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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Regularidades nas Mudanças

O Compasso Oculto na Formação da Consciência

A consciência não se forma num instante único, nem cresce como uma linha reta rumo à clareza. Ela pulsa. Alterna. Expande-se e recolhe-se, como marés. Cada pessoa que tenta lembrar “quando começou a perceber o mundo” descobre que não houve um ponto inaugural, mas uma sequência de despertares — cada um diferente, mas misteriosamente familiar. A isso podemos chamar regularidades nas mudanças: um fio invisível que une o que muda e o que permanece.

Na formação da consciência, essas regularidades funcionam como marcos de navegação. A criança que aprende a falar experimenta uma revolução, mas repete algo que todas as crianças já viveram: o momento em que o som se transforma em palavra. O adolescente que questiona regras sente-se único, mas percorre uma curva já traçada por incontáveis outros. Há uma cadência nesses rompimentos: cada avanço vem acompanhado de desconforto, cada desconforto gera reorganização, cada reorganização redefine o “eu”.

O curioso é que essas regularidades não são externas como o calendário ou o relógio — elas habitam o próprio ritmo do pensamento. Mesmo quando acreditamos agir ao acaso, a consciência parece ter um padrão de maturação, como se houvesse um arquiteto silencioso que projeta fases de crise, momentos de revelação e períodos de assimilação.

O filósofo N. Sri Ram sugeria que o despertar da consciência é como a abertura gradual de uma flor: não por pressa, mas por uma necessidade interna de seguir um ciclo de expansão. Para ele, a mudança não é uma ruptura com o passado, mas um aprofundamento daquilo que já estava latente. É nesse sentido que a consciência se constrói — mudando para se tornar mais fiel a si mesma.

Essa espiral de mudanças regulares se manifesta ao longo de toda a vida. Na infância, cada nova habilidade — andar, falar, nomear o mundo — é uma revolução que, paradoxalmente, cumpre um roteiro biológico e psíquico já inscrito. Na juventude, a consciência experimenta um ciclo de expansões e frustrações: o impulso de romper padrões convive com a necessidade de encontrar um lugar no mundo, e cada ruptura é seguida por uma busca de novo equilíbrio. Na maturidade, a espiral não cessa; apenas muda de cadência. O que antes era aprendizado por experimentação torna-se aprendizado por síntese, e as crises já não são apenas choques externos, mas diálogos internos que pedem redefinição de sentido.

Talvez seja essa a regularidade mais profunda: mudamos para permanecer. E permanecemos para poder mudar. A formação da consciência, vista assim, não é uma linha reta nem um caos, mas uma espiral — ela passa pelos mesmos pontos, mas sempre em um nível mais alto. É a dança de reconhecer, na novidade, o eco de algo que já sabíamos sem saber.