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sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Sete é o número da felicidade e sete são as teses que a revelam



Na cultura e nas crenças de muitas sociedades ao redor do mundo, o número 7 é frequentemente considerado um número com fortes significados espirituais e simbólicos.

O número 7 é frequentemente mencionado em várias escrituras religiosas e mitológicas. Na Bíblia, por exemplo, o número 7 é amplamente simbólico, aparecendo em histórias como os sete dias da criação, os sete pecados capitais, as sete virtudes, as sete trombetas do Apocalipse, entre outros.

O número 7 está associado à harmonia cósmica e à ordem do universo em várias culturas. Na astrologia, há sete planetas tradicionais, e em muitas tradições espirituais, o número 7 representa uma conexão especial entre o céu e a terra.

O número 7 é frequentemente associado a ciclos naturais. Por exemplo, existem sete dias na semana, sete cores no espectro do arco-íris e sete notas musicais na escala diatônica.

Em algumas culturas, o número 7 é considerado um símbolo de purificação e renovação. Isso pode ser visto em rituais e festivais que ocorrem em intervalos de sete dias ou sete anos.

O número 7 também é associado à jornada espiritual e à busca por sabedoria e iluminação. Em muitas tradições espirituais, existem sete estágios ou níveis de desenvolvimento espiritual que uma pessoa pode atravessar.

O número 7 também foi estudado por Pitágoras, ele foi um filósofo pré-socrático da Grécia antiga, matemático e místico grego que viveu por volta do século VI e V a.C., foi o fundador da Escola Pitagórica, uma das mais influentes escolas de pensamento na antiguidade, e suas ideias exerceram um impacto significativo em várias áreas do conhecimento como a Matemática, ele e seus seguidores fizeram várias descobertas importantes, incluindo o famoso Teorema de Pitágoras, que relaciona os lados de um triângulo retângulo. Os pitagóricos desenvolveram estudos sobre números, proporções, geometria e aritmética.

Pitágoras fundou uma escola filosófica e mística em Crotona, uma colônia grega no sul da Itália. A escola era uma comunidade fechada que buscava o aprimoramento espiritual e intelectual. Os membros da escola seguiam um conjunto de ensinamentos e práticas rigorosas, incluindo a crença na imortalidade da alma e na importância da purificação espiritual através de várias encarnações.

Os pitagóricos acreditavam que a música era uma forma de expressão divina e que as proporções musicais refletiam as proporções matemáticas fundamentais do universo. Eles estudaram a relação entre notas musicais e números e viam a música como uma ferramenta para alcançar a harmonia interior.

A escola pitagórica tinha uma abordagem mística e espiritual para a filosofia. Eles acreditavam que o conhecimento não era apenas racional, mas também intuitivo e transcendente. A crença na reencarnação e na purificação da alma era central para sua visão de mundo.

Na tradição pitagórica, o número 7 era considerado especial e sagrado, sendo um dos chamados "números mágicos" ou "números perfeitos". Os pitagóricos atribuíam significados simbólicos profundos aos números, e o 7 era visto como um número particularmente poderoso e harmonioso. O número 7 era considerado significativo, pois incluem Harmonia cósmica, os pitagóricos acreditavam que o número 7 estava intimamente relacionado à harmonia do cosmos. Eles observaram que havia sete planetas visíveis a olho nu no céu: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno. Esses corpos celestes foram associados a diferentes deidades e ideias na mitologia e na filosofia pitagórica.

A tradição pitagórica também estava ligada à música e às proporções. Eles descobriram que certas proporções numéricas correspondiam a intervalos musicais agradáveis, como a oitava (1:2), a quinta (2:3) e a quarta (3:4). O número 7 era particularmente importante nesse contexto, pois estava relacionado ao conceito de escala diatônica, que era construída com sete notas musicais.

Os pitagóricos acreditavam em um modelo cosmológico que incluía as sete esferas planetárias. Cada esfera era associada a um dos planetas visíveis e tinha um movimento orbital específico. O número 7 representava, portanto, a estrutura organizada e harmônica do universo.

Sete eram as virtudes, os pitagóricos associavam o número 7 a sete virtudes que eram consideradas fundamentais para o crescimento espiritual e moral: sabedoria, coragem, temperança, justiça, fé, esperança e amor.

De Pitágoras para cá muita coisa mudou, nossas perspectivas também, contemporaneamente podemos pensar que o sete, um número mágico e forte poderia reunir sete teses que representariam as perspectivas contemporâneas e evoluídas sobre a felicidade, tais teses considerariam fatores psicológicos, sociais e espirituais na compreensão desse conceito complexo. Atualmente ainda pensamos muito sobre a felicidade e não cansamos de explorar essas questões e a fornecer insights valiosos para a busca do bem-estar humano, neste sentido me ocorrem estas sete teses contemporâneas sobre a felicidade:

Tese 1. Felicidade como bem-estar subjetivo: Essa tese enfatiza a importância do bem-estar subjetivo na definição da felicidade. Nessa perspectiva, a felicidade é vista como uma avaliação positiva da própria vida, envolvendo aspectos emocionais, cognitivos e avaliações globais de satisfação com a vida.

Tese 2. A importância das emoções positivas: Essa tese destaca que as emoções positivas têm um papel fundamental na experiência da felicidade. Sentimentos como alegria, gratidão, serenidade e satisfação são componentes essenciais da felicidade e podem ser cultivados por meio de práticas intencionais.

Tese 3. Felicidade como florescimento humano: Essa tese propõe que a felicidade seja alcançada através do florescimento humano, que envolve o desenvolvimento pleno das capacidades e virtudes de uma pessoa. O florescimento inclui aspectos como autenticidade, resiliência, relações significativas e propósito na vida.

Tese 4. Conexões sociais e relacionamentos: Essa tese ressalta a importância das conexões sociais e relacionamentos significativos para a felicidade. Relações saudáveis e de apoio são fundamentais para o bem-estar emocional e para o sentido de pertencimento.

Tese 5. Felicidade no contexto do presente: Essa tese enfatiza a importância de viver o momento presente e estar consciente do aqui e agora para a experiência da felicidade. A prática de mindfulness e a apreciação do presente são vistas como maneiras de aumentar a felicidade.

Tese 6. Felicidade além do consumismo: Essa tese questiona a ideia de que a felicidade está diretamente relacionada ao consumo material. Em vez disso, defende a importância de valores não materiais, como crescimento pessoal, contribuição para a sociedade e conexões com a natureza.

Tese 7. Felicidade como equilíbrio de vida: Essa tese argumenta que a felicidade está relacionada ao equilíbrio entre diferentes domínios da vida, como trabalho, lazer, saúde e relacionamentos. Buscar um equilíbrio saudável e satisfatório em todas as áreas da vida é considerado essencial para a felicidade duradoura.

Falar sobre teses da felicidade é relevante e interessante porque a felicidade é um dos conceitos mais fundamentais e universais na experiência humana. É um estado desejado por muitos e objeto de busca ao longo da vida. Ao discutir teses sobre a felicidade, podemos explorar diferentes perspectivas, teorias e abordagens para entender o que é a felicidade, como ela é alcançada e como ela pode ser mantida.

Ao refletirmos sobre teses da felicidade, podemos refletir sobre como as sociedades, culturas e indivíduos têm abordado a busca pela felicidade ao longo da história, essas teses podem oferecer insights e sugestões práticas para que as pessoas possam encontrar uma maior satisfação e contentamento em suas vidas diárias e também por uma maneira de explorar e compreender um dos aspectos mais fundamentais da condição humana, contribuindo para uma maior consciência sobre o que nos traz bem-estar e uma vida mais significativa.

Podemos construir inúmeras teses sobre a felicidade, isto por ser um conceito complexo e multifacetado, existem inúmeras perspectivas e abordagens para entender e descrever esse estado emocional e mental. Cada indivíduo pode ter sua própria definição e percepção de felicidade, o que torna o tema ainda mais diverso e aberto a diferentes interpretações, o número é apenas um indicador de quantidade, é apenas simbólico do que literal, o que associamos a ele é fará a diferença.

Fonte:

Conte, Carlos Brasilio. Pitágoras: ciência e magia na Antiga Grécia. Ed. Madras. São Paulo, 2015.




quinta-feira, 3 de agosto de 2023

O pensamento de Kant sobre imortalidade, reencarnação e moral



Inicialmente vamos entender um pouco a respeito do tema imortalidade e reencarnação e em seguida vamos conversar com Kant e ver o que ele tem a nos dizer sobre isto.

Imortalidade e reencarnação são conceitos que têm sido discutidos em várias culturas e sistemas de crenças ao longo da história. A imortalidade refere-se à ideia de que a alma ou o espírito de uma pessoa pode existir eternamente após a morte física do corpo. Por outro lado, a reencarnação é a crença de que a alma é reencarnada em outro corpo após a morte, continuando assim seu ciclo de existência.

Essas crenças estão frequentemente relacionadas com questões morais e éticas. A forma como as pessoas compreendem a imortalidade e a reencarnação pode influenciar profundamente suas ações e escolhas na vida, por esta razão é interessante abordarmos algumas perspectivas.

Alguns sistemas de crenças ensinam que as ações de uma pessoa em uma vida têm consequências para sua próxima encarnação. Nesse contexto, a moralidade desempenha um papel fundamental, pois as ações de uma pessoa podem influenciar sua vida futura e determinar a qualidade de sua próxima existência. Isso pode levar as pessoas a serem mais responsáveis e cuidadosas em suas ações, buscando viver de acordo com princípios morais elevados.

Em algumas crenças, como o hinduísmo e o budismo, a reencarnação está ligada ao conceito de karma, que é a lei de causa e efeito. O karma refere-se às consequências das ações de uma pessoa, que podem se refletir em futuras vidas. Nesse contexto, a moralidade é essencial, pois a busca por boas ações e intenções é vista como uma forma de acumular bom karma para uma vida futura mais positiva.

Algumas crenças na reencarnação sustentam que o objetivo final é alcançar a evolução espiritual e transcender o ciclo de nascimento e morte. Nesse sentido, a moralidade pode ser vista como uma ferramenta para crescimento e autodescoberta, permitindo que a pessoa se liberte de apegos terrenos e atinja níveis mais elevados de consciência.

A crença na reencarnação pode levar as pessoas a questionarem o significado de suas vidas e a se concentrarem em valores e propósitos mais profundos. Isso pode levar ao desenvolvimento de uma ética pessoal baseada em compaixão, amor e compreensão em relação a si mesmo e aos outros.

As visões e perspectivas sobre a imortalidade, reencarnação e moral podem variar significativamente de acordo com as crenças religiosas, filosóficas e culturais de cada indivíduo. Cada sistema de crenças pode oferecer uma perspectiva única sobre como esses conceitos interagem e afetam as escolhas morais de uma pessoa. Além disso, nem todas as pessoas acreditam nesses conceitos, e as escolhas morais também podem ser influenciadas por outras motivações, como valores sociais, ética secular e senso de empatia.

Agora vamos buscar esclarecimentos a respeito deste tema junto ao filosofo alemão Immanuel Kant.


Immanuel Kant (1724-1804), um dos filósofos mais influentes da história, teve uma abordagem única e distinta em relação à moralidade. É importante observar que Kant não acreditava em imortalidade ou reencarnação no sentido tradicional. No entanto, ele desenvolveu uma teoria moral conhecida como "ética deontológica" ou "ética do dever", que é relevante para discutir a relação entre moralidade e imortalidade/reencarnação.

Para Kant, a moralidade não é baseada nas consequências das ações ou em qualquer forma de recompensa ou punição após a morte. Em vez disso, ele acreditava que a moralidade deve ser baseada na razão prática e no dever moral incondicional. Sua teoria ética, também conhecida como "imperativo categórico", tem como fundamento a ideia de agir de acordo com princípios universais que possam ser aplicados a todos os seres racionais.

De acordo com o imperativo categórico, um indivíduo deve agir de tal maneira que sua ação possa ser transformada em uma lei universal, sem contradição. Em outras palavras, a moralidade para Kant não se baseia em possíveis recompensas ou punições futuras, mas na obrigação de agir de acordo com princípios racionais que respeitem a dignidade da humanidade como um todo.

Dado que Kant não aceitava a imortalidade ou reencarnação, suas considerações morais estão ancoradas no contexto da vida atual. Ele acreditava que, para ser moralmente correto, os indivíduos devem agir com base em suas responsabilidades presentes e universais, independentemente de qualquer ideia de vida após a morte.

Portanto, para Kant, a moralidade não depende de qualquer noção de reencarnação ou imortalidade, mas é baseada na razão e na obrigação moral de agir de acordo com princípios universais e racionais em nossa existência presente.

Immanuel Kant foi um filósofo alemão do século XVIII conhecido por suas contribuições em várias áreas do conhecimento, como filosofia, ética, epistemologia e estética. Quanto à sua religião, Kant era luterano, o que significa que ele fazia parte da Igreja Luterana, uma das principais denominações cristãs protestantes.

Apesar de ter sido criado em um ambiente luterano e de manter uma identidade religiosa formalmente vinculada ao luteranismo, Kant desenvolveu uma abordagem filosófica distinta em relação à moralidade e à religião. Ele enfatizava a importância da razão prática e defendia uma ética secular, centrada na obrigação moral incondicional e na universalidade dos princípios morais.

Kant foi crítico em relação a certos aspectos da religião institucionalizada, especialmente em relação às abordagens dogmáticas e ao uso da religião para fins políticos e de controle social. No entanto, ele também reconheceu a importância da religião como uma força motivadora para o comportamento moral em algumas pessoas.

Em suas obras, como "Crítica da Razão Pura", "Crítica da Razão Prática" e "Religião nos Limites da Simples Razão", Kant explorou questões filosóficas relacionadas à religião, abordando temas como a existência de Deus, a imortalidade da alma e a relação entre fé e razão. Sua filosofia influenciou o pensamento de muitos teólogos e filósofos religiosos, e seu legado é sentido até hoje em debates sobre ética, religião e filosofia da religião.

Pensando bem é coerente concordarmos com Kant, para alguém cumprir seu destino como um ser moral, precisa abandonar a crença na morte e o medo da morte, o postulado da imortalidade é necessário para a pessoa moralmente comprometida, porque encerrado nos limites do tempo de uma vida, nenhum individuo consegue realizar seu dever supremo: trazer o advento do Maior Bem, o objetivo moral de trazer o Maior Bem diz respeito ao nosso mundo, não a outro.

Embora Kant não tenha explorado diretamente as crenças específicas de imortalidade e reencarnação em seus escritos, suas obras tratam de questões fundamentais de moralidade, ética e razão prática que são relevantes para a discussão desses temas em um contexto filosófico mais amplo.

No cotidiano, os temas da imortalidade, reencarnação e moral geralmente se manifestam por meio das crenças e práticas religiosas, bem como nas ações e decisões baseadas em valores éticos e morais das pessoas.

Na pratica e no cotidiano: “Fazer o bem sem ver a quem”

No cotidiano usamos com frequência a expressão "fazer o bem sem ver a quem", geralmente implica que uma pessoa realiza boas ações sem levar em consideração a identidade, posição social, religião, raça ou qualquer outra característica pessoal daqueles que recebem o benefício da ação. Essa ideia está em consonância com a ética kantiana, especialmente com o conceito do imperativo categórico, que enfatiza a universalidade e a imparcialidade das ações morais.

Na ética de Kant, o imperativo categórico é um princípio que requer que uma ação seja realizada com base na sua aceitabilidade como uma lei universal. Em outras palavras, para que uma ação seja moralmente correta, ela deve ser aplicável a todos os seres racionais sem contradição.

Ao agir de acordo com o imperativo categórico, uma pessoa considera a ação em si e seus princípios gerais, independentemente de quem seja afetado por ela. Isso significa que a pessoa não faz exceções ou discriminações arbitrárias na hora de fazer o bem.

A ideia de "fazer o bem sem ver a quem" é compatível com a ética kantiana, pois se alinha com o princípio da universalidade e imparcialidade das ações morais. Ao realizar boas ações com base em princípios racionais e universais, a pessoa age de maneira ética e responsável, independente das características individuais das pessoas que são beneficiadas por suas ações.

Fonte

Kant, Emmanuel. Crítica da Razão Pratica. Traduzido por Monique Hulshof. Editora Vozes; 1ª edição. Petrópolis-RJ, 2016

________Fundamentação da Metafisica dos Costumes e Outros Escritos. Traduzido por Leopoldo Holzbach. Editora Martin Claret – São Paulo, 2006

________Religião nos Limites da Simples Razão. Traduzido por Artur Morão. Editora EDIÇÕES 70. Lisboa. 1992