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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Inputs da Sociedade


“Inputs da sociedade” — gosto de pensar nisso como a respiração coletiva do mundo. Aquilo que entra em nós sem pedir permissão e aquilo que sai de nós sem que a gente perceba.

A sociedade é um grande sistema de inputs e outputs humanos.

Ela nos envia valores, opiniões, modas, medos, urgências.

E nós devolvemos atitudes, discursos, silêncios, escolhas.

Mas quase nunca percebemos o que está entrando.

Acordamos e, antes mesmo de pensar por conta própria, já recebemos inputs: notícias, notificações, conversas, expectativas sociais. Alguém diz que o sucesso é correr. Outro diz que felicidade é consumir. Outro diz que é preciso opinar sobre tudo. E assim, sem perceber, a mente vai sendo alimentada por ideias que nem sempre nasceram dentro de nós.

Depois, no decorrer do dia, começam os outputs.

O jeito que respondemos.

O tom com que falamos.

As opiniões que repetimos.

Até os julgamentos que fazemos sobre os outros.

E o curioso é que muitos desses “outputs” não são realmente nossos. São ecos sociais.

Percebo isso em situações simples:

Quando alguém fala mal de algo e, minutos depois, me pego concordando sem refletir.

Quando uma tendência vira opinião coletiva e parece estranho discordar.

Quando o silêncio de um grupo molda o que é aceitável pensar.

A sociedade nos programa sutilmente, não por imposição direta, mas por repetição constante. Como se fosse uma pedagogia invisível do cotidiano. Nesse sentido, a reflexão de Paulo Freire faz muito sentido: somos seres em constante formação, influenciados pelo mundo que nos cerca, mas também responsáveis por transformá-lo.

Ou seja, não somos apenas receptores passivos de inputs sociais. Somos também emissores que alimentam o próprio sistema.

Se eu espalho pressa, a sociedade recebe mais pressa.

Se eu espalho gentileza, ela recebe mais humanidade.

Se eu espalho cinismo, ela devolve desconfiança.

Há um ciclo silencioso aí.

O problema é quando o volume de inputs supera nossa capacidade de reflexão. Aí começamos a viver em modo automático: repetindo ideias prontas, reagindo em vez de compreender, opinando antes de pensar. É como se a mente virasse apenas um canal de retransmissão social.

E, sinceramente, isso me cansa.

Porque a sensação de autenticidade diminui. A pessoa fala, mas não sabe se a voz é dela ou do ambiente. Pensa, mas não sabe se a ideia nasceu da experiência ou da influência.

Talvez o verdadeiro exercício de consciência hoje seja filtrar os inputs antes de produzir outputs.

Perguntar:
“Isso que penso veio de mim ou do ruído social?”

“Essa reação é minha ou aprendida?”

Quando começo a observar isso, algo muda. O pensamento fica menos reativo e mais próprio. A fala deixa de ser eco e vira expressão. E, aos poucos, a gente deixa de ser apenas um produto da sociedade para se tornar também um agente dela.

No fundo, a sociedade não é uma entidade distante.

Ela acontece dentro da gente, o tempo todo.

Nos inputs que absorvemos.

E, principalmente, nos outputs que escolhemos devolver ao mundo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Imaginário dos Homens


Às vezes, enquanto caminho pela rua ainda meio sonolento, percebo que cada pessoa que cruza meu campo de visão carrega um mundo inteiro na cabeça — um mundo que ninguém vê, mas que ordena tudo o que ela faz. É curioso como essa dimensão interior, silenciosa e quase sempre invisível, molda nossos gestos, expectativas e até nossas frustrações. Outro dia, enquanto esperava o ônibus, fiquei observando um senhor que conversava sozinho. Talvez estivesse revisando mentalmente as tarefas do dia, talvez falando com memórias; quem sabe estava apenas arrumando uma desculpa para não se sentir tão só. Mas ali, diante de mim, estava a materialização do imaginário humano: essa linguagem secreta que cada um fala consigo mesmo.

O imaginário dos homens funciona como uma espécie de segundo ambiente. Não é apenas fantasia, mas a força estruturante que nos permite sustentar o real, reinterpretar o que vemos e domesticar aquilo que nos escapa. É nele que guardamos as imagens fundamentais da infância — as primeiras heroicidades, os primeiros medos — e também os modelos de vida que tentamos, às vezes desastradamente, imitar.

Penso sempre no quanto o imaginário é mais poderoso do que a realidade objetiva. Basta reparar no cotidiano: quantas relações terminam não pelo que de fato acontece, mas pelo que alguém imagina que aconteceu? Quantos projetos desmoronam porque o imaginário da derrota se impôs antes mesmo que o primeiro passo fosse dado? Quantos conflitos sociais não são alimentados por fantasias compartilhadas, por estereótipos endurecidos, por mitos que deveriam ter sido aposentados há décadas?

Para entender essa força, gosto de recorrer ao pensamento de Cornelius Castoriadis, um dos que mais profundamente refletiu sobre o imaginário. Ele afirma que o imaginário não é mero espelho da realidade, mas uma potência criadora que institui significações. Ou seja: não vemos o mundo tal como ele é, mas tal como somos capazes de imaginá-lo. Castoriadis dizia que toda sociedade se funda sobre um imaginário social — uma grande ficção organizada, compartilhada, que dá sentido ao que fazemos sem que percebamos.

Trazendo isso para a vida diária, fica evidente: somos educados para imaginar o sucesso como velocidade, o amor como perfeição, o corpo como máquina sempre em forma e a felicidade como uma linha reta. Nenhuma dessas imagens é real em si; são construções, idealizações, molduras para enquadrar nossa experiência. Mas o problema é que muitas vezes confundimos a moldura com o quadro. E sofrermos por não caber no desenho que nós mesmos reforçamos.

O imaginário dos homens é também o lugar onde escondemos nossas sombras. Criamos histórias internas para justificar medos, sustentamos autoimagens heroicas para evitar encarar fragilidades, inventamos antagonistas para dar coerência ao caos. No fundo, cada um de nós é um contador de histórias — histórias que acreditamos antes de qualquer outra coisa.

Castoriadis nos lembraria que, se o imaginário cria, ele também pode recriar. Ou seja: podemos revisitar nossas imagens internas, romper com algumas, reinventar outras. Isso é profundamente libertador. Talvez seja por isso que certas conversas — aquelas em que finalmente conseguimos dizer o que o imaginário escondia — têm o poder quase mágico de reorganizar a vida.

No fim das contas, o imaginário dos homens é a prova de que não vivemos apenas no mundo: vivemos também dentro de nós. E se esse espaço pode ser prisão, também pode ser possibilidade. A pergunta que fica é simples, mas desafiadora: quem está criando o imaginário que estamos vivendo? Somos nós — ou estamos apenas repetindo imagens que herdamos sem perceber?

Talvez a verdadeira maturidade seja justamente aprender a imaginar melhor. A cultivar imagens interiores que sustentem nossa humanidade, e não que nos reduzam a caricaturas de nós mesmos. Porque, no fundo, aquilo que imaginamos — de nós, dos outros, do futuro — é o que decide o tamanho da vida que conseguimos viver.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Éthos e Hegemonia

Quando o jeito de ser vira lei

Já parou para pensar por que, em certos grupos, um jeito de falar, vestir, agir ou até mesmo pensar parece “natural”, enquanto outros modos são vistos como estranhos ou errados? Por que certas ideias, valores e estilos de vida dominam a cena social, como se fossem a única forma “correta” de existir?

É aqui que entram dois conceitos poderosos — éthos e hegemonia — que, juntos, explicam como o poder se infiltra no cotidiano, moldando não só nossas instituições, mas a própria alma das comunidades.

Éthos vem do grego e significa algo como “caráter” ou “modo de ser”. Não é apenas um traço individual, mas o espírito coletivo que orienta o comportamento e as crenças dentro de um grupo. É o pano de fundo que faz com que certas atitudes pareçam “normais” ou até “virtuosas” para quem está dentro daquele universo.

Já hegemonia é uma ideia central na obra do pensador italiano Antonio Gramsci. Para ele, a hegemonia não é apenas dominação por força, mas o domínio cultural e ideológico — quando uma classe ou grupo social consegue fazer com que sua visão de mundo seja aceita como universal e legítima. Essa hegemonia se espalha pelo éthos coletivo, naturalizando o poder e ocultando as relações de opressão que o sustentam.

Na prática, pense nas escolas, na mídia, nas redes sociais. Elas ajudam a construir o éthos dominante: a “forma correta” de ser cidadão, consumidor, trabalhador, jovem, mulher ou homem. O que Gramsci mostra é que o poder não depende só da repressão, mas da capacidade de convencer as pessoas a “querer o que é necessário” para manter a ordem vigente.

Essa dinâmica aparece claramente nas narrativas sobre meritocracia, por exemplo — a ideia de que quem trabalha duro sobe na vida e merece seu lugar. Quem não consegue, supostamente, falhou por incompetência própria. Essa crença está tão entranhada no éthos social que poucas vezes é questionada, mesmo que esconda desigualdades estruturais.

O éthos hegemonicamente construído também pode ditar padrões de beleza, comportamento e até mesmo linguagem, criando grupos de exclusão e marginalização. Quem foge desses padrões pode ser visto como “fora do lugar”, “anormal” ou “rebelde”. Mas, justamente aí reside a possibilidade da transformação social: contestar o éthos dominante é um passo para desestabilizar a hegemonia.

Hoje, um campo onde o éthos hegemônico aparece de forma cristalina é nas redes sociais. Plataformas como Instagram e TikTok estabelecem padrões estéticos, estilos de vida e formas de comunicação que rapidamente se tornam “normais” e desejáveis. Influenciadores e marcas moldam gostos e comportamentos, fazendo com que milhões sigam tendências sem perceber que estão reproduzindo um modo de ser imposto — um éthos digital que valoriza a performance, o consumo e a aprovação social.

Mas também surgem resistências: movimentos sociais, como o Black Lives Matter ou os coletivos LGBTQIA+, desafiam os éthos dominantes ao reivindicar novos modos de ser e existir que rompem com padrões tradicionais. Eles buscam criar uma contra-hegemonia, propondo um éthos mais plural, inclusivo e crítico das desigualdades.

No ambiente corporativo, o éthos hegemônico é visível nas culturas organizacionais que valorizam competitividade, produtividade e conformidade. A ideia do “funcionário ideal” muitas vezes se traduz num padrão de comportamento que exclui quem não se encaixa, seja por gênero, raça, estilo ou crenças. A contestação a esses padrões internos pode gerar conflitos, mas também impulsiona debates sobre diversidade e inclusão — justamente um esforço para alterar o éthos dominante e, com isso, a hegemonia cultural dentro das empresas.

Gramsci acreditava que os grupos subalternos precisavam criar sua própria “contra-hegemonia” — uma nova cultura e um novo éthos que questionem o status quo e ampliem o sentido de liberdade e justiça. Essa luta é constante, feita nas pequenas batalhas diárias de percepção, linguagem e comportamento.

Por isso, pensar em éthos e hegemonia é olhar para o poder não só como algo que impõe de fora, mas que vive e se reproduz dentro de cada um de nós. É um convite para refletir sobre quais modos de ser estamos adotando e por quê — e se eles realmente nos pertencem ou foram impostos.

No fim das contas, o éthos é o palco onde a hegemonia dança — e só compreendendo essa dança é que podemos escolher se queremos ser os dançarinos oficiais ou inventar uma nova coreografia.


quinta-feira, 8 de maio de 2025

Controlar a Energia

Me perguntei como poderia controlar a energia da presença, numa dialética de mim comigo mesmo, redundante, coisas da imaginação. Pensei, controlar a energia que emana de nossa presença não é sobre abafar quem somos, mas sim sobre tomar consciência de como nos manifestamos no mundo — com o corpo, a voz, os gestos, o olhar, o silêncio e até a respiração. É como afinar um instrumento: não se trata de mudar a melodia, mas de tocar com intenção.

No dia a dia, todos percebemos isso. Basta lembrar de alguém que entra em um ambiente e, sem dizer uma palavra, muda o clima. Pode ser para melhor — com leveza e segurança — ou para pior, com tensão ou arrogância. E muitas vezes, quem tem essa presença marcante nem percebe o efeito que causa. A chave está em perceber.

A energia da presença está diretamente ligada ao nosso estado interior. Se estamos ansiosos, irritados, inseguros ou eufóricos demais, isso se projeta no nosso campo — mesmo que tentemos disfarçar com palavras gentis ou sorriso social. Por isso, o primeiro passo para controlar essa energia é nos observar de dentro para fora. Antes de falar, sentir. Antes de agir, respirar.

É um treino. Por exemplo:

– Numa reunião de trabalho, ao invés de entrar falando alto para “mostrar serviço”, experimente escutar primeiro e entender o clima do grupo.

– Em casa, se chegar estressado, em vez de descarregar no outro, dê-se dois minutos de silêncio consciente — nem que seja no banheiro, respirando fundo.

– Ao conversar com alguém em sofrimento, pratique o olhar presente, sem pressa e sem julgamento. Só isso já emana apoio.

A filósofa Simone Weil dizia que “a atenção é a forma mais rara e pura de generosidade.” Talvez seja isso: controlar a energia da presença é um ato generoso, que começa com atenção a si mesmo e se expande como cuidado com o outro.

No fundo, a presença é como um perfume sutil: a gente não precisa borrifar nos outros — basta estar inteiro, lúcido, com o coração poroso. O resto se comunica sozinho.

Tá aí, coisas da imaginação!


quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

A Filosofia no Ambiente Corporativo


Ultimamente tenho estado imerso nas ideias de Martha Nussbaum, essa filósofa contemporânea que não só faz a gente pensar, mas também traz um toque de humanidade para esse mundão corporativo em que vivemos. Resolvi compartilhar um pouco dessa experiência. Então, vamos lá, pega seu café e vem comigo nesse papo sobre como as ideias dela têm feito a diferença no dia a dia entre relatórios e planilhas. Martha Nussbaum é uma filósofa contemporânea norte-americana, nascida em 6 de maio de 1947, conhecida por suas contribuições significativas no campo da ética, filosofia política, filosofia do direito e filosofia da mente. Ela é atualmente professora de Direito e Ética na Universidade de Chicago.

 

Martha Nussbaum

Muitas vezes, a filosofia é vista como algo distante, confinado às mentes dos acadêmicos que discutem teorias em salas de aula isoladas. No entanto, ao explorar as ideias de filósofos como Martha Nussbaum, percebemos que a filosofia é uma ferramenta incrivelmente atuante e relevante em nossas vidas diárias. A filosofia, quando aplicada ao mundo prático, oferece insights valiosos para enfrentar os desafios cotidianos, sejam eles no ambiente de trabalho, na educação ou em qualquer outro aspecto da vida. As ideias de Nussbaum, que inicialmente podem parecer teóricas, ganham vida quando aplicadas em situações reais, como discutimos no artigo sobre o ambiente corporativo.

Ao incorporar princípios éticos, promover o diálogo intergeracional e abraçar a responsabilidade social, percebemos que a filosofia não está apenas nos livros, mas nas escolhas que fazemos todos os dias. Ela se torna uma bússola, guiando-nos não apenas na busca do conhecimento, mas também na construção de um legado significativo e duradouro. Portanto, podemos dizer com certeza que a filosofia não está distante ou inacessível; ela está profundamente enraizada em nossas experiências cotidianas, moldando a maneira como vivemos e interagimos com o mundo ao nosso redor.

O ambiente corporativo, muitas vezes guiado por metas e resultados, pode parecer distante da filosofia. No entanto, ao aplicar as ideias de Martha Nussbaum, renomada filósofa contemporânea, podemos explorar como conceitos como virtudes humanas, diálogo intergeracional e transformação social podem influenciar positivamente o mundo dos negócios, contribuindo para um efeito de posteridade palpável. Imagine uma empresa que incorpora as virtudes humanas na cultura organizacional. Em vez de focar exclusivamente em lucros, os líderes incentivam a empatia, a integridade e a colaboração entre os funcionários. Nussbaum argumentaria que essa abordagem não apenas cria um ambiente de trabalho mais ético, mas também estabelece um legado de valores que resiste às flutuações do mercado ao longo do tempo.

Em uma reunião estratégica, líderes e funcionários de diferentes faixas etárias participam de um diálogo aberto, seguindo a filosofia de Nussbaum. A troca de ideias entre as gerações não apenas respeita a experiência passada, mas também impulsiona a inovação. Nussbaum defenderia que, ao incorporar diversas perspectivas, a empresa não apenas mantém uma tradição de sucesso, mas também se adapta e cresce de maneira sustentável.

Nussbaum destacaria a importância de as empresas se envolverem em projetos sociais que vão além dos lucros. Isso pode incluir iniciativas de responsabilidade social corporativa, como programas de educação, sustentabilidade ambiental e filantropia. Ao integrar a responsabilidade social no núcleo dos negócios, a empresa contribui para uma transformação social positiva, agindo como agente de mudança em sua comunidade e deixando um legado de impacto social.

Ao aplicar as ideias de Martha Nussbaum em um ambiente corporativo, percebemos que sua filosofia não é apenas teórica, mas prática e adaptável aos desafios contemporâneos. O efeito de posteridade, segundo Nussbaum, não se limita à academia, mas pode ser construído em qualquer contexto. Ao adotar princípios éticos, diálogo intergeracional e responsabilidade social, as empresas podem não apenas prosperar no presente, mas também criar um legado positivo que transcende as flutuações do mundo dos negócios.

Às vezes, tudo que a gente precisa no escritório é um toque de filosofia para dar aquele empurrãozinho, né? Vamos tentar colocar em prática esses insights da Nussbaum e ver como podemos criar não só resultados, mas um ambiente de trabalho que realmente importa. Quem sabe a gente não transforma nosso escritório no lugar onde a ética, o diálogo e a responsabilidade social são as estrelas do show?

 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Políticos e Políticas para o Meio Ambiente no Brasil




2014 ano de eleições: O 1º turno das eleições irá ocorrer no dia 5 de outubro e o 2º turno no dia 26 de outubro de 2014. O pleito vai eleger o Presidente, Vice-presidente da República, deputados federais, senadores, governadores e vice-governadores, Deputados estaduais; o governador e vice-governador do Distrito Federal e os deputados do Distrito Federal.

VIVA A REPUBLICA!, MAS O QUE É MESMO REPUBLICA?

De pronto ao pensar na resposta o espirito de Platão manifesta-se, as palavras começam a surgir de maneira espontânea, Platão idolatra a grandeza moral. O grande, o verdadeiro político é o sábio, o pensador que se preocupa em espiritualizar os homens. A forma que é concebido o Estado ele assume seja a função do educador de homens virtuosos, segundo as virtudes que se referem respectivamente a cada classe, dita educação é dispensada essencialmente às classes superiores - especialmente aos filósofos, a quem cabem as virtudes mais elevadas e, portanto, a direção da República. Atualmente você identifica a figura do filósofo nos candidatos que se apresentam para espiritualizar os homens e mulheres brasileiros?

UM POUCO MAIS DE INFORMAÇÃO DO QUE SEJA REPUBLICA...

A palavra República deriva do latim e significa "coisa pública". Ao longo da história a interpretação e o sentido da "República" se modificaram. O conceito é utilizado pela primeira vez na história antiga de Roma, a partir de 509 aC. quando da organização de uma nova forma de governo, preocupada principalmente em retirar o poder das mãos de um único homem. Acabava a Monarquia e iniciava-se uma forma de governo onde o poder é dividido e, naquele momento, controlado
por um organismo coletivo, o Senado. No entanto o Senado romano administra a "coisa pública', porém o público, quer dizer, o povo, não tem direitos políticos. No século XVIII a ideia de República se modificou mais uma vez, a partir de ideias dos filósofos iluministas quando, ainda com pouca expressão, surgiu a ideia de Sufrágio Universal – um homem, um voto.

QUAL O PROBLEMA DA REPUBLICA ATUAL?

A cidade degrada-se naturalmente, como tudo o mais. Com o esfriamento das virtudes e com a concentração do poder nas oligarquias, com o individualismo das democracias, o resultado fatal só poderá “ser” o surgimento da tirania maquiada assumindo a face do candidato reeleito dos partidos elegendo seus candidatos consolidando-se no poder através de acordos obscuros. Esta é a ordem natural da decadência dos regimes políticos, destruídos pelas suas próprias negatividades que ao olhar do estranho não consegue enxergar os sorridentes tiranos, parecer sem “ser”, vazios de virtudes.

QUAL A DISTINÇÃO DA JUSTIÇA NO INDIVÍDUO E NO ESTADO?

A principal finalidade da cidade é educar as pessoas e ela não precisa legislar sobre tudo. A cidade é sábia porque é governada por reis-filósofos; a cidade é corajosa, porque garantida por guardiões valentes. Há que haver temperança nas paixões e ela deve ser praticada tanto pelas pessoas como pelos governantes. A justiça consiste em cada um fazer o que deve: o sábio governar, o professor ensinar, o artesão produzir, etc.
A alma humana é composta de três partes: os desejos, a razão (nous) e os impulsos (thymos). Estes são dominantes, em certas ocasiões, superando as contenções racionais (a história de Leôncio e o desejo de ver os cadáveres). A justiça, portanto, consiste na harmonia entre estas três partes, o que a faz aproximar-se da moral.
Para tanto, será necessária a distinção da sociedade em três classes, como são os distintos metais: ouro para os chefes dos guardiões, prata para os próprios guardiões (ou militares) e ferro para os produtores e artesãos. Os guardiões são mantidos pelo Estado e não têm direito à riqueza.

QUANTO A POLITICA E POLITICOS BRASILEIROS ONDE SE ENQUADRARIAM? QUAL CLASSE? SE PLATÃO FOSSE SE REFERIR AOS POLITICOS BRASILEIROS O QUE TERIA DITO?

Com certeza ao sair da caverna de Platão em direção ao ambiente externo, ao meio ambiente, precisaria sair para algum lugar que fosse melhor que a caverna que estava vivendo, as promessas de um mundo melhor onde pudéssemos viver, respirar, trabalhar teria de ser melhor do que esta caverna, você sabe quais são as promessas dos candidatos não-filósofos?
Pois, bem segue abaixo as propostas dos não-filósofos.


Publicado por Carolina Salles - em 11/09/2014
Por Ceres Battistell
No próximo dia 05 de outubro os brasileiros escolherão seus candidatos à presidência, ao Governo, ao Senado, deputados federais e deputados estaduais. A coluna Conteúdo Sustentável procurou levantar nesta edição algumas propostas na área ambiental dos principais candidatos à presidência para subsidiar o nosso leitor. Avaliamos os programas considerando os critérios de relevância dos temas, as metas para atingir cada tema e as soluções para atingir as metas. Confira:

Marina Silva
Marina Silva tem uma das propostas mais audaciosas, embora não apresente prazo, mas seu Plano de Governo na área ambiental especifica metas e instrumentos. Uma das propostas que chama atenção é ampliar para 40% a área de florestas plantadas e zerar a perda de cobertura florestal no país. Marina sugere a criação do Conselho Nacional de Mudanças Climáticas e da Agência de Clima. A candidata defende que órgãos públicos reduzam a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) e promete incentivos para a agricultura de baixo carbono. Além disso, ela indica instrumentos econômicos para estimular a conservação, metas de eficiência energética e a diversificação das fontes de energia renováveis. Marina é a única que se compromete a implantar uma estratégia para a proteção dos oceanos.

Aécio Neves
O candidato Aécio Neves também tem um plano de governo avançado. Na minha opinião, é o segundo plano mais audacioso. Ele promete usar instrumentos econômicos para atingir objetivos ambientais, incluindo as licitações sustentáveis. Entre suas propostas estão o resgate do papel de pesquisa da Embrapa nos biomas brasileiros. A ideia é produzir conhecimento sobre os potenciais da fauna e flora. Ele inclui a meta para acesso universal a água potável e também a ampliação de programas de eficiência energética. Entre as propostas nesta área está o a criação de mecanismos para utilizar gás dos aterros. Vale destacar, promessa de campanhas contra desperdício de água e o apoio a agricultura de baixo carbono. Aécio foi o único a propor produzir um mapa de vulnerabilidades sociais as mudanças climáticas e uma política de redução de risco dos desastres.

Dilma Rousseff
Dilma defende o legado dos doze anos de governo petista e, ao mesmo tempo, propõe maiores avanços na aplicação de políticas públicas ambientais em áreas como redução do desmatamento, gestão dos recursos hídricos, fortalecimento das energias renováveis, pagamento por serviços ambientais, mais agilidade nos processos de licenciamento ambiental e gestão das Unidades de Conservação. Defende a efetivação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e alterações em temas polêmicos como, por exemplo, o Código Florestal ou a Lei Complementar 140.

Legado ambiental do PT
Como Dilma tenta a reeleição ela pode ter o seu mandato avaliado, cujo desempenho é ruim na visão dos ambientalistas. É preciso lembrar, que Dilma deixou o Congresso enfraquecer o Código Florestal, que anistiou o desmatamento de cerca de 29 milhões de hectares - sendo que os outros dois presidentes anteriores a ela sempre bloquearam as tentativas do Congresso de fazer isso. Na gestão de Dilma foram reduzidas as áreas protegidas para facilitar o licenciamento de hidrelétricas sem as devidas compensações. O desmatamento aumentou em 28% em 2013 em relação a 2012. Além disso, ela reduziu impostos da gasolina que por sua vez reduziu a atratividade do etanol – que emite menos gases do efeito estufa. Dilma reduziu o IPI de automóveis, o que aumentou os engarrafamentos e poluição nas cidades. Já um relatório recente do TCU mostrou que apenas 4% das Unidades de Conservação tem algum grau de gestão e implantação no país.

Três aves brasileiras foram recentemente consideradas extintas. As espécies são nativas da Mata Atlântica e habitavam a região ocupada pelo bioma no nordeste brasileiro. O status foi obtido a partir de pesquisas que envolveram especialistas brasileiros e estrangeiros e resultou no estudo “Status global de aves silvestres ameaçadas no nordeste do Brasil”, publicado na revista científica “Papéis avulsos de zoologia”, da Universidade de São Paulo. As aves extintas são: corujinha caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum), gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti) e o limpa-folhado-nordeste (Philydor novaesi). De acordo com os cientistas, as espécies não foram vistas e nem tiveram registros oficiais durante um longo período de tempo, o que motivou a decisão pela extinção.
Carolina Salles, Direito Ambiental, Mestre em Direito Ambiental.



Há algum tempo a sociedade deixou de pensar por si mesma, preferiram rir e deixar rirem de si, ao eleger tiriricas conduzindo-os irresponsavelmente ao mando de nossa caverna, eliminado as possibilidades do aquecimento a luz do sol. Sair da caverna é tão difícil que não conseguimos romper com a mesmice e acabamos achando que as propostas de nossos candidatos são factíveis, o problema esta em parte em nossa educação, quantas vezes ouvimos nos perguntarem para que serve a filosofia? Para que votar? Para que levar tão a sério as eleições? Vivemos na sombra da verdade, deixamos o mundo das aparências desprovidas de virtudes e moral governarem nossos destinos.

Estamos no ano de 2014 a menos de trinta dias para eleger tiriricas com suas promessas e ilusões circenses, pense, analise as propostas dos candidatos, podemos sair da caverna ou iremos permanecer nela? O que nos aguarda no meio ambiente externo.

Será que algum destes candidatos é a luz que irá iluminar a república, algum deles será o filósofo com as virtudes necessárias para brilhar como ouro?





Pense também na caverna como a urna, coloque seu voto e aguarde o resultado como se fosse a chave para sair para o lado externo iluminado, faça uso de suas virtudes, faça uso da terceira lei de Newton: Voto é ação, candidato eleito a reação. Boa ação leva a boa reação.