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domingo, 31 de agosto de 2025

Divagações no Silêncio

O silêncio como forma de resistência

Na fila do banco, no elevador, ou no grupo de WhatsApp da família — o silêncio sempre parece suspeito. Vivemos na era da presença obrigatória, do comentário rápido, da opinião instantânea. Quem não se manifesta logo é tido como omisso, quem hesita, como indeciso. Mas será que falar sempre é a melhor forma de existir?

Às vezes, silenciar é recusar o jogo. Não é ausência, é recusa ativa. É como se o silêncio dissesse: "não vou dançar essa música que você está tocando, porque já escutei demais o barulho do mundo." Nesse sentido, o silêncio não é covardia, mas uma forma de resistência — e até de afeto.

O filósofo francês Roland Barthes, em seu Fragmentos de um discurso amoroso, fala do silêncio como a fala do enamorado que não sabe mais como dizer o que sente. O silêncio, ali, é excesso, não falta. É quando a linguagem falha por intensidade e não por fraqueza. Isso nos mostra que o silêncio, em certos contextos, é mais expressivo que qualquer discurso.

Mas vivemos tempos de inflação verbal. Tudo precisa ser nomeado, explicado, documentado, viralizado. E nessa necessidade constante de falar, acabamos dizendo cada vez menos. Palavras sem silêncio ao redor viram barulho. Não pensam, não respiram.

Talvez o maior gesto de liberdade hoje seja calar. Não para se ausentar do mundo, mas para voltar a ele de outro modo. Escutar mais. Fazer menos barulho. Permitir que as coisas digam o que têm a dizer — sem a nossa interferência imediata.

No fundo, o silêncio não é só ausência de som. É um espaço fértil onde pensamentos crescem. É ali que a alma começa a falar. E talvez, só talvez, seja ali que a gente começa realmente a escutar.