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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Controle Ilusório


Acreditamos que temos o controle da vida — das rotas, dos planos, dos sentimentos. Mas basta um tropeço, uma doença, uma reviravolta, e tudo se reorganiza sozinho, como se o mundo lembrasse que o dono dele não somos nós.

O controle dá segurança, mas também cria rigidez. E o rígido, cedo ou tarde, quebra. Aprender a soltar é a forma mais madura de sabedoria.

O controle ilusório é aquela sensação de que tudo está sob nossas mãos, até que a vida, com seu humor imprevisível, decide nos lembrar do contrário. Penso nisso quando programo o dia inteiro — horários, tarefas, metas — e, de repente, uma chuva muda o trânsito, o computador trava, ou o humor simplesmente desaba. A gente se esforça para segurar as rédeas, mas a verdade é que o mundo não cabe no nosso planejamento. É como tentar controlar o vento abrindo e fechando as janelas: no máximo, mudamos a direção da corrente, nunca a sua existência. Ainda assim, há algo libertador em reconhecer o limite — porque, quando deixamos o vento entrar, às vezes ele traz exatamente o que precisávamos.

Epicteto, o estoico, dizia: “Não controlamos o que acontece, apenas como reagimos.” É nisso que mora a liberdade verdadeira — não na ausência de caos, mas na serenidade diante dele.

Viver é como remar em rio aberto: quem tenta dominar a corrente se cansa; quem aprende a fluir, avança.


terça-feira, 8 de julho de 2025

Antes do Café

 


Pensamentos antes do café...

 

Antes do café, o mundo é um lugar meio embaçado. As ideias ainda estão no modo soneca, a memória falha em lembrar onde está a chave, e a lógica tropeça nas próprias palavras. Antes do café, os planos são apenas sombras do que poderiam ser, e a vontade de conversar com alguém parece um esforço digno de heróis.

 

Há quem diga que o dia começa com o despertador. Mas, sejamos sinceros: o dia começa quando o café entra em cena. Antes dele, a alma está em modo de espera, como um navegador offline tentando carregar o mapa da existência. É nesse intervalo, entre o levantar do corpo e o despertar da mente, que habitam os pensamentos mais sinceros – os que não foram ainda editados pela razão ou moldados pela conveniência.

 

Antes do café, você se lembra de quem precisa ligar, mas não tem energia para o papo. Você pensa nas contas, mas acha melhor não abrir o aplicativo do banco. Antes do café, até a coragem parece pedir cinco minutinhos a mais.

 

E talvez seja aí que mora uma verdade sutil: esse tempo suspenso, meio turvo, revela um você cru, sem defesas. Um ser honesto na confusão, aberto àquilo que o dia quiser trazer. Como diz o poeta Manoel de Barros, “o mundo não foi feito em alfabeto”, e talvez por isso as primeiras palavras do dia demorem tanto a fazer sentido.

 

Depois do café, claro, tudo muda. A ordem volta, a coragem se ajusta à roupa do dia, e a razão toma a frente. Mas os pensamentos antes do café... esses, ah, esses são os mais humanos.