Reverente assombro é aquela sensação estranha e silenciosa que nos visita quando algo é grande demais para caber na nossa lógica — e, ainda assim, nos toca profundamente.
Não
é medo.
Não
é euforia.
É
uma mistura de pequenez com pertencimento.
Olhe
para o céu, olhe para o mar, olhe atentamente para sua companheira.
O
que é esse estado?
O
reverente assombro acontece quando:
- olhamos para o céu estrelado e
sentimos que somos minúsculos — mas vivos;
- entramos numa catedral antiga e
ficamos em silêncio sem saber por quê;
- presenciamos o nascimento de uma
criança e algo em nós fica quieto, quase sagrado.
O
filósofo alemão Rudolf Otto chamou essa experiência de mysterium
tremendum et fascinans — o mistério que ao mesmo tempo causa tremor e
fascínio.
Há
algo que nos excede, mas também nos atrai.
No
cotidiano (onde quase nunca percebemos)
O
curioso é que o reverente assombro não precisa de montanhas nem de templos.
Ele
pode surgir:
- quando você percebe que o tempo
passou e seus pais envelheceram;
- quando entende, de repente, o quanto
alguém te ama;
- quando percebe que você não controla
quase nada — e, ainda assim, continua respirando.
Há
uma humildade nisso.
Uma
espécie de “eu não sou o centro de tudo”.
E
paradoxalmente, isso alivia.
O
que esse sentimento faz com a gente?
O
reverente assombro:
- reduz o ego;
- amplia a percepção;
- desacelera a pressa;
- e nos torna mais atentos.
Pesquisas
recentes na psicologia mostram que experiências de awe aumentam a
empatia e a sensação de conexão com os outros. É como se o coração abrisse
espaço.
Uma
provocação silenciosa
Talvez
o maior problema do nosso tempo não seja a falta de informação —
mas a falta de assombro.
Quando
tudo vira rotina, tudo encolhe.
O
reverente assombro é um lembrete de que a realidade é maior do que nossa
agenda, maior do que nossos medos e maior do que nossas certezas.
E
talvez seja isso que chamamos, em alguns momentos raros, de sagrado.