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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Encontro de Sí


Tem dias em que a gente se encontra… como quem tropeça numa esquina qualquer. Não tem anúncio, não tem trilha sonora — só um instante meio estranho em que algo em nós diz: “peraí… esse sou eu?”

O curioso é que esse encontro raramente acontece quando estamos procurando. A gente passa anos tentando “se encontrar” como se fosse um objeto perdido — uma chave esquecida no bolso errado, uma estante onde a identidade estaria organizada por categorias: trabalho, gostos, relações. Mas não é assim. Não existe essa prateleira limpa esperando por nós.

O encontro de si é mais parecido com reconhecer um rosto no meio da multidão. E esse rosto, às vezes, está cansado, às vezes está meio desalinhado com o que a gente imaginava ser. Aí vem um pequeno choque: eu não sou exatamente aquilo que planejei… mas também não sou estranho a mim.

Lembro de Friedrich Nietzsche, que dizia algo como “torna-te quem tu és”. Parece simples, mas é quase um enigma. Como se tornar algo que já se é? Talvez porque a gente passe boa parte da vida sendo versões emprestadas — o que esperam da gente, o que funciona socialmente, o que evita conflito. E no meio disso, o “si” fica abafado, mas não desaparece.

Esse encontro costuma acontecer em momentos banais. Num café sozinho, quando o barulho ao redor vira fundo. Numa decisão pequena — dizer “não” onde sempre foi “sim”. Ou até naquele silêncio depois de um dia cheio, quando não sobra mais energia pra sustentar personagens.

E aí você percebe: não é que você se encontrou de uma vez por todas. Você só se reconheceu… por um instante.

Talvez seja isso — o encontro de si não é um destino, é uma série de reconhecimentos ao longo do tempo. Pequenas confirmações de que, apesar de tudo, existe uma linha invisível que te atravessa e te mantém sendo você, mesmo mudando.

No fim, não é uma estante organizada.

É mais como um espelho meio embaçado, que de vez em quando limpa sozinho — e você se vê.Parte superior do formulário