Acreditamos
que temos o controle da vida — das rotas, dos planos, dos sentimentos. Mas
basta um tropeço, uma doença, uma reviravolta, e tudo se reorganiza sozinho,
como se o mundo lembrasse que o dono dele não somos nós.
O
controle dá segurança, mas também cria rigidez. E o rígido, cedo ou tarde,
quebra. Aprender a soltar é a forma mais madura de sabedoria.
O
controle ilusório é aquela sensação de que tudo está sob nossas mãos, até que a
vida, com seu humor imprevisível, decide nos lembrar do contrário. Penso nisso
quando programo o dia inteiro — horários, tarefas, metas — e, de repente, uma
chuva muda o trânsito, o computador trava, ou o humor simplesmente desaba. A
gente se esforça para segurar as rédeas, mas a verdade é que o mundo não cabe
no nosso planejamento. É como tentar controlar o vento abrindo e fechando as
janelas: no máximo, mudamos a direção da corrente, nunca a sua existência.
Ainda assim, há algo libertador em reconhecer o limite — porque, quando
deixamos o vento entrar, às vezes ele traz exatamente o que precisávamos.
Epicteto,
o estoico, dizia: “Não controlamos o que acontece, apenas como reagimos.” É
nisso que mora a liberdade verdadeira — não na ausência de caos, mas na
serenidade diante dele.
Viver
é como remar em rio aberto: quem tenta dominar a corrente se cansa; quem
aprende a fluir, avança.