o desejo de eterno retorno de todos os eventos que marcam a afirmação definitiva da vida.


Desafio: Mova um palito e forme um quadrado





Já sabe como fazer isso?



Este é um teste de raciocínio lógico!
São quatro palitos de fósforo.
Mova apenas 1 para que se forme um quadrado.

Pense com calma e atenção.

Já encontrou a solução?

Após ver a resposta vai achar que não era assim tão difícil.

É mais uma questão de ter um ponto de vista diferente.

Conforme Nietzsche a verdade é apenas o ponto de vista das pessoas que têm o poder de fazer valer os seus pontos de vista, você concorda?

Algumas de suas frases:



"Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas."
"O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte."



Vamos para a solução?



Mova um único palito de forma que internamente se forme um quadradinho.


Veja:




Então, diante da solução apresentada pela lógica dos palitos, poderíamos pensar e olhar por outro ponto de vista, quem sabe nos faça mudar de ideia sobre coisas e pessoas.

 

Fontes:

https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biografias/friedrich-nietzsche.htm