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sábado, 29 de novembro de 2025

Sorte Revela


Você já parou para pensar que a sorte, aquela que chamamos de “acaso”, pode ser uma grande professora? Eu já pensei! Muitas vezes, vemos eventos inesperados como simples coincidências ou, pior, como injustiças. Mas e se esses acontecimentos tivessem algo a nos dizer sobre nós mesmos e sobre o mundo ao nosso redor? Vamos pensar um pouco...

Pense naquele dia em que você perdeu o ônibus, mas acabou encontrando alguém que não via há anos. Ou quando um contratempo aparentemente ruim abriu espaço para algo melhor. A vida cotidiana está cheia dessas pequenas surpresas — e cada uma delas carrega uma mensagem, se estivermos atentos.

A chave está na percepção. Não se trata de acreditar que tudo está predestinado, mas de desenvolver sensibilidade para enxergar oportunidades escondidas nos eventos que parecem aleatórios. A sorte, então, deixa de ser mero capricho do destino e se torna um alerta: preste atenção, reflita, aprenda.

Como disse um filósofo moderno, “o acaso não é inimigo; é espelho”. Ele nos mostra nossas próprias expectativas, medos e desejos. Um encontro fortuito, uma perda inesperada ou uma oportunidade inesperada podem ser sinais para reconsiderar nossas escolhas, ajustar o rumo e crescer.

Na prática, isso significa transformar pequenos incidentes em aprendizado. Perder um ônibus pode se tornar um momento de contemplação no caminho a pé; um erro no trabalho, uma oportunidade de rever prioridades; um encontro casual, o início de uma nova amizade. A sorte, quando revelada, não é aleatória: é um convite à consciência.

No fim, perceber a sorte é perceber a vida. Cada detalhe inesperado é uma chance de aprender, ajustar e viver com mais atenção e gratidão.


segunda-feira, 23 de junho de 2025

Deus e Meritocracia

Deus e a meritocracia são como dois vizinhos desconfiados que mal se encaram na esquina. A meritocracia diz: “Quem se esforça, merece; quem merece, recebe”. Deus — ao menos no modo como aparece nas Escrituras — parece sorrir e responder: “Nem sempre.” E é justamente aqui que começa o desconcerto.

No mundo moderno, adoramos a ideia da grande planilha moral: quem estuda mais, sobe na vida; quem se dedica, colhe frutos; quem dorme no ponto, perde. Parece justo. Só que a realidade desmente essa lógica todos os dias: o herdeiro preguiçoso prospera; o gênio pobre nunca é descoberto; o trabalhador honesto morre na praia. A vida real tem mais a ver com mistério do que com Excel.

Mesmo a tradição cristã valoriza o esforço humano. Existe o velho conselho popular — “Ajuda-te que o céu te ajudará” — que ecoa em provérbios bíblicos. Não dá para esperar milagres deitado na rede. O próprio filho pródigo, antes de ser perdoado, precisou levantar-se da lama e dar os primeiros passos de volta para casa. Deus gosta dos que caminham — mesmo trôpegos — mais do que dos que esperam imóveis.

Mas o esforço, por si só, não garante recompensa. Aqui Deus e a meritocracia moderna se separam de vez. E Jesus contou uma parábola desconcertante que mostra isso: a dos trabalhadores da vinha (Mateus 20:1-16).

Nessa história estranha, o dono da vinha contrata trabalhadores ao longo do dia: uns logo cedo, outros ao meio-dia, outros quase no fim da tarde. No final, paga o mesmo salário a todos. Revolta geral dos que suaram desde o amanhecer: "Mas nós trabalhamos mais! Merecemos mais!" O patrão responde: “Amigo, não estou te fazendo injustiça. Não combinamos este valor? Ou você está com inveja porque eu sou bom?”

Qual o sentido disso?

Jesus desmonta a lógica meritocrática humana. No Reino de Deus, o valor não é dado pela quantidade de horas trabalhadas ou pelo mérito acumulado, mas pela generosidade do Senhor. O dom de Deus — a graça, a vida, o Reino — não se calcula como salário. Não é troca, é dádiva.

Santo Agostinho entendeu isso de modo profundo quando escreveu: “Deus coroa em nós os seus próprios dons” (Enarrationes in Psalmos). Ou seja: até aquilo que julgamos mérito nosso, na verdade, é graça d’Ele agindo em nós. Se eu fui chamado cedo ou tarde, se trabalhei muito ou pouco, tudo já é obra da misericórdia divina. No fundo, nem mesmo o querer fazer o bem nasce só de nós — já é um presente.

Tomás de Aquino foi pelo mesmo caminho: para ele, a graça de Deus “não destrói a natureza humana, mas a aperfeiçoa” (Suma Teológica I, q.1, a.8). O esforço humano é importante — mas insuficiente por si mesmo. Deus não elimina nosso trabalho, mas o ultrapassa, oferecendo algo que nenhuma quantidade de esforço pode comprar: a participação na própria vida divina.

No mundo da meritocracia moderna, quem chega por último leva o resto, o prêmio menor, ou nada. No Reino de Deus, quem chegou no fim do dia recebe o mesmo que o veterano da fé. Isso ofende nosso cálculo racional — mas revela o mistério da graça: ela é dom, não pagamento.

"Te ajuda que Eu te ajudarei" cabe aqui com um novo sentido: não é "faça por merecer", mas "mexa-se, abra espaço, permita que Eu aja em ti". Quem ficou parado em casa não foi chamado para a vinha. Mas quem foi — cedo ou tarde — recebeu do Senhor aquilo que não podia comprar.

Talvez o sentido mais desconcertante da parábola seja esse: o Reino não é justo no modo humano de pensar — é melhor do que justo. É gratuito. É escandalosamente gracioso.

Como disse Simone Weil: “O que é dado sem mérito é mais belo.”
E Santo Agostinho completaria: mais belo porque vem d'Aquele que dá tudo — até mesmo o nosso querer.

No fundo, Deus parece confiar mais no movimento do homem do que no mérito. E o céu não será povoado pelos que “fizeram por merecer”, mas pelos que acolheram — mesmo de última hora — o dom que só a bondade infinita pode dar.

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Buraco Negro

Sempre me fascinou a ideia de um buraco negro. Não pelo seu apetite voraz, devorando estrelas e curvando o espaço-tempo como um escultor cósmico, mas pelo mistério filosófico que carrega. O que acontece além do horizonte de eventos? Seria um portal para outro universo? Ou um espelho do nosso próprio vazio existencial? Enquanto a ciência tenta descrever sua natureza matemática, a filosofia pode nos ajudar a compreender o que um buraco negro representa para o pensamento humano.

Um buraco negro é, antes de tudo, um conceito-limite. Ele marca o ponto em que as leis conhecidas da física entram em colapso, onde a gravidade se torna absoluta e nada, nem mesmo a luz, pode escapar. É um lembrete cósmico da nossa ignorância e da fragilidade do conhecimento humano. Se a filosofia busca a verdade, o buraco negro nos mostra onde ela se dissolve. Assim como os paradoxos de Zenão questionam o movimento e a continuidade, os buracos negros questionam a própria estrutura da realidade.

Nietzsche nos alertou sobre o abismo que nos devolve o olhar quando o encaramos. Olhar para um buraco negro é um pouco disso: confrontar algo que desafia a nossa compreensão. O buraco negro simboliza o desconhecido absoluto, o ponto onde a razão vacila e onde as categorias tradicionais do pensamento falham.

E se o buraco negro for mais do que um fenômeno astrofísico? Podemos vê-lo como uma metáfora para os buracos de nossa própria existência. Quantas vezes nos encontramos diante de situações em que o tempo parece parar, em que tudo ao redor colapsa em um silêncio infinito? O luto, a perda, a crise existencial – são momentos em que a vida se assemelha a um buraco negro, sugando todas as certezas e nos deixando apenas com perguntas.

Por outro lado, há também a ideia do buraco negro como possibilidade. Alguns teóricos sugerem que ele pode ser uma passagem para outro universo, uma espécie de atalho cósmico. E não seria essa a essência de toda transformação profunda? O momento de desespero, o colapso da identidade, pode ser o limiar de um novo mundo interno. Assim, em vez de temer o buraco negro, poderíamos vê-lo como um convite à reinvenção.

No fim das contas, buracos negros são aquilo que projetamos neles: o desconhecido, o medo, a curiosidade ou a esperança. São um espelho do próprio pensamento humano, testando os limites da razão e abrindo novas possibilidades para além do horizonte do que podemos conhecer. Talvez a filosofia e a ciência não precisem responder o que há dentro de um buraco negro – talvez a verdadeira questão seja: o que um buraco negro revela sobre nós?


quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Epifanias

Você já teve aquele momento em que, do nada, algo faz sentido de uma maneira completamente nova? Pode ser uma ideia que sempre esteve ali, mas que você nunca percebeu direito — até que, em um segundo, tudo se encaixa. Esses momentos, conhecidos como epifanias, são como pequenos "cliques" mentais, em que o mundo parece ganhar uma nova luz. E o mais interessante é que eles podem acontecer nas situações mais simples, como ao lavar a louça ou durante uma caminhada. É quase como se a vida estivesse nos dando uma piscadela, dizendo: "Olha, tem mais coisa aqui do que você imagina."

Epifanias são aqueles momentos súbitos de clareza, onde o mundo parece se revelar de uma nova maneira, como se algo que sempre esteve lá, de repente, se tornasse visível. Elas podem acontecer em meio às situações mais corriqueiras: ao atravessar uma rua, em uma conversa comum, enquanto lavamos a louça ou olhamos pela janela. O curioso é que esses momentos de revelação são geralmente acompanhados por uma sensação de conexão profunda, como se a vida, por um instante, abrisse uma cortina e nos permitisse ver algo essencial.

Essas experiências costumam ser difíceis de explicar para quem nunca as vivenciou diretamente. Imagine estar em uma cafeteria, distraído, mexendo no celular. De repente, um detalhe chama sua atenção: talvez seja o barulho da colher batendo na xícara, ou uma brisa que entra pela porta. Algo simples e aparentemente banal desperta um pensamento, uma percepção, que cresce como uma onda silenciosa. De repente, tudo faz sentido: o tempo, as escolhas, os acasos. É como se a vida, por um instante, se concentrasse em um ponto único de significação.

No entanto, há algo mais profundo nas epifanias. Elas nos revelam a dualidade entre o ordinário e o extraordinário. O filósofo Martin Heidegger falava da diferença entre viver na "quotidiana" — a vida diária, rotineira, onde agimos por hábito, sem pensar — e o "momento autêntico", quando algo nos arranca dessa repetição e nos coloca face a face com a verdade. A epifania seria esse instante de autenticidade, quando o véu da rotina é temporariamente suspenso.

Por exemplo, ao assistir ao pôr do sol em um dia qualquer, após meses de ver o mesmo horizonte sem pensar muito sobre ele, algo se transforma. De repente, você sente uma espécie de gratidão pelo que vê, como se aquele espetáculo fosse especialmente para você. Você compreende, sem palavras, que tudo isso é efêmero, mas também incrivelmente valioso. É a beleza do momento presente que se revela de forma crua e simples. Nesse instante, o sol deixa de ser um mero fenômeno físico e se torna um símbolo, um espelho de sua própria vida.

As epifanias são também profundamente pessoais. Aquilo que provoca uma revelação em uma pessoa pode passar despercebido para outra. Elas dependem do momento, do contexto, de quem somos naquele exato instante. James Joyce, em sua obra "Retrato do Artista Quando Jovem", descreve essas experiências como "uma súbita manifestação espiritual", algo que ilumina o nosso entendimento de uma forma que transcende as palavras. É um insight que se sente mais do que se explica.

Esses momentos podem parecer fugazes, mas carregam um impacto duradouro. Eles têm o poder de nos fazer reavaliar nossas prioridades, de abrir novas perspectivas. Uma epifania pode não mudar tudo imediatamente, mas planta uma semente de transformação. Talvez, após aquele instante de clareza, você se sinta compelido a agir de maneira diferente: a deixar um emprego que não faz mais sentido, a buscar uma nova amizade, a cuidar mais de si ou dos outros.

As epifanias nos ensinam sobre a importância de estar presente. No ritmo frenético do cotidiano, é fácil ser absorvido pelas preocupações e distrações. Mas é nesses momentos inesperados de revelação que percebemos a beleza escondida nos detalhes e nos damos conta de que o extraordinário se esconde no comum. Talvez seja exatamente isso que precisamos: desacelerar, observar, e permitir que o mundo nos surpreenda. Porque, afinal, as epifanias não acontecem em grandes explosões; elas nascem no silêncio do agora, esperando que estejamos prontos para ver. 

domingo, 2 de outubro de 2011

Educação para inglês ver – Parte 2


 
Formação do professor

 
Formação do professor

Haddad anuncia que serão gratuitos os mestrados e doutorados em educação
Sexta-feira, 30 de setembro de 2011 - 17:41

Cursos de pós-graduação, mestrados e doutorados em educação, mesmo em instituições privadas, serão gratuitos. O anúncio foi feito pelo ministro Fernando Haddad, na tarde desta sexta-feira, 30, durante o 7º. Congresso Inclusão: Desafio Contemporâneo para a Educação Infantil, promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Unidades de Educação Infantil da Rede Direta e Autárquica do Município de São Paulo (Sedin).
Haddad explicou que deve assinar nos próximos dias uma portaria que dará a esses cursos o mesmo mecanismo do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). Os professores que decidirem fazer o curso e trabalharem nas redes públicas terão a dívida saldada automaticamente.
O ministro da Educação admitiu que trabalha com dificuldade em um modelo de avaliação para a educação infantil. “Faço um desafio para vocês. Me mostrem os casos de sucesso e de eficiência para que possamos tabular esses valores.”
Haddad creditou ao presidente Lula a inclusão da educação infantil no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), além do fornecimento de merenda, transporte escolar, biblioteca e livro didático. “O que mais me impressionou quando eu cheguei ao Ministério da Educação foi a constatação de que não só não havia mecanismos de financiamento, como não se dava importância a um ciclo tão importante da formação da criança.”
O ministro lembrou da emenda constitucional que tornou obrigatória a educação dos quatro aos 17 anos e qualificou o Programa de Reestruturação da Rede Escolar Pública (ProInfância) como o maior programa de expansão da rede física educacional. “A presidenta Dilma conveniou 4 mil creches e destinou recursos para 6.400 creches em todo o pais, 172 apenas na cidade de São Paulo. Além disso, o Ministério da Educação vai se responsabilizar pelo primeiro ano de custeio antes do censo” – concluiu.
Assessoria de Comunicação Social



Conta-se que Sócrates, ouvindo Platão ler seu Lysis, disse: “Por Héracles! Como esse jovem me faz dizer coisas que eu nunca disse!”
DIÓGENES LAÉRCIO, Vida e doutrinas dos filósofos ilustres


Há bastante tempo, é aguardada a noticia e finalmente chegou, é uma noticia para os professores da rede publica, o Ministro Haddad promete financiar pós graduação stricto sensu, cursos de mestrado e doutorado, para os professores da rede pública de ensino, resta esperar agora, que as universidade e faculdades ofereçam os cursos, e melhor, que a promessa se cumpra.
Uma pergunta ficou me martelando a cachola, sabe aquela questão que fica sem resposta?, pois é, estava pensando no estudante pobre e trabalhador, lembrei de uma frase do economista Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) "Os brasileiros pobres que estudam e trabalham são verdadeiros heróis. Submetem-se a uma jornada de até 16 horas diárias, oito de trabalho, quatro de estudo e outras quatro de deslocamento. Isso é mais do que os operários no século XIX.", ora, se entre dez brasileiros um é analfabeto, aquele trabalhador que buscar sua alfabetização e quiser ir mais alem, devera procurar conciliar o estudo com o tempo livre (que tempo livre?) para estudar. E, agora deverá se complicar um pouco mais, com o aumento do número de dias letivos, de 200 para 220 dias por ano, ou a ampliação da jornada diária para cinco horas ampliação da jornada diária. E ai? Tudo indica que, ficara ainda mais complicada a vida do estudante trabalhador.
E o problema não fica por ai, vejam a opinião de Marlei Fernandes de Carvalho:

Hipocrisia no aumento da carga horária anual, leiam!

Publicado em por Janeslei
de Marlei Fernandes de Carvalho, el jueves, 05 de mayo de 2011 a las 22:56
Para a Presidente da APP-Sindicato, professora Marlei Fernandes de Carvalho o projeto de lei que aumenta a carga horária anual de 800 para 960 horas dentro dos 200 dias letivos é um total desencontro histórico. Primeiro que está completamente na contramão da construção coletiva da CONAE e do Plano nacional de Educação. Segundo que a proposta histórica de educação integral não passa somente pelo aumento exíguo de 48 minutos diários e sim para uma jornada única de 7 horas. Terceiro que é um projeto completamente isolado, sem uma proposta pedagógica e sem consideração com elementos centrais da qualidade da educação: relação professor-número de aluno, jornada em uma única escola, aplicação do Piso com dedicação exclusiva, hoa-atividade, formação  continuada.
Não é a toa que a proposta vem de um senador suplente e que tem uma íntima relação com a educação privada. Muito provavelmente também não participou dos debates coletivos e democráticos. Pior ainda é o silêncio de todos os outros senadores. O projeto foi aprovado na Comissão de educação do Senado e segue para a Câmara dos Deputados. Precisamos agir e urgente!!


Um bom domingo a todos!

"As pesquisas não mudam a realidade. Quem muda a realidade é o homem. Agora, as pesquisas, as teorias mudam o homem. Se mudarem o homem, ele muda a realidade. Nada nos impede de fazer isso, a não ser o medo, o medo de ousar."