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sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Nunca Chega

...porque a vida é agora

 

Tem gente que vive esperando. Espera o amor da vida, o emprego dos sonhos, a coragem pra mudar de cidade, o momento certo pra ser feliz. Outros esperam a aposentadoria pra finalmente descansar, o fim de semana pra viver de verdade, ou um sinal místico de que agora sim, pode começar. Mas a vida não é essa fila de supermercado onde só depois da senha chamada a gente pode viver. A vida já começou, e o agora é o único tempo que ela conhece.

Essa ideia – nunca chega, porque a vida é agora – parece simples, quase uma frase de agenda motivacional. Mas por trás dela há camadas profundas de filosofia e sociologia. Porque não estamos apenas lidando com o tempo cronológico. Estamos diante de um modo de viver construído culturalmente, alimentado por ideologias de produtividade, promessas de futuro e um medo imenso do presente.

 

O tempo adiado: um vício moderno

O sociólogo Zygmunt Bauman dizia que vivemos em uma modernidade líquida, onde tudo escorre antes de tomar forma. Isso inclui nossas expectativas de futuro. Sempre estamos planejando, organizando, projetando. Mas, paradoxalmente, essa obsessão pelo amanhã rouba o sentido do agora. O presente vira só um degrau, e nunca um lugar de morada.

O filósofo francês Michel Foucault ajudaria a entender como essa lógica do tempo está a serviço de uma estrutura de poder. Ao internalizarmos a ideia de que só depois teremos valor (quando formos promovidos, quando tivermos um diploma, quando emagrecermos, quando tivermos filhos), estamos nos sujeitando a um controle que nos distancia de nós mesmos. A espera se torna ferramenta de dominação.

 

Viver esperando é viver ausente

No campo mais existencial, Kierkegaard já alertava para o perigo de uma vida em suspenso. Para ele, a angústia nasce exatamente quando nos afastamos do presente em nome de algo idealizado que nunca se concretiza. É como se estivéssemos sempre “ensaiando” para a vida, mas nunca subíssemos ao palco.

Quantas vezes dissemos "quando eu terminar isso, vou ser feliz"? E depois, adiamos de novo. Isso cria um ciclo de insatisfação, em que o tempo real – o agora – é apenas um meio e nunca um fim.

Há quem queira pular alguma etapa por sentir que é muito doloroso vivenciar o que a vida apresentou, no entanto, não tem como pular etapas, caso contrário ficará parado até que resolva enfrentar, adiando o desfecho que é inevitável, seja qual for, é necessário o enfrentamento para seguir em frente. Já ouviu ou disse que agora não, não quero fazer isto neste momento, no entanto fica olhando para o lado e enxergando a procrastinação consumindo o pensamento?

 

A sociologia do instante

A sociedade contemporânea, com sua velocidade e excesso de estímulos, nos convida à dispersão, mas raramente à presença. As redes sociais, os aplicativos de produtividade, o culto à eficiência: tudo isso forma o cenário ideal para que o agora seja descartável. O "momento presente" é muitas vezes vivido como obstáculo – algo que precisa ser superado para que o futuro, glorioso e cheio de promessas, finalmente chegue.

Mas ele nunca chega. Porque ele não existe. Só existe o agora.

 

Uma alternativa possível: o tempo experienciado

N. Sri Ram, pensador da tradição teosófica, dizia que “a realidade é aquilo que está sendo vivido com atenção”. Em outras palavras, só é real o que é percebido, sentido, atravessado com consciência. Isso nos leva a uma ideia de tempo mais experiencial do que linear. O agora não é um ponto entre passado e futuro. É o palco onde tudo acontece.

Talvez viver bem seja justamente isso: aceitar que não há depois. Não há linha de chegada onde tudo fará sentido. Há sim, o café que esfria enquanto você pensa em coisas demais, o pôr do sol que você não vê respondendo mensagens, o abraço que adia porque acha que amanhã será melhor.

 

Nunca chega, porque não tem onde chegar. A vida não é uma estrada com destino, mas um campo onde se pisa, se sente, se colhe. Esperar o momento certo é a forma mais sutil de fugir dele. Filosoficamente, é uma traição ao ser; sociologicamente, é uma obediência cega à lógica do capital e do progresso. Romper com isso talvez seja o ato mais revolucionário do nosso tempo: simplesmente estar aqui, agora.


quinta-feira, 28 de março de 2024

Nunca Esqueça

 

Você aí que está correndo pela vida sem olhar para trás. Para tudo por um segundo e escuta bem: nunca esqueça. Parece simples, mas é uma daquelas verdades universais que muitas vezes deixamos passar batido. Então, vamos fazer uma pausa no ritmo frenético do dia a dia e refletir sobre algumas lições preciosas que o cotidiano nos ensina.

Nunca esqueça de dizer "obrigado"

Quantas vezes alguém segurou a porta para você passar? Ou cedeu o lugar no ônibus lotado? Às vezes, são as pequenas gentilezas que passam despercebidas, mas nunca devem ser esquecidas. Um simples "obrigado" pode fazer o dia de alguém melhor e criar uma corrente de gratidão.

Nunca esqueça de valorizar quem está ao seu lado

A correria da vida muitas vezes nos faz esquecer das pessoas que são verdadeiramente importantes para nós. Não deixe que o trabalho, as redes sociais ou qualquer outra distração o afaste daqueles que amam e apoiam você. Dedique tempo e atenção a eles, pois são eles que tornam a jornada da vida mais especial.

Nunca esqueça de se perdoar

Você já cometeu erros? Claro que sim, todos nós cometemos. Mas o importante é não deixar esses erros definirem quem você é. Aprenda com suas falhas, cresça com elas e, mais importante ainda, perdoe a si mesmo. Todos merecem uma segunda chance, inclusive você.

Nunca esqueça de cuidar de si mesmo

No meio de todas as obrigações e responsabilidades, é fácil esquecer de cuidar de si mesmo. Mas lembre-se: você não pode cuidar dos outros se não estiver bem consigo mesmo. Tire um tempo para relaxar, praticar atividades que lhe tragam alegria e investir em sua saúde física e mental.

Nunca esqueça de sonhar

Às vezes, a vida pode parecer uma série interminável de tarefas a cumprir. Mas não se esqueça de sonhar. Mantenha viva a chama da esperança e da imaginação. Os sonhos são o combustível que nos impulsiona a alcançar novos horizontes e criar um futuro melhor.

Então, nunca esqueça: na correria do cotidiano, são as pequenas coisas que realmente importam. Valorize as pessoas ao seu redor, aprenda com seus erros, cuide de si mesmo e nunca deixe de sonhar. São essas lições simples que tornam a vida verdadeiramente significativa. Então, da próxima vez que você se sentir sobrecarregado, apenas respire fundo, sorria e lembre-se: nunca esqueça.


terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Algo nunca muda


Vivemos em um mundo em constante fluxo, onde a mudança é a única certeza. No entanto, em meio a essa dinâmica incessante, surge a questão intrigante: há algo que permanece imutável? A busca por constantes em um universo em transformação é um tema fascinante que tem intrigado filósofos, cientistas e pensadores ao longo dos séculos.

Desde os primórdios da filosofia, pensadores como Heráclito e Parmênides debateram sobre a natureza do ser e do devir. Heráclito afirmava que tudo está em constante mudança, enquanto Parmênides argumentava que o ser é imutável e eterno. Essa dicotomia entre mudança e permanência continua a ser explorada até os dias atuais.

Na física, encontramos as leis fundamentais que parecem ser imutáveis e universais. A Lei da Gravidade de Newton, por exemplo, descreve a atração entre corpos massivos e é válida em uma ampla gama de situações. Da mesma forma, as leis da termodinâmica fornecem um conjunto de princípios que regem a transferência de energia e matéria, oferecendo uma base sólida para nossa compreensão do mundo físico. No entanto, mesmo essas leis estão sujeitas a refinamentos e revisões à medida que nossa compreensão avança. A relatividade de Einstein revolucionou nossa compreensão do espaço e do tempo, enquanto a mecânica quântica desafiou nossas concepções tradicionais de determinismo e causalidade.

Além das leis naturais, há também os princípios matemáticos, que parecem transcender as fronteiras da realidade física. A soma de dois números sempre resultará em um valor específico, independentemente do contexto. A matemática oferece um reino de certezas em um mundo muitas vezes incerto.

No âmbito ético e moral, encontramos conceitos que são amplamente considerados como imutáveis. A ideia de que é errado causar sofrimento desnecessário a outros seres humanos é um exemplo de um princípio ético fundamental que muitas culturas abraçam. Embora as aplicações desses princípios possam variar, sua essência permanece inalterada. A guerra é frequentemente considerada um tema complexo e controverso, especialmente quando se trata de avaliar se a guerra infringe dor desnecessária. A visão sobre a guerra varia dependendo das perspectivas culturais, políticas, filosóficas e religiosas.

Muitos argumentam que a guerra, por sua própria natureza, traz consigo uma enorme quantidade de dor e sofrimento, tanto para os combatentes quanto para os civis afetados. A perda de vidas humanas, os danos materiais, os traumas psicológicos e as divisões sociais são apenas alguns dos resultados nefastos associados aos conflitos armados. Nesse sentido, a guerra é frequentemente vista como uma forma extrema de infringir dor desnecessariamente, especialmente quando outras soluções diplomáticas e pacíficas poderiam ser buscadas.

Além disso, a guerra muitas vezes envolve a violação de direitos humanos básicos, como o direito à vida, à segurança e à liberdade. Os conflitos armados podem levar à proliferação de crimes de guerra, tortura, deslocamento forçado de pessoas e outras formas de violência que são moralmente condenáveis. Por outro lado, alguns argumentam que há circunstâncias em que a guerra pode ser justificada, como em casos de autodefesa contra uma agressão externa ou para proteger os direitos humanos fundamentais de uma população oprimida. Nesses casos, a guerra é vista como um mal necessário para evitar um mal maior.

No entanto, mesmo quando a guerra é considerada justificável em determinadas circunstâncias, muitos defendem a ideia de que devem ser feitos esforços contínuos para minimizar o sofrimento humano e buscar soluções pacíficas para resolver conflitos. A diplomacia, a negociação e a mediação são meios que podem ser empregados para evitar ou resolver disputas sem recorrer à violência e à guerra. Em resumo, a questão da guerra e do sofrimento humano está enraizada em considerações éticas e morais profundas. Embora haja divergências sobre a justificabilidade da guerra em certas situações, muitos concordam que a guerra deve ser evitada sempre que possível e que devem ser feitos esforços para proteger os direitos humanos e promover a paz e a justiça em todo o mundo.

Filósofos contemporâneos também exploram a questão da imutabilidade em um mundo em constante mudança. Alguns argumentam que há verdades metafísicas ou filosóficas que são imutáveis e universais. Outros adotam uma abordagem mais pragmática, reconhecendo a relatividade e a contingência de nossas concepções e crenças. A busca pela imutabilidade pode ser vista como uma expressão de nossa busca por significado e estabilidade em um mundo caótico e em constante transformação. Encontrar algo que permanece inalterado pode oferecer conforto e orientação em meio à incerteza e à mudança.

É importante reconhecer que nossa compreensão do mundo está sempre evoluindo. O que pode ser considerado imutável em um contexto pode não ser necessariamente imutável em outro. A verdadeira essência da imutabilidade pode residir não na busca por certezas absolutas, mas sim na aceitação da impermanência e na apreciação da beleza fugaz do momento presente.

No campo sentimental, a questão da imutabilidade é particularmente complexa e fascinante. Enquanto as relações humanas e as emoções estão sujeitas a uma ampla gama de influências e mudanças, há aspectos que muitos consideram imutáveis ou constantes. Por exemplo, o amor é frequentemente descrito como um sentimento poderoso e duradouro que transcende as vicissitudes da vida. Embora os relacionamentos possam passar por altos e baixos, o amor verdadeiro muitas vezes persiste, oferecendo apoio e sustentação mesmo nas circunstâncias mais difíceis.

No entanto, mesmo o amor pode evoluir e se transformar com o tempo. As relações podem se aprofundar e se fortalecer, ou podem se desgastar e se desfazer. A imutabilidade do amor pode residir não na sua forma externa, mas na sua essência intrínseca de conexão e empatia. Além disso, há aspectos da experiência humana que parecem transcender o tempo e a mudança. O sentimento de gratidão, por exemplo, pode permanecer constante mesmo diante das adversidades. A capacidade de encontrar significado e propósito na vida pode oferecer uma fonte de estabilidade em meio à incerteza.

As emoções humanas são intrinsecamente fluidas e variáveis. O luto, por exemplo, pode se manifestar de maneiras diferentes para indivíduos diferentes e pode mudar ao longo do tempo. Os filósofos e pensadores também têm explorado a questão da imutabilidade no campo sentimental. Alguns argumentam que as emoções são inerentemente transitórias e efêmeras, enquanto outros defendem a ideia de que há aspectos da experiência humana que são imutáveis e universais.

A questão da imutabilidade no campo sentimental é complexa e multifacetada. Enquanto algumas emoções e aspectos das relações humanas podem parecer permanentes, é importante reconhecer a natureza dinâmica e fluida da experiência humana. Encontrar um equilíbrio entre a aceitação da mudança e a valorização da estabilidade pode ser essencial para uma vida emocionalmente satisfatória e significativa.