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quarta-feira, 30 de junho de 2021

Felicidade, o pote de ouro no final do arco-íris

 


Música: No Fim do Arco-íris do grupo

Bem que eu queria
Satisfação
Água da pia
Contradição

Mente vazia
Inquietação
Racha na via
Por precaução

Brado amor
Sem sabor
A entorpecer
Meu vácuo

A escorrer
Delírio

Eu queria falar bem alto
Aquilo que guardei por medo de dar errado
Você nem sabe que meu coração é fraco
Se soubesse não estaria sorrindo mordendo o lábio
Eu queria falar bem alto
Aquilo que guardei por estar emocionado
Você nem sabe, meu coração é fraco
Se soubesse não estaria sorrindo mordendo o lábio

Brando amor
Cega dor
Deixa de ser
Furta-cor

Crave a flor
Exalou
No travesseiro
Cobertor

Eu queria falar bem alto
Aquilo que guardei por medo de dar errado
Você nem sabe que meu coração é fraco
Se soubesse não estaria sorrindo mordendo o lábio
Eu queria falar bem alto
Aquilo que guardei por estar emocionado
Você nem sabe, meu coração é fraco
Se soubesse não estaria sorrindo mordendo o lábio

No fim do arco-íris
De uma ilusão
Te espero convicta
Com uma pá na mão

No fim do arco-íris
Da inaptidão
Às mágoas da lira
A obsessão

“O Retrô Ativo” é uma banda de Rock formada em 2015

 

Fonte e Clip da musica:


Link: https://www.letras.mus.br/o-retro-ativo/no-fim-do-arco-iris/

Quem de nós nunca ouviu falar do Pote de Ouro no final do arco-íris, se não ouviu pelo menos o vê após a chuva, tira fotos e posta nas redes sociais, ficamos ali admirando a beleza das cores e não dos damos conta da mensagem divina e da promessa de Deus em nossas vidas, o arco-íris é um pacto de Deus com os Homens, o pacto está registrado na Bíblia em Gênesis 9:16.

 

 “Toda vez que o arco-íris estiver nas nuvens, olharei para ele e me lembra­rei da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies que vivem na terra”. Gênesis 9:16

O versículo bíblico, afirma o pacto de Deus, Ele criou o arco-íris e nos prometeu que nunca mais iria destruir a terra com água, como foi no dilúvio. E que toda vez que Ele visse arco-íris entre as nuvens iria se lembrar dessa promessa.

O arco-íris é cercado de mensagens e no decorrer do tempo sempre adquiriu importância no imaginário humano, existe uma simbologia por trás deste belo fenômeno, além do pacto divino, existe uma lenda criada na Irlanda há milhares de anos atrás.

O arco-íris também é parte da cultura irlandesa, trata-se da lenda do pote cheio de moedinhas de ouro enterrado por um duende no final do arco-íris, a lenda conta que tudo começa com um duende chamado Leprechaun, ele é um duende que vive na floresta, e se esconde entre as folhas e as cascas de árvores. Se veste de verde e fica camuflados junto a vegetação, e ele é um dos guardiões do tesouro que está enterrado no final do arco-íris. 

A lenda diz que se chegarmos ao final do arco-iris devemos capturar o Leprechaun, a captura não é fácil, pois ele está muito bem camuflado, havendo sucesso na captura o Leprechaun deve ser firmemente preso para evitar que escape de nossas mãos, devemos ter coragem e enfrentarmos o medo para acompanha-lo pela viagem no arco-íris até encontrarmos onde o pote de ouro está guardado.

 

Como falei o arco-íris, é uma representação simbólica de sonhos que todos nós temos, afinal quem não tem sonhos? Nossa vida é repleta deles, pelo menos temos alguns que são mais importantes e talvez mais difíceis de realizar, como por exemplo, a casa própria, realização financeira, o diploma universitário, enfim coisas materiais, no entanto, há aqueles que querem que tais moedinhas de ouro sejam como alegrias e a felicidade.

Alegrias e felicidade, uma no plural a outra no singular, elas dependem é claro da realidade de vida de cada um de nós e suas perspectivas, conforme o momento histórico que vivemos hoje e o contexto histórico daqueles que viveram antes de nós.

A felicidade em vários momentos é confundida com alegria, bem-estar, e prazer que são realidades que têm a ver com a felicidade, inclusive o homem foge das coisas que são dolorosas, no Livro X, do Ética a Nicômacos, Aristóteles afirma: “Todos preferem coisas agradáveis e fogem das dolorosas.” Isto é a verdade contida dentro de cada um de nós e obviamente natural.

Na verdade, a felicidade tem que ver com muitas coisas, conforme o filósofo Julian Marias, o homem não cessa de procurá-la: tudo o que faz, o faz com o propósito mais ou menos deliberado, pelo menos com a esperança de aumentar a felicidade. É algo que enche a nossa vida, na forma de ausência que seja, da privação, da busca, porém a ocupa inteira. É a grande envolvente de tudo o mais. As coisas que buscamos, que queremos, que nos interessam, pelas quais labutamos, têm todas como pano de fundo essa elusiva, essa improvável felicidade. Interessam-nos à medida que irão contribuir à felicidade, ou torná-la mais provável, ou restabelecê-la se a perdemos, e isto mostra a desproporção entre a importância intelectual que se lhe deu e o peso real, absorvente, imenso que tem em nossa vida.

Percebemos o peso que a felicidade tem, percebemos também que a alegria é um sentimento que está contido pela felicidade, a alegria faz parte da felicidade, a alegria se opõe a tristeza, o sorriso vem da alegria, a alegria surge até da anedota contada, um namorico, a satisfação de uma boa refeição, no entanto a alegria é fugaz e pode é passageira, é um momento, então não é duradoura, ela na maioria das vezes depende de outras pessoas, ela depende daquilo que vem de fora de nós, as alegrias vividas no mundo de hoje são travestidas pelo nome de felicidade, estamos presos num engodo, as alegrias dependem dos outros e de bens materiais que se esvaem, bens que tem sua vida útil e data de validade predeterminados.

Estar preso as coisas é algo que pode passar desapercebido pelo quanto estivermos focados demasiadamente aos objetos e o quanto estamos prisioneiros destes objetos, coisas externas, numa relação de senhor e escravo, o Jung chama de participação mística, as pessoas só se libertam, se livram desta prisão  quando o ser se desprende das coisas do mundo, é quando já não faz da tanta importância, este seria um dos estados de felicidade pela integridade do ser, a consciência não é mais dominada por intenções compulsivas em quere adquirir e manter coisas como supostas realizações, o que é importante é mudar o foco, mudar nosso foco e atenção para o nosso interior, mudar nossa atenção para nosso centro e sair do centro dos objetos, nosso objetivo é despertar nossa flor de ouro.

Mandala um centro de luz e energia

Por que falamos tanto na tal felicidade, ora falamos porque somos seres humanos e esta em nossa natureza a busca constante pelo prazer, bem estar, alegrias e a tal da felicidade, não cessamos nenhum instante, somos seres eternamente desejantes, então saber a diferença, ou pelo menos falar sobre uma e outra, seria como separar o joio do trigo.


 A alegria do ter é passageira e é um fardo pesado!

A felicidade é interna, trata-se de estar-se realizando plenamente, ela não esta dada, trata-se de um processo continuo em nossa vida, ela é um estar presente e viver intensamente um hoje, ser feliz não significa não viver, mas, como Nietzsche, viver a vida intensamente, a felicidade não vive no ontem estático, a felicidade é nossa luta diariamente do ato de ser, cada vez menos do ter como objetivo final de vida. O porte com as moedinhas de ouro no final do arco-íris são os nossos atos diários na construção do ser e menos ter, o ter é passageiro, o ser é eterno pois é duradouro e o ser podemos carregar porque cabe dentro de nós.

A filosofia estoica afirma que a ataraxia, a ausência de paixão, como sinônimo de felicidade, o homem não deve se deixar levar por suas paixões, antes deve reduzir as expectativas, assim reduz também os problemas advindos delas, concordo em parte quanto ao que diz sermos movidos apenas e exclusivamente pelas paixões, no entanto me desculpe Sêneca, o homem precisa, sim de uma certa dose de paixão, sem paixão não aprendemos, não vivemos a vida intensamente como deve ser vivida, a paixão é o calor que aquece nosso peito, é a coragem para seguirmos em frente neste processo de construção da felicidade, é uma das qualidades do homem que o diferencia dos demais animais, o domínio sobre as paixões não as excluem ou as exterminam, a felicidade está presente nesta construção da virtude que é domínio e não a destruição, a virtude está no que fazemos com aquilo que acontece.

Viver um grande amor, viver uma grande paixão, construir fortes amizades, independentemente do final, independente de não termos achado o tal pote de ouro, a caminhada pelo arco-íris já valeu a pena, assim é a vida, uma caminhada, as vivencias são os pontos de luz que dão sentido a nossa vida, são os tipos de luzes de alegrias positivas que alimentam a alegria do encontro, uma felicidade que dá sentido à nossa vida, que provoca nuances coloridas do arco-íris e, antes de tudo, nos proporcionar o aprontamento de “si mesmo‟ conseguir encontrar a felicidade nas cenas mais corriqueiras do cotidiano, nos fortalece, nos da coragem para seguir em frente, faz com que digamos Sim à Vida, sempre com gratidão e dono de si mesmo. E independentemente da condição social de cada um, aprendamos também com Sêneca, a nos conformar, e é claro, desde que supridas nossas necessidades básicas, porque vivemos pela falta, nunca pela completude, a vida é um presente, tudo pode ficar melhor se apreciarmos que o que importa mesmo é viver no presente como um “presente” do pote de ouro que é a felicidade de viver!!

A caminhada pode exigir que passemos através de tuneis, os tuneis se tornam mais longos quando não estamos preparados para cruzá-los, quando isto acontece é porque não vislumbramos uma luz que nos indique o final da escuridão, neste momento o precioso pote de ouro que tanto almejamos é a luz no fim do túnel, a vida terrena não é um arco íris, a vida terrena é um entrar e sair de tuneis e ao final de cada túnel um pote de ouro, que riqueza maior poderia ser maior que o pote de ouro da felicidade.

Fonte:

MARIAS, JULIAN –A FELICIDADE HUMANA. São Paulo, Duas Cidades, 1989

 

segunda-feira, 28 de junho de 2021

O Homem e sua consciência do tempo

O homem é um fenômeno e só o homem fenômeno é o ser no reino animal tem a ideia de tempo, faz parte de sua natureza, o homem é parte da natureza, este homem consciente tem ideia e necessidade de liberdade e vive nesta busca incessante de sobrevivência na natureza, vive na busca pela imortalidade e in-finitude, no contraponto está consciente que é mortal, está consciente de sua finitude, todos sentimos medo de morrer, isto também é parte do fenômeno “ser humano”.

O que nos atrapalha é pensarmos em nossa finitude como um problema, e é um problema conflitante alimentado diariamente e principalmente quando não sé é mais jovem, o conflito está na ideia de que iremos morrer em contraste com a ideia de que viveremos para sempre, são dicotomias: Velho X Jovem; Passado X Futuro.

Pensar na imortalidade para fugir da morte, assim como fazem as filosofias e as religiões e tantas outras crenças, fazem parte do imaginário humano, fazem parte do fenômeno humano, não deixa de ter sentido para nós, existe algo em nós que nos remete para a descrença de destruição, nosso poeta Mário Quintana nos legou este belo poema: “Morrer, que me importa/ o diabo é deixar de viver”; morrer é fácil, difícil é viver se não vivermos o presente intensamente.

Nosso poeta não poupou palavras, as usou com franqueza, concordo com ele, as palavras devem ser ditas, e devem ser ditas agora. Há três coisas que não pode fazer voltar atrás, palavra proferida, tempo perdido e pedra atirada. A coisas que devem ser feitas e não adiadas, como os atos que devem ser feitos, e devem ser feitos agora. Quem acha que vai viver muito tempo fica deixando tudo para depois. Estes pensam que a vida ainda não começou, só vai começar depois da compra da casa, depois da educação dos filhos, depois da segurança financeira, depois da aposentadoria, aí será tarde demais, pensemos como viventes num tempo profano, o ser humano é resultado de uma evolução biológica e cultural, nós estabelecemos conceitos de tempo e memória, construímos expectativas e vivemos num mundo de procrastinações.

O pensamento de Nietzsche nos orienta a viver a vida com intensidade, seja lá o que se apresentar em nossa frente, estamos cientes que não podemos escolher o que nos acontece, mas depende exclusivamente de nós o que faremos com o que nos acontece, depende de atitude e presença de espírito. Podemos lamentar para o resto da vida, nos ressentirmos com a vida, e assim ficarmos presos ao passado, o que, consequentemente, nos impedirá uma nova ação no futuro.

O filósofo espanhol Julián Marías entende que a vida humana é projetiva, ou seja, desde a vivência presente está voltada para o futuro, para a concretização de algo (num sentido sempre pessoal) que já se está a fazer, mas cujo desenvolvimento só pode se dar no tempo, no passar do tempo de experiências, as experiências vão construindo este sentido pessoal e as camadas do passado.

O tempo se existe, é ele mesmo e ao mesmo tempo, tempo do passado, presente e futuro.  O passado, os momentos do passado, cada instante continuam lá vividos e acontecendo infinitamente, o presente o qual estamos agora, neste exato momento sendo vivido, é o futuro daquele passado acontecendo infinitamente. Cada uma de nossas ações nunca deixarão de existir, cada uma delas estão e estarão ainda agora lá e aqui ao mesmo tempo pulsantes e vibrantes, sejam boas ou más as ações, vejamos então que devemos e precisamos agir sempre da melhor forma e maneiras e com as melhores intenções, para evitar ficar repetindo muitas coisas ruins para nós e os outros, que nos façam lembrar que arrependimento nos mata aos poucos, isto aparece numa contabilização de ações, a apuração do saldo é inevitável, à medida que o tempo passado se acumula, o saldo poderá ser positivo ou negativo. Desfazer o que já está feito é extremamente improvável, o passado já está lá existindo em suas milhões de camadas, o passado não está vivo, nem morto, voltar ao passado, viajar ao passado obviamente também seria improvável, as interações com o passado só poderão ser realizadas através de nossa memória, a memória flutua na lembrança e no esquecimento, no entanto viajar em direção ao futuro é possível e é isto que fazemos no presente, viajamos contabilizando ações, vivemos por vírgulas, o ponto, este ficará para o final.