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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Enfim, Dezembro


Dezembro sempre chega como quem abre a porta devagar, deixando entrar um vento que não é só de verão — é um vento de balanço. Um mês que parece ter memória própria, que nos chama para aquele tipo de reflexão que só aparece quando o ano começa a se despedir.

É curioso como, nas festas de final de ano, todo mundo tenta colocar a vida em ordem: arrumamos a casa, repensamos escolhas, revisitamos arrependimentos como quem folheia um álbum antigo. É quase um ritual filosófico, ainda que ninguém admita. A gente percebe que o tempo não corre — ele nos atravessa. E dezembro é o lembrete final, quase pedagógico, de que tudo muda, até aquilo que jurávamos eterno.

Nessas semanas, as luzes piscam nas ruas como se quisessem imitar o que sentimos por dentro: um misto de esperança, saudade e esse desejo meio secreto de recomeçar direito. Talvez seja isso que faz dezembro tão único: ele nos coloca diante do que fomos, mas também nos empurra para o que ainda podemos ser.

E, no fundo, há uma sabedoria simples escondida nesse mês: a de que celebrar não é esquecer a dureza do caminho, mas reconhecer que seguimos caminhando. Que apesar dos tropeços, chegamos até aqui. E que, por um instante, é permitido respirar, abraçar, agradecer — e sonhar de novo.

Dezembro não é só o fim. É o intervalo em que o espírito encontra um lugar para se ajeitar antes de começar outra jornada. E isso, por si só, já é filosofia suficiente para encerrar o ano com o coração um pouco mais inteiro.

 

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Pareidolia

Às vezes, tudo começa com uma bobeira: estou andando pela rua e, no muro gasto de um prédio antigo, vejo dois olhos, um nariz torto e uma boca meio debochada. É só um pedaço de tinta descascada, mas juro que ele me encara como quem diz: “coragem, meu amigo, o dia ainda nem começou”. E eu sigo, rindo sozinho, meio sem saber se estou ficando maluco ou apenas humano demais.

A pareidolia — esse hábito curioso de reconhecer rostos, figuras e sentidos onde só existe acaso — talvez seja uma das provas silenciosas de que nossa mente não aguenta o vazio. Precisamos preencher. Precisamos nomear. Precisamos olhar para o mundo como se ele nos devolvesse o olhar. É como se a realidade fosse um enorme espelho fosco e, na névoa, cada um desenha o que precisa ver.

E no cotidiano isso aparece sem pedir licença. O casaco jogado na cadeira vira alguém esperando seu retorno. O formato da nuvem decide imitar um cachorro. O som distante do ônibus que freia parece um suspiro cansado. Até o silêncio, às vezes, ganha uma expressão — quase sempre a nossa própria.

O filósofo Gaston Bachelard diria que a imaginação é uma “potência da alma”, não um defeito. Para ele, a mente humana se expande criando imagens que reorganizam o mundo. A pareidolia, vista por esse ângulo, deixa de ser um truque do cérebro e vira uma espécie de poesia automática: aquilo que enxergamos fora revela o que fermenta dentro.

E o mais curioso é que, ao projetarmos formas no mundo, acabamos deixando pistas daquilo que tem nos habitado. Quem anda angustiado encontra rostos apreensivos até no azulejo do banheiro. Quem está apaixonado descobre corações até no formato do vapor da chaleira. Quem está só vê companhia em sombras, manchas, vapores. A pareidolia é quase um diagnóstico simbólico, só que disfarçado de brincadeira.

No fundo, cada pequeno rosto que vemos no mundo — seja numa pedra, num tronco ou no céu — é uma espécie de lembrança suave de que não caminhamos tão sozinhos assim. Ou, talvez, de que carregamos companhia suficiente dentro de nós para povoar o universo inteiro.

E quando percebo um rosto aparecendo em algum canto do dia, não tento mais corrigir. Não digo: “é só uma mancha”. Prefiro aceitar. Porque talvez sejam justamente essas ilusões voluntárias que nos mantêm próximos do mistério. A realidade é rígida demais para suportar sempre a verdade nua — e, às vezes, tudo o que precisamos é um sorriso torto pintado no muro para lembrar que existe beleza quando a imaginação resolve brincar.

E, afinal, se o mundo insiste em nos olhar de volta, quem sou eu para negar?


quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Prosopopeia

Vozes Invisíveis

Há dias em que a casa parece falar. O relógio reclama do tempo que carrega, o sofá suspira sob o peso das rotinas, e a xícara — coitada — parece protestar toda vez que recebe o mesmo café morno. Atribuímos intenções às coisas, emoções aos objetos e vontades às forças da natureza. Fazemos isso desde a infância, quando o brinquedo que deixamos de lado parecia “triste” e o vento “brigava” com as janelas. É o instinto poético que nos resta: o de humanizar o mundo para suportá-lo.

A prosopopeia, ou personificação, é mais do que um recurso literário — é uma forma filosófica de dizer que o humano transborda. Que o sujeito não cabe em si e, por isso, espalha sua alma sobre tudo o que toca. Damos voz às coisas porque elas são extensão do nosso silêncio.

Filosoficamente, esse gesto pode ser lido como uma tentativa de reconciliação entre o sujeito e o mundo. A modernidade separou ambos: o “eu” e o “não-eu”, o observador e o objeto. Mas quando o mar “fala”, ou a cidade “chora”, estamos, de certo modo, devolvendo humanidade àquilo que o racionalismo retirou da existência. É o retorno da alma do mundo — aquilo que os antigos chamavam de anima mundi.

Atribuir voz às coisas é também uma maneira de confessar a solidão. Ao ouvir o murmúrio dos objetos, projetamos neles o eco do que não ousamos dizer. O filósofo Gaston Bachelard, ao estudar a poética do espaço, percebeu que a casa é uma extensão da alma: os cantos guardam lembranças, as escadas sabem dos nossos passos, e o sótão é o abrigo do imaginário. Assim, quando falamos com as coisas, é com partes de nós mesmos que dialogamos.

Há quem veja nisso ingenuidade; há quem veja poesia. Mas talvez seja filosofia em sua forma mais sensível: a que busca sentido não na abstração, mas na vibração das pequenas presenças. A prosopopeia é, afinal, o modo como o ser humano se desculpa com o mundo por tê-lo tornado mudo.

No fundo, as coisas falam — sempre falaram. Somos nós que, distraídos demais, deixamos de escutá-las.

O que diria Mario Sergio Cortella:

“Quando damos voz às coisas, não estamos apenas poetizando o mundo; estamos reconhecendo que o mundo nos devolve o que somos. O silêncio de um objeto pode dizer mais sobre nós do que nossas próprias palavras. A prosopopeia, nesse sentido, é um convite à humildade: lembrar que não somos os únicos a existir — apenas os únicos a falar em voz alta.”


quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Seres de Sobrecarga


Tem dias que a gente acorda já cansado. Antes mesmo do café, o peso do mundo já nos visita: mensagens não respondidas, metas inalcançadas, promessas esquecidas. Parece que vivemos como se tudo fosse urgente, tudo fosse essencial, tudo fosse pessoal. A isso, Nietzsche poderia chamar de "sobrecarga do espírito". Mas será que esse excesso é apenas um mal moderno? Ou já havia, no âmago da existência humana, uma tendência a se deixar esmagar pelo que carrega?

Nietzsche, em A Gaia Ciência e Assim Falava Zaratustra, nos convida a olhar para o que nos oprime não como vítimas, mas como criadores. O homem moderno — diz ele — se tornou um ser de sobrecarga porque perdeu a arte de esquecer. Acumula lembranças, dores, moralismos, expectativas, tudo em nome de uma pretensa evolução. Mas Nietzsche não acredita nesse acúmulo como virtude. Para ele, o excesso pesa, imobiliza, transforma o ser humano em um animal ressentido, incapaz de dançar.

O ser de sobrecarga é aquele que vive carregando tudo: o passado que não digeriu, os valores que não questiona, os desejos que não são seus. É um Atlas neurótico, dobrado não sob o peso do mundo, mas sob o peso de seus próprios “deveres”. O inovador aqui é pensar que a sobrecarga não é só uma questão de excesso externo, mas uma falha de digestão interna. Nietzsche nos sugere que a vida é uma arte do estômago: só vive bem quem sabe digerir.

Então, qual a saída? Nietzsche propõe o contrário do acúmulo: o esquecimento ativo, o desprendimento criador, a leveza do espírito que sabe dizer “sim” ao instante. O ideal nietzschiano não é um ser carregado de valores, mas um artista de si mesmo, alguém que escolhe o que vale a pena carregar e, principalmente, o que deve ser jogado fora. O Übermensch, ou além-do-homem, é aquele que transforma a sobrecarga em potência criadora, que usa a pressão para fazer jorrar sentido, não para se afundar em lamentos.

Hoje, quando sentimos a alma esgotada, talvez não estejamos trabalhando demais, mas vivendo de menos. Talvez estejamos apenas acumulando, como aqueles colecionadores de tralhas emocionais que Nietzsche tanto criticava. O convite nietzschiano é claro: esvazie-se. Esqueça. Escolha o que merece ser lembrado. E então, leve apenas o necessário — como quem dança, não como quem arrasta.

Afinal, como dizia o próprio Nietzsche: “Você precisa ter o caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante.” Mas cuidado: caos demais vira peso. Estrela que não dança, explode.

domingo, 24 de novembro de 2024

Caixa de Pandora

Outro dia, enquanto organizava o escritório, encontrei uma caixinha que continha objetos que me remeteram a lembranças. Dentro, havia uma miscelânea de coisas as quais nem lembrava que estavam ali. Cada objeto trazia uma memória boa, mas também aquela pontada de saudade, de coisas que nunca mais vão voltar. E aí pensei: será que a vida inteira não é como uma dessas caixas? A gente guarda emoções, histórias, dores e, bem no fundo, algo que parece nos manter de pé — esperança, talvez. Foi assim que lembrei da Caixa de Pandora, e me peguei refletindo sobre o que ela realmente significa.

A Caixa de Pandora: Esperança ou Ilusão Final?

A história da Caixa de Pandora é uma das mais enigmáticas e versáteis da mitologia grega. Um presente divino que, ao ser aberto, liberou todos os males do mundo, deixando apenas a esperança. Porém, essa última “benção” contida na caixa tem um papel ambíguo e provoca uma reflexão filosófica que pode ser desconcertante. Será a esperança um consolo ou uma continuação da punição?

Pandora como Metáfora do Humano

Pandora, criada pelos deuses como uma armadilha para os mortais, representa a complexidade da condição humana. Assim como ela, carregamos uma dualidade interna: o desejo de explorar o desconhecido e o risco das consequências que isso implica. A caixa poderia simbolizar nossa mente — um receptáculo de potencialidades, medos e esperanças. Ao abri-la, não seria este o ato essencial da autoconsciência, em que nos confrontamos com o caos interior?

O filósofo alemão Martin Heidegger talvez pudesse interpretar o ato de abrir a caixa como uma forma de desvelamento (aletheia). Ao trazer à luz os males escondidos, revelamos a verdade da existência: a vida é permeada por sofrimento, mas é nessa abertura que reside o sentido. A caixa, então, não é um erro, mas um convite à autenticidade.

Esperança: Um Presente ou Outro Engano?

A esperança, deixada na caixa, é muitas vezes vista como um conforto. Contudo, Nietzsche em "Humano, Demasiado Humano" alerta que a esperança pode ser o maior dos males, pois prolonga o sofrimento ao manter os homens presos à expectativa de um futuro melhor, impedindo-os de viver plenamente o presente. Nesse sentido, a esperança não seria uma saída, mas um ciclo interminável de frustração.

Por outro lado, filósofos como Ernst Bloch enxergam na esperança um motor revolucionário. Em sua obra "O Princípio Esperança", Bloch afirma que a esperança projeta o ser humano para o “ainda-não,” um futuro utópico que mobiliza a ação e a transformação do mundo. Assim, enquanto Nietzsche vê a esperança como uma ilusão, Bloch a enxerga como potência.

O Paradoxo do Fechamento

Curiosamente, a história de Pandora não diz se a caixa foi fechada de propósito ou por acidente, deixando a esperança lá dentro. Isso abre uma pergunta intrigante: a esperança está presa porque foi considerada perigosa ou porque precisava ser protegida? Talvez os deuses temessem que, solta no mundo, ela pudesse ser mal utilizada ou esvaziada de significado.

Aqui, a psicanálise entra em cena. Sigmund Freud poderia sugerir que a esperança é o mecanismo de defesa final do ego, algo que mantemos "preso" dentro de nós para evitar o colapso diante da realidade. A esperança é o que resta quando tudo parece perdido, mas também pode ser o que nos impede de aceitar as perdas inevitáveis.

O Inovador na Caixa

Se pensarmos na Caixa de Pandora sob uma ótica contemporânea, ela pode ser reinterpretada como um símbolo do excesso de informações e estímulos do mundo moderno. As redes sociais, por exemplo, atuam como caixas digitais que liberam todo tipo de "mal" psicológico: inveja, ansiedade, raiva. E, no entanto, também contêm uma esperança ilusória de conexão e reconhecimento.

Nesse cenário, talvez a verdadeira inovação filosófica esteja em questionar o papel da própria caixa. Precisamos mesmo abri-la? E se a sabedoria estiver em aceitar que não podemos conhecer ou controlar tudo? Como diria o filósofo coreano Byung-Chul Han, no mundo da hipertransparência e do excesso, a capacidade de deixar algo escondido ou misterioso é um ato de resistência.

A Caixa Dentro de Nós

A Caixa de Pandora continua a fascinar porque é um espelho da nossa condição. Carregamos dentro de nós nossos próprios males e nossa própria esperança, constantemente os libertando ou tentando mantê-los sob controle. Talvez a lição final seja que não devemos temer nem a caixa nem seu conteúdo, mas aprender a conviver com ambos. Afinal, como dizia Camus, a luta pelo sentido em meio ao absurdo é o que dá beleza à existência. Assim, a Caixa de Pandora não é apenas um conto antigo, mas um convite eterno à reflexão: o que você guarda dentro da sua caixa? E está pronto para abri-la?


sexta-feira, 5 de julho de 2024

Talvez, se...

Talvez se eu tivesse... Quantas vezes já começamos uma frase assim? É quase inevitável, não é? A vida está cheia desses momentos "e se", onde nos pegamos refletindo sobre as decisões que tomamos e as que deixamos de tomar. Ontem mesmo, enquanto caminhava pelo parque, vi um velho amigo do outro lado da rua. Eu hesitei por um momento e, antes que pudesse decidir se deveria atravessar e falar com ele, ele já havia desaparecido. "Talvez se eu tivesse atravessado...", pensei.

Lembrei de uma situação no trabalho, durante a reunião matinal, meu chefe mencionou uma nova posição que abriria na empresa. Era exatamente o tipo de desafio que eu vinha procurando. Mas em vez de levantar a mão e demonstrar interesse, permaneci em silêncio. "Talvez se eu tivesse falado naquela hora...", continuei a pensar durante o resto do dia.

Esses "talvez" também aparecem nas pequenas coisas. Ontem à noite, depois de um dia cheio, decidi assistir à TV em vez de ir malhar. "Talvez se eu tivesse ido malhar, me sentiria melhor agora...", refleti, enquanto me acomodava no sofá. É engraçado como, na maioria das vezes, nossas escolhas cotidianas são tão simples, mas as consequências delas podem nos assombrar.

No entanto, enquanto caminhava para casa hoje, recordei-me de uma leitura de um filósofo que gosto muito, Søren Kierkegaard. Ele escreveu que a vida só pode ser compreendida olhando para trás, mas deve ser vivida olhando para frente. Isso me fez pensar que talvez todos esses "e se" não sejam realmente úteis. Eles nos prendem ao passado e às possibilidades perdidas, em vez de nos permitir avançar.

Talvez se eu tivesse aproveitado a oportunidade de falar com meu amigo, poderíamos ter revivido boas memórias, mas também poderia ter sido uma conversa constrangedora e vazia. E se eu tivesse me candidatado à nova posição no trabalho, poderia ter me frustrado ainda mais com as responsabilidades extras. Quem sabe, se eu tivesse ido malhar, teria me sentido mais cansado e não relaxado como precisava.

Muitas vezes, projetamos nossos desejos e arrependimentos em um cenário idealizado, onde tudo teria sido perfeito se tivéssemos tomado outra decisão. No entanto, a realidade é bem mais complexa. Como disse o filósofo Jean-Paul Sartre, "Estamos condenados a ser livres". Cada escolha que fazemos vem com um peso e uma responsabilidade. Talvez o que precisamos não seja remoer os "talvez" do passado, mas abraçar as possibilidades do presente.

Então, quando você se pegar pensando "talvez se eu tivesse...", lembre-se de Kierkegaard e Sartre. Aceite que fez o melhor que pôde com as informações e o contexto que tinha naquele momento. E, mais importante, use essas reflexões para viver mais plenamente o agora, fazendo escolhas conscientes e corajosas, sem se prender aos fantasmas do passado. Afinal, a vida é muito curta para ser vivida em um constante estado de arrependimento.

terça-feira, 2 de julho de 2024

Luxo Nostálgico

Em um mundo onde a tecnologia avança a passos largos e o ritmo da vida parece estar sempre acelerado, há um movimento crescente de pessoas buscando algo diferente: o luxo nostálgico. Esse conceito não se refere apenas a itens de alta qualidade ou design requintado, mas também a hábitos e práticas cotidianas que evocam a simplicidade e a autenticidade do passado. Vamos pensar em algumas dessas práticas que, embora raras nos dias de hoje, trazem uma sensação de luxo e bem-estar à vida moderna.

Correspondência Escrita à Mão

Lembra-se da última vez que escreveu uma carta à mão? Em um tempo onde mensagens instantâneas e e-mails dominam a comunicação, sentar-se com papel e caneta para escrever uma carta pode parecer um luxo raro. O ato de escolher um belo papel de carta, uma caneta de tinteiro e dedicar tempo para escrever à mão algo significativo transforma uma simples correspondência em uma experiência especial. Receber uma carta escrita à mão tem um charme todo especial, uma conexão mais pessoal e tangível que é difícil de replicar digitalmente.

Escrever uma carta à mão é uma experiência que vai além das palavras escritas no papel. É um ato de conexão íntima e pessoal, onde cada traço da caneta revela não apenas o que é dito, mas também o cuidado e a consideração dedicados ao destinatário. A escolha do papel, a textura sob os dedos, e o tempo despendido na composição de cada frase refletem um esforço genuíno para comunicar de forma autêntica e significativa. Além disso, uma carta escrita à mão carrega consigo uma presença tangível e uma emoção que transcende as palavras digitais, criando uma lembrança palpável que pode ser revisitada e apreciada ao longo do tempo.

Leitura de Livros Físicos

Com o advento dos e-books e audiobooks, a prática de ler um livro físico pode parecer antiquada. No entanto, há um prazer inigualável em segurar um livro, sentir a textura das páginas e se perder na história sem as distrações das telas. Criar um canto de leitura aconchegante, talvez com uma poltrona confortável e uma luminária suave, e dedicar tempo para mergulhar em um bom livro é um verdadeiro luxo nos dias de hoje.

Rituais de Beleza Tradicionais

Nossos ancestrais sabiam como cuidar de si mesmos com produtos naturais e rituais que hoje consideramos luxuosos. Em vez de recorrer a cosméticos industrializados, que tal experimentar óleos essenciais, máscaras faciais feitas em casa com ingredientes frescos e até mesmo rituais como escovar o cabelo 100 vezes antes de dormir? Esses pequenos cuidados não apenas melhoram a aparência, mas também proporcionam momentos de autocuidado e relaxamento.

Cozinhar em Casa

A conveniência dos alimentos prontos e serviços de delivery é inegável, mas há algo profundamente satisfatório em cozinhar uma refeição do zero. Escolher ingredientes frescos, preparar cada componente com cuidado e, finalmente, saborear o prato pronto é uma experiência que envolve todos os sentidos. Cozinhar em casa não é apenas uma necessidade, mas pode ser uma forma de expressão criativa e um ato de amor, seja para si mesmo ou para quem você ama.

Encontros Sociais Presenciais

Com a proliferação das redes sociais e das videoconferências, as interações presenciais se tornaram mais raras. Organizar um jantar com amigos, um chá da tarde ou até mesmo um piquenique no parque são formas nostálgicas de socializar que podem parecer luxuosas na vida moderna. Esses momentos oferecem uma conexão mais profunda e significativa, longe das distrações digitais.

Uso de Objetos Antigos

Objetos antigos, como relógios de bolso, utensílios de prata e louças de porcelana, carregam histórias e memórias que novos itens não possuem. Incorporar esses objetos em seu dia a dia pode trazer uma sensação de continuidade e respeito pelo passado. Além disso, usar e cuidar de objetos duráveis e bem feitos pode ser uma forma de combater a cultura do descartável.

As lembranças de sua história presente na fotografia impressa.

A revelação de fotografias, uma prática que outrora era comum e apreciada, tornou-se um luxo nostálgico na era digital. Hoje, as fotos frequentemente ficam presas na memória de dispositivos eletrônicos, muitas vezes esquecidas e perdidas no vasto limbo digital. Quando mais precisamos delas, não estão à mão como as fotografias impressas cuidadosamente guardadas em álbuns. Revelar fotos não só traz de volta o prazer de tangibilizar memórias, mas também preserva momentos preciosos de maneira acessível e duradoura, permitindo que sejam facilmente compartilhados e apreciados em qualquer ocasião.

Atividades Artesanais

Trabalhar com as mãos é uma prática que tem sido redescoberta como uma forma de luxo nostálgico. Atividades como tricô, bordado, marcenaria e jardinagem não só produzem itens belos e úteis, mas também proporcionam uma sensação de realização e calma. Esses hobbies manuais são uma maneira de desacelerar e apreciar o processo de criação.

O Luxo da Simplicidade

Em meio ao ritmo acelerado da vida moderna, a simples possibilidade de dormir bem uma noite de sono se tornou um verdadeiro luxo nostálgico. Antigamente, o descanso era mais valorizado e menos fragmentado, proporcionando um sono profundo e revigorante. Hoje, com a constante conectividade e as demandas da vida urbana, dormir tranquilamente pode parecer um privilégio escasso. Valorizar e buscar condições adequadas para um sono de qualidade não só melhora nossa saúde física e mental, mas também nos conecta com um aspecto essencial de nossa natureza humana: a necessidade de descanso reparador.

Adotar práticas nostálgicas pode parecer um luxo em um mundo onde tudo é feito para ser rápido e eficiente. No entanto, essas práticas nos lembram que o verdadeiro luxo muitas vezes está nas coisas simples e autênticas. Ao valorizar e redescobrir esses hábitos, podemos encontrar um equilíbrio entre a modernidade e a tradição, criando uma vida mais rica e satisfatória. Afinal, o luxo nostálgico não é apenas sobre coisas, mas sobre momentos e experiências que realmente importam.

Então, por que não tentar incorporar um pouco de luxo nostálgico em sua rotina diária? Seja escrevendo uma carta, lendo um livro físico ou preparando uma refeição caseira, essas pequenas mudanças podem trazer um enorme prazer e uma sensação de bem-estar duradoura.