Sobre o Autor
AILTON KRENAK nasceu em 1953. Filósofo,
poeta, líder indígena, ativista do movimento socioambiental e de defesa dos
direitos indígenas, organizou a Aliança dos Povos da Floresta, que reúne
comunidades ribeirinhas e indígenas na Amazônia. É comendador da Ordem de
Mérito Cultural da Presidência da República e professor doutor honoris causa
pela Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais.
Krenak é autor de vários livros: Ideias
para adiar o fim do mundo; A vida não é útil; O amanhã não está à venda; O
lugar onde a terra descansa.
O livro Ideias para adiar o fim do mundo
foi publicado em Julho de 2020 faz parte da literatura brasileira contemporânea
e trata de assuntos relevantes como democracia e meio ambiente, o autor melhor
do que ninguém sentiu na pele e na alma os impactos do desamparo e descaso para
com a comunidade indígena e ao meio ambiente, tudo em nome da exploração irresponsável
e danosa da mineração, os problemas são abordados por Ailton Krenak.
O povo Krenak (crenaque), conhecidos
também por Aimorés, são os últimos Botocudos do Leste, denominação dada pelos
portugueses no final do século XVIII aos grupos que usavam botoques auriculares
e labiais. Vivem hoje numa reserva de quatro mil hectares, nas margens do Rio Doce
entre as cidades de Resplendor e Conselheiro Pena, em Minas Gerais.
Sinopse
do livro Ideias para adiar o fim do mundo:
Uma
parábola sobre os tempos atuais, por um de nossos maiores pensadores indígenas.
Ailton
Krenak nasceu na região do vale do rio Doce, um lugar cuja ecologia se encontra
profundamente afetada pela atividade de extração mineira. Neste livro, o líder
indígena critica a ideia de humanidade como algo separado da natureza, uma
“humanidade que não reconhece que aquele rio que está em coma é também o nosso
avô”. Essa premissa estaria na origem do desastre socioambiental de nossa era,
o chamado Antropoceno. Daí que a resistência indígena se dê pela não aceitação
da ideia de que somos todos iguais. Somente o reconhecimento da diversidade e a
recusa da ideia do humano como superior aos demais seres podem resinificar
nossas existências e refrear nossa marcha insensata em direção ao abismo.
“Nosso tempo é especialista em produzir ausências: do sentido de viver em
sociedade, do próprio sentido da experiência da vida. Isso gera uma
intolerância muito grande com relação a quem ainda é capaz de experimentar o
prazer de estar vivo, de dançar e de cantar. E está cheio de pequenas
constelações de gente espalhada pelo mundo que dança, canta e faz chover. [...]
Minha provocação sobre adiar o fim do mundo é exatamente sempre poder contar
mais uma história.” Desde seu inesquecível discurso na Assembleia Constituinte,
em 1987, quando pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo para protestar
contra o retrocesso na luta pelos direitos indígenas, Krenak se destaca como um
dos mais originais e importantes pensadores brasileiros. Ouvi-lo é mais urgente
do que nunca. Esta nova edição de Ideias para adiar o fim do mundo,
resultado de duas conferências e uma entrevista realizadas em Portugal entre
2017 e 2019, conta com posfácio inédito de Eduardo Viveiros de Castro.
Trechos
do livro:
“A
primeira vez que desembarquei no aeroporto de Lisboa, tive uma sensação estranha.
Por mais de cinquenta anos, evitei atravessar o oceano por razões afetivas e
históricas. Eu achava que não tinha muita coisa para conversar com os
portugueses — não que isso fosse uma grande questão, mas era algo que eu
evitava. Quando se completaram quinhentos anos da travessia de Cabral e
companhia, recusei um convite para vir a Portugal. Eu disse: “Essa é uma típica
festa portuguesa, vocês vão celebrar a invasão do meu canto do mundo. Não vou,
não”. Porém, não transformei isso numa rixa e pensei: “Vamos ver o que acontece
no futuro”. Pg.7
Quando
a gente quis criar uma reserva da biosfera em uma região do Brasil, foi preciso
justificar para a Unesco por que era importante que o planeta não fosse
devorado pela mineração. Para essa instituição, é como se bastasse manter
apenas alguns lugares como amostra grátis da Terra. Se sobrevivermos, vamos
brigar pelos pedaços de planeta que a gente não comeu, e os nossos netos ou
tataranetos — ou os netos de nossos tataranetos — vão poder passear para ver
como era a Terra no passado. Essas agências e instituições foram configuradas e
mantidas como estruturas dessa humanidade. E nós legitimamos sua perpetuação,
aceitamos suas decisões, que muitas vezes são ruins e nos causam perdas, porque
estão a serviço da humanidade que pensamos ser. Pg. 8
Como
justificar que somos uma humanidade se mais de 70% estão totalmente alienados
do mínimo exercício de ser? A modernização jogou essa gente do campo e da
floresta para viver em favelas e em periferias, para virar mão de obra em
centros urbanos. Essas pessoas foram arrancadas de seus coletivos, de seus
lugares de origem, e jogadas nesse liquidificador chamado humanidade. Se as
pessoas não tiverem vínculos profundos com sua memória ancestral, com as
referências que dão sustentação a uma identidade, vão ficar loucas neste mundo
maluco que compartilhamos.
“Ideias
para adiar o fim do mundo” — esse título é uma provocação. Eu estava no quintal
de casa quando me trouxeram o telefone, dizendo: “Estão te chamando lá da
Universidade de Brasília, para você participar de um encontro sobre
desenvolvimento sustentável”. Pg. 9
Num
outro livro também de autoria de Ailton Krenak, Publicado pela
Companhia das Letras; 1ª edição (7 agosto 2020)
Sinopse do livro “A vida não é útil”:
Em
reflexões provocadas pela pandemia de covid-19, o pensador e líder indígena
Ailton Krenak volta a apontar as tendências destrutivas da chamada
“civilização”: consumismo desenfreado, devastação ambiental e uma visão estreita
e excludente do que é a humanidade.
Um
dos mais influentes pensadores da atualidade, Ailton Krenak vem trazendo
contribuições fundamentais para lidarmos com os principais desafios que se
apresentam hoje no mundo: a terrível evolução de uma pandemia, a ascensão de
governos de extrema-direita e os danos causados pelo aquecimento global. Crítico
mordaz à ideia de que a economia não pode parar, Krenak provoca: “Nós
poderíamos colocar todos os dirigentes do Banco Central em um cofre gigante e
deixá-los vivendo lá, com a economia deles. Ninguém come dinheiro”. Para o
líder indígena, “civilizar-se” não é um destino. Sua crítica se dirige aos
“consumidores do planeta”, além de questionar a própria ideia de
sustentabilidade, vista por alguns como panaceia. Se, em meio à terrível
pandemia de covid-19, sentimos que perdemos o chão sob nossos pés, as palavras
de Krenak despontam como os “paraquedas coloridos” descritos em seu livro Ideias
para adiar o fim do mundo, que já vendeu mais de 50 mil cópias no Brasil e
está sendo traduzido para o inglês, francês, espanhol, italiano e alemão. A
vida não é útil reúne cinco textos adaptados de palestras, entrevistas e
lives realizadas entre novembro de 2017 e junho de 2020. Pesquisa e
organização de Rita Carelli.
Nem precisa dizer que Krenak luta pela
democracia, vida e pelo meio ambiente, e luta em uma era
onde ela nunca esteve tão frágil,
falo da democracia e do meio ambiente, o ser humano ainda pensa ser o centro do
universo e estaria dissociado da natureza, Krenak nos faz lembrar disso e
afirma que somos nós que dependemos da natureza, e não é a natureza que depende
de nós, como ativista e indígena ele acredita não fazer parte dessa humanidade,
afirma sentir-se excluído dela, e não é para menos, o povo indígena Crenaque/Krenak
ou Botocudos (antigamente conhecidos como Botocudos, Aimorés ou Borun, e
autodenominados Gren ou Kren são um grupo indígena brasileiro, localizados em
Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso) foram dizimados ou quase extintos, sua
luta pela sobrevivência é anterior a chegada dos portugueses no Brasil, com a
chegada dos colonizadores foi iniciado o processo de extinção de milhões de
indígenas em nosso pais.
Conforme Fundação
Nacional da Saúde em 2010 o senso contabilizou que restavam apenas 350
indígenas Krenak’s, já através do senso 2010 (https://censo2010.ibge.gov.br/terrasindigenas/)
o número é ainda menor, falam em 270 indígenas, realmente o baixo número é
assustador, a capacidade de destruição e extinção daqueles que são os mais
frágeis em nossa sociedade é fato que nos causa asco e vergonha, aos poucos
tudo está se perdendo, sua língua que representa a identidade coletiva daquele
povo (crenaque), valores étnicos e culturais e principalmente os seres humanos
que vivem desde os primórdios deste pais estão em iminência de desaparecer.

Em 2015 ocorreu a
tragédia de Mariana (MG) dando visibilidade nacional ao povo Krenak, foi quando
a barragem da Mineradora Samarco se rompeu trazendo uma enxurrada de lama
toxica que percorreu mais de 200 km de distância, foi a pá de cal sobre
qualquer perspectiva de melhora daquele povo, foi uma pancada forte sobre o
corpo e a alma, eles que já viviam em alta vulnerabilidade, então após o desastre
proferido pela empresa Samarco, que é controlada pela Vale e a australiana BHP
Billiton, inviabilizou o uso do Rio Doce pelos Krenak, o rio era a principal
fonte de subsistência, agora o futuro se havia algum determinou um final de
história desastroso para a história brasileira.
Os livros de Ailton Krenak vão além da
filosofia ou da literatura em si, são na verdade gritos de alerta ao que poderá
acontecer a toda vida humana se assim continuarmos nesta caminhada de
exploração e destruição.
Há um documentário que trata do tema
Krenak, sobreviventes do Vale, o
documentário conta a
história de resiliência e determinação do povo indígena, visite o link:
https://canaisglobo.globo.com/c/futura/
Assista agora “Krenak: sobreviventes do
vale” no Futura Play!
Fontes:
- KRENAK,
Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das
Letras, 2ª
edição (24 julho 2020)
- KRENAK,
Ailton. A vida não é util. São Paulo: Companhia das Letras, 1ª edição (07 agosto 2020)
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https://www.futura.org.br/krenak-sobreviventes-do-vale/
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https://www.greenpeace.org/brasil/blog/rio-doce-impactos-da-lama-no-corpo-e-na-alma-do-povo-krenak/