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domingo, 10 de maio de 2026

Paixão pela Ausência


Tem um tipo de sentimento que é meio contraditório — e, justamente por isso, difícil de admitir: a paixão pela ausência.

Não é simplesmente saudade. Saudade é falta que dói e quer ser preenchida. A paixão pela ausência é outra coisa. É quando a falta vira presença. Quando aquilo que não está ali ocupa mais espaço do que aquilo que está.

Eu percebo isso em situações bem comuns.

Você abre uma conversa antiga no celular. A pessoa não está mais na sua vida, mas a memória está inteira ali — intacta, até mais organizada do que quando era real. Você relê mensagens, revive tons, imagina desfechos diferentes. E, por um instante, parece melhor assim: sem atrito, sem contradição, sem risco.

A ausência começa a ser mais confortável do que a presença.

Sigmund Freud já sugeria que a mente humana tem uma tendência curiosa: ela não apenas sofre com a perda, mas também a reorganiza. A gente molda a lembrança, suaviza as falhas, intensifica o que era bom. No fim, o que fica não é exatamente a pessoa — é uma versão editada dela.

E aí nasce algo estranho: um apego não ao outro, mas à ideia do outro.

No cotidiano, isso aparece de formas quase invisíveis.

Aquela música que você evita… mas não apaga.

O lugar que você não frequenta mais… mas também não substitui.

O hábito que ficou suspenso no tempo, como se estivesse esperando alguém voltar.

É como se a ausência criasse um espaço sagrado — intocável.

Roland Barthes, no seu jeito delicado de olhar para o amor, falava sobre isso ao tratar da espera e da falta. Para ele, o sujeito apaixonado vive muito mais no intervalo do que no encontro. A ausência não é só sofrimento — ela é também um campo fértil de imaginação.

E talvez seja aí que mora o perigo.

Porque a ausência não discute.

Ela não decepciona.

Ela não muda de ideia.

Ela permite que você projete tudo o que quiser.

Na vida real, o outro chega atrasado, fala algo que você não gosta, muda de humor, não corresponde exatamente. Na ausência, não. Na ausência, o outro cabe perfeitamente no seu desejo.

E, sem perceber, a gente pode começar a preferir isso.

Já viu alguém que nunca “supera” completamente uma história? Que mantém sempre um pedaço guardado, como se fosse um refúgio? Às vezes não é incapacidade de seguir em frente — é escolha silenciosa. Porque, no fundo, aquela ausência virou um lugar seguro.

Não exige negociação. Não exige presença real.

Mas também não devolve vida.

Jean-Paul Sartre dizia que o ser humano está condenado à liberdade — e isso inclui a responsabilidade de lidar com o real, com o que é imperfeito, imprevisível. A ausência, nesse sentido, pode ser uma fuga: um espaço onde nada nos confronta.

Só que tem um detalhe importante: viver preso à ausência é viver em suspensão.

É como manter uma cadeira vazia na mesa. No começo, é um gesto bonito, quase simbólico. Mas, com o tempo, aquela cadeira começa a impedir que alguém novo se sente.

E a vida continua acontecendo — com ou sem esse lugar ocupado.

Talvez a questão não seja eliminar a ausência. Ela faz parte. Toda relação, em algum momento, deixa um rastro. O problema é quando a gente se apaixona por esse rastro e esquece do caminho.

No fim, a paixão pela ausência é uma forma de permanência — mas uma permanência sem troca, sem surpresa, sem transformação.

E viver, no fundo, exige exatamente o contrário.

Exige presença.

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Paixão e Perseverança

Há uma frase que diz que o sucesso é a soma de pequenos esforços repetidos dia após dia. Mas o que realmente impulsiona esses esforços? Duas forças poderosas: paixão e perseverança. São elas que transformam sonhos em realidade, obstáculos em oportunidades e fracassos em lições valiosas.

Vamos começar falando sobre paixão. Ela é a faísca que acende o fogo dentro de nós, a força que nos impulsiona a seguir em frente quando tudo parece difícil. Imagine-se apaixonado por algo: seja uma causa, um projeto, ou uma habilidade. Essa paixão é o que faz você se levantar de manhã com entusiasmo, pronto para enfrentar os desafios que o dia pode trazer.

A paixão também é contagiosa. Quando você está verdadeiramente apaixonado por algo, isso transparece em tudo o que faz. Você irradia energia e entusiasmo, inspirando aqueles ao seu redor a também perseguirem seus próprios sonhos com fervor.

Mas a paixão, por si só, não é suficiente. É a perseverança que transforma essa chama inicial em uma brasa constante, capaz de resistir aos ventos contrários. A perseverança é a determinação de continuar seguindo em frente, mesmo quando o caminho parece íngreme e cheio de obstáculos.

Todos enfrentamos momentos de dificuldade e desânimo em nossas jornadas. É aí que a perseverança se torna ainda mais crucial. É fácil desistir quando as coisas não saem como planejamos, mas é justamente nessas situações que precisamos nos lembrar do porquê começamos em primeiro lugar.

Um exemplo de nosso cotidiano poderia ser alguém aprendendo a tocar um instrumento musical. Imagine alguém que está aprendendo a tocar violão. No início, pode ser desafiador, com dedos doloridos e notas desafinadas. Mas, se essa pessoa realmente tem paixão pela música e está determinada a aprender, ela continuará praticando, mesmo quando as coisas ficarem difíceis. Com o tempo e a perseverança, ela eventualmente dominará as técnicas e será capaz de tocar músicas de forma fluente e expressiva. Essa jornada requer paixão pela música para motivar a prática diária e perseverança para superar os obstáculos ao longo do caminho.

Aprender uma língua estrangeira é outro excelente exemplo! Imagine alguém que está aprendendo um novo idioma, como inglês, por exemplo. No início, pode ser um desafio entender e pronunciar palavras, e a gramática pode parecer confusa. No entanto, se essa pessoa realmente tem paixão por aprender a língua e está determinada a se comunicar fluentemente, ela continuará praticando, mesmo quando encontrar dificuldades. Com o tempo e a perseverança, ela começará a compreender melhor o idioma, a construir frases mais complexas e a se comunicar de forma mais eficaz. Essa jornada exige paixão pela nova cultura e língua, bem como perseverança para superar as barreiras que surgem ao longo do caminho.

Pense nos grandes nomes da história: os inventores, os artistas, os empreendedores. O que todos eles têm em comum? Além do talento e da visão, possuem uma dose saudável de paixão e uma determinação inabalável de perseguir seus objetivos, não importa o que aconteça. Então que tal a história de Thomas Edison e sua invenção da lâmpada elétrica? Edison tentou mais de mil vezes até finalmente conseguir criar uma lâmpada que funcionasse. Ele disse algo como: "Não falhei, apenas encontrei mil maneiras que não funcionam". Isso mostra a paixão dele pela inovação e a perseverança incansável para alcançar o sucesso.

Como podemos cultivar essa combinação mágica de paixão e perseverança em nossas próprias vidas? Primeiramente, precisamos encontrar aquilo que nos apaixona. Isso pode exigir um pouco de autoconhecimento e exploração, mas quando encontramos, é como se uma luz se acendesse dentro de nós.

Em seguida, precisamos estar dispostos a enfrentar os desafios que inevitavelmente surgirão em nosso caminho. Isso significa estar preparado para falhar, aprender com os erros e continuar seguindo em frente, mesmo quando parece difícil.

E, por fim, precisamos alimentar essa chama diariamente. Isso pode significar dedicar tempo e esforço ao nosso objetivo, mesmo quando não parece haver progresso imediato. É a consistência ao longo do tempo que realmente faz a diferença. Então, quando se encontrar diante de um desafio aparentemente insuperável, lembre-se: com paixão e perseverança, não há limite para o que você pode alcançar.