Dia
destes estava vendo um post no Instagram que achei interessante, vi a filmagem
e li a mensagem, logo comecei a conjecturar.
Pensar
como polvo é abandonar a obsessão por uma única ideia central e
aceitar que o pensamento pode se espalhar.
O
polvo não pensa em linha reta. Ele pensa com o corpo inteiro. Cada tentáculo
tateia o mundo por conta própria, sente, reage, aprende. Não há um “centro de
comando” tirânico dizendo exatamente o que fazer a cada segundo. Há
coordenação, mas também autonomia. Talvez seja isso que nos falte quando
insistimos em pensar tudo apenas com a cabeça.
Pensar
como polvo é aceitar que uma ideia pode nascer no desconforto, outra numa
conversa banal, outra ainda num silêncio constrangedor. É permitir que partes
de nós explorem caminhos diferentes ao mesmo tempo, sem exigir síntese
imediata. Nem tudo precisa virar conclusão; algumas coisas só precisam ser
tocadas.
No
cotidiano, isso aparece quando tentamos resolver um problema complexo e ele não
anda. Forçar lógica sobre lógica só endurece. O polvo faria diferente: mudaria
de textura, de cor, de ângulo. Testaria. Recuaria. Avançaria por outro lado.
Pensar como polvo é dar tempo ao pensamento distribuído — aquele que amadurece
enquanto lavamos a louça, caminhamos sem rumo ou ouvimos alguém falar de algo
que “não tem nada a ver”.
Há
também uma lição ética aí. O polvo sabe quando se esconder, quando se mostrar,
quando soltar a presa. Não insiste em tudo. Nós, ao contrário, nos apegamos a
ideias como se fossem identidade. Pensar como polvo é saber soltar um tentáculo
sem morrer por isso.
Talvez
o pensamento mais vivo não seja o mais brilhante, mas o mais sensível. Menos
rígido, menos vaidoso. Um pensamento que aceita explorar o mundo sem a
necessidade imediata de dominá-lo.
Pensar
como polvo, no fundo, é confiar que a inteligência não mora só na cabeça — ela
se espalha por todo o corpo que vive.
Eis
o link da postagem: