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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Problema do Eu

Quem sou quando ninguém está olhando?

Às vezes a pergunta “quem sou?” aparece sem cerimônia. Surge na fila do banco, no espelho do elevador, naquele silêncio constrangedor depois de uma conversa que não saiu como esperado. Não é uma pergunta acadêmica — é quase um tropeço. A gente vai vivendo, respondendo e-mails, pagando contas, rindo por educação… e de repente percebe que está funcionando, mas não sabe exatamente quem está funcionando ali dentro.

O “problema do Eu” não é descobrir um nome secreto ou uma essência escondida como um objeto perdido no fundo da gaveta. O problema é que o Eu parece mudar conforme o dia, o humor, o ambiente, as pessoas ao redor. Sou o mesmo no trabalho, em casa, com amigos, sozinho? Ou sou uma colcha de retalhos bem costurada pela rotina?

O Eu como pergunta, não como resposta

David Hume já desconfiava dessa ideia de um Eu sólido e permanente. Para ele, quando olhamos para dentro, não encontramos um “eu” estável, mas um fluxo contínuo de percepções: pensamentos, sensações, memórias, afetos. O Eu, dizia Hume, é mais parecido com um feixe de experiências do que com uma coisa em si.

Isso soa estranho porque crescemos acreditando que somos algo definido. Mas Hume nos provoca: se tudo muda — emoções, opiniões, desejos — onde exatamente estaria esse Eu fixo? Talvez ele não esteja em lugar nenhum, talvez seja apenas a narrativa que criamos para não enlouquecer diante da mudança constante.

O cotidiano desmente a ideia de um Eu único

Pense numa situação simples: você conta a mesma história para três pessoas diferentes. Para um amigo íntimo, você exagera os detalhes emocionais. No trabalho, suaviza as falhas e enfatiza os resultados. Em casa, talvez conte com cansaço, pulando partes. Qual dessas versões é o “verdadeiro Eu”?

Ou ainda: aquela conversa que você ensaia mentalmente no banho, onde é brilhante, firme, seguro. Na hora real, as palavras saem tortas. O Eu do pensamento e o Eu da ação não coincidem. E mesmo assim, ambos são você.

No trânsito, alguém fecha seu carro e surge um Eu irritado, quase desconhecido. Minutos depois, uma música toca no rádio e aparece um Eu nostálgico, quase poético. Nenhum deles é falso. O problema é achar que apenas um deles deveria existir.

O Eu como construção em andamento

Aqui entra uma leitura mais contemporânea: o Eu não é algo a ser descoberto, mas algo que está sempre sendo construído. Não como um projeto consciente o tempo todo, mas como um efeito das relações, da linguagem, da memória e das escolhas — inclusive das escolhas automáticas.

Paul Ricoeur ajuda a entender isso ao distinguir identidade como mesmidade (o que permanece) e identidade como ipseidade (o que se transforma mantendo uma coerência narrativa). Não somos os mesmos, mas conseguimos contar uma história que faz sentido. O Eu é menos um núcleo rígido e mais um enredo que vamos ajustando enquanto caminhamos.

Então… quem sou eu?

Talvez a pergunta “quem sou?” esteja mal formulada. Ela pressupõe uma resposta definitiva, quando o que temos é um processo. Somos aquilo que fazemos repetidamente, aquilo que evitamos, aquilo que lembramos e aquilo que esquecemos. Somos também aquilo que não conseguimos explicar direito, mas que insiste em aparecer.

No fundo, o problema do Eu não é a falta de identidade, mas o excesso dela. Queremos um Eu claro, limpo, coerente — quando a vida é ambígua, contraditória e provisória. E talvez a maturidade não esteja em encontrar uma resposta, mas em sustentar a pergunta sem desespero.

Quem sou eu?

Sou alguém em trânsito.

E, honestamente, isso já é bastante coisa.

sábado, 29 de junho de 2013

QUAL É O MAIOR PROBLEMA DO BRASIL E QUAIS AS CAUSAS?



Tudo começou na capital gaúcha, começou com um protesto contra o aumento da passagem do transporte coletivo, a repercussão foi grande, os noticiários focaram o movimento que iniciou sem maiores pretensões, aos poucos contaminou os gaúchos, outros anseios sufocados vieram a tona, as demais cidades se encorajaram, perceberam que o poder estava na atitude, na iniciativa de cada um, na coragem que quando somados se transformaram num tsuname avassalador.

A emoção tomou conta de todos brasileiros, mostrou o lado de um Brasil como a muito tempo não se via, a mãe gentil ficou gigantesca com as vozes unidas demonstrou seu tamanho, vozes com todo o tipo de clamores.

Estamos vivendo e construindo história, são momentos de intensa emoção, estamos com o sangue fervilhando, os fatos recentes nos estimulam a dar asas a todo tipo de protestos.

A sensação é de que as pessoas viviam enclausuradas, como zumbis que viviam dentro de uma redoma, quando a redoma trincou pelos protestos oriundos da população da capital gaúcha, a população brasileira percebeu a oportunidade, quebrou a redoma, saiu rapidamente do seu estado de torpor, foi ao encontro do ar fresco, tentando respirar, tentando sair do sufocamento.

Estamos vivenciando um novo grito de independência, um “sete de setembro” que surgiu num final do outono de 2013, com milhões vozes uníssonas, entramos no inverno aquecido pelos movimentos, esperançosos por mudanças.

A sensação de sufocamento irá diminuir aos poucos, porem após muitos gritos e berros, é preciso expelir o ar contaminado que esta preso em nossos pulmões, a cura do mal causado pelo aprisionamento esta no remédio das atitudes, nossas e de quem estiver no poder, seja judiciairio, legislativo ou executivo. 

Dependerá principalmente de cada um de nós, na atitude em rejeitar todo tipo de imposição maléfica, dominadora, enfim que mantenham ou levem a alienação.

Para haver harmonização do povo brasileiro, serão necessárias mudanças radicais, mudanças governamentais, mudanças do próprio povo, a começar pela extinção da lei de Gerson, pela coragem de ir de encontro ao infrator, lutar por seus direitos, se preciso retomar a marcha do protesto.

Estamos a véspera de eleições, esta chegando o momento de dar um basta a toda a sacanagem, a ciranda corrupta, a gentalha abundante do congresso, senado, presidência.

É preciso coragem, é preciso acabar com um senado desnecessário, tantos ministérios, tantos cargos de confiança, diminuir a quantidade de políticos, reduzir as despesas governamentais, demitir funcionários que entraram pela janela do tipo de garçons que ganham R$ 18.000,00 servindo cafezinhos no congresso. Precisamos nos livrar da estirpe do país das bananeiras, sair da banalização que impregnou o pensamento em achar que é tudo assim mesmo, que termina tudo em pizza, precisamos tirar privilégios como proteção parlamentar, devem os corruptos serem afastados e responder de maneira mais rígida e enérgica aos atos ilícitos, estes não são brasileiros.

Como resposta aos protestos, finalmente presenciamos nosso congresso trabalhar, nosso parlamentares, com suas gravatas compradas a custa do sofrimento do povo brasileiro, suas barrigas cheias de comida tirada do prato de milhões, estão agindo como cachorro sarnento assustado, um cachorro com sarna entranhada, um cachorro que deve ser tratado com o ácido da pressão constante, e a cura vira com a prisão dos corruptos, a extinção do meio político pelas eleições que se aproxima, depende de nós brasileiros continuarmos a pressionar, até extinguir esta corja de cães sarnentos.

Existem muitos clamores, clamores que apontam para diversos problemas, e sabemos que existem causas, causas que foram ao longo dos anos reforçadas pela submissão das pessoas e, sobrevivendo como podem, sempre dando um jeitinho brasileiro para driblar os problemas diários.

Escolhi algumas palavras chaves ao longo dos protestos, palavras que representam a diferença em viver num mundo digno e, as que mais ouvi foram:
Faltam: Educação, Segurança, Saúde, Transporte.
E o que tem demais: Corrupção.

Penso que a solução a nossos problemas apontados nos protestos, estejam na reconstrução de valores, valores como: Respeito, Justiça, Honestidade, Humanidade, Ausência de Preconceitos, Consciência, Dignidade, Ética, Solidariedade, Fraternidade, Coragem, Iniciativa.

O inicio da mudança encontra-se na família, encontra-se na educação, depois no ensino.

As virtudes podem ser fruto do exercício continuo, do exemplo que podemos dar a nossos filhos, a nossos familiares, a nossos amigos e a todos, inclusive e principalmente quando não há ninguém olhando. É preciso fazer o bem pelo próprio bem, sem esperar aplausos, sem esperar o reconhecimento, sentir-se bem pelo simples fato de agido com respeito, com justiça, com honestidade, com humanidade, sem preconceitos, com consciência, com dignidade, com ética, com solidariedade, com fraternidade, é preciso ter coragem e iniciativa como a que nossos jovens demonstraram nos protestos.

Temos muito trabalho pelas frente, não podemos permitir que se perca o foco com atitudes de vandalismo, somente usar a força se necessário e contra a quem de fato irá fazer diferença, devemos estar atentos aos movimentos dos poderosos, pois quem esta lá não irá querer perder a mamata, eles irão criar manobras, com atitudes espertas, uma cortina de fumaça, como acenar com medidas populares como a gratuidade da passagem gratuita para estudantes, sabemos que nada é gratuito, alguém sempre ao final paga a conta. 

Queremos respeito, não queremos mais mentiras, não queremos mais ouvir dizer que a construção bilionária dos estádios não foi com dinheiro publico, todos sabem que foi!, onde estão as obras que acompanhariam tal construção dos estádios, como estradas, metrôs e etc?



Ao marchar junto aos protestos, grito vamos em frente, e é uma grande honra ser BRASILEIRO!