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sábado, 30 de agosto de 2025

Razão Não Basta

O Humano Entre Lógica e Afeto

A vida nos ensina cedo que não dá para calcular tudo. Podemos planejar uma viagem milimetricamente, mas a lembrança mais marcante pode ser o pôr do sol inesperado, ou a conversa com um desconhecido no ônibus. Podemos escolher uma carreira pelo salário, mas sentir que algo essencial falta. É nesse intervalo entre o previsível e o vivido que percebemos: a razão, sozinha, não basta.

No cotidiano brasileiro, isso se expressa de muitas formas. O estudante que segue a rota segura de um concurso público, mas descobre que sua alegria está na música; o casal que, “racionalmente” compatível, perde-se porque não há mais ternura; a mãe que, contra todos os conselhos técnicos, insiste em confiar na intuição sobre o cuidado do filho — e está certa. O excesso de lógica, nesses casos, sufoca o que é propriamente humano: a sensibilidade.

O filósofo brasileiro N. Sri Ram, em sua obra A Busca do Bem-Estar (1954), lembrava que a sabedoria não nasce apenas do pensamento discursivo, mas da integração entre mente e coração. Para ele, o intelecto é importante, mas só ganha profundidade quando iluminado por uma visão interior que inclui compaixão e empatia. A verdadeira clareza não está no raciocínio frio, mas na percepção que reconhece o outro como parte de si.

Esse ponto é essencial: a razão nos ajuda a organizar o mundo, mas é o afeto que nos conecta a ele. Sem compaixão, a ciência pode se tornar ferramenta de destruição; sem imaginação, a técnica vira rotina vazia; sem amor, a lógica se reduz a cálculo de interesses.

“Razão não basta” não é um convite ao irracionalismo, mas à completude: reconhecer que somos feitos de intuição, desejo, memória, fé e corpo. Pascal dizia que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”; Sri Ram acrescentaria que é justamente nessa união de coração e mente que o ser humano encontra sua verdadeira liberdade.

Assim, talvez a sabedoria não seja escolher entre pensar ou sentir, mas saber quando deixar que um complete o outro. Porque viver, afinal, é mais do que raciocinar: é também deixar-se atravessar pelo imprevisto, pelo gesto que foge à lógica e, ainda assim, faz todo sentido.


quinta-feira, 21 de março de 2024

Razão Suficiente


Você já parou para pensar por que as coisas acontecem do jeito que acontecem? Por que você acorda todas as manhãs com o sol brilhando lá fora ou por que o trânsito está sempre tão caótico nos horários de pico? A resposta pode estar na ideia de "razão suficiente", um conceito que permeia não apenas a filosofia, mas também nossas vidas cotidianas.

A razão suficiente, em sua essência, sugere que tudo o que acontece possui uma explicação ou causa que é suficiente para justificar seu ocorrido. Em outras palavras, nada acontece sem uma razão por trás. Essa ideia nos acompanha em nossas experiências diárias, moldando nossa compreensão do mundo ao nosso redor.

Vamos pensar em um exemplo simples: você está na fila do supermercado e percebe que está demorando mais do que o normal para ser atendido. Em vez de ficar frustrado, você pode recorrer à razão suficiente para entender por que isso está acontecendo. Talvez o caixa esteja treinando um novo funcionário, ou talvez haja um problema no sistema de pagamento. Independentemente do motivo, a ideia é que existe uma explicação para o que está acontecendo.

O filósofo alemão Gottfried Wilhelm Leibniz foi um dos principais defensores da razão suficiente. Para Leibniz, o mundo era regido por uma ordem divina, onde cada evento tinha uma causa suficiente para explicá-lo. Ele acreditava que, ao entendermos as causas por trás dos eventos, poderíamos alcançar um conhecimento mais profundo sobre o mundo e nossa própria existência.

Por outro lado, o filósofo Arthur Schopenhauer tinha uma visão um pouco diferente sobre a razão suficiente. Para Schopenhauer, a vida era marcada pelo sofrimento e pela insatisfação, e a busca por uma razão suficiente muitas vezes levava à frustração. Ele argumentava que, embora possamos entender as causas dos eventos, isso não nos traz necessariamente consolo ou felicidade.

É importante ressaltar, no entanto, que a ideia de razão suficiente não implica necessariamente que tudo tem que ter uma causa ou uma explicação. Nem sempre conseguimos entender completamente os motivos por trás dos eventos que ocorrem em nossas vidas. Às vezes, as coisas simplesmente acontecem sem uma explicação clara. E está tudo bem. A vida é cheia de mistérios e surpresas, e nem sempre precisamos entender tudo.

Portanto, da próxima vez que você se encontrar diante de uma situação desconcertante ou inexplicável, lembre-se da razão suficiente. Busque entender as causas por trás dos eventos, mas esteja aberto à possibilidade de que nem sempre há uma explicação clara. Afinal, na busca pela compreensão do mundo, a razão suficiente pode ser um farol que nos guia através das incertezas, mas também é importante aceitar que algumas coisas simplesmente fazem parte do mistério da vida.