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terça-feira, 5 de setembro de 2023

O Cavalo com dentes de ouro, um sonho que virou conto.


Num sonho recente sonhei que havia um cavalo cujos dentes eram feitos de ouro puro. Este cavalo não era apenas uma criatura de beleza extraordinária, mas também um enigma para todos que o encontravam. Seus dentes brilhavam sob o sol como joias raras, e as pessoas vinham de longe para admirar sua majestade.

Era um cavalo cor caramelo, uma visão impressionante de beleza e elegância na natureza. Sua pelagem de uma tonalidade dourada e quente que lembra a cor do caramelo derretido, daí o nome. Essa tonalidade de pelagem podia variar um pouco conforme eu o olhava, às vezes inclinando-se para um marrom-dourado mais profundo ou um dourado mais claro, mas sempre mantendo essa característica suavidade e calor em sua aparência.

Os cabelos do cavalo caramelo geralmente brilhavam sob a luz do sol, criando uma aura de calor e encanto. Seu pelo era liso e parecia sedoso ao toque, e ele tinha uma crina e cauda que combinavam perfeitamente com a cor caramelo, isto tudo adicionado à sua aparência majestosa.

Os olhos do belo cavalo caramelo eram muito expressivos, revelando sua inteligência e uma personalidade gentil. Sua postura era elegante, com uma silhueta bem proporcionada que reflete força e graça. As pernas longas e poderosas permitiam que o cavalo caramelo se movesse com agilidade e beleza, fosse galopando pelo campo ou trotando com serenidade.

A combinação de sua pelagem caramelo, olhos expressivos e presença majestosa tornavam o cavalo cor caramelo uma criação magnífica da natureza, capaz de cativar qualquer observador com sua beleza única e encanto inegável.

O cavalo com dentes de ouro vivia em uma pequena cidade no sopé de uma montanha. Ele não pertencia a ninguém em particular e era livre para vagar pelos campos verdejantes que circundavam a cidade. As crianças o admiravam e sonhavam em tocar seus dentes de ouro, enquanto os adultos se perguntavam sobre o significado de tal criatura.

Um dia, um filósofo viajante chegou à cidade e ficou intrigado com o cavalo. Ele passou horas observando o cavalo e conversando com os habitantes locais sobre suas opiniões sobre a criatura. Ele logo percebeu que o cavalo com dentes de ouro era mais do que uma simples maravilha da natureza; ele era um símbolo de riqueza e poder.


O filósofo começou a questionar o próprio cavalo sobre sua existência e significado. Ele perguntou: "Cavalo, por que você possui dentes de ouro? Qual é o propósito de sua riqueza?"

O cavalo com dentes de ouro olhou para o filósofo com olhos sábios e respondeu: "Meus dentes de ouro não têm propósito além de serem o que são. Eles não me tornam mais valioso como criatura, nem me dão mais poder sobre os outros. Eles são apenas uma parte de mim, assim como suas reflexões são uma parte de você."

O filósofo refletiu sobre as palavras do cavalo e percebeu que muitas vezes buscamos significado e propósito em coisas externas, como riqueza e poder, quando, na realidade, a verdadeira riqueza está dentro de nós mesmos.

Ele compartilhou suas descobertas com os habitantes da cidade, ensinando-lhes que a busca por significado não deve ser baseada em aparências externas, mas sim na compreensão de quem somos por dentro. O cavalo com dentes de ouro tornou-se um símbolo duradouro da lição filosófica que a cidade aprendeu naquele dia.

Provavelmente, com o passar do tempo, as pessoas da cidade passaram a valorizar mais a sabedoria interior do que a riqueza material. O cavalo com dentes de ouro continuou a vagar pelos campos, agora apreciado não apenas por sua beleza, mas também pelo profundo ensinamento que representava.

Assim, o cavalo com dentes de ouro ensinou às pessoas que a verdadeira riqueza reside na compreensão de si mesmas e na busca de significado interno, muito além das aparências brilhantes e superficiais que podem nos distrair. E, com essa sabedoria, a aldeia encontrou uma riqueza mais profunda e duradoura, que não poderia ser medida em ouro.

O tempo passou e outros cavalos se juntaram ao cavalo de dentes de ouro, este por ser um líder nato comandava os demais e oferecia segurança em sua liderança, em grande número se agrupavam nos campos que cercavam a cidade. A cidade era pequena e tinha um quartel militar que fazia com que todos estivessem vivendo em harmonia. As pessoas costumavam manter um relacionamento extremamente cordial com o grupamento militar. Naquele quartel tinha um Tenente muito admirado e respeitado, circulava entre as pessoas com simpatia, ele também admirava o cavalo de dentes de ouro e o grupo de belos cavalos que viviam próximos a pequena cidade e o quartel.

O quartel militar desempenhava um papel fundamental na vida da comunidade. Este quartel era muito mais do que um simples posto de comando; era um símbolo de segurança e proteção para os habitantes da cidade.

O quartel militar ficava no coração da cidade, com suas imponentes paredes de pedra e bandeiras de cores vibrantes. Os soldados que ali serviam eram conhecidos por sua disciplina e dedicação ao dever. Eles mantinham a ordem na cidade, auxiliavam em emergências e protegiam a pequena cidade de potenciais ameaças externas.

O Tenente, era o comandante do quartel militar. Sua liderança exemplar e caráter respeitável inspiravam não apenas seus soldados, mas também todos os cidadãos da pequena cidade. Ele acreditava que a força militar deveria ser usada não apenas para proteger, mas também para construir um ambiente de segurança e harmonia.


Além de suas responsabilidades militares, o quartel também abrigava uma academia de treinamento para jovens interessados em seguir a carreira militar. Lá, os jovens aprendiam não apenas habilidades de combate, mas também valores como respeito, lealdade e serviço à comunidade.

O quartel militar era um lembrete constante de que a força armada podia ser um pilar da comunidade, contribuindo para a segurança e a estabilidade. Os soldados e o Tenente não eram apenas protetores, mas também defensores dos valores que mantinham a cidade unida.

O quartel militar era o alicerce silencioso que sustentava a segurança e a harmonia contínuas na cidade. Juntos, eles simbolizavam o equilíbrio entre a paz e a preparação para qualquer desafio que a comunidade pudesse enfrentar.

 

O Tenente interessado no cavalo de dentes de ouro procurou cativar a simpatia do belo animal, não demorou muito e conseguiu se aproximar e conquistou a confiança conseguindo montar, este fato surpreendeu toda a cidade que imaginava que aquela criatura jamais seria domada e muito menos montada, tudo foi fruto da empatia entre dois seres que mutuamente de respeitavam.

Na tranquila cidade, havia uma expectativa palpável no ar naquela manhã ensolarada de primavera. Os habitantes da cidade se alinharam as ruas principais, ansiosos pelo evento que aconteceria. O motivo de tanta antecipação era a chegada do Tenente, imponente cujo uniforme consistia em trajes azul e vermelho, uma figura venerada por todos.

Na primeira vez que o cavalo de dentes de ouro ingressou na cidade foi para ir em direção ao quartel, logo atrás dele seguiam outros cavalos também domados, foi um momento de muita tensão, o cavalo de dentes de ouro parecia receoso e indócil, o bravo Tenente com habilidade foi trotando pelas ruas sob o olhar admirado da população, chegando ao quartel desapeou conduzindo o cavalo pelas rédeas, atravessando corredores entre muros com não mais de dois metros e meio de largura, apinhados de gente coladas contra as paredes, o cavalo de dentes de ouro seguia ofegante com o focinho esticado e a boca aberta, foi atravessando os corredores de maneira bruta forçando a passagem, o corredor dava para uma porta branca que foi aberta imediatamente para dar acesso ao cavalo e ao Tenente que tinha as rédeas firmes em sua mão, cruzando uma porta baixa aberta rapidamente, vi que lá  haviam soldados à paisana aguardando a chegada do belo animal, eis que quando a porta abriu estava lá um soldado à paisana com um bebê no colo que recuou imediatamente com a entrada brusca do animal, o cavalo continuou entrando e deu sem querer uma focinhada no peito de outro soldado, o Tenente que conduzia o cavalo pelas rédeas deu um tapinha no peito do companheiro como se tentasse amenizar o impacto, o soldado fez um gesto demonstrando que estava tudo bem, o cavalo seguia em sua trajetória pelos corredores do quartel com focinho esticado e os dentes de ouro reluzindo em riste, a impressão era de que o animal conhecia o lugar e estava buscando uma fonte de agua no interior do quartel, impressionado pela energia que exalava daquele ambiente. Foi uma cena extremamente forte e rica de cores e sensações.

Com o passar dos anos o Tenente não era apenas conhecido por sua bravura no campo de batalha, mas também por seu amor e dedicação ao seu fiel companheiro, o cavalo com dentes de ouro. A cada dia que Tenente e seu majestoso cavalo andavam pela cidade parecia um dia de celebração, parecia um dia de paz e reconciliação, um evento que havia se tornado uma tradição de aglomeração para vê-los desfilarem.

O uniforme do Tenente reluzia com detalhes em azul e vermelho, destacando sua postura firme e imponente. Ele cavalgava orgulhosamente com seu fiel amigo, os dentes de ouro do cavalo brilhando como estrelas sob o sol da manhã. O povo da cidade aplaudia e acenava com alegria enquanto o Tenente e seu cavalo desfilavam pela rua principal.

Geralmente quando se aproximavam da praça central, o Tenente levantava a mão em um gesto de cumprimento e agradecimento à multidão. Ele sabia que este evento não era apenas uma celebração de sua própria bravura, mas também uma lembrança de que a paz e a reconciliação eram valores preciosos a serem mantidos e cultivados.

Quando o Tenente e seu cavalo com dentes de ouro se aproximavam do centro da cidade, ele parou e proferiu palavras de sabedoria e gratidão, lembrando a todos da importância de superar diferenças e unir-se em tempos de paz. Sua presença e suas palavras inspiradoras tocaram os corações de todos na cidade, lembrando-os do valor da harmonia e da compreensão mútua.


Resumo e Resenha do livro Laranja Mecânica

 


Resumo

Uma das mais brilhantes sátiras distópicas já escritas, Laranja Mecânica ganhou fama ao ser adaptado em uma obra magistral do cinema pelas mãos de Stanley Kubrick. O livro, entretanto, também é um clássico moderno da ficção inglesa e um marco na cultura pop, que ao lado de 1984, de George Orwell, Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, representa um dos ícones literários da alienação pós-industrial.

Alex é o jovem líder de uma gangue de adolescentes cuja diversão é cometer perversidades e atos de violência pelas ruas de uma cidade futurista governada por um Estado repressivo e totalitário. Depois de cometer um crime que termina em um assassinato, ele acaba preso pelo governo e submetido a um método experimental de recondicionamento de mentes criminosas, que se utiliza de terapia de aversão brutal.

Brilhante, transgressivo e influente, o livro traz uma visão assombrosa do futuro contada em seu próprio léxico inventivo chamado “nadsat”, que mescla gírias de gangues inglesas e palavras russas. O filme homônimo de Stanley Kubrick teve como base as primeiras edições americanas deste livro, que por conta da insistência dos editores americanos, tiveram o capítulo final suprimido, acreditando que um final sem redenção para Alex seria mais realista. Esta edição, entretanto, mantém o capítulo final original.

Resenha:

"Laranja Mecânica", escrito por Anthony Burgess, é uma obra provocativa e perturbadora que mergulha profundamente na mente de seu protagonista, Alex, um jovem delinquente em uma sociedade futurista distópica. O livro aborda temas como violência, livre-arbítrio, controle estatal e a natureza da maldade humana.

A história se passa em uma versão distorcida de Londres, onde a criminalidade e a anarquia estão em ascensão. Alex, um adolescente inteligente e carismático, lidera uma gangue de jovens desajustados conhecidos como "druguis". Juntos, eles cometem uma série de atos violentos, como espancamentos e estupros, sem qualquer remorso.

A narrativa é conduzida pelo próprio Alex, cuja linguagem é um elemento fundamental do livro. Burgess criou uma gíria peculiar para os personagens, chamada "Nadsat", uma mistura de russo, inglês e gírias adolescentes. Essa linguagem única adiciona uma camada de complexidade ao livro, mas pode ser um desafio inicialmente para os leitores se familiarizarem com ela.

Após uma série de eventos, Alex é capturado pelas autoridades e submetido a um tratamento experimental chamado "Terapia Ludovico". Esse método busca reabilitar criminosos por meio da associação de suas ações violentas com sensações de náusea e repulsa, utilizando o condicionamento psicológico. O impacto do tratamento na mente de Alex e sua luta contra o controle imposto pelo Estado são os pontos centrais da trama.

O livro levanta questões importantes sobre o livre-arbítrio e a moralidade. Até que ponto é aceitável tirar a escolha de uma pessoa, mesmo que seja um criminoso? Burgess explora a ideia de que a violência só pode ser verdadeiramente compreendida e superada se houver a possibilidade de escolha consciente.

"Laranja Mecânica" é uma obra densa e impactante, com uma narrativa vívida e atmosférica. Burgess utiliza uma linguagem poética e visceral para descrever os atos violentos de Alex, o que pode ser perturbador para alguns leitores. No entanto, o livro também nos convida a refletir sobre a natureza humana, a liberdade individual e os perigos de um Estado opressor.

Apesar de sua abordagem polêmica e das cenas de violência explícitas, "Laranja Mecânica" é uma leitura que desafia e provoca o leitor a questionar suas próprias convicções e a examinar a relação entre o indivíduo e a sociedade. É um livro que deixa uma marca duradoura e levanta questões que permanecem relevantes mesmo décadas após sua publicação.

"Laranja Mecânica", escrito por Anthony Burgess, é uma obra controversa que desperta um misto de fascínio e repulsa. Embora o livro seja aclamado por sua visão distópica e sua exploração profunda da psicologia humana, também é alvo de críticas por sua excessiva glorificação da violência e seu uso de linguagem obscena.

Uma das principais críticas ao livro é sua representação gráfica e detalhada de atos de violência extrema. Burgess descreve as atrocidades cometidas pelo protagonista, Alex, com um realismo perturbador. Embora esse retrato seja essencial para a construção da atmosfera sombria e para explorar a natureza da maldade humana, algumas cenas parecem gratuitas e exageradas, buscando chocar o leitor sem uma justificativa narrativa sólida.

Outro ponto de crítica é o uso da linguagem criada por Burgess, o "Nadsat". Embora seja uma escolha criativa e única, a introdução dessa gíria peculiar pode alienar e confundir alguns leitores. A necessidade de decifrar o vocabulário pode se tornar uma barreira para a compreensão da história e dificultar o envolvimento emocional com os personagens.

Além disso, "Laranja Mecânica" é criticado por sua falta de desenvolvimento de personagens além de Alex. Os outros personagens são retratados de forma superficial e não recebem a mesma atenção e exploração psicológica. Isso resulta em um protagonista complexo, mas em um elenco de personagens secundários unidimensionais, que não conseguem se destacar ou evoluir ao longo da narrativa.

Outra crítica válida ao livro é a falta de uma conclusão satisfatória. A história parece se desdobrar em uma série de eventos desconexos e episódicos, sem uma progressão clara ou uma resolução adequada. O final abrupto deixa o leitor com uma sensação de insatisfação, desejando por uma conclusão mais impactante e significativa.

Apesar dessas críticas, é inegável que "Laranja Mecânica" possui uma relevância cultural e temáticas profundas. Burgess apresenta uma visão sombria da sociedade e levanta questões importantes sobre o livre-arbítrio, a violência e o controle estatal. O livro provoca uma reflexão sobre a natureza humana e os limites da liberdade individual.

No entanto, é importante abordar as preocupações legítimas em relação ao conteúdo e à forma de "Laranja Mecânica". Embora seja uma obra de ficção provocadora e impactante, a glorificação da violência e a falta de desenvolvimento de personagens podem dificultar a apreciação completa da obra por parte de alguns leitores.

Fonte:

‎Burgess, Anthony. Laranja Mecânica. Tradução de Fábio Fernandes. Editora Aleph; São Paulo, 2014