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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Perda de Direção

Mas, Sem Crise

Não é um colapso. Não tem drama, nem lágrimas no meio da noite. A vida não desmoronou — ela só… ficou sem direção.

E talvez isso seja mais estranho do que qualquer crise.

Porque, quando algo dá errado, pelo menos existe um ponto de referência: “é aqui que está o problema”. Mas e quando está tudo razoavelmente bem? Trabalho ok, relações estáveis, rotina funcionando. Nada grita. Nada quebra. E ainda assim, por dentro, alguma coisa não aponta para lugar nenhum.

É como dirigir numa estrada lisa, sem buracos, mas sem placas.

No cotidiano, isso aparece em detalhes quase imperceptíveis. Você cumpre tarefas, resolve pendências, conversa, ri até… mas há uma espécie de vazio sem dor. Não é tristeza, não é angústia — é ausência de impulso. Como se a vida estivesse acontecendo, mas você não estivesse exatamente indo em direção a ela.

E isso confunde.

Porque a gente aprendeu a associar a falta de direção a momentos de crise. Aquele período em que tudo desmorona e você precisa se reinventar. Mas existe um outro tipo de perda de direção, mais silenciosa, que não vem acompanhada de ruptura — vem acompanhada de continuidade.

Você continua. Só não sabe para onde.

Martin Heidegger falava de algo próximo disso quando descrevia o modo como, no dia a dia, a gente se dilui no que ele chamava de “o impessoal” — o viver como “se vive”. A gente faz o que se faz, segue o que se segue, sem necessariamente escolher de forma consciente. Não porque estamos perdidos no sentido dramático, mas porque nunca paramos para perguntar para onde estamos indo.

E talvez esse seja o ponto delicado: nem toda perda de direção é percebida como perda.

Às vezes, ela é confortável.

Você entra no piloto automático. A rotina sustenta tudo. As decisões já vêm meio prontas. E, sem perceber, a vida vai sendo conduzida mais por inércia do que por intenção.

Mas, de vez em quando, algo falha nesse mecanismo.

Um domingo à tarde que parece longo demais.

Uma tarefa simples que demora mais do que deveria.

Uma pergunta que surge do nada: “é só isso?”

E o curioso é que essa pergunta não vem carregada de desespero. Ela vem quase neutra.

Como uma observação.

Só que ela abre um espaço.

E esse espaço pode ser desconfortável, porque ele não oferece respostas imediatas. Não é como uma crise que exige ação urgente. É mais como um campo aberto, onde nada está definido. E a ausência de definição, para quem se acostumou com caminhos claros, pode parecer um tipo de vazio.

Mas talvez não seja vazio.

Talvez seja pausa.

A gente costuma tratar a falta de direção como um problema a ser resolvido rapidamente. “Preciso me encontrar”, “preciso descobrir meu caminho”. Só que essa pressa pode ser justamente o que impede qualquer descoberta real. Porque direção não é algo que se impõe — é algo que se constrói, muitas vezes devagar, quase sem perceber.

E isso exige uma coisa que nem sempre é confortável: permanecer um tempo sem saber.

No cotidiano, isso pode significar pequenas mudanças de postura. Em vez de tentar responder imediatamente “o que eu quero da vida?”, talvez seja mais honesto perguntar “o que ainda faz algum sentido, mesmo que pequeno?”. Em vez de buscar um grande rumo, perceber micro-direções.

Uma conversa que te prende mais do que o esperado.

Um interesse que volta sem motivo claro.

Uma atividade que não parece importante, mas te envolve.

Esses pequenos sinais não parecem direção. Mas talvez sejam o começo dela.

Porque, no fundo, a perda de direção sem crise não é ausência total de sentido — é ausência de um sentido claro e central. E a gente foi condicionado a acreditar que só o que é claro e central vale.

Mas a vida raramente se organiza assim.

Ela é mais parecida com um conjunto de inclinações do que com uma linha reta. Mais feita de aproximações do que de certezas.

E aqui existe um risco sutil: confundir essa fase com estagnação definitiva. Achar que, porque não há direção evidente, não há movimento. Só que o movimento pode estar acontecendo num nível mais discreto, menos visível — reorganizando interesses, mudando percepções, abrindo possibilidades.

Sem espetáculo.

Sem anúncio.

Talvez a pergunta mais honesta, nesse tipo de situação, não seja “qual é o meu caminho?”, mas algo mais simples:

— O que, agora, me puxa minimamente para frente?

Sem exigir clareza total.

Sem exigir propósito grandioso.

Sem exigir urgência.

Só um pequeno vetor.

Porque, às vezes, não é que a vida perdeu a direção.

É que ela saiu do mapa que você estava tentando usar.


quarta-feira, 29 de maio de 2024

Conseguir Reprimir

Reprimir. Essa palavra que muitas vezes soa pesada e negativa, na verdade, faz parte do nosso dia a dia de formas que nem sempre percebemos. Reprimir é segurar, é controlar, é evitar que algo venha à tona. No cotidiano, isso se manifesta de diversas maneiras, desde a contenção de emoções até a necessidade de segurar os impulsos para se adaptar a diferentes situações. Vamos ver como essa "arte" de reprimir se desenrola em nossas vidas e como ela pode ser particularmente desafiadora em momentos de crise, como durante as enchentes nas quais estamos sendo assolados.

Reprimindo Emoções no Trabalho

Quem nunca teve que reprimir uma emoção forte no ambiente de trabalho? Imagine a cena: você está numa reunião importante, e de repente seu chefe faz uma crítica dura ao seu trabalho. Você sente um nó na garganta, a raiva começa a subir, mas você sabe que não pode se descontrolar. A solução? Respirar fundo, segurar as lágrimas, manter a calma e responder de forma profissional. Reprimir, nesse caso, é essencial para manter a compostura e o respeito no ambiente profissional.

Reprimindo Impulsos no Trânsito

Outro cenário comum é no trânsito. Imagine você, depois de um longo dia de trabalho, preso em um engarrafamento daqueles. O motorista do carro ao lado decide cortar a sua frente sem dar seta. O impulso de buzinar ou xingar é imediato, mas reprimir esse impulso pode evitar uma briga desnecessária e, quem sabe, até um acidente. Nessas horas, respirar fundo e contar até dez faz toda a diferença.

Enchentes: Repressão em Tempos de Crise

Agora, pensemos em um cenário mais crítico: as enchentes. Quando as chuvas chegam fortes e as ruas começam a alagar, muitas emoções e impulsos precisam ser reprimidos para lidar com a situação. A ansiedade e o medo de perder tudo que se construiu são sentimentos reais e avassaladores.

Em meio a uma enchente, uma família pode ser forçada a abandonar sua casa rapidamente. A frustração e a desesperança são palpáveis, mas os pais precisam reprimir essas emoções para manter a calma e dar segurança aos filhos. É um momento em que a força emocional é posta à prova.

Além disso, a repressão de impulsos pode ser vital para a sobrevivência. Por exemplo, ao ver sua casa sendo tomada pela água, o impulso de salvar pertences valiosos é grande. Contudo, muitas vezes, o mais sensato é reprimir esse impulso e priorizar a segurança da família, evacuando o local o mais rápido possível.

Reprimir para Sobreviver

Durante enchentes, os problemas enfrentados são múltiplos: perda de bens materiais, risco de doenças, necessidade de abrigos temporários e a incerteza do futuro. Reprimir emoções negativas como desespero e pânico pode ser crucial para tomar decisões racionais e seguras.

Os serviços de emergência também lidam com a repressão. Bombeiros e voluntários muitas vezes reprimem seu próprio medo e cansaço para resgatar pessoas e animais em perigo. A repressão, nesse contexto, se torna uma ferramenta de sobrevivência e proteção.

Reprimir é uma habilidade que, quando bem utilizada, pode ajudar a manter a ordem e a segurança em diversas situações do cotidiano. Desde pequenos incômodos no dia a dia até grandes crises como as enchentes, saber reprimir emoções e impulsos pode ser a diferença entre o caos e a calma, entre o perigo e a segurança.

Mas é importante lembrar que a repressão constante e não saudável de emoções pode levar a problemas psicológicos. Portanto, encontrar formas saudáveis de lidar com essas emoções reprimidas, como conversando com amigos ou buscando ajuda profissional, é essencial para manter o equilíbrio emocional e a saúde mental. Reprimir é uma arte. Saber quando e como usar essa habilidade pode fazer toda a diferença em nossas vidas, especialmente em momentos de adversidade. 

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Resenha do livro A Peste de Albert Camus e sua relação com a crise na representatividade politica


“Se você quiser filosofar, escreva romances” Albert Camus
 
Esta afirmação de Camus é verdadeira, por que? porquê é uma forma inteligente de levar a filosofia até as pessoas que ainda não haviam tido interesse ou contato com o assunto, esta é uma forma de atrair o interesse das pessoas, a filosofia que é a mãe do conhecimento não deve passar desapercebida na vida do ser humano, é preciso dialogar com ela e com seus preciosos conhecimentos, filosofar é viver intensamente sua existência.

O livro é extremamente atual, embora tenha sido escrito em 1947, o título é bastante sugestivo, dá a pinta do que está se referindo, está na lista dos mais vendidos, e este é o momento ideal para se falar sobre ele, resolvi fazer esta resenha por dois motivos, primeiro por ser muito atual em relação a epidemia narrada no livro com a pandemia que o mundo vive e familiaridade dos eventos narrados, em segundo lugar pela crise de representatividade política que estamos vivendo desde muitos anos, faço relação as situações noticiadas pela mídia e outras muitas de corrupção envolvendo políticos e politicagens.

Albert Camus foi um escritor, filósofo, romancista, dramaturgo, jornalista e ensaísta franco-argelino. Ele também atuou como jornalista militante envolvido na Resistência Francesa, situando-se próximo das correntes libertárias durante as batalhas morais no período pós-guerra.

O livro A Peste, é a forma alegórica que o romance fez da peste uma metáfora para todas as formas de opressão, horrores voluntários ou não causados pela mão humana e claro de resistência em todos os sentidos da palavra, a estória se refere ao nazismo, no pós-Guerra, mas também a outros flagelos oriundos do absurdo, a peste surge quando ratos aos poucos vão aparecendo mortos até tornarem-se um número imenso, junto com a morte dos ratos as pessoas também começam a ficar doentes e a morrer aos poucos e depois aos montes, na estória do livro os ratos que aparecem aos poucos seriam uma representação dos soldados nazistas e a peste seria a guerra com seus horrores, em nosso caso a relação que faço é do momento atual, estamos todos ligados ao primeiro motivo que é a pandemia que acertou o mundo em cheio e principalmente nós brasileiros estamos ligados ao segundo motivo, envergonhados mundialmente, faço uma relação entre os ratos que seriam os políticos corruptos, alguns velhos conhecidos, que chegaram para dizimar não só uma cidade, mas o país, os ratos políticos estão contaminados não pela peste bubônica, mas pela peste da corrupção e seus horrores mostrando do que o ser humano é capaz.

Os políticos surgem como ratos para dizimar os recursos da sociedade, que consequentemente acabam dizimando os direitos a saúde, a educação, a segurança, e a esperança em se acreditar que possa haver alguém honesto e integro.

Os recursos são desviados pelos “ratos” para atender seus próprios interesses e bolsos, o horror é tão grande que mesmo em tempo de pandemia ouvimos relatos de superfaturamento em vacinas e insumos, super verba para Fundo Eleitoral de 6 bilhões, sem falar no dinheiro na cueca, em malas e etc, fatos de corrupção não faltam para ilustrar.

Os ratos políticos alegam não haver verba para atender as necessidades da população, mas aprovam verba para fundo Eleitoral de 2 bilhões como a que aprovaram em 2020, como viram que é fácil, já aumentaram sua intenção para 2021 tal verba para 6 bilhões, este absurdo é tão grande, que só podemos pensar se tratar da corrupção do bom senso e total despreparo desta classe que deveria estar zelando pela aplicação correta de recursos públicos, a grandiosidade do problema merece tratamento de igual monta, não aguentamos mais, me parece haver um único caminho, é o de exterminar com os ratos antes que eles nos exterminem, a justiça tem de ser dura e exemplar, não é possível esperar que a peste desapareça por si só como foi o que aconteceu na estória do livro, só a pretensão de deixar seguir em frente tal absurdo, como já disse a magnitude da intenção se revelou o alcance e o tamanho da corrupção nesta classe que deveria ser a mais correta por tratar de dinheiro público.

Voltemos ao livro, o livro contém muitas reflexões que são recorrentes em outras obras do autor, como a absurdidade da existência, o amor, a revolta e a solidariedade humana. Como analogia, a narrativa e a doença alertam o leitor para uma constante ameaça política sobre sua vida e direitos, como por exemplo ao que anteriormente foi narrado.

A familiaridade e os pontos de contato da estória do livro com a realidade são imensos, tanto os flagelos totalitários quanto as pandemias reais que, de tempos em tempos, surgem “para desgraça e ensinamento dos homens”, sabemos que o tempo também enfraquece a memória e o ensinamento acaba sendo esquecido, mesmo diante do horror causados pela miséria e doenças há quem esteja tirando algum proveito de forma desonesta nesta crise sanitária e econômica.

O romance A Peste foi publicado em 1947, pouco tempo após o fim da Segunda Guerra Mundial, e conta a história da chegada de uma epidemia à cidade argelina de Oran, ele  narra a história de trabalhadores que descobrem a solidariedade em meio à uma peste que assola a cidade, e pode ser interpretado como metáfora dos horrores da Segunda Guerra Mundial, assim como a pandemia atualmente revelou o espirito de solidariedade das pessoas em ajudar as pessoas que estão necessitadas do mínimo para sobreviverem.

O autor como sabemos conviveu com a tuberculose, ele conviveu com a proximidade da morte, falando bastante sobre a morte, mas fala também sobre a vida, amor e resistência de todos os tipos e sentidos da palavra.

A peste de nossa estória é a peste bubônica ou peste negra, ou ainda simplesmente peste, é uma doença grave e muitas vezes fatal causada pela bactéria Yersinia pestis, que é transmitida através das pulgas de animais roedores aos seres humanos, ou ferimentos e arranhões de animais domésticos infectados, não tem vacina para esta doença, o que existe são medicamentos para combater a doença, combater a doença é combater e exterminar os ratos, com o aquecimento global já há estudos que apontam para uma infestação global destes animais.

A estória narra como a peste bubônica se manifesta nos seres humanos, seu nome vem justamente de um dos sintomas que causa: um inchaço doloroso do linfonodo, que atinge os tecidos da axila ou da virilha, formando uma espécie de bolha, conhecida como "bubão", as cenas narradas são extremamente realistas, as pessoas vão morrendo aos poucos, fisicamente e psicologicamente em razão das medidas sanitárias, como o estado de sitio e o isolamento dos contaminado.

A cidade de oran onde se passa nossa estória é uma cidade comum e pacata, é uma cidade francesa na costa argelina, os detalhes da descrição da cidade nos dão conta que é uma cidade feia, sem pombos, sem arvores, sem jardins, as pessoas são pacatas demais, numa mesmice e monotonia imensa, sem altos e baixos em suas vidas, são como autômatos, é uma visão imaginária sombria, a monotonia só é quebrada pela chegada da peste com seus horrores.

Os ratos começam a aparecer mortos, aos poucos e depois aos montes, em seguida as pessoas também começam a aparecer mortos, até se darem conta de se tratar de uma doença, a descrição da morte é uma coisa horrorosa, em detalhes de como a doença destrói o corpo e a mente.

A metáfora é representada pelos ratos que vão surgindo aos poucos está relacionado com a chegadas dos soldados durante a segunda guerra, por aí já podemos entender a relação que Camus está fazendo com a guerra.

O autor tem ares de visionário, o medo da população em torno da peste, a insegurança, a dúvida de ficar em casa, é uma doença desconhecida por ser relativamente nova, o médico toma medidas sanitárias e a cidade é colocada em estado de sitio, as pessoas são separadas, vidas são separadas por conta da peste, há mortes de pessoas jovens e crianças, é uma estória na qual nos identificamos muito, há a saudade das pessoas isoladas, a saudade da rua, saudade de sair para o mundo, a sensação no mal invisível, a desconfiança de que tudo pode estar contaminado, surgem teorias bizarras como apocalipse como praga bíblica, ao ler percebemos haver um paralelismo com nossa situação atual.

Como sabemos a morte traz uma carga emocional muito dura, o livro traz histórias muito tristes e tenho certeza que os corações mais duros se sensibilizarão, talvez sensibilizem alguns mais quem lê a história do livro do que com uma história da vida real, é estranho, mas isto existe.

A medida que o livro avança, os horrores vão acontecendo e a esperança das pessoas vai esmorecendo até que num dia a peste simplesmente some, o sol nasce belo e maravilhoso, no entanto a peste continua lá, está escondida em algum lugar, em algum canto, á espreita,  para um dia talvez abocanhar novamente aquela cidade, poderia através de um lenço, dentro de um baú, em algum lugarzinho inocente.

A ideia do livro também carrega a ideia do mal no mundo, numa perspectiva diferente da religião, ele não quer que a religião mascare a situação, ele chega a duvidar da bondade, a fé é questionada ainda mais quando a doença começa a atingir as crianças e este seria o pior sofrimento que é o sofrimento da criança, a dúvida se Deus existe, por ver Deus deixar as crianças morrerem.

O autor pensa que é o homem o responsável moralmente por tudo que ocorre, sem a figura de Deus, os personagens do livro incorporam as ideias de Camus, nesta ideia da luta contra o mal, pode ser a violência, a corrupção, suas atitudes não são pacifistas, é uma ideia de luta, ele na vida real deu seu o exemplo, ele trabalhou como jornalista junto a resistência contra os nazistas, ele não é um cara pessimista, ele é realista, o mundo é absurdo pelas mortes desnecessárias e inúteis, mas não é atroz, mas é um mundo que vale a pena lutar, ele tem uma visão mediterrânea pagã, ele tinha uma ideia contra a pena de morte, ele é a favor da ideia que o ser humano sempre deve ter uma chance de mudar.

Com a Peste (1947), Albert Camus tenta a demonstração de um novo cogito cartesiano: “Eu me revolto, portanto nós somos.” Pois a revolta (individual) contra o absurdo é também revolta (coletiva) a favor dos valores que a própria revolta revela. Vamos direcionar nossa revolta contra estes absurdos políticos que estão devorando nosso pais com a gente dentro dele.

Fonte: Camus, Albert. A Peste/Albert Camus: tradução de Valerie Rumjanek Chaves – 31ª ed- Rio de Janeiro: Record 2020.