
Thorstein Veblen (1857 - 1929)
Economista e Sociólogo Estadunidense
A sociologia
norte-americana, desenvolveu-se de modo diferente que na França e na Alemanha,
o pensamento social desenvolveu-se concomitantemente. O pensamento social
estadunidense ocorreu em momento histórico propicio a partir da idéia de vários
pensadores como Mertom, Parsons, Willian Thomas, Veblen, Mills, Willian Graham
Sumner, Lester Frank Ward, Franklin Henry Giddings, Charles Horton Cooley, Edward
Allworth Ross, Albion Woodbury Small, Robert Park entre outros, com suas
correntes caracterizadas pelo empirismo positivista, tratava-se de um movimento reformista
conservador preocupado com os problemas dos “desajustes e desigualdades
sociais”, postura antimarxista, e da adoção de uma ética positivista que
separava os julgamentos de fato e os julgamentos de valor, o pensamento da
sociologia estadunidense se firmou como uma ciência prática conservadora, voltada
para a ação e para as reformas sociais e como uma ciência sistemática voltada
para a explicação da realidade social global através de categorias gerais.
A titulo de informação o
primeiro estadunidense a organizar um material sociológico foi Robert Hamilton
Bishop (1777-1855) ao dar, de 1834 a 1836, um curso na Universidade de Miami
chamado “A Filosofia das Relações Sociais”.
O primeiro fundador foi
William Graham Sumner (1840-1910) que foi influenciado pelas idéias de Herbert
Spencer e que desenvolveu importante trabalho na Universidade de Yale,
combinando o evolucionismo de Darwin, o “laissez-faire” e o pessimismo
malthusiano com o ardor puritano, já que foi educado originalmente para o
sacerdócio.
Os sociólogos americanos Mertom e Parsons foram os responsáveis pelo
desenvolvimento do funcionalismo moderno e pela contribuição que deram ao
pensamento sociológico contemporâneo.
Parsons (1902-1979) foi
um dos mais destacados representantes da teoria denominada
Estrutural-Funcionalismo, em consequência da sua reformulação do conceito de
sistema social, que se tornou o centro das interpretações fundamentalista,
sendo considerado um dos maiores sociólogos dos Estados Unidos, criando um
sistema teórico chamado de “Funcionalismo Estrutural”, construiu suas idéias num
mundo social marcado pelo empirismo, pela dispersão e pela superficialidade.
Willian Thomas, sua idéia foi acerca do impacto da urbanização sobre
os homens, análise da mudança das formas tradicionais de controle social.
Decidi discorrer mais sobre Veblen e Mills, por seu magistral e
original pensamentos, que ainda hoje exercem grande influencia na interpretação
econômica e social, sem perder de vista os elementos históricos e
intelectuais que caracterizam o desenvolvimento da Sociologia americana.
Veblen é considerado o fundador da escola institucionalista
de economia, e um dos maiores críticos da economia liberal. A economia
institucionalista (em razão da grande ênfase que o autor de A Teoria da Classe
Ociosa coloca sobre o que ele chamou de instituições) nasceu na virada do
século XIX para o século XX, com a idéia de oferecer uma teoria alternativa às
escolas de economia que a precederam, nomeadamente as baseadas nas doutrinas clássicas.
O que pode ser destacado como âmago da abordagem institucionalista de Veblen é
a proposição de uma abordagem evolucionária da economia, fruto da influência
direta do trabalho de Charles Darwin, propondo um sistema de ciência econômica
que teria por mote uma análise não-teleológica, o que ele considerava o
principal problema da ciência econômica como praticada no seu tempo. Para tal
ele buscou conceitos tanto na biologia evolutiva de Darwin, como na psicologia
dos instintos de William James, esta última uma teoria muito em voga no final
do século XIX.
Na economia vebleniana, instituições são hábitos, rotinas de
conduta bastante arraigadas num determinado momento histórico. Assim, por
exemplo, a existência de uma classe de indivíduos que se abstêm do trabalho
produtivo, a "classe ociosa", é uma instituição. Outros exemplos de
instituições são a propriedade absenteísta, ou seja, o hábito, bastante
presente na economia capitalista, de o dono do negócio não ser exatamente quem
cuida pessoalmente dele; a financeirização da riqueza, isto é, a
representação do equipamento produtivo da sociedade através de
"papéis"; e a emulação, que talvez seja o mais importante no
livro A Teoria da Classe Ociosa, que diz respeito ao hábito dos
indivíduos de se compararem uns com os outros invejosamente, ou melhor, o
desejo das pessoas de serem reconhecidas como melhores que os outros
indivíduos, há necessidade do reconhecimento e aceitação pelo outro, assim o
ter representa poder, respeito e reconhecimento.
Veblen partiu das posições
neoclássicas mais centrais e da atmosfera acadêmica e empresarial, na qual elas
eram aceitas, para tecer suas argumentações na contramão de tudo isso, a
economia somente encontraria um novo padrão científico com a compreensão das
instituições sociais, daí a insistência nas alianças com a história, a
sociologia, a antropologia e demais saberes que pudessem reforçar a
interpretação institucional – a “fé nas vantagens da abordagem
interdisciplinar”, diante de tal abordagem entendo que este de fato foi um dos
maiores sociólogos estadunidense, há encadeamento entre as varias ciências,
numa cumplicidade e complementaridade que procuram respostas e justificativas
plausíveis e sistemáticas.
“A instituição de uma classe do
ócio é encontrada em seu melhor desenvolvimento nos estágios mais elevados da
cultura bárbara”. Tal conjectura estava baseada nas atividades econômicas
exibidas pela sociedade estadunidense opulenta da época. Os ricos estavam
convencidos que eram diferentes dos demais. As riquezas que ostentavam, não
eram simplesmente um “acidente da existência, e sim um reflexo de sua
superioridade biológica”. A classe a qual pertenciam estavam livres de
atividades servis. “Enquanto outras formas de vida inferiores trabalhavam, eles
viviam sem esforço, nada fazendo”. Nesse caso, o ócio era sua definição
qualitativa, que deveria ser exposto como forma de poder e superioridade. Não
apenas como um fator de diferenciação, senão que esta qualidade devia ser
demonstrada através “da viva e infatigável capacidade de pagar”.
Veblen explicava este
comportamento na análise dos setores mais privilegiados da sociedade: “Todo
sentido de gastar dinheiro estava em impressionar os outros” – e acrescentava –
“ Despertar a inveja dos vizinhos só aumenta a sensação de importância que se
tinha”, assim para haver realização deveria haver reconhecimento pelo outro. A
classe ociosa não gastava dinheiro de forma ostentatória em coisas úteis – isso
era para os que precisavam de dinheiro, não para os que estavam acima dele. O
estudo da relação íntima entre um modelo econômico e o comportamento social dos
seus executores, possibilita enquadrar as manifestações ideológicas destes na
manutenção e perpetuação do sistema.
Mills ("A imaginação sociológica"): Na década
de 60, Mills, sociólogo da tradição crítica norte-americana, desenvolveu o
conceito de "imaginação sociológica", que ajudou muitos de seus
alunos na época a engajarem-se nos mais diversos movimentos sociais que
emergiram naquele contexto agitado, além de questionarem as razões para uma
Guerra com o Vietnã, por muito questionado e uma das vergonhas estadunidenses. Mills (1969) descreve o pensamento sociológico
como uma prática criativa, que define como “imaginação sociológica”. Essa
prática criativa seria a tomada de consciência sobre a relação entre o
indivíduo e a sociedade mais ampla. Trata-se da capacidade de conectar
situações da realidade, como os interesses em disputa, percebendo que a
sociedade não se apresenta de determinada forma por acaso.
Essa
conscientização derivada do conhecimento sociológico permite que todos (não
apenas os sociólogos por formação) compreendam as ligações existentes entre o
ambiente social pessoal imediato e o mundo social impessoal que circunda e que
colabora para moldar as pessoas. Resgatando elementos específicos elaborados
pelos pensadores sociais mais clássicos, Mills (1969) aponta como um
elemento-chave dessa “imaginação sociológica” a capacidade de poder visualizar
a sociedade com um certo sentido de distanciamento, em vez de fazê-lo apenas da
perspectiva das experiências pessoais e das pré-concepções culturais.
A
“imaginação sociológica” é um ato que permite ir além das experiências e
observações pessoais para compreender temas públicos de maior amplitude. O
divórcio, por exemplo, é um fato pessoal inquestionavelmente difícil para o
marido e para a esposa que se separam, bem como para os filhos. Entretanto, o
uso da “imaginação sociológica” permite compreender o divórcio não apenas como
problema pessoal individual, mas também como uma preocupação social.
Diante
da retrospectiva elaborada, a partir dos estudos junto ao pensamento social
construído por brilhantes pensadores franceses, alemães e estadunidenses,
analisando o capitalismo na sua evolução até chegar ao status atual, á idéia
que podemos ter é que ao observar as ações e movimentos coletivos cada vez mais
intensos e até mesmo aos contínuos atos individuais, o resultado de tais
movimentos são os impactos decisivos sobre o destino de toda a humanidade, o
capitalismo que aparentemente seria o caminho e solução esta entrando em
contradição nos seus conceitos básicos, entrando em choque com os blocos populares,
esta ações e movimentos chocam-se com a ordem e a lógica da sociedade
capitalista, ocorre que desde a demanda por terra, por emprego e condições de
vida, até a luta das mulheres, as lutas ambientais, contra o preconceito de
etnia ou regionalidade e outras, todos esses movimentos já se chocam com a
ordem do capital e os interesses da burguesia monopolista.
Os resultados dos
movimentos sociais estão cada vez mais intensos, já demonstraram que nossas
escolhas é o que realmente importa, assim o que parecia estar estável agora é
colocado em check, estamos diante de uma crise estrutural, o capitalismo deverá
levar em conta que as pessoas podem e estão escolhendo caminhos que lhe são
mais convenientes, os interesses capitalistas estão se modificando de maneira
que para sobreviver é preciso ouvir e depois manipular os interesses, há muita
informação no mercado, temos a filosofia e a sociologia a trabalhar na
conscientização, assim quem estiver melhor informado e municiado
tecnologicamente dominará a sociedade e os mercados, criando novas necessidades
inclusive aparentes de consumo, muito semelhante as afirmações do pensamento
Vebleniano e de Mills.