Tomar decisões é uma arte que aprendemos errando. Às vezes,
um “sim” muda tudo; às vezes, é o “não” que liberta. E o mais curioso:
raramente temos certeza no momento em que escolhemos. Só o tempo revela o peso
de cada escolha.
No dia a dia, escolhemos o tempo todo — o que dizer, o que
calar, onde ir, com quem ficar. Mesmo as decisões pequenas, repetidas, moldam o
que nos tornamos. O destino não é sorte; é sequência.
As decisões moldam a vida da mesma forma que o vento molda a
areia: um sopro de cada vez, quase imperceptível, mas inevitável. Escolher
levantar um pouco mais cedo, responder com calma em vez de impulso, aceitar ou
recusar um convite — tudo isso vai desenhando o contorno do nosso caminho.
Lembro de quando decidi mudar o trajeto para o trabalho só para passar por uma
rua mais arborizada; parecia uma escolha boba, mas aquele pequeno desvio virou
um respiro diário, um momento de pausa. No fundo, são essas decisões miúdas,
tomadas entre um café e outro, que vão esculpindo o que somos, muito mais do
que as grandes viradas que costumamos esperar.
Jean-Paul Sartre dizia que “somos condenados a ser
livres”. Essa liberdade assusta porque nos coloca diante da responsabilidade de
construir a própria vida, sem manuais. Cada decisão é um pedaço do nosso rosto
no espelho do tempo.
No fim, a vida é feita das escolhas que tivemos coragem de
manter — e das que tivemos sabedoria de mudar.