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terça-feira, 7 de abril de 2026

Liberdade Não Escolhida

Hoje acordei mais cedo e mais rebelde.

É madrugada, o corpo e a mente me expulsaram da cama, tinha de escrever.

Então, levantei sem resistência.

Há uma liberdade que não pedimos.

Ela não nasce de um ato de vontade, nem de uma decisão consciente, nem de um plano traçado com cuidado. Ela nos antecede. Ela nos envolve. Ela nos impõe. É a liberdade que nos encontra antes mesmo de sabermos que existimos — e é justamente por isso que a negamos.

Chamarei isso de liberdade não escolhida.


Jean-Paul Sartre disse que estamos “condenados a ser livres”. A palavra condenação aqui não é exagero retórico — é diagnóstico. Não escolhemos nascer, não escolhemos o tempo histórico, a família, o corpo, as circunstâncias iniciais. Ainda assim, somos lançados numa condição em que cada gesto, cada silêncio, cada omissão nos compromete.

A liberdade não escolhida é essa: a impossibilidade de não escolher.

Mesmo quando dizemos “não tenho escolha”, já escolhemos — escolhemos não agir, não resistir, não transformar. A liberdade não é um privilégio; é um fardo estrutural da existência.


Mas há um equívoco moderno: confundimos liberdade com variedade de opções.

Acreditamos que ser livre é poder escolher entre marcas, estilos de vida, opiniões pré-fabricadas. No entanto, isso é apenas um catálogo de alternativas dentro de um sistema que já decidiu por nós o que é possível desejar.

A liberdade não escolhida não se manifesta no cardápio — ela se manifesta na responsabilidade.

Responsabilidade radical por aquilo que fazemos com aquilo que não escolhemos.


Baruch Spinoza já sugeria algo desconfortável: julgamos ser livres porque conhecemos nossas ações, mas ignoramos as causas que nos determinam. A liberdade, então, não está em agir sem causas — isso seria impossível —, mas em compreender essas causas.

Aqui, a liberdade não escolhida ganha profundidade: não somos livres apesar das determinações, mas dentro delas.

Ser livre não é escapar da teia — é enxergar a teia.


E ainda assim, há resistência.

Queremos escolher a liberdade como quem escolhe um caminho mais agradável. Queremos sentir que somos autores plenos, soberanos absolutos. Mas a liberdade não escolhida desmonta essa fantasia: somos coautores de uma narrativa que começou sem nós.

E talvez termine sem o nosso controle.


N. Sri Ram oferece uma chave mais silenciosa: a verdadeira liberdade não está na afirmação do “eu quero”, mas na compreensão do movimento da vida como um todo. Quando cessamos de resistir ao que é, surge uma liberdade que não depende da escolha — uma liberdade de percepção.

Isso nos leva a uma inversão:

A liberdade não escolhida não é apenas peso — é possibilidade.

Ela nos liberta da ilusão de controle absoluto e nos convida a participar conscientemente do fluxo da existência.


Portanto, afirmamos:

  • Não somos livres porque escolhemos — somos livres porque não podemos evitar escolher.
  • Não somos livres fora das condições — somos livres na forma como respondemos a elas.
  • Não somos livres quando controlamos tudo — somos livres quando compreendemos o que nos move.

A liberdade não escolhida é o chão invisível da existência.

Ignorá-la é viver no automatismo.

Temê-la é fugir de si mesmo.

Assumi-la é entrar, finalmente, naquilo que significa existir.

E não há escolha nisso.

— apenas o reconhecimento.

sábado, 29 de junho de 2013

QUAL É O MAIOR PROBLEMA DO BRASIL E QUAIS AS CAUSAS?



Tudo começou na capital gaúcha, começou com um protesto contra o aumento da passagem do transporte coletivo, a repercussão foi grande, os noticiários focaram o movimento que iniciou sem maiores pretensões, aos poucos contaminou os gaúchos, outros anseios sufocados vieram a tona, as demais cidades se encorajaram, perceberam que o poder estava na atitude, na iniciativa de cada um, na coragem que quando somados se transformaram num tsuname avassalador.

A emoção tomou conta de todos brasileiros, mostrou o lado de um Brasil como a muito tempo não se via, a mãe gentil ficou gigantesca com as vozes unidas demonstrou seu tamanho, vozes com todo o tipo de clamores.

Estamos vivendo e construindo história, são momentos de intensa emoção, estamos com o sangue fervilhando, os fatos recentes nos estimulam a dar asas a todo tipo de protestos.

A sensação é de que as pessoas viviam enclausuradas, como zumbis que viviam dentro de uma redoma, quando a redoma trincou pelos protestos oriundos da população da capital gaúcha, a população brasileira percebeu a oportunidade, quebrou a redoma, saiu rapidamente do seu estado de torpor, foi ao encontro do ar fresco, tentando respirar, tentando sair do sufocamento.

Estamos vivenciando um novo grito de independência, um “sete de setembro” que surgiu num final do outono de 2013, com milhões vozes uníssonas, entramos no inverno aquecido pelos movimentos, esperançosos por mudanças.

A sensação de sufocamento irá diminuir aos poucos, porem após muitos gritos e berros, é preciso expelir o ar contaminado que esta preso em nossos pulmões, a cura do mal causado pelo aprisionamento esta no remédio das atitudes, nossas e de quem estiver no poder, seja judiciairio, legislativo ou executivo. 

Dependerá principalmente de cada um de nós, na atitude em rejeitar todo tipo de imposição maléfica, dominadora, enfim que mantenham ou levem a alienação.

Para haver harmonização do povo brasileiro, serão necessárias mudanças radicais, mudanças governamentais, mudanças do próprio povo, a começar pela extinção da lei de Gerson, pela coragem de ir de encontro ao infrator, lutar por seus direitos, se preciso retomar a marcha do protesto.

Estamos a véspera de eleições, esta chegando o momento de dar um basta a toda a sacanagem, a ciranda corrupta, a gentalha abundante do congresso, senado, presidência.

É preciso coragem, é preciso acabar com um senado desnecessário, tantos ministérios, tantos cargos de confiança, diminuir a quantidade de políticos, reduzir as despesas governamentais, demitir funcionários que entraram pela janela do tipo de garçons que ganham R$ 18.000,00 servindo cafezinhos no congresso. Precisamos nos livrar da estirpe do país das bananeiras, sair da banalização que impregnou o pensamento em achar que é tudo assim mesmo, que termina tudo em pizza, precisamos tirar privilégios como proteção parlamentar, devem os corruptos serem afastados e responder de maneira mais rígida e enérgica aos atos ilícitos, estes não são brasileiros.

Como resposta aos protestos, finalmente presenciamos nosso congresso trabalhar, nosso parlamentares, com suas gravatas compradas a custa do sofrimento do povo brasileiro, suas barrigas cheias de comida tirada do prato de milhões, estão agindo como cachorro sarnento assustado, um cachorro com sarna entranhada, um cachorro que deve ser tratado com o ácido da pressão constante, e a cura vira com a prisão dos corruptos, a extinção do meio político pelas eleições que se aproxima, depende de nós brasileiros continuarmos a pressionar, até extinguir esta corja de cães sarnentos.

Existem muitos clamores, clamores que apontam para diversos problemas, e sabemos que existem causas, causas que foram ao longo dos anos reforçadas pela submissão das pessoas e, sobrevivendo como podem, sempre dando um jeitinho brasileiro para driblar os problemas diários.

Escolhi algumas palavras chaves ao longo dos protestos, palavras que representam a diferença em viver num mundo digno e, as que mais ouvi foram:
Faltam: Educação, Segurança, Saúde, Transporte.
E o que tem demais: Corrupção.

Penso que a solução a nossos problemas apontados nos protestos, estejam na reconstrução de valores, valores como: Respeito, Justiça, Honestidade, Humanidade, Ausência de Preconceitos, Consciência, Dignidade, Ética, Solidariedade, Fraternidade, Coragem, Iniciativa.

O inicio da mudança encontra-se na família, encontra-se na educação, depois no ensino.

As virtudes podem ser fruto do exercício continuo, do exemplo que podemos dar a nossos filhos, a nossos familiares, a nossos amigos e a todos, inclusive e principalmente quando não há ninguém olhando. É preciso fazer o bem pelo próprio bem, sem esperar aplausos, sem esperar o reconhecimento, sentir-se bem pelo simples fato de agido com respeito, com justiça, com honestidade, com humanidade, sem preconceitos, com consciência, com dignidade, com ética, com solidariedade, com fraternidade, é preciso ter coragem e iniciativa como a que nossos jovens demonstraram nos protestos.

Temos muito trabalho pelas frente, não podemos permitir que se perca o foco com atitudes de vandalismo, somente usar a força se necessário e contra a quem de fato irá fazer diferença, devemos estar atentos aos movimentos dos poderosos, pois quem esta lá não irá querer perder a mamata, eles irão criar manobras, com atitudes espertas, uma cortina de fumaça, como acenar com medidas populares como a gratuidade da passagem gratuita para estudantes, sabemos que nada é gratuito, alguém sempre ao final paga a conta. 

Queremos respeito, não queremos mais mentiras, não queremos mais ouvir dizer que a construção bilionária dos estádios não foi com dinheiro publico, todos sabem que foi!, onde estão as obras que acompanhariam tal construção dos estádios, como estradas, metrôs e etc?



Ao marchar junto aos protestos, grito vamos em frente, e é uma grande honra ser BRASILEIRO!