A
existência mínima não é a ausência de vida, mas a vida reduzida ao essencial. É
o momento em que a gente se pergunta: “o que é que realmente importa?” Pode ser
um tempo de desemprego, de luto, de ruptura ou até de escolha voluntária por
simplicidade. Quando tudo se desfaz ao redor, restam só as bases: o corpo, a
respiração, a memória, e talvez uma ideia de futuro — ainda que turva.
No
cotidiano, essa existência mínima aparece mais do que se imagina. A pessoa que
vive num quartinho alugado com poucos móveis, mas que acorda cedo e varre a
calçada como quem cuida de um castelo. O idoso que já não pode andar muito, mas
se alegra ao receber a luz da manhã na varanda. A jovem que perdeu quase tudo,
menos a capacidade de rir de si mesma. Essas pessoas não vivem menos. Vivem no
limite daquilo que sustenta a dignidade.
Não
se trata de romantizar a pobreza ou o sofrimento, mas de reconhecer que há vida
— e às vezes uma vida intensa — nos espaços mais estreitos da existência. O
mundo moderno nos ensinou que precisamos de muito para sermos alguém. Mas há
quem se torne mais inteiro quando perde quase tudo.
O
filósofo Henry David Thoreau, que escolheu viver por um tempo numa
cabana isolada no mato, escreveu:
“Simplifica,
simplifica, simplifica! Eu digo: que seus assuntos sejam dois ou três, e não
cem ou mil.”
A
existência mínima pode ser esse exercício de redução, não por falta, mas por
sabedoria. A chance de descobrir que entre o ter e o ser, às vezes o ser
precisa de pouco — mas esse pouco tem que ser verdadeiro.
Se
você estiver vivendo uma existência mínima agora, talvez esteja mais perto de
si do que nunca.
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