As
telas nos aproximaram de quem está longe — e nos afastaram de quem está perto.
O toque virou emoji, o diálogo virou notificação. Estamos conectados, mas nem
sempre comunicados.
O
problema
não é a tecnologia, mas o modo como ela ocupa o silêncio. Preenchemos o vazio
com barulho digital, e esquecemos o valor de estar simplesmente junto, sem
precisar digitar nada.
Tecnologia
distante é aquela que nos conecta e, ao mesmo tempo, nos afasta do que está ao
nosso redor. Outro dia, vi meu sobrinho todo concentrado no notebook, os olhos
grudados na tela, enquanto a família conversava na sala. Ele respondia
mensagens, assistia a vídeos e jogava, mas parecia em outro mundo, separado do
cheiro do café, do riso da tia, do toque do cachorro no tapete. É curioso como
a tecnologia aproxima pessoas que estão longe e, paradoxalmente, cria uma
distância silenciosa entre quem está perto. No fim, ela nos lembra que nem todo
contato é contato de verdade.
Byung-Chul
Han,
filósofo coreano, fala da “sociedade do cansaço” — uma era em que o excesso de
estímulos nos exaure. Talvez seja hora de reaprender a desconectar para, enfim,
nos conectar de verdade.
A
presença continua sendo o melhor sinal de internet.