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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Animais Gregários


Tem uma coisa curiosa na nossa vida: a gente briga, discute, se afasta… mas, no fim das contas, sempre acaba voltando para perto de alguém. É quase como se existisse uma força silenciosa dizendo: “sozinho, você não funciona direito”. E talvez não funcione mesmo.

A biologia já nos entrega uma pista. Somos animais gregários — como lobos, elefantes ou até formigas. Mas diferente deles, nosso convívio não é apenas instintivo: ele é carregado de drama, expectativa, decepção e, ainda assim, insistência. A gente reclama das pessoas… mas sofre quando elas faltam.

Se puxarmos para a filosofia, Aristóteles já dizia que o ser humano é um animal político — no sentido de viver em comunidade. Fora dela, ou somos deuses ou somos bestas. E convenhamos: ninguém aqui vive como um deus. Ou seja, por mais que doa, o outro é condição da nossa própria existência.

Mas há um paradoxo interessante nisso tudo: se viver junto é natural, por que é tão difícil?

Talvez porque o convívio não seja apenas uma necessidade — ele é um campo de tensão entre o que somos e o que gostaríamos de ser. O outro nos expõe. Ele revela nossas limitações, nossas incoerências, nosso ego. Viver em grupo não é só compartilhar pão — é compartilhar imperfeições.

E ainda assim, insistimos.

Luiz Felipe Pondé costuma provocar dizendo que o amor — e por extensão, qualquer forma de convivência — é muito menos sobre harmonia e muito mais sobre tolerar o caos do outro. Isso muda completamente o jogo: talvez viver junto não seja um ideal bonito, mas uma espécie de pacto silencioso de suportabilidade mútua.

E isso explica muita coisa do cotidiano.

A família que discute no almoço de domingo, mas não deixa de se reunir.

Os amigos que se afastam, mas voltam como se nada tivesse acontecido.

Os colegas de trabalho que se irritam, mas dependem uns dos outros para tudo funcionar.

Não é que resolvemos as tretas. É que, no fundo, sabemos que a alternativa — o isolamento — cobra um preço ainda maior.

Aqui surge uma ideia interessante: talvez o verdadeiro sentido do gregário não seja a paz, mas a persistência. Não é viver bem juntos, mas continuar vivendo juntos apesar de tudo. Como se houvesse uma sabedoria implícita nisso: a de que o outro, mesmo sendo problema, também é solução.

Porque é no outro que encontramos reconhecimento, linguagem, identidade. Sozinho, o “eu” até existe — mas não se constrói. Ele fica meio cru, meio indefinido, como uma ideia que nunca foi testada no mundo real.

Então, no fim, viver em grupo é meio isso: um laboratório permanente de humanidade. Um lugar onde erramos, nos irritamos, nos afastamos… e voltamos. Sempre voltamos.

Talvez porque, no fundo, a gente saiba — mesmo sem admitir — que ser humano não é algo que se consegue sozinho.


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Desapossamento Democrático?


Talvez a democracia não esteja sendo destruída — mas lentamente esvaziada. Não por golpes abruptos, tanques nas ruas ou decretos explícitos, mas por um processo mais sutil: a retirada progressiva do poder real das mãos daqueles que, em tese, o detêm — o povo. Vivemos, assim, um paradoxo inquietante: nunca se falou tanto em democracia, e talvez nunca ela tenha sido tão pouco vivida em sua substância. É nesse cenário que emerge a noção de desapossamento democrático — um fenômeno em que os cidadãos continuam formalmente incluídos no sistema político, mas materialmente afastados das decisões que moldam suas vidas.

Democracia: entre forma e substância

A tradição clássica da democracia, desde a pólis grega, sempre carregou uma tensão entre participação e representação. Pensadores modernos como Alexis de Tocqueville já advertiam que a igualdade formal poderia conviver com novas formas de servidão. No mundo contemporâneo, essa tensão ganha contornos mais sofisticados.

O filósofo político Jacques Rancière argumenta que a democracia verdadeira não é apenas um regime institucional, mas a irrupção constante da igualdade — um momento em que aqueles que não têm parte reivindicam seu lugar. No entanto, o que observamos hoje é um deslocamento: a democracia deixa de ser um espaço de disputa viva e se torna um conjunto de procedimentos técnicos, muitas vezes capturados por elites políticas e econômicas.

Assim, o desapossamento democrático não significa a ausência de eleições ou instituições, mas a transformação dessas estruturas em mecanismos que já não respondem efetivamente à vontade popular.

A tecnocracia e a neutralização do político

Um dos motores desse processo é a ascensão da tecnocracia. Decisões fundamentais — sobre economia, orçamento, políticas públicas — são frequentemente transferidas para especialistas, bancos centrais independentes, organismos internacionais ou algoritmos. Embora a expertise seja necessária, ela pode operar como um véu que despolitiza escolhas profundamente normativas.

Jürgen Habermas alertava para a “colonização do mundo da vida” por sistemas técnicos e burocráticos. Nesse contexto, o cidadão deixa de ser agente político e passa a ser espectador ou, no máximo, consumidor de políticas públicas. A linguagem técnica substitui o debate público, e o dissenso é tratado como ignorância ou irracionalidade.

O resultado é um esvaziamento da esfera pública: o debate democrático cede lugar à gestão, e a política é reduzida à administração eficiente de consensos previamente definidos.

Capital, mídia e captura da vontade coletiva

Outro eixo central do desapossamento democrático reside na relação entre poder econômico e poder político. Karl Marx já apontava que as estruturas políticas tendem a refletir as relações de produção dominantes. Hoje, essa influência assume formas mais difusas, mas igualmente eficazes.

Grandes corporações, mercados financeiros e conglomerados midiáticos moldam agendas, influenciam eleições e delimitam o horizonte do possível. Pierre Bourdieu descreveu como o poder simbólico opera de maneira invisível, naturalizando hierarquias e interesses.

Nesse cenário, o cidadão é constantemente interpelado como consumidor — de produtos, de informações, de narrativas políticas. A opinião pública, longe de ser expressão autônoma da vontade coletiva, torna-se um campo disputado por estratégias de marketing e manipulação informacional.

O desapossamento democrático, portanto, não é apenas institucional, mas também cognitivo: perde-se a capacidade de imaginar alternativas.

A ilusão participativa na era digital

Paradoxalmente, a expansão das redes digitais criou a sensação de maior participação. Curtidas, compartilhamentos e comentários são frequentemente percebidos como formas de engajamento político. No entanto, como observam autores como Byung-Chul Han, essa hiperatividade pode mascarar uma profunda passividade estrutural.

A participação digital muitas vezes não se traduz em poder decisório. Plataformas privadas regulam o debate público, algoritmos filtram visibilidade e a lógica da atenção fragmenta o pensamento crítico. O cidadão fala mais, mas decide menos.

Essa dinâmica produz uma “democracia performativa”: os indivíduos expressam opiniões, mas raramente influenciam estruturas. O gesto substitui a ação; a visibilidade substitui o poder.

Possibilidades de reapropriação

Diante desse cenário, a questão central não é apenas diagnosticar o desapossamento, mas pensar caminhos de reapropriação democrática. Isso implica recuperar a dimensão conflitiva da política — não como ameaça, mas como condição de vitalidade.

Experiências de democracia participativa, assembleias cidadãs, orçamentos participativos e movimentos sociais indicam que é possível reabrir espaços de decisão. Mais do que isso, exigem uma transformação cultural: o reconhecimento de que a democracia não é um estado garantido, mas uma prática contínua.

Hannah Arendt lembrava que a política nasce quando os indivíduos aparecem uns aos outros como iguais, em um espaço comum de ação e palavra. Reapropriar-se da democracia é, portanto, recriar esse espaço — contra as forças que o esvaziam.

Concluindo...

O desapossamento democrático não é um evento, mas um processo — silencioso, gradual e, justamente por isso, perigoso. Ele não elimina a democracia; ele a mantém como forma enquanto retira sua substância.

Reconhecer esse fenômeno é o primeiro passo para enfrentá-lo. Afinal, a democracia não se perde apenas quando é destruída, mas também quando deixa de ser vivida. E talvez o maior desafio do nosso tempo seja justamente este: transformar cidadãos novamente em sujeitos políticos, capazes não apenas de participar, mas de decidir.

Em última instância, a pergunta que permanece é simples e radical: quem governa — de fato? A resposta a essa pergunta define não apenas o futuro da democracia, mas o sentido da própria vida coletiva.

sábado, 25 de agosto de 2012

O HOMEM É UM ANIMAL POLITICO




Estamos vivendo momento de grande importância, a soma das decisões individuais irão decidir os rumos de nossa sociedade.
É na política que podemos exercer nossa vontade, para cada voto consciente e refletido, obteremos eco a nossos anseios, e com certeza as chances de acertar se multiplicam.
Em grande numero ouvimos as pessoas falarem em política, sem terem presente o que significa e como o mundo aderiu as diferentes formas de governar.
Quem já ouviu a frase: O Homem é um animal político?, alguns afirmam que ouviram em algum momento, e acredito que devem ter imaginado o que esta frase contem? Será tão misterioso seu significado?
Faço sempre referência a dois filósofos que tratam muito bem do assunto do que seja a política, são eles: Aristóteles e Hobbes.

ARISTÓTELES
Zoon Politikon (Animal Político) é uma expressão utilizada pelo filósofo grego Aristóteles de Estagira (384 a.C – 322 a.C), discípulo de Platão, para descrever a natureza do homem – um animal racional que fala e pensa (zoon logikon), em sua interação necessária na cidade-Estado (pólis).
Pode-se afirmar, de maneira simples e direta que, para Aristóteles, o homem é um animal político na medida em que se realiza plenamente no âmbito da pólis. Segundo Aristóteles, a “cidade ou a sociedade política” é o “bem mais elevado” e por isso os homens se associam em células, da família ao pequeno burgo, e a reunião desses agrupamentos resulta na cidade e no Estado (“Política”, cap.I, Livro Primeiro). Todavia, esta rápida acepção carece de uma explicação detalhada, indispensável para uma melhor compreensão do termo. Até porque, bem sabemos, o autor de “Política”, “Ética a Nicômaco” e a "Magna Moralia” deixou-nos acima de tudo um legado de extremo rigor lógico que não pode ser jamais desconsiderado, faço referência ao “Pai da Lógica”.
Para Aristóteles, o homem é tão capaz de “desejos” e “afecções” (vontade ou alma desiderativa) quanto está apto a adquirir inteligência (razão ou alma racional). Complexo, o homem é o único zoon com capacidade para agir orientado por uma moral, de modo que suas ações e juízos resultam ora em vício, ora em virtude. Mas o que define essa moral? Existe nela um conteúdo invariável?
Para começar a responder a essas indagações preliminares, é preciso resgatar um pensamento aristotélico que remete ao núcleo do modelo republicano: a sociedade precede o indivíduo. Em outras palavras, o todo precede a parte. Para Aristóteles, um homem incapaz de “viver em sociedade” ou alheio ao Estado é um “bruto ou uma divindade”. Em algumas edições de “Política”, a frase dele é assim traduzida: “O todo deve, necessariamente, ser posto antes da parte”. Isso, obviamente, seria próprio de uma tendência gregária detectável em várias espécies. Mas, de acordo com Aristóteles, o diferencial do homem está no fato de ele não se unir aos demais apenas para a satisfação de seus desejos imediatos (reprodução, proteção, alimentação, etc.), saciados no seio da família ou da aldeia. Ele tende a ir além, dar vazão às suas potencialidades, e nesse ponto entra a importância da pólis (cidade)para sua realização.
Evidentemente, e amparado pelos debates sobre o tema, creio ser reveladora a ênfase dada por Aristóteles à comunicação humana. Ao conceituar as coisas (significar, classificar) e estabelecer relações mediadas pela palavra (retórica, argumentação), o homem detém a condição de quantificar e qualificar (racionalizar) suas ações, locais e objetos. E é também a partir da formação intelectual, moral e física que ele encontra o equilíbrio vital para atingir a virtude.
Em Artistóteles, a virtude é agir conforme a razão dos valores universais de uma determinada pólis. Ou seja, o que desejo como bom deve equivaler àquilo de melhor para a minha sociedade. E sejam quais forem as especificidades dessas regras, o bem comum será invariavelmente a felicidade, a justiça, o bem viver na sociedade política.
Assim, o homem é um animal político, pois, na pólis, ele consegue orientar-se pela conduta moral mediada por leis estabelecidas pelos elementos intelectuais (adquiridos no processo de formação) e moral (lapidada pelos hábitos racionais e pela experiência vivida). O homem é, portanto, um receptáculo pronto a receber e experimentar ensinamentos e vivências, sem os quais sua existência ficaria incompleta, sendo comandada apenas pelas vontades. A propósito, eis a razão para a prudência ser tão estimada na pólis aristotélica: somente com a experiência e a inteligência consegue-se antever as consequências de um ato desviante à moral do grupo.
É interessante perceber que o pensamento aristotélico não oferece uma receita dogmática fechada. Depreendemos da obra do filósofo grego que a grande chave da moral é o racionalismo, sendo o conteúdo dela determinado pelo consenso da sociedade política.
Em suma, o homem busca a pólis para viver a plenitude de suas potencialidades enquanto espécie, e para suprir condições que outros agrupamentos (família, aldeia) estão, quando isoladas, aquém de proporcionar. A pólis não exclui a dimensão da família, na qual o homem se reproduz e se abriga; na verdade, a pólis é a arena na qual ele faz escolhas e se relaciona por meio de regras que podem levá-lo à virtude. Observo, por fim, que Aristóteles não vê os homens como “naturalmente” virtuosos; eles possuem, na realidade, os predicados necessários para, na condição de animal político, obter a felicidade e o bem comum. O seu sentido de completude.
O ser humano em sua própria natureza seria incapaz de sobreviver isolado dos outros, o que gera a necessidade de constituir associações e o próprio Estado comum a todos. Aristóteles em seu estudo sobre a política humana, além de observar as cidades-estados gregas, buscou elaborar um estudo sobre uma ordem natural organizacional do homem.
O universo seria regido por leis eternas e imutáveis, da mesma forma o Estado, mesmo dependendo dos atos humanos, seria regido por uma constituição que expressaria a própria natureza do Estado. Nos textos de Aristóteles, o conjunto ou associação formada por vários povoados resulta numa cidade perfeita com todos os meios para se auto abastecer , com o objetivo de oferecer bem-estar a todos.
Aristóteles escreveu : “É por isso que podemos dizer que toda cidade é um fato da natureza, visto que foi a natureza que formou as primeiras associações; porque a cidade, ou sociedade civil, é o fim dessas associações. Ora, a natureza dos seres está em seu fim; porque o estado em que cada ser vem a encontrar-se, desde o momento de seu nascimento e até o seu perfeito desenvolvimentos.
É evidente, pois, que a cidade é por natureza anterior ao indivíduo, porque, se o indivíduo separado não se basta a si mesmo, será semelhante às demais partes com relação ao todo

HOBBES
Em Hobbes podemos entender que o homem é movido pelo instinto de conservação, e em sua luta diária pela sobrevivência, aceita um comando superior, através de acordo submete-se a vontade de terceiros.
Hobbes inicia a sua argumentação com a premissa de que no estado de natureza todos os homens são movidos pelo instinto de conservação. A luta pela sobrevivência instaura a guerra de todos contra todos.
O medo da morte violenta associado à consciência de que é mais vantajoso viver no estado civil (instinto de conservação + razão) produz no homem o desejo de viver em paz.
Desta forma, de livre vontade, visando apenas o interesse próprio de conservação, os homens chegam, então, a um acordo. Todos irão renunciar aos seus direitos naturais e submeter-se integralmente a um poder soberano.
A função do soberano é assegurar que todos respeitem o contrato social e, dessa forma, garantir a vontade de todos que é a paz e a segurança individual. Para desempenhar bem esta função, o soberano deve exercer um poder absoluto, sem estar subordinado a ninguém; e nem mesmo a uma Carta Magna. Só dessa forma seria possível subjugar os interesses particulares, o individualismo cada vez mais acirrado presente na sociedade de relações mercantilizadas, o qual colocava em xeque o interesse geral, isto é, a convivência pacífica dos homens.
Através deste raciocínio lógico-dedutivo, desta construção do pensamento, chega-se à justificação do poder absoluto, do poder inquestionável. O poder soberano é legítimo, enfim, porque:
a)    é constituído a partir da vontade livre de indivíduos livres e iguais; e de comum acordo, ou seja, do consenso.
b)    assegura o interesse de todos que é viver em paz, com segurança, livre do medo da morte repentina e violenta.
Se o poder soberano não conseguir realizar o interesse de todos, isto é, a obediência de todos ao contrato social, pode vir a ser deposto por uma rebelião. Concluir-se-á, nesse caso, que o soberano não era legítimo.
Por que Hobbes defende o absolutismo
A instauração da era moderna é desencadeada pela expansão do comércio que dá origem a uma poderosa classe burguesa ao mesmo tempo em que promove a avidez consumista da nobreza.
Estas classes passam a se orientar por uma nova ética, individualista e instrumental, que justifica a busca do interesse privado pelo indivíduo sem se importar com os interesses da coletividade. O calvinismo e as idéias dos pensadores modernos irão fundamentar esta nova ética revolucionária, de fundo mercantil.
Essa nova ética dos tempos modernos gera uma energia social fabulosa que transformará a face do planeta. Mas, ao mesmo tempo, irá produzir muita miséria, violência e destruição.
O indivíduo que despontava na era moderna — livre dos grilhões estabelecidos pela ética católica — encarnado na figura do comerciante, banqueiro e proprietário de terras, estava convulsionando a ordem social, destruindo valores morais comunitários, favorecendo a ocorrência de guerras civis, expulsando os camponeses das terras, explorando os mais fracos, saqueando as terras descobertas.
A propriedade da terra, por exemplo, estava deixando de ser a suposta fonte destinada ao bem estar da comunidade para se tornar fonte de acumulação de riquezas de indivíduos particulares. Era para Hobbes, certamente, um imenso escândalo ético considerar a terra, — que era um bem sagrado da comunidade —, uma mercadoria como outra qualquer, passível de ser vendida e comprada livremente apenas para atender a interesses privados de indivíduos em prejuízo de milhares de camponeses que ficavam sem trabalho. A garantia da propriedade para todos era fundamental, segundo Hobbes, para a paz social.
A divisão do poder soberano entre o monarca e o parlamento não pode, segundo Hobbes, garantir a estabilidade política e social. Pelo contrário, fomentaria a eclosão da guerra civil.
O conflito político crucial da Inglaterra naquele momento é definido pelo interesse do rei em consolidar o poder absoluto e pelo interesse da burguesia em conquistar o poder político a fim de garantir seus interesses econômicos, livre das decisões arbitrárias do monarca.
A solução antevista por Hobbes é o poder absoluto. A partir de 1640, Hobbes passou a estar a serviço do rei, Carlos I, na luta contra os interesses burgueses presentes no Parlamento.
O Estado nacional, concebido, em tese, para a defesa do interesse público, estava se tornando, com a divisão de poderes, um instrumento da burguesia e dos grandes proprietários de terra para, através do parlamento, defender seus interesses privados, cada vez mais poderosos.
O poder soberano absoluto, segundo Hobbes, poderia expulsar da sociedade aqueles que se esforçassem por guardar coisas que para eles fossem supérfluas enquanto outros sofressem da sua carência e privação. O soberano é que deveria ficar encarregado de distribuir as terras do país em nome da eqüidade e do bem comum.
O poder absoluto seria necessário enfim para impedir os abusos e a violência cometida pelos mais fortes contra os mais fracos porque isso poderia desagregar a sociedade e destruir a paz civil. O Estado absoluto, o Leviatã, deverá ser o monstro bíblico cruel que protegerá os peixinhos miúdos contra a ameaça dos tubarões graúdos que desejam devorá-los.

Significado histórico da teoria política de Hobbes
O trabalho teórico de Hobbes está vinculado à preocupação com a formação do Estado nacional. E, mais particularmente, com a constituição do governo soberano, com a centralização do poder político.
O autor de O Leviatã inaugura uma discussão dentro da teoria política que é a da legitimação racional do poder. Em outros termos, a legitimação racional da obediência do indivíduo ao Estado.
Hobbes detecta a força social que despontava na era moderna e que estava convulsionando a Europa: o indivíduo autônomo que luta apenas pelos seus interesses materiais particulares encarnado na burguesia nascente cada vez mais poderosa. Como controlar essa força social revolucionária que parecia desagregar os fundamentos da vida em sociedade?
O autor, na verdade, funda a visão moderna de Estado. As leis e o governo não têm a função de realizar a síntese dos interesses particulares dominantes na sociedade mas garantir apenas um interesse comum: a paz e a segurança individual. E para poder realizar este interesse comum o poder político precisa ser autônomo em relação a todos os interesses particulares.
Se o Estado garantir a segurança individual, cada um pode ser livre para fazer o que bem entender em sua vida privada — seguir a religião que julgar a verdadeira, a ideologia que considerar a correta, votar no partido que quiser, escolher a profissão que for de seu agrado, ir morar onde preferir. Antecipa-se assim a tese liberal de que o jogo do mercado é que deve regular as relações sociais e não o Estado.
E Hobbes lança uma idéia que vai se constituir no fundamento da democracia: o poder político legítimo é aquele que se institui a partir do consenso, do consentimento de todos, visando realizar o interesse comum de toda a sociedade. Ou seja, Hobbes promove uma revolução: não é mais o indivíduo que existe em função do Estado, mas é o Estado que deve existir em função do indivíduo. E mais que isso, o Estado e a Sociedade são fundados e ordenados a partir da vontade livre de indivíduos.
Hobbes insinua um outro fundamento do Estado nacional. Dentro de um território nacional, os indivíduos vivem juntos não em razão de uma cultura, costumes, tradições, religião, visão de mundo, língua, raça, etnia ou uma meta ideológica e política comum. Mas podem conviver pacificamente, apesar das desigualdades sociais e das diferenças existentes, pelo simples fato de que todos estão subordinados a regras comuns, a direitos, deveres e obrigações comuns.
Na teoria de Hobbes percebe-se o fundamento essencial do Estado: a segurança individual, o desejo comum de viver em paz como aquilo que possibilita a convivência de indivíduos desiguais em sociedade.
A idéia de que o Estado e a sociedade nascem a partir da vontade livre de indivíduos que estabelecem contratos entre si é uma idéia que exprime os tempos modernos. Hobbes fundamenta o poder político a partir de uma lógica instrumental individualista própria do novo espírito burguês nascente, apesar de reagir, em termos políticos, contra este novo espírito. O papel do Estado é garantir a segurança do indivíduo porque é isso que promove condições para a sua efetiva liberdade.
O que funda o poder político e as relações sociais não é o respeito ao próximo (Moral); o temor a Deus (Religião); os interesses nacionais (Razões de Estado); a honra (Códigos da nobreza). Mas sim o interesse próprio, o bem estar e a segurança de cada indivíduo na esfera da vida privada (Utilidade).

Estamos prestes a escolher nossos representantes na Câmara Municipal, estamos ouvindo atentos aos debates e as propostas.
Penso que decidir pela melhor proposta de um vereador, é mais significativo do escolher pela proposta de um prefeito.

Qual a importância da Câmara nas decisões sobre a administração das cidades?
A Câmara Municipal corresponde ao Poder Legislativo, ou seja, cabe aos seus componentes a elaboração de leis que são da competência do Município (sistema tributário, serviços públicos, isenções e anistias fiscais, por exemplo). Os vereadores são importantes, também, porque lhes cabe fiscalizar a atuação do prefeito e os gastos da prefeitura. São eles quem devem zelar pelo bom desempenho do Executivo e exigir a prestação de contas dos gastos públicos. Uma função importante dos vereadores, porém desconhecida por boa parte da população, é a de funcionar como uma ponte entre os cidadãos e o prefeito, por meio de um recurso chamado indicação. Tal recurso consiste em um documento que o vereador envia a prefeitura ou outro órgão municipal solicitando um pedido apresentado por um eleitor. Os pedidos podem variar desde a poda de uma árvore até a reforma de uma escola. Como não funcionam como uma lei, as indicações não exigem que o vereador faça nenhuma consulta em plenário para apresentá-las ao prefeito. Cabe ao prefeito ou secretário atender ou não à solicitação, sem que para isso precisasse ter sido apresentado algum projeto do vereador.
Eu já tenho meu candidato!
E você? Não vá me falar que vai pegar o primeiro “santinho” que lhe derem no dia das eleições?
Eu já tenho meu candidato a vereador, a principio fiquei surpreso com sua candidatura, porem a surpresa foi ótima, tenho-o em alta consideração, nestes anos de convivência pude admirar a pessoa e o profissional. Este com certeza esta eleito, pois é muito bem quisto, em sua plataforma esta contemplada a educação. É na educação que esta contida a solução da maioria dos problemas de nossa sociedade. Ele lembra das pessoas com deficiências de varias ordens e dos idosos.
Se quiserem uma colinha ai vai.
Professor Zé Luis nº 23003
Forte Abraço

FONTES DE INFORMAÇÃO:
ARISTÓTELES. A Política. São Paulo: Escala, col. Mestres Pensadores, 2008
LOPES, Marisa. Animal Político: estudos sobre justiça e virtude em Aristóteles. São Paulo: Singular, 2009. STRATHERN, Paul. Aristóteles em 90 minutos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997

VINI, François. Compreender Aristóteles. São Paulo: Vozes, 2006.