por menores que sejam!
Eu
comecei a perceber que causamos impactos mesmo quando achamos que estamos
apenas passando. Uma palavra dita sem intenção, um silêncio mantido, um gesto
mínimo — tudo isso toca alguém de algum modo. Não controlamos o tamanho do
efeito, apenas o cuidado do gesto. Às vezes marcamos sem saber, ferimos sem
notar, curamos sem perceber. O mais curioso é que raramente lembram do que
dissemos exatamente, mas quase sempre lembram de como os fizemos sentir. E talvez
seja isso: não somos autores das histórias dos outros, mas somos linhas
inevitáveis nelas. Causamos impactos não por sermos grandiosos, mas
simplesmente por estarmos presentes.
Eu
aprendi que não existe passagem neutra. Onde eu passo, algo se ajusta — mesmo
que seja só um detalhe invisível. Uma palavra dita sem intenção, um olhar que
não se sustenta, um gesto de cuidado quase automático. Tudo deixa rastro.
Às
vezes penso que só causamos impacto quando fazemos algo grandioso. Mas não. O
impacto verdadeiro costuma ser microscópico. É alguém que dorme melhor por
causa de uma conversa curta. É alguém que carrega uma dúvida porque ouviu uma
frase fora de hora. É alguém que se sente visto por um segundo.
O
curioso é que raramente somos testemunhas do efeito que causamos. A vida não
nos mostra as consequências. Ela apenas nos confia o gesto.
Por
isso, começo a entender que responsabilidade não é peso —
é consciência. Eu não controlo o mundo, mas participo dele. E essa
participação, por menor que seja, já é transformação.
No
fim, talvez não sejamos lembrados pelo que construímos,
mas pelo modo como atravessamos os outros. E mesmo sem saber, deixamos pequenas
ondulações em existências que jamais voltaremos a tocar.