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sábado, 17 de janeiro de 2026

Férias Agitadas

Fiquei me perguntando por que muita gente prefere frequentar as mesmas praias que estão sempre super lotadas com desconforto de restaurantes lotados, dificuldade para estacionamento, hospedagens caríssimas, e poucas são as pessoas que preferem praias mais tranquilas com beleza exuberante, com espaço amplo para circular, passear e colocar seu guarda-sol, hospedagens com preço mais justo.

Pensei: Porque, no fundo, as férias deixaram de ser só descanso — viraram também narrativa, prova social e pertencimento.

Hoje, viajar não é apenas ir a um lugar, é mostrar que se esteve lá. Lugares cheios funcionam como certificados simbólicos: “se todo mundo quer, deve valer a pena”. A multidão valida a escolha. O destino tranquilo, por outro lado, não gera a mesma sensação de reconhecimento.

Há também um fator psicológico curioso:

o silêncio obriga a gente a ficar consigo mesmo. Já o lugar lotado distrai. Em vez de escutar os próprios pensamentos, escutamos filas, música alta, conversas alheias. Para muita gente, isso é mais confortável. (ainda bem que estão proibindo caixa de som na beira da praia)

Outro ponto é o medo invisível de estar “perdendo algo”. Quando vemos milhares indo ao mesmo lugar, surge a impressão de que ali está a experiência verdadeira da vida. O tranquilo passa a parecer incompleto, como se estivesse fora do roteiro do mundo.

E há ainda a estética da experiência:

lugares cheios oferecem fotos reconhecíveis. Um fundo famoso, uma pose famosa, uma lembrança facilmente traduzível em curtidas. O lugar calmo oferece algo mais difícil de mostrar: sensação, silêncio, tempo dilatado — coisas que não cabem bem numa tela.

No fundo, não é que as pessoas rejeitem a tranquilidade.

Elas rejeitam a invisibilidade que a tranquilidade traz.

Descansar em paz não impressiona ninguém.

Mas impressionar, hoje, cansa menos do que descansar.

Talvez por isso os lugares mais cheios estejam lotados…

e os mais vazios estejam, paradoxalmente, esperando por quem ainda lembra que férias também podem ser um encontro consigo mesmo.


segunda-feira, 20 de maio de 2024

Mundo dos Esquecidos


No ritmo frenético do mundo moderno, há uma categoria silenciosa e muitas vezes invisível que cresce a cada dia: os esquecidos. Essas são pessoas, comunidades e até memórias que, por diversas razões, foram deixadas de lado pela sociedade. Este artigo busca explorar esse "Mundo dos Esquecidos" através de uma lente filosófica e sociológica, iluminando situações do cotidiano que revelam essa realidade.

Invisibilidade Social

No centro das grandes cidades, é comum ver pessoas em situação de rua, muitas vezes ignoradas pela maioria dos transeuntes. Essa invisibilidade social não é apenas uma questão de descaso individual, mas um reflexo de sistemas que perpetuam desigualdades. Filósofos como Michel Foucault discutem como o poder se manifesta nas estruturas sociais, criando "zonas de abandono" onde certos indivíduos são excluídos do reconhecimento e cuidado.

O Esquecimento das Comunidades Rurais

Nas áreas rurais, longe do brilho e da pressa das metrópoles, muitas comunidades enfrentam um esquecimento gradual. Falta de investimento em infraestrutura, educação e saúde são sinais claros de uma marginalização sistêmica. Essas comunidades vivem uma realidade que parece parada no tempo, onde o progresso parece não ter chegado. Sociologicamente, isso pode ser visto como um reflexo do centralismo urbano, onde as políticas públicas focam nas áreas mais densamente povoadas, deixando as regiões rurais à margem do desenvolvimento.

Memórias Coletivas e a História dos Vencidos

O filósofo alemão Walter Benjamin fala sobre a história dos vencidos, aquelas narrativas que são soterradas pela versão oficial dos vencedores. Na vida cotidiana, isso se manifesta nas histórias de povos indígenas, de trabalhadores explorados, de minorias raciais e étnicas cujas contribuições e sofrimentos são frequentemente apagados ou minimizados. Celebramos feriados e figuras históricas, mas raramente refletimos sobre as vozes que foram silenciadas na construção dessas narrativas.

Idosos e o Esquecimento Geracional

Em muitas culturas, os idosos são tratados como depositários de sabedoria e história. No entanto, na sociedade ocidental moderna, há uma tendência crescente de marginalização dos mais velhos. Casas de repouso e asilos estão cheios de indivíduos que foram "esquecidos" por suas famílias e pela sociedade. Esse fenômeno reflete uma desconexão intergeracional e uma valorização excessiva da juventude e da produtividade, relegando os mais velhos ao esquecimento.

Tecnologias e o Novo Esquecimento

A era digital trouxe uma nova forma de esquecimento: a obsolescência tecnológica. Dispositivos e plataformas que eram onipresentes há poucos anos agora são relíquias, e com elas, muitas das nossas memórias digitais se perdem. Fotos, mensagens e documentos armazenados em tecnologias ultrapassadas ficam inacessíveis, refletindo um novo tipo de esquecimento que surge da rápida evolução tecnológica.

Resistência e Memória Ativa

Apesar dessa realidade, há movimentos e iniciativas que lutam contra o esquecimento. Movimentos sociais, ONGs, e projetos comunitários trabalham incansavelmente para dar voz aos esquecidos. Historiadores e ativistas se esforçam para recuperar e preservar as memórias coletivas que estão em risco de desaparecer. Essa resistência é fundamental para manter viva a chama da diversidade e da inclusão.

Vivemos em uma era onde a novidade é valorizada acima de tudo. Seja na tecnologia, na cultura ou nas interações sociais, o novo constantemente substitui o velho. Mas essa dinâmica tem um preço: o sufocamento do esquecido, muitas vezes relegando ao esquecimento pessoas, tradições e memórias que deveriam ser preservadas.

A dinâmica do novo sufocando o esquecido é um desafio constante em nossa sociedade. No entanto, ao reconhecer o valor do passado e encontrar um equilíbrio entre inovação e preservação, podemos criar uma cultura que respeita e honra todas as suas partes. Afinal, o verdadeiro progresso não vem apenas do novo, mas da integração harmoniosa do antigo com o novo.

O "Mundo dos Esquecidos" é uma realidade complexa e multifacetada que exige nossa atenção e reflexão. Ao reconhecer as diversas formas de esquecimento em nossa sociedade, podemos começar a criar estratégias para inclusão e memória ativa. Afinal, uma sociedade que esquece seus membros mais vulneráveis é uma sociedade que precisa urgentemente reavaliar suas prioridades e valores. É essencial que, em nosso dia a dia, façamos um esforço consciente para ver e ouvir aqueles que foram deixados de lado, garantindo que ninguém seja verdadeiramente esquecido.