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sábado, 11 de outubro de 2025

Existência Mínima


A existência mínima não é a ausência de vida, mas a vida reduzida ao essencial. É o momento em que a gente se pergunta: “o que é que realmente importa?” Pode ser um tempo de desemprego, de luto, de ruptura ou até de escolha voluntária por simplicidade. Quando tudo se desfaz ao redor, restam só as bases: o corpo, a respiração, a memória, e talvez uma ideia de futuro — ainda que turva.

 

No cotidiano, essa existência mínima aparece mais do que se imagina. A pessoa que vive num quartinho alugado com poucos móveis, mas que acorda cedo e varre a calçada como quem cuida de um castelo. O idoso que já não pode andar muito, mas se alegra ao receber a luz da manhã na varanda. A jovem que perdeu quase tudo, menos a capacidade de rir de si mesma. Essas pessoas não vivem menos. Vivem no limite daquilo que sustenta a dignidade.

 

Não se trata de romantizar a pobreza ou o sofrimento, mas de reconhecer que há vida — e às vezes uma vida intensa — nos espaços mais estreitos da existência. O mundo moderno nos ensinou que precisamos de muito para sermos alguém. Mas há quem se torne mais inteiro quando perde quase tudo.

 

O filósofo Henry David Thoreau, que escolheu viver por um tempo numa cabana isolada no mato, escreveu:

“Simplifica, simplifica, simplifica! Eu digo: que seus assuntos sejam dois ou três, e não cem ou mil.”

 

A existência mínima pode ser esse exercício de redução, não por falta, mas por sabedoria. A chance de descobrir que entre o ter e o ser, às vezes o ser precisa de pouco — mas esse pouco tem que ser verdadeiro.

 

Se você estiver vivendo uma existência mínima agora, talvez esteja mais perto de si do que nunca.