Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Otto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Otto. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Reverente Assombro


Reverente assombro é aquela sensação estranha e silenciosa que nos visita quando algo é grande demais para caber na nossa lógica — e, ainda assim, nos toca profundamente.

Não é medo.

Não é euforia.

É uma mistura de pequenez com pertencimento.

Olhe para o céu, olhe para o mar, olhe atentamente para sua companheira.

 

O que é esse estado?

O reverente assombro acontece quando:

  • olhamos para o céu estrelado e sentimos que somos minúsculos — mas vivos;
  • entramos numa catedral antiga e ficamos em silêncio sem saber por quê;
  • presenciamos o nascimento de uma criança e algo em nós fica quieto, quase sagrado.

O filósofo alemão Rudolf Otto chamou essa experiência de mysterium tremendum et fascinans — o mistério que ao mesmo tempo causa tremor e fascínio.

Há algo que nos excede, mas também nos atrai.

 

No cotidiano (onde quase nunca percebemos)

O curioso é que o reverente assombro não precisa de montanhas nem de templos.

Ele pode surgir:

  • quando você percebe que o tempo passou e seus pais envelheceram;
  • quando entende, de repente, o quanto alguém te ama;
  • quando percebe que você não controla quase nada — e, ainda assim, continua respirando.

Há uma humildade nisso.

Uma espécie de “eu não sou o centro de tudo”.

E paradoxalmente, isso alivia.

 

O que esse sentimento faz com a gente?

O reverente assombro:

  • reduz o ego;
  • amplia a percepção;
  • desacelera a pressa;
  • e nos torna mais atentos.

Pesquisas recentes na psicologia mostram que experiências de awe aumentam a empatia e a sensação de conexão com os outros. É como se o coração abrisse espaço.

 

Uma provocação silenciosa

Talvez o maior problema do nosso tempo não seja a falta de informação —
mas a falta de assombro.

Quando tudo vira rotina, tudo encolhe.

O reverente assombro é um lembrete de que a realidade é maior do que nossa agenda, maior do que nossos medos e maior do que nossas certezas.

E talvez seja isso que chamamos, em alguns momentos raros, de sagrado.