Quando
começamos a vida profissional, imaginamos um caminho reto, feito de esforço e
recompensa. Mas logo percebemos que é um labirinto. As portas que pareciam
abertas se fecham, e as que não esperávamos se escancaram. A profissão, às
vezes, parece ter vontade própria. Lembro quando comecei no primeiro emprego, a
partir daí aprendi a seguir pelo labirinto de oportunidades, elas surgiam como
recompensas pelo meu empenho e dedicação, me trouxeram longe, levaram onde
jamais poderia ter imaginado ir.
No
início, há entusiasmo e curiosidade. Depois, surgem metas, prazos, pressões. A
rotina vai tomando o espaço do sonho — e é aí que muitos se perdem de si
mesmos. Trabalham muito, mas já não sabem por quê.
O
labirinto profissional é mais do que o cansaço do trabalho: é o desafio de
manter o sentido em meio às exigências. É lembrar que o ofício, quando vivido
com presença, ainda pode ser um espaço de criação, não apenas de sobrevivência.
Hannah
Arendt dizia que “trabalhar é humanizar o mundo”. Mas
isso só acontece quando o trabalho também nos humaniza. O perigo é transformar
a vocação em função, o talento em tarefa. O labirinto só se revela saída quando
a gente volta a se escutar.
No
fim, o trabalho não é o que fazemos para viver, mas o que fazemos para existir
com propósito.