Outro
dia, enquanto esperava um amigo num café, notei uma senhora jogando cartas de
tarô para uma cliente atenta. O ambiente tinha aquele ar de mistério misturado
com aroma de café fresco. A cliente olhava fixamente para as cartas, como se,
ao decifrar aqueles símbolos enigmáticos, pudesse antecipar o que lhe
aguardava. Fiquei ali pensando: por que a ideia de saber o futuro nos fascina
tanto?
Desde
tempos imemoriais, a humanidade tenta desvendar o que está por vir. Oráculos
gregos, astrologia, profecias religiosas, inteligência artificial prevendo
tendências – a busca pela previsibilidade atravessa eras e culturas. Mas por
que essa obsessão? Talvez porque o futuro represente o grande desconhecido, e
conhecer o desconhecido é uma forma de controle. Se soubéssemos o que vai
acontecer, talvez pudéssemos evitar tragédias, tomar melhores decisões ou, no
mínimo, preparar-nos psicologicamente.
Porém,
a possibilidade de saber o futuro também carrega um paradoxo: se o futuro já
está determinado e pode ser conhecido, onde fica o livre-arbítrio? Se uma
previsão é infalível, então nossa liberdade é apenas uma ilusão? Este dilema já
inquietava os antigos estoicos, que acreditavam num destino inescapável, e
também preocupou Santo Agostinho, que buscou conciliar a onisciência divina com
a liberdade humana.
Por
outro lado, se o futuro for apenas um campo de possibilidades abertas, então
toda tentativa de predizê-lo é em vão. A filosofia existencialista de Sartre
defenderia que o ser humano está condenado à liberdade, ou seja, sempre tem
escolha e sempre está criando o futuro a partir do presente. Esse pensamento
talvez nos liberte do medo do destino, mas também impõe uma grande
responsabilidade: somos os artesãos do nosso próprio caminho, sem mapas
garantidos.
Talvez
a nossa busca por saber o futuro seja, no fundo, um desejo de aliviar a
angústia da incerteza. Mas, paradoxalmente, é essa mesma incerteza que dá sabor
à vida. Se soubéssemos exatamente como tudo vai acontecer, restaria algum
encanto na jornada? A vida, como um romance, precisa do inesperado para ser
emocionante. E talvez o maior mistério não seja saber o futuro, mas sim
aprender a viver bem no presente.
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