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quinta-feira, 14 de setembro de 2023

A Dança Espiritual dos Chakras e Orixás: Em Busca de Uma Filosofia de Harmonia Interior

 


Antes de entrarmos no tema proposto no título deste artigo percebo que seja importante entender que a espiritualidade é diversa e abrange uma vasta gama de crenças, práticas e expressões religiosas, e não há uma única religião ou sistema espiritual que seja inerentemente superior a todas as outras. A espiritualidade é uma parte fundamental da experiência humana, e sua riqueza reside na variedade de formas pelas quais as pessoas buscam conexão com o divino, significado e propósito em suas vidas.

A ideia de que nenhuma religião é superior a outra é um princípio fundamental do pluralismo religioso, que valoriza a diversidade de crenças e promove a tolerância religiosa e a convivência pacífica entre pessoas de diferentes tradições espirituais. O pluralismo religioso reconhece que diferentes religiões e sistemas de crenças podem oferecer orientação moral, apoio espiritual e um senso de comunidade para seus seguidores.

Devemos respeitar e valorizar as crenças e práticas espirituais dos outros, mesmo que sejam diferentes das nossas. O respeito pela diversidade religiosa e espiritual contribui para a coexistência pacífica e para um mundo mais inclusivo. Além disso, muitas pessoas adotam abordagens ecumênicas ou espirituais, incorporando elementos de várias tradições religiosas em sua busca por significado e conexão espiritual. Isso reflete a capacidade humana de adaptação e síntese de diferentes influências espirituais para criar um sistema de crenças pessoal significativo.

A espiritualidade é rica e diversificada, e não há uma única abordagem "melhor" ou "superior". O importante é encontrar uma prática espiritual que ressoe pessoalmente e que contribua para o bem-estar espiritual e emocional. O respeito pela diversidade de crenças e a abertura para aprender com as experiências espirituais dos outros são valores essenciais no diálogo inter-religioso e na construção de sociedades mais inclusivas.

Vamos aos Chakras em sua origem

 Os chakras são centros de energia que fazem parte do sistema de crenças em algumas tradições espirituais e filosofias antigas, como o hinduísmo, o budismo e algumas formas de medicina alternativa. A palavra "chakra" vem do sânscrito e significa "roda" ou "disco", o que faz referência à forma circular ou espiral que muitos desenhos desses centros de energia apresentam.

Existem muitos chakras no corpo humano, mas a tradição reconhece sete chakras principais, que estão localizados ao longo da coluna vertebral e correspondem a áreas específicas do corpo e da consciência. Cada chakra é associado a uma cor, um elemento, um som, uma nota musical, uma pedra preciosa e várias qualidades espirituais ou emocionais. Abaixo, estão os sete chakras principais, começando pelo chakra raiz na base da coluna e subindo até o chakra da coroa no topo da cabeça:

Chakra Raiz (Muladhara): Este chakra está relacionado à segurança, estabilidade, sobrevivência e instintos básicos. Ele é associado à cor vermelha e à Terra.

Chakra Sacral (Swadhisthana): Este chakra está ligado à criatividade, prazer, sexualidade e emoções. Sua cor é laranja.

Chakra do Plexo Solar (Manipura): Este chakra está associado ao poder pessoal, autoestima, confiança e força de vontade. A cor relacionada é o amarelo.

Chakra do Coração (Anahata): O chakra do coração está relacionado ao amor, compaixão, perdão e conexão com os outros. A cor é o verde ou rosa.

Chakra da Garganta (Vishuddha): Este chakra está associado à comunicação, expressão e verdade. Sua cor é azul claro.

Chakra do Terceiro Olho (Ajna): O chakra do terceiro olho está ligado à intuição, percepção e conhecimento interior. A cor é o índigo.

Chakra da Coroa (Sahasrara): Este é o chakra mais alto e está relacionado à espiritualidade, consciência universal e iluminação. Sua cor é violeta ou branca.

Acredita-se que a energia flua através desses chakras, e o equilíbrio adequado entre eles é essencial para o bem-estar físico, emocional e espiritual de uma pessoa. Muitas práticas espirituais, como a meditação, a yoga e a terapia de energia, têm como objetivo abrir e equilibrar os chakras para promover a saúde e a harmonia.

A crença nos chakras não é universal, e muitos consideram essa ideia como parte de sistemas de crenças espirituais específicos, em vez de uma explicação científica verificável. Portanto, a interpretação e a compreensão dos chakras podem variar significativamente entre diferentes tradições espirituais e culturas.

Os chakras e os orixás são conceitos que têm origem em tradições espirituais diferentes e não estão diretamente relacionados, mas podem ser abordados em algumas práticas espirituais sincretistas ou em sistemas de crenças que combinam elementos de várias culturas, é o que faremos em seguida.

Chakras: Como mencionado anteriormente, os chakras são centros de energia que fazem parte de algumas tradições espirituais, como o hinduísmo e o budismo. Eles estão relacionados à energia vital, ao corpo e à consciência. Os chakras são geralmente associados a cores, sons e qualidades específicas, e acredita-se que o equilíbrio e a abertura dos chakras sejam essenciais para o bem-estar espiritual e emocional.

Orixás: Os orixás são divindades ou espíritos venerados nas religiões afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda. Cada orixá tem sua própria personalidade, domínio e atributos específicos. Eles são frequentemente associados a elementos naturais, cores e rituais específicos. O culto aos orixás envolve a adoração e a busca por orientação espiritual dessas divindades.

Em algumas práticas espirituais sincretistas, principalmente no Brasil, os chakras e os orixás podem ser relacionados da seguinte maneira:


Associação dos Chakras com os Orixás: Em algumas tradições espirituais brasileiras que combinam elementos do hinduísmo e do Candomblé, pode haver uma associação dos chakras com os orixás. Por exemplo, o chakra do coração (Anahata) pode ser associado ao orixá Oxum, que está relacionado ao amor e à beleza. O chakra da garganta (Vishuddha) pode ser associado ao orixá Iemanjá, que está relacionado à comunicação. Essas associações podem variar de uma tradição para outra.

Práticas de Equilíbrio Energético: Em algumas práticas sincretistas, a busca pelo equilíbrio dos chakras pode ser combinada com rituais de adoração aos orixás para promover o bem-estar espiritual e emocional.

Essas associações são específicas de certas práticas espirituais e não fazem parte das tradições originais do hinduísmo, budismo ou do Candomblé. Cada tradição espiritual tem suas próprias crenças e práticas, e as interpretações e combinações de conceitos podem variar amplamente. Portanto, a relação entre chakras e orixás é um fenômeno que ocorre em contextos sincretistas específicos, principalmente dentro das religiões afro-brasileiras.

Face minha formação acadêmica em Filosofia procurarei estabelecer uma relação entre chakras, orixás e filosofia, e será explorada de várias maneiras, dependendo do contexto cultural, religioso e filosófico em que esses elementos são considerados. Vou discutir essa relação de maneira geral, mas a interpretação e a aplicação desses conceitos podem variar significativamente em diferentes tradições espirituais e filosóficas.

Chakras e Filosofia:

Filosofia Hindu e Budista: Nos sistemas filosóficos hindu e budista, os chakras estão associados à compreensão da mente e da consciência. Eles são vistos como centros de energia que desempenham um papel crucial na jornada espiritual e na expansão da consciência. Essas filosofias consideram a exploração dos chakras como uma forma de compreender a natureza da mente, alcançar a iluminação e transcender o ciclo do sofrimento (samsara).

Orixás e Filosofia:

Religiões Afro-Brasileiras: As religiões afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda, têm sistemas filosóficos e éticos associados à adoração dos orixás. A filosofia nessas tradições muitas vezes enfatiza a harmonia com a natureza, o respeito aos ancestrais e a comunhão com os espíritos da natureza e dos orixás. As práticas filosóficas dessas religiões visam a orientar os seguidores em como viver de acordo com os princípios éticos dessas tradições.

Chakras, Orixás e Filosofia Sincretista:

Sincretismo Religioso: Em algumas práticas espirituais sincretistas, que combinam elementos de várias tradições, os chakras e os orixás podem ser relacionados com princípios filosóficos mais amplos. Por exemplo, pode haver uma busca por harmonizar os chakras como parte da busca por uma vida em equilíbrio e em consonância com os princípios éticos dos orixás. Isso pode envolver a integração de filosofias orientais, como a ioga e o conceito de chakras, com as crenças e práticas das religiões afro-brasileiras.

No geral, a relação entre chakras, orixás e filosofia pode variar amplamente, dependendo das crenças e práticas específicas de uma tradição espiritual ou filosófica. Esses conceitos são parte de sistemas de crenças e filosofias particulares e que a interpretação e a aplicação deles podem diferir de uma tradição para outra. Além disso, a integração de elementos de diferentes tradições espirituais e filosóficas é uma característica comum do sincretismo religioso, e essa integração pode levar a abordagens únicas e interdisciplinares para a espiritualidade e a filosofia.

Vamos aprofundar mais especificamente e ver o que acontece

"Você já se perguntou como a espiritualidade pode ser uma dança envolvente entre os conceitos abstratos da filosofia e as forças vibrantes da natureza? Bem, imagine essa dança como uma fusão mágica entre chakras, orixás e a busca pela harmonia interior. É como se a filosofia estivesse se encontrando com deidades poderosas em uma pista de dança espiritual, e os resultados fossem surpreendentes.

Nesta jornada, adentraremos mais especificamente o intrigante mundo dos chakras, esses centros de energia que mapeiam nosso ser interior, da base da coluna à coroa da cabeça. A filosofia oriental nos diz que eles são portais para a compreensão da mente e da consciência, e são como um mapa para a nossa jornada espiritual pessoal.

Mas não pararemos por aí. Convidamos também os orixás, figuras divinas das tradições afro-brasileiras, como Xangô e Iansã, para a nossa pista de dança espiritual. Eles personificam arquétipos da natureza e da humanidade, trazendo consigo uma filosofia de respeito à natureza e conexão com nossas raízes culturais.

Vamos explorar como Xangô, o senhor da justiça e da autoridade, se alinha com o Terceiro Chakra, e como Iansã, a rainha dos ventos e das tempestades, personifica o Quinto Chakra. Através dessa dança de energias e significados, vamos descobrir como essas deidades nos guiam na busca pelo autoconhecimento, poder pessoal, comunicação autêntica e muito mais.

Então, pegue suas guias de contas, sua pulseira de tornozelo, vista suas melhores roupas brancas, e prepare-se para entrar nessa jornada espiritual onde chakras, orixás, filosofia e sabedoria se entrelaçam em uma dança vibrante em busca da harmonia interior."

“A Dança Espiritual dos Chakras e Orixás: Em Busca de Uma Filosofia de Harmonia Interior, com Xangô e Iansã”

Na jornada humana em busca de significado, muitas vezes encontramos um intricado tecido de crenças e filosofias que se entrelaçam e se influenciam mutuamente. Nesse universo espiritual multifacetado, a filosofia, os chakras e os orixás emergem como fios condutores que podem nos guiar na busca da harmonia interior e do entendimento mais profundo do eu e do mundo ao nosso redor.

Os chakras, esses centros de energia que são um legado da filosofia hindu e budista, nos convidam a explorar o cosmos interior do nosso corpo e mente. Eles representam não apenas uma anatomia energética, mas também um mapa das nossas emoções, pensamentos e aspirações. Como filósofos do corpo e da consciência, os chakras nos lembram que a busca pelo autoconhecimento é uma jornada espiritual.

Aqui entram os orixás, entidades poderosas das religiões afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda. Eles personificam aspectos da natureza e da humanidade, representando arquétipos que podem nos guiar em nossas vidas.

Dentro desse contexto, Xangô, associado ao Terceiro Chakra (Plexo Solar), emerge como um exemplo notável. Xangô representa a justiça, a autoridade e a sabedoria. O Terceiro Chakra, também chamado de Manipura, está ligado ao poder pessoal, autoestima e força de vontade. Assim, podemos ver Xangô como um orixá que nos lembra da importância de desenvolver nosso poder pessoal de maneira justa e sábia, equilibrando o ego e a autoridade com a compaixão e a integridade.

Já Iansã, associada ao Quinto Chakra (Garganta), personifica características de comunicação, expressão e verdade. O Quinto Chakra, Vishuddha, é o centro de comunicação e autoexpressão. Iansã nos convida a falar com autenticidade e a expressar nossos sentimentos e pensamentos de forma clara e honesta. Ela também é associada aos ventos e tempestades, símbolos de mudança e transformação, e nos lembra da importância de nos adaptarmos às circunstâncias da vida.

Diz-se que Iansã (Oiá) é o único orixá que não teme os mortos e divide com Xangô o poder do equilíbrio que leva a transcendência dos estados de consciência.

Na filosofia, as associações simbólicas das cores e dos dias dos orixás, como Xangô e Iansã, podem ser entendidas como manifestações da interação entre a cultura, a religião e a psicologia humana. Isso nos leva a considerar a profundidade do simbolismo presente nesses sistemas de crenças.

As cores, sendo símbolos culturais profundamente enraizados, representam significados e estados de ser. No caso de Xangô, a cor vermelha evoca uma energia intensa, relacionada à justiça e à paixão, a associação com o branco sugere a pureza e a neutralidade necessárias para o discernimento e a tomada de decisões justas.

Já Iansã, com sua associação à cor marrom ou vermelha, nos leva a considerar sua ligação com a terra e a vitalidade, refletindo a dualidade entre a força e a estabilidade. Sua relação com a cor marrom sugere uma conexão profunda com a natureza e o ciclo de vida, enquanto o vermelho pode ser interpretado como sua energia e fúria.

Os dias da semana também são carregados de simbolismo cultural e religioso. A escolha de celebrar Xangô e Iansã às terças-feiras pode ser vista como uma tentativa de sintonizar suas energias com a atmosfera chegando a metade da semana, potencialmente representando um momento de reflexão e ação equilibrada em relação aos desafios e aspirações da vida.

Em essência, essas associações simbólicas nos convidam a refletir sobre como os sistemas de crenças e a cultura humana se entrelaçam, moldando nossa compreensão do divino, do eu e do mundo ao nosso redor. São expressões intrincadas da psicologia humana em busca de significado, propósito e harmonia, refletindo a profunda interconexão entre os aspectos individuais e coletivos da experiência espiritual.

Assim, ao dançarmos entre os chakras e invocarmos os orixás Xangô e Iansã em nossa jornada espiritual, encontramos uma filosofia que nos permite equilibrar a busca pelo autoconhecimento com a necessidade de conexão com o mundo e com os outros. Xangô nos ensina a utilizar nosso poder pessoal com sabedoria, enquanto Iansã nos lembra da importância da comunicação autêntica. Em última análise, essa visão nos lembra que, seja na meditação silenciosa ou nos rituais vibrantes, a busca pela compreensão e pela harmonia interior é uma jornada profundamente humana, enriquecida pela diversidade das crenças e práticas que encontramos ao longo do caminho. Essa é minha jornada!

Fontes

Pereira, João Luiz Félix. Nação, Umbanda e Exú. Porto Alegre: Toquí, 2008.

Scipioni, Silvia/ Correa, Daura. Os Orixás e os Chacras. Porto Alegre: Scipio, 2016.

Smith, Huston. As Religiões do Mundo. São Paulo: Cultrix, 1991.

A Mudança muda: Visada Filosófica, Comunicação Não Verbal e Ansiedade na Sociedade Moderna

 


“Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.”

Mahatma Gandhi

Vou mergulhar em um daqueles tópicos filosóficos que fazem a cabeça da gente girar e os neurônios dançarem. Vou falar sobre "A Mudança que Muda". Parece meio paradoxal à primeira vista, né? Afinal, a mudança é a própria definição de, bem, mudança! A mudança pode não ser apenas um agente de transformação, mas talvez até uma entidade consciente que influencia nossas vidas de maneiras que nunca imaginamos, então criatividade e imaginação é o que não faltam.

A frase "a mudança muda" parece ser um paradoxo ou uma afirmação redundante, pois a palavra "mudança" implica em uma alteração ou transformação em algo. Nesse contexto, dizer que "a mudança muda" não adiciona informações claras, já que a própria natureza da mudança é provocar uma diferença ou modificação em uma situação ou estado anterior, no entanto, se estamos usando essa frase de maneira mais filosófica ou metafórica, poderia estar me referindo à ideia de que a própria ideia de mudança está sempre em evolução, ou que a mudança contínua é uma característica intrínseca da natureza. Nesse caso, a frase poderia ser interpretada como uma reflexão sobre a constante evolução das coisas ao longo do tempo. Mas, em um sentido literal, a mudança é definida por sua capacidade de causar transformações, logo, "a mudança muda" parece não fazer muito sentido.

No Sentido Filosófico

Imaginei um mundo onde as pessoas desenvolveram a capacidade de controlar o tempo de maneira única. Eles podem, com sua vontade, acelerar ou retardar a passagem do tempo em suas vidas pessoais. Essa habilidade os permite experimentar momentos significativos mais lentamente, aproveitando ao máximo cada segundo, ou acelerar o tempo quando enfrentam situações desagradáveis ou entediantes, tornando-as efêmeras, eis o mundo ideal desejado pela maioria dos seres humanos.

Nesse mundo, a percepção do tempo é profundamente moldada pela capacidade de controlar a mudança. As pessoas começam a questionar a natureza do tempo e como ele se relaciona com a mudança. Alguns filósofos argumentam que o tempo é uma construção subjetiva que depende inteiramente da mudança de experiências e eventos. Em outras palavras, a mudança é o que cria a noção de tempo.

Essa percepção leva a debates filosóficos intensos. Alguns argumentam que, se a mudança é controlada e manipulada, então o próprio tempo é subjetivo e pode ser moldado de acordo com a vontade humana. Outros sustentam que, apesar de sua capacidade de controlar a mudança, o tempo é uma força maior e universal que persiste independentemente da intervenção humana.

Essa sociedade desenvolve uma nova forma de filosofia do tempo, explorando questões profundas sobre a natureza da mudança e sua relação com a experiência temporal. Eles se perguntam se a mudança, ao ser controlada, redefine o significado do passado, presente e futuro. Afinal, se você pode retroceder ou avançar no tempo conforme desejar, como isso afeta a narrativa de sua vida?

Esse cenário hipotético ilustra como a capacidade de controlar a mudança pode levar a reflexões filosóficas profundas sobre a natureza do tempo e nossa compreensão do mesmo, destacando a interconexão intrincada entre mudança e nossa percepção temporal.

Vamos avançar com criatividade e imaginação

Agora imaginei um contexto em que "a mudança" é personificada como uma entidade ou força que não apenas causa transformações nas coisas, mas também tem a capacidade de refletir sobre si mesma. Nesse cenário, "a mudança" é uma entidade consciente que está ciente de seu próprio poder e influência nas vidas das pessoas e no mundo em geral.

A filosofia que surge desse conceito poderia explorar questões profundas sobre a natureza da mudança, sua motivação e ética. Filósofos poderiam especular se "a mudança" é uma força consciente que toma decisões sobre como e quando afetar as coisas, ou se ela simplesmente segue um padrão predestinado. Isso levantaria questões sobre livre arbítrio e determinismo. As pessoas poderiam debater se "a mudança" tem uma responsabilidade moral em relação às consequências de suas ações. Seria ético ou não "a mudança" causar certas transformações, mesmo que sejam prejudiciais a curto prazo, com a intenção de alcançar um bem maior a longo prazo?

Poderia ser argumentado que, uma vez que "a mudança" é consciente de si mesma, ela tem a capacidade de refletir sobre seu próprio papel na evolução do universo. Isso poderia levar a questões existenciais sobre o propósito da mudança e sua relação com a criação e a destruição. As pessoas poderiam explorar como "a mudança" influencia a jornada pessoal de cada indivíduo, e se essa entidade consciente está guiando as pessoas em direção ao crescimento e à evolução.

Esta abordagem me parece ser singular e inovadora, não recordo de ter lido alguma abordagem deste tipo, entendo que esta abordagem permite uma exploração profunda da relação entre a mudança e a consciência, acredito até que estaria abrindo um campo fértil para debates filosóficos sobre a natureza da realidade e o papel da mudança em nossa existência.

Nada é permanente, exceto a mudança.

Heráclito

Uma outra interpretação: No Sentido de Não Falar

Às vezes, quando falamos sobre "a mudança muda" no sentido de não falar, estamos nos referindo a mudanças sutis ou não evidentes que ocorrem em nossas vidas ou em nossa perspectiva sem que haja uma comunicação verbal explícita.

Por exemplo, podemos passar por uma experiência que nos faz repensar nossas prioridades ou nos leva a adotar uma nova maneira de ver o mundo. Essa mudança interna pode não ser expressa por palavras, mas ainda assim tem um impacto significativo em nossas vidas e em nossa maneira de interagir com o mundo.

Essa ideia também pode ser relacionada à comunicação não verbal, onde a mudança na linguagem corporal, expressões faciais e gestos podem transmitir mensagens importantes mesmo sem palavras, mesmo quando não falamos, a mudança ainda pode estar ocorrendo, moldando nossas experiências e influenciando nossas interações com os outros e com o mundo ao nosso redor.

A ideia de "a mudança muda" no sentido filosófico pode ser vista como uma reflexão sobre como as transformações sutis e não evidentes em nossas vidas têm um impacto significativo em nossa perspectiva e experiência do mundo. Enquanto a filosofia explora as implicações mais profundas dessa ideia, também podemos considerar como essa filosofia se aplica à nossa comunicação cotidiana.

Em nossas interações diárias, muitas vezes usamos palavras e linguagem para comunicar nossos pensamentos e sentimentos, muitas das nuances de nossa comunicação acontecem sem palavras, através de nossas ações, tom de voz, linguagem corporal e expressões faciais. Essas mudanças sutis na comunicação não verbal também podem "mudar" a dinâmica de uma conversa ou de um relacionamento.

Assim, a relação entre os dois sentidos de "a mudança muda" pode ser encontrada na ideia de que não apenas as palavras que dizemos, mas também as mudanças não verbais em nossa comunicação têm o poder de influenciar nossas interações e relações com os outros. A conscientização dessas mudanças sutis e a compreensão de como elas afetam nossa comunicação podem ser uma parte importante da melhoria de nossos relacionamentos e da nossa compreensão mais profunda da dinâmica humana.

Uma mudança deixa sempre patamares para uma nova mudança.

Maquiavel

A mudança muda é fonte de ansiedade

Agora, vou pensar nisso como um grande quebra-cabeça da vida moderna. Todos nós estamos passando por mudanças o tempo todo, algumas óbvias, outras nem tanto. Essas mudanças, pequenas ou grandes, podem nos deixar meio ansiosos, certo? Mudanças x Expectativas!

Às vezes, a ansiedade surge porque não sabemos como as coisas vão se desdobrar. E aí que entra a "mudança (que) muda". Não só estamos lidando com mudanças óbvias, mas também com aquelas sutis, que podem ser como um bichinho roendo nossa mente.

E tem mais, essa ansiedade às vezes se traduz em nossa comunicação não verbal. Pensem em quando estamos nervosos ou preocupados; talvez evitem olhar nos olhos de alguém ou fiquem inquietos. Essas pequenas mudanças na forma como nos comunicamos não verbalmente podem afetar como os outros nos percebem e como nos sentimos nas interações sociais.

A ansiedade, então, está meio que entrelaçada com essa ideia de "mudança (que) muda", seja nas mudanças sociais e tecnológicas que nos deixam inseguros, seja nas mudanças sutis em nosso comportamento que refletem nossos sentimentos internos. Por isso, entender essa relação pode nos ajudar a lidar melhor com a ansiedade na sociedade maluca em que vivemos!

O progresso é impossível sem mudança; e aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.

George Bernard Shaw

Somos sobreviventes de uma pandemia, saímos de um confinamento diferentes daquele quando entramos, alguns desejosos por mudar e retornar para o que eram, assim como muitos não querem retornar aquele status anterior, o sentimento que ficou foi de perdas, o mundo foi violado, não voltará a ser como era, desnudou nossa fragilidade, convivemos com a ansiedade individual e coletiva sob quatro paredes, logo, a vontade por mudanças é um fato, varia de pessoa para pessoa, intensidade e de lugar para lugar. É claro, não é possível generalizar completamente se todas as pessoas no mundo atual desejam mudanças, já que as opiniões e os desejos das pessoas são influenciados por uma variedade de fatores, incluindo cultura, política, economia, experiências pessoais e coletivas, mas que a “mudança muda” nos levou de lado para outro como pandorgas sem rabo também é fato.

O mundo detesta mudanças e, no entanto, é a única coisa que traz progresso.

Charles F. Kettering

Algumas pessoas podem estar ansiosas por mudanças, especialmente se estiverem insatisfeitas com o status quo, preocupadas com questões urgentes, ou desejosas de melhorias em áreas como meio ambiente, justiça social, saúde ou economia. Outras pessoas podem estar mais confortáveis com a estabilidade e resistir a mudanças significativas. Além disso, a perspectiva de mudança pode variar em diferentes regiões do mundo, em diferentes grupos demográficos e em diferentes faixas etárias. Não é possível afirmar categoricamente que todas as pessoas no mundo atual desejam mudanças. O desejo por mudanças é uma questão complexa e multifacetada, até mesmo a palavra mudança adquiriu personalidade e força, quase uma entidade que rege nossos destinos, a palavra ganhou destaque e força, pode ser sutil, densa, abundante, a mudança dá as cartas, temos de jogar seu jogo do devir por vontade própria ou não, somos empurrados por ela até o derradeiro destino, isto é, se houver destino.

A vida é uma jornada de mudanças constantes, desde o nascimento até o final da vida. Ao longo desse percurso, somos frequentemente desafiados por uma série de mudanças, escolhas e experiências que moldam nosso desenvolvimento pessoal. A adaptação a essas mudanças e desafios é uma parte fundamental da existência humana.

Muitas vezes, as mudanças que enfrentamos são impulsionadas por fatores externos, como eventos da vida, avanços tecnológicos, mudanças sociais e econômicas, entre outros, também temos a capacidade de fazer escolhas e tomar ações que moldam o curso de nossas vidas. À medida que envelhecemos, inevitavelmente enfrentamos desafios e mudanças significativas, incluindo questões de saúde, relacionamentos e reflexões sobre o propósito e significado da vida.

Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio...pois na segunda vez o rio já não é o mesmo, nem tão pouco o homem!  Heráclito

A jornada da vida é caracterizada por um fluxo constante de mudanças, algumas das quais são inevitáveis e outras que podem ser influenciadas por nossas decisões. Como indivíduos, podemos escolher abraçar essas mudanças, aprender com elas e buscar crescimento pessoal, buscando um sentido mais profundo e significativo ao longo de nossa jornada até o "derradeiro". A maneira como cada pessoa lida com essas mudanças e como escolhe viver sua vida é única e pessoal, cada um com suas experiências e sua história, sabemos que a “Mudança Muda” e isto ocorre a todo instante, inclusive ao saímos do chuveiro já não somos mais os mesmos.

 

Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.

Luis Fernando Verissimo